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25/02/2016

Projeto Ilhas do Rio aprofunda pesquisas sobre baleias e golfinhos


O Projeto Ilhas do Rio, iniciado em 2011 para proteção do conjunto das Ilhas Cagarras, no litoral do Rio de Janeiro, vai entrar em sua terceira fase este ano, aprofundando pesquisas marinhas de peixes recifais e estudos de cetáceos, como baleias e golfinhos, de aves e da flora, além de atividades de mergulho. A meta é contribuir para o plano de manejo elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

Implementado pela organização não-governamental (ONG) Instituto Mar Adentro Promoção e Gestão do Conhecimento de Ecossistemas Aquáticos, com patrocínio da Petrobras, o programa ampliou sua abrangência nas áreas que compõem o Monumento Natural das Ilhas Cagarras, unidade de conservação local, para quatro conjuntos de ilhas do litoral do Rio, incluindo a Ilha Rasa e os arquipélagos de Maricás e Tijucas.

“Assim como ocorreu nas Cagarras, o objetivo é fazer um levantamento científico do que havia ali, do que ocorria e o seu impacto”, disse à Agência Brasil o supervisor de Pesquisa Científica do projeto, Carlos Rangel.

Flora e fauna

Na primeira e segunda fases, os pesquisadores fizeram o levantamento da biodiversidade marinha e terrestre da flora e da fauna e monitoramento das atividades, trabalhando em paralelo com ações de mobilização social e educação ambiental. Foi descoberto um sítio arqueológico tupi-guarani situado no cume da Ilha Redonda, datado por especialista do Museu Nacional no período pré-colonial brasileiro, compreendido entre 1435 e 1495. 

“Você ter um sítio arqueológico em uma ilha que era pouco estudada, dentro de uma unidade de conservação, já é um dado bastante relevante”, avaliou Rangel. Foram mapeadas quase 200 espécies de plantas e 600 animais.

Dentre as espécies da fauna levantadas pelos pesquisadores, se destaca uma perereca de bromélia (Scinax gr.perpusillus) que, embora não tenha sido ainda identificada, sinaliza ser uma nova espécie para a ciência, porque vive dentro da bromélia e tem a característica de ser exclusiva de ilhas costeiras, como as existentes na costa de São Paulo, disse Rangel.

“Provavelmente, é uma espécie nova para a ciência porque ela se especializa dentro de uma ilha e não se locomove. Fica nessa ilha, dentro da bromélia a vida toda”. Outra espécie coletada na Ilha Redonda foi uma barata sem asas (Hormetica sp.) que abre a possibilidade de ser outra nova espécie para estudo científico.

“É uma adaptação evolutiva”, salientou o biólogo. “É interessante porque a gente não só identifica novas espécies, mas também novos registros, por exemplo, espécies que ocorriam até o sul da Bahia e ocorrem também aqui, no sudeste do Brasil. É interessante porque é uma ampliação da área de ocorrência dessas espécies”, observou. “Só com conhecimento você consegue essas informações”.

Educação ambiental

Todas os dados coletados no campo de pesquisas são utilizados para a educação ambiental por meio de atividades que o projeto organiza, como exposições itinerantes e interativas, palestras em escolas e universidades e no centro de visitantes da Colônia de Pescadores de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, onde se divulga o projeto, contribuindo para a proteção dos ecossistemas.

A ONG Instituto Mar Adentro promove também um mutirão de limpeza nas ilhas, que conta com a participação de voluntários e esportistas. “As atividades são boas para que os dados das pesquisas não fiquem só com os pesquisadores e sejam repassados para o público”. A terceira fase, que deverá começar ainda neste semestre, terá como foco as Ilhas Cagarras e o arquipélago de Maricás. Os pesquisadores promoverão também a retirada de espécies exóticas. A iniciativa permite ao programa recolonizar as ilhas com espécies nativas.

Fonte: Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil
Foto: Divulgação

29/01/2016

Brasil registra mais de 300 espécies da flora por ano, mas Amazônia ainda é desconhecida


São quase 600 cientistas brasileiros e estrangeiros trabalhando em rede para atualizar os dados com novas descobertas de espécies ou mudança de nomes de plantas.

O Brasil tem, atualmente, 46.097 espécies de plantas, fungos e algas conhecidos. De acordo com a atualização da Lista de Espécies da Flora do Brasil, publicada em dezembro do ano passado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o País registra, em média, 334 novas espécies da flora a cada ano.

“A atualização é constante, diária porque, como é online, os cientistas entram e atualizam os dados e, automaticamente, disponibilