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03/08/2016

Drogas que modulam a expressão gênica são testadas em modelo de diabetes


Karina Toledo  |  Agência FAPESP – Na origem de doenças complexas e multifatoriais, como câncer, Alzheimer ou diabetes, há, em geral, uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Estudos já demonstraram que hábitos de alimentação e de atividade física, assim como exposição a toxinas e patógenos, podem alterar a forma como os genes se expressam – sem causar alterações na estrutura do DNA –, deixando o organismo mais protegido ou mais predisposto a desenvolver uma determinada patologia.
As chamadas modificações epigenéticas – um conjunto de processos bioquímicos disparados por estímulos ambientais que moldam o funcionamento do genoma e, consequentemente, o perfil fenotípico, por meio da ativação ou desativação de genes – foram tema do Projeto Temático “Estrutura e organização da cromatina com o envelhecimento e o diabetes frente a alterações induzidas em marcadores epigenéticos”, coordenado pela professora Maria Luiza Silveira Mello, no Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A investigação sobre o uso de algumas drogas moduladoras epigenéticas no tratamento do diabetes vem sendo feita no âmbito da Bolsa de Doutorado de Marina Barreto Felisbino vinculada àquele projeto.
Entre os mecanismos epigenéticos conhecidos estão a metilação do DNA – que ocorre quando há adição de um grupo metil (formado de partículas de hidrogênio e carbono) à base citosina do DNA – e a modificação de histonas – relacionadas à adição ou subtração de grupos acetil (carbono, oxigênio e hidrogênio) e metil (carbono e hidrogênio) aos aminoácidos que formam essas proteínas existentes no núcleo das células.
Acredita-se que, assim como esses processos bioquímicos podem estar envolvidos na causa de uma doença, podem também fazer parte da cura. Partindo desse pressuposto, diversos grupos de pesquisa têm testado – ainda de forma preliminar – o efeito de drogas capazes de induzir modificações epigenéticas no tratamento de patologias complexas.
“Há evidências de que a metilação do DNA e as modificações de histonas regulam as vias relacionadas com o metabolismo de glicose e de insulina. Em uma situação de hiperglicemia, essas marcas epigenéticas estão desreguladas. Nossa hipótese é que, com uma droga moduladora epigenética, podemos fazer voltar ao estado normal”, disse Felisbino.
Conforme explicou Mello, a linha de pesquisa de Felisbino tem como objetivo testar, no tratamento do diabetes, a utilidade de drogas como o ácido valproico e a tricostatina – capazes de inibir uma enzima responsável por remover radicais acetil ligados às proteínas histonas (deacetilase de histonas).
Para simular as condições da doença in vitro, o grupo tem usado uma linhagem de hepatócitos (células do fígado) em um meio de cultura com alta concentração de glicose (hiperglicemia).
“Decidimos usar como modelo células do fígado porque ele é um órgão-chave no metabolismo. Normalmente, o fígado libera glicose na circulação sanguínea apenas sob condições de restrição de nutrientes. Mas a resistência ou a deficiência de insulina pode causar aumento dessa produção de glicose hepática e isso é um evento central no desenvolvimento e no avanço do diabetes”, explicou Mello.
Um dos objetivos do estudo era entender como a cromatina (estrutura existente no núcleo celular formada pelo DNA e por proteínas histônicas e não histônicas) dos hepatócitos responde tanto a uma situação de hiperglicemia como à exposição a inibidores da enzima deacetilase de histonas.
“Esse conhecimento nos permite entender as consequências de um tratamento que faça uso de tais drogas, como o ácido valproico. Ele tem sido amplamente usado no tratamento de surtos epilépticos e, mais recentemente, foi descrito seu papel como agente inibidor de deacetilase de histonas”, contou Mello.
Um primeiro experimento foi feito para observar se a hiperglicemia por si só induzia modificações na cromatina dos hepatócitos – sem qualquer interferência de drogas moduladoras. Segundo Felisbino, a cromatina foi o alvo principal da análise por ser o “palco do controle epigenético”.
O grupo comparou células cultivadas em um meio normoglicêmico (níveis normais de glicose) com células em meio hiperglicêmico e avaliou – por miscroscopia confocal e softwares de análise de imagem – parâmetros como área, perímetro, densidade e compactação do núcleo. Também foi avaliada, por citometria de fluxo, a abundância de determinadas modificações de histonas já identificadas em estudos anteriores como relevantes na modulação da expressão gênica.
“Algumas modificações de histonas são clássicas e já têm o papel bem compreendido. Por exemplo: a H3K9-acetilada, em geral, está relacionada a uma cromatina mais aberta e mais ativa. Ou seja, está associada a um aumento na expressão gênica. Já a H3K9-dimetilada está relacionada com uma cromatina mais fechada, mais compactada e, consequentemente, com uma redução na expressão gênica”, explicou Felisbino.
Os resultados desse primeiro ensaio indicaram que a hiperglicemia faz com que a cromatina fique mais descompactada e mais propensa à expressão gênica. Neste primeiro momento, a análise não se concentrou em genes específicos, ou seja, foi avaliada a expressão de maneira global.
O passo seguinte foi tratar os hepatócitos no meio normoglicêmico e hiperglicêmico com as drogas ácido valproico e tricostatina. Como elas inibem a enzima que remove o grupo acetil das histonas, estão relacionadas com um aumento na acetilação dessas proteínas e, portanto, a uma descompactação da cromatina e aumento na expressão gênica.
“Nas células em normoglicemia elas de fato agiram dessa forma, aumentando o tamanho do núcleo e a abundância das marcas epigenéticas associadas a uma cromatina mais descompactada e ativa. Achávamos que nas células em meio hiperglicêmico esse efeito seria ainda mais acentuado, mas não foi isso que observamos. Praticamente não houve diferença estatística na comparação das duas culturas”, contou Felisbino.
Leia mais em Agência FAPESP.

10/07/2016

Bactérias do intestino podem desencadear diabete tipo 1

Descobertas inéditas foram publicadas na revista “The Journal of Experimental Medicine” e podem abrir caminhos para tratamentos da doença



Cientistas do Laboratório de Imunoparasitologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP desvendam mecanismo capaz de dar início ao diabete tipo 1, doença autoimune que impede o pâncreas de produzir insulina e responde por 10% de todos os casos de diabete.

O estudo acaba de ser publicado pela revista científica norte-americana The Journal of Experimental Medicine. Os pesquisadores brasileiros verificaram que bactérias são capazes de extravasar a parede do intestino e chegar ao pâncreas, contribuindo com o desencadeamento da doença.

Segundo Frederico Ribeiro Campos Costa, integrante da equipe e primeiro autor do estudo, pesquisas recentes têm relacionado a microbiota intestinal (popularmente conhecida como flora intestinal) com o diabete tipo 1 e revelam composição diferente de bactérias no intestino de pessoas predispostas a essa doença. No entanto, uma pergunta intrigava a comunidade científica: como uma bactéria que está no nosso intestino pode levar à destruição de uma célula que está no pâncreas? Instigados pelo enigma, Costa, com seu grupo de pesquisa, se puseram a investigar.

O diabete tipo 1 é uma doença autoimune que se caracteriza pelo ataque do próprio sistema de defesa do organismo às células beta do pâncreas, confundindo-as com patógenos como vírus ou bactérias. Essas células são as produtoras do hormônio insulina (responsável pelo controle do açúcar no sangue). “Sem elas, a pessoa não consegue produzir sua própria insulina e tem que tomar doses diárias do hormônio pelo resto da vida”, diz o cientista.

Estudando a doença em camundongos de laboratório, Costa descobriu que certas espécies de bactérias conseguiam sair do intestino e chegar até os linfonodos pancreáticos, estrutura que fica ao redor do pâncreas. Quando essas bactérias chegam lá, desencadeia-se uma resposta inflamatória. Nosso sistema de defesa vai reconhecê-las através do receptor NOD2 (proteína que desempenha importante papel no sistema imunológico) e gerar uma resposta pró-inflamatória. Na sequência, esse ambiente pró-inflamatório contribui com o ataque às células produtoras de insulina.

Essas foram as “grandes novidades de nosso trabalho”, assegura o cientista. Pela primeira vez, um estudo mostra que uma bactéria é capaz de sair do intestino e chegar no linfonodo pancreático. E, ainda, que esse fato desencadeia uma resposta pró-inflamatória com a ativação da proteína NOD2 que vai contribuir com a morte das células beta em pessoas com uma predisposição genética a desenvolver a doença.

Mesmo conhecendo os mecanismos pelos quais age essa proteína do sistema imune, NOD2, pouco se sabia sobre seu papel no reconhecimento de bactérias que “escapam” do intestino. Os pesquisadores da FMRP garantem que ela é capaz de reconhecer a bactéria e disparar o processo que acaba com a perda das células beta. “Para provar essa hipótese, tratamos camundongos, antes do início da doença, com um coquetel de antibióticos fortíssimo.”

Segundo Costa, o coquetel de drogas diminuiu ao máximo as bactérias, que não conseguiram mais migrar para o linfonodo e não ativaram a NOD2. O resultado foi observado com o camundongo sem a inflamação e com as células beta pancreáticas íntegras.

Leia mais em Jornal da USP

28/04/2016

"Canudinho mágico" detecta açúcar escondido em bebidas


Na última segunda-feira (25), o Hospital Infantil Sabará e a agência mcgarrybowen lançaram uma campanha nas redes sociais para alertar sobre os riscos do consumo excessivo de açúcar na dieta das crianças.

Para chamar a atenção do público, a agência criou um "canudinho mágico" que indica o açúcar escondido em bebidas como refrigerante, suco de caixinha e água de coco.

Foi criado um site em que os usuários podem, além de ver o vídeo da campanha, encontrar informações sobre obesidade infantil e dicas para uma alimentação saudável.

"O jovem brasileiro está consumindo 45% mais açúcar do que o recomendado, só com bebidas industrializadas. Ter consciência daquilo que estamos consumindo e oferendo para as crianças dentro e fora de casa, pode ter papel decisivo na saúde geral dos indivíduos", comenta Dr. Felipe Lora, endócrino pediatra do Hospital Infantil Sabará.

Confira o vídeo da ação:


Fonte: Adnews/Exame
Foto: Reprodução

10/04/2016

Samsung criou lentes de contato com câmera



A Samsung patenteou recentemente na Coreia do Sul lentes de contato "inteligentes". As lentes estão equipadas com um pequeno projetor, uma câmera, uma antena e vários sensores que detetam movimento. Ou seja, tudo indica que esta será uma ferramenta para ter acesso à chamada realidade aumentada - a integração de informações virtuais em tempo real.

O dispositivo conseguirá projetar imagens diretamente para os olhos, tirar fotografias com energia proveniente de ligação wireless com o smartphone e ser controlado com um simples piscar de olhos.

A Samsung não é a única marca interessada em criar lentes inteligentes e a Google possui duas patentes assinadas em 2014 com a empresa farmacêutica dedicada ao ramo da oftalmologia Alcon, subsidiária da Norvatis. O protótipo desta lente permite monitorizar os níveis de açúcar no sangue através de pequenos sensores que analisam as lágrimas e oferecem atualizações em tempo real aos usuários diabéticos, através de um dispositivo médico sem fios, menos doloroso e invasivo do que o método tradicional.

Fonte: Diário de Notícias
Imagem: Divulgação

04/04/2016

UFU estuda ação de proteína em tratamento de infecção pulmonar


Uma pesquisa orientada pelo professor Robinson Sabino Silva, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM) e credenciado nos programas de pós-graduação em Ciências da Saúde e em Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), pode dar uma nova esperança para quem tem diabetes e sofre com infecções respiratórias.
O trabalho, que envolve pesquisadores da UFU, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta uma relação entre a proteína SGLT1 e a diminuição de glicose e líquido pulmonar. Os pesquisadores integram o Grupo de Pesquisa em Fisiologia Integrativa e Nanobiotecnologia Salivar, do ICBIM/UFU.
Segundo Silva, já eram conhecidos outros benefícios da proteína SGLT1 nas glândulas salivares e no intestino, mas ainda não havia estudos concretos da atuação nos pulmões. “Estudo essa proteína há dez anos e, agora, os resultados indicam que a SGLT1 promove a diminuição da concentração de glicose e do volume de líquido pulmonar, reduzindo o risco de infecções respiratórias”, explicou.

De acordo com Silva a pesquisa foi realizada com animais e, o próximo passo, é captar recursos para realizar testes em humanos.O grupo fez experimentos em ratos diabéticos, injetando dois tipos de fármacos: um que estimulava o efeito da proteína SGLT1 e outro que bloqueava o efeito dela.
A pesquisa concluiu que a atividade da proteína SGLT1 em células alveolares do pulmão de ratos diabéticos modula a concentração de glicose e a proliferação bacteriana no líquido de superfície das vias. “A partir desse trabalho podemos criar novos medicamentos e minimizar esse problema que gera tantos custos e filas em hospitais. Observamos a alta incidência de pneumonia em diabéticos e quisemos reverter esse quadro. O trabalho abre perspectivas para o desenvolvimento de novos fármacos”, afirmou.
Para o orientador do estudo, a descoberta reflete um sonho realizado, mesmo não tendo previsão para testes. “Com a estrutura que já temos conseguimos ter um gasto de R$ 30 mil a R$ 40 mil com a pesquisa – incluindo reagentes e materiais. Sabemos da importância desse estudo visto que de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF) existem 500 milhões de pessoas diabéticas no mundo. No Brasil a expectativa é que 10% da população tenha a doença”, acrescentou.

Fonte: G1
Foto: Divulgação

13/03/2016

Gordura marrom pode ajudar a combater diabetes, diz estudo


A gordura marrom, situada na zona da clavícula e coluna vertebral das pessoas, pode servir para regular as oscilações de glicose, o que abre uma porta na luta contra o diabetes, segundo um estudo australiano divulgado nesta sexta-feira.

"Acreditamos que a gordura marrom funciona como um amortecedor da glicose, mitigando a oscilação de seus níveis", disse à emissora local "ABC" o endocrinologista Paul Lee, do Instituto de Pesquisa Médica Garvan, com sede na cidade australiana de Sydney.

Para essa pesquisa, que foi publicada na revista científica Cell Metabolism (Metabolismo celular), Lee e um grupo de colegas mediram continuamente, durante 12 horas, a atividade da gordura marrom, também conhecida como tecido adiposo marrom, e o que gerava na pele de 15 pessoas que gozavam de boa saúde.

Os pesquisadores determinaram que os níveis de glicose reduziram com a atividade da gordura marrom no grupo de pessoas que tinha uma abundante quantidade deste tecido adiposo.

"Estas pessoas tinham níveis muito estáveis de glicose ao longo do dia", contou Lee, que destacou que a gordura marrom, junto a uma dieta saudável e exercícios físicos, podem contribuir para lutar contra o diabetes.

Os pesquisadores também notaram que a atividade do gordura marrom aumenta ao amanhecer, o que foi vinculado à evolução dos seres humanos que no passado caçavam durante as frias manhãs, embora acredita-se que esta estaria diminuindo em tempos modernos.

"Talvez o fato não nos expormos ao frio pelo uso de sistemas de calefação e da roupa podem ser fatores que contribuem com o diabetes", refletiu Lee, que precisou que a solução não passa por passar frio, mas achar o detonante da atividade da gordura marrom.

Estudos anteriores demonstraram que a quantidade de gordura marrom aumenta com a exposição prolongada a uma temperatura média de cerca de 19 graus e diminui com a exposição a temperaturas mais quentes, acrescentou a fonte.

Fonte: EFE
Foto: Freepik

20/02/2016

Estudo mostra que o brasileiro está mais obeso, diabético e com a pressão mais alta

Grande estudo sobre doenças crônicas com a participação do HU traz um retrato preocupante da saúde no País

A saúde da população brasileira adulta não vai bem. As pessoas estão mais obesas, um terço tem hipertensão, muitas delas desenvolveram diabetes e quase metade tem colesterol alto. A avaliação é do médico Paulo Lotufo, e tem um fundamento bem sólido: dados levantados no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), que ele coordena na USP desde 2008.

A primeira divulgação dos resultados do Elsa-Brasil a um público mais amplo foi feita no dia 1º de fevereiro no Hospital Universitário (HU) da USP, uma das bases operacionais do projeto. A apresentação trouxe um retrato das principais doenças crônicas no País – arterosclerose, enxaqueca, hipertensão, diabetes e dislipidemia (presença de gordura no sangue). Estas patologias crônicas são as responsáveis pelos maiores índices de mortalidade e morbidade no Brasil e seu aumento, principalmente a partir dos anos 1960, têm gerado altos gastos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto Elsa testou e validou algumas medidas e escores de pesquisas já realizadas em populações no exterior com doenças cardiovasculares, para saber em que medida os critérios desses estudos poderiam ser aplicados à população brasileira. De forma geral, houve similaridade, inclusive com relação aos fatores de risco: obesidade, hipertensão arterial, colesterol elevado e diabetes. Em uma próxima etapa, serão considerados outros elementos como diversidade racial e hábitos de vida dos brasileiros.

USP em alerta
O público pesquisado na USP é composto por professores e funcionários. Para esse grupo, o cardiologista Márcio Sommer Bittencourt, pesquisador do Elsa e um dos palestrantes do evento, não têm boas notícias. Segundo ele, apesar destes servidores terem mais acesso aos serviços de saúde do que a população em geral, andam com hábitos de vida não muito saudáveis. Mesmo sendo um pequeno subgrupo analisado, pouco mais de 5 mil, os participantes “uspianos”, quando comparados à maioria da população brasileira, estão mais obesos ou com sobrepeso, fazem menos atividade física fora do ambiente de trabalho e têm maior propensão ao diabetes.

Em relação ao acompanhamento da própria saúde, porém, o grupo da USP está em melhor situação. Dados da pesquisa sobre hipertensão arterial mostram que dos 35% dos participantes da USP que tiveram diagnóstico de hipertensão, 80% já tinham conhecimento dessa informação, enquanto que na população brasileira esta média cai para 50%.

Bittencourt espera que os exames realizados pelos servidores, cujos resultados foram entregues individualmente para cada participante, sirvam de estímulo para que cuidem melhor de si mesmos. Isso com o objetivo não apenas de melhorar sua expectativa de vida em anos, mas de ter uma “perspectiva de saúde mais prolongada”.

Elenir Aguilhera de Barros, de 72 anos, professora aposentada do Departamento de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, esteve o tempo todo sentada na primeira fila do evento a fim de acompanhar a apresentação dos trabalhos – e garante se sentir muito bem assistida pelo Elsa. Não só fez vários exames para investigar alguns problemas de saúde, conta ela, como também teve acesso ao acompanhamento psicológico para aposentados.

Enxaqueca e doenças tiroidianas
Além de doenças cardiovasculares, os resultados apresentados trouxeram dados sobre enxaqueca e doenças da tireoide. A pesquisadora Alessandra Goulart anuncia que o brasileiro está mais “enxaquecoso”, ou seja, ele tem mais episódios de dores de cabeça durante sua vida – cujos sintomas são dores pulsantes, náuseas, perda parcial da visão e sensibilidade à luz e ao som.

Apesar de não haver ainda nenhum estudo comprovando o crescimento do problema, há uma prevalência da enxaqueca aumentada em toda a América Latina. A novidade do estudo nessa área foram as evidências encontradas de que há correlação entre as pessoas que sofrem de enxaqueca e de transtornos de ansiedade e depressão.

Sobre doenças tiroidianas, há indícios de que a levotiroxina (medicamento utilizado no tratamento do hipotireoidismo) esteja sendo receitada de forma inadequada aos pacientes. Segundo a pesquisadora Isabela Benseñor, o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico (forma mais branda da doença, geralmente sem sintomas, mas detectável em exames) é feito pelo Elsa a partir da dosagem dos hormônios e de informações do paciente se ele faz uso ou não da levotiroxina. A partir desse procedimento, foi possível observar que há mais pessoas com hipotireoidismo clínico do que com hipotireoidismo subclínico, o que sugere que “tem mais gente do que deveria usando a levotixoxina”, adverte Isabela.

Projeto Elsa-Brasil
A investigação multicêntrica do projeto Elsa-Brasil vem sendo desenvolvida desde 2008 com cerca de 15 mil pessoas entre 35 e 74 anos de várias instituições públicas de ensino superior e pesquisa das regiões nordeste, sul e sudeste do Brasil. Na USP, são 5.061 voluntários que participam do trabalho. O objetivo é investigar, a longo prazo, a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas. A importância das pesquisas do Elsa se confirma na área de saúde pública brasileira. Os resultados vão servir de subsídio para direcionamento e adequações de políticas públicas. As ações do SUS, dos programas de atenção primária e do sistemas privados terão impactos direto dos resultados dessas pesquisas, conclui Lotufo.

Mais informações: site www.elsa.org.br

Fonte: Ivanir Ferreira/USP Online
Imagem: Freepik

31/01/2016

Refrigerantes diet realmente são a opção mais saudável?



É raro conseguir consumir algo que seja doce e ao mesmo tempo saudável. Sendo assim, é possível que bebidas de baixa caloria, os populares refrigerantes diet, sejam uma opção benéfica à saúde?
Nenhum especialista afirma que o consumo de refrigerante faz bem para a saúde, já que uma garrafa de 500 ml pode conter cerca de 200 calorias. Mas uma versão diet da mesma bebida pode ter apenas uma caloria.

Seguindo uma lógica simples, portanto, trocar a bebida com açúcar pela versão dietética diminuiria o consumo de calorias.

No entanto, os 'refrigerantes diet' têm uma reputação polêmica.

Cresce entre os consumidores a preocupação sobre os efeitos de adoçantes presentes nessas bebidas para o corpo humano.

Já um grupo de cientista argumenta que são justamente eles que podem levar ao ganho de peso, além de aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

"Muitos acreditam que (os refrigerantes diet) sejam uma opção saudável pois não são bebidas com açúcar, mas o que é muito importante que as pessoas entendam é que não temos qualquer evidência científica disso", afirma Susan Swithers, professora da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

Pesquisas
Uma pesquisa entre adultos americanos, publicada na revista científica American Journal of Public Health, revelou que 11% dos que estavam com o peso ideal bebiam refrigerante de baixa caloria, 19% dos que estavam acima do peso consumiam bebidas dietéticas e, entre os obesos, a parcela era de 22%.

Já um estudo na revista científica Obesity, que acompanhou 3,7 mil pessoas durante oito anos, mostrou que quem consumia bebidas de baixa caloria com adoçantes engordou mais durante o período.

Mas há um problema com os estudos já feitos sobre o tema: as relações de causa e efeito são praticamente impossíveis de serem determinadas.

Além disso, cada vez mais cientistas se perguntam se as bebidas estão causando ganho de peso ou se as pessoas obesas estão apelando para refrigerantes dietéticos para tentar controlar o peso.

As experiências de Swithers, da Universidade de Purdue, em ratos sugerem que as bebidas dietéticas alteram a forma com que o corpo lida com o açúcar normal ─ o que pode acabar levando ao ganho de peso.

Isso porque, quando chega à língua, o açúcar emite um alerta ao corpo de que a comida está a caminho.

Com os adoçantes de zero caloria a mesma mensagem é enviada, mas nenhum alimento chega.
"Acreditamos que refrigerantes diet podem fazer mal à saúde porque mudam a forma como o corpo lida com o açúcar que ingere", disse Swithers.

A professora também cita outro problema: compensação. Segundo a especialista, quando sabemos que estamos retirando calorias de uma parte da dieta, tendemos a compensar essa carência comendo mais.

"É aquela velha lógica: tomei um refrigerante diet, por isso posso comer um biscoito", disse.
Polêmica
O aspartame é um dos adoçantes de baixa caloria mais conhecidos, mas também o mais polêmico.

Também conhecido como E951, é 200 vezes mais doce do que o açúcar e já foi ligado a uma série de efeitos colaterais desde que foi introduzido em alimentos na década de 1980.

Entre os supostos danos à saúde, estão alergias, nascimentos prematuros e câncer.

A Pepsi afirma que a falta de confiança dos consumidores neste adoçante é o principal motivo de as pessoas estarem desistindo do refrigerante diet nos EUA.

No entanto, o aspartame é descrito com frequência como um dos ingredientes mais testados do mundo.

Uma análise da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, feita em 2013, concluiu que "não há problemas de segurança" em relação ao adoçante, incluindo para gestantes e crianças.

Bactéria
Cientistas do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, mostrou que adoçantes de baixa caloria alteraram o equilíbrio das bactérias nos intestinos de ratos.

O corpo humano tem dez vezes mais bactérias, vírus e fungos do que células e este "microbioma" tem um impacto enorme na saúde.

O estudo, publicado na revista especializada Nature, mostrou que os adoçantes de baixa caloria alteraram o metabolismo de animais e levaram a um aumento do nível de açúcar no sangue, um dos primeiros sinais do desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Sete voluntários humanos passaram sete dias ingerindo níveis altos de adoçantes de baixa caloria. Os resultados obtidos com metade deles foi o mesmo do que o obtido com os animais.

Peter Rogers, da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, diz não estar convencido com as conclusões.

Segundo ele, a maioria das pesquisas com animais usou níveis de adoçantes que "tinham pouca relação" com a maneira como são usados na vida real.

E que também era "plausível" que os adoçantes "possam na verdade diminuir o desejo da pessoa por uma sobremesa doce".

Emagrecimento
Rogers fez parte de uma análise sobre adoçantes que incluiu pesquisadores financiados pela indústria alimentícia.

Os resultados, publicados na revista especializada International Journal of Obesity, mostrou que as pessoas emagreceram quando substituíram bebidas açucaradas por refrigerantes de baixa caloria.

O estudo mostrou que elas perderam cerca de 1,2 kg em média durante um período que variou entre quatro e 40 meses, e, em sua maior parte, o efeito foi parecido com o alcançado por pessoas que trocaram os refrigerantes comuns pela água.

"Descobrimos de forma clara que consumir adoçantes de baixa caloria no lugar do açúcar reduziu a ingestão calórica e o peso corporal", acrescentou.

Segundo os pesquisadores, quem consumiu adoçantes acabou comendo mais do que quem continuou tomando bebidas açucaradas mas, no geral, consumiu menos calorias.

"Eles (os adoçantes) não vão fazer todo o trabalho para você, mas é uma forma de ter o prazer de (consumir) algo doce sem o problema das calorias em nossa sociedade obesa", disse.

Água
Especialistas afirmam que, em um mundo ideal, a melhor alternativa seria beber água.
Um estudo publicado na revista especializada Obesity sugere, inclusive, que beber água meia hora antes das refeições ajuda na perda de peso.

Mas até uma crítica ferrenha dos adoçantes de baixa caloria como Swithers argumenta que pode eles podem ser um elemento de "transição" para quem precisa fazer dieta.

"Um refrigerante diet pode ser útil em sua dieta como (uma bebida de) transição se você está tomando refrigerante comum todo dia e acha difícil parar", disse.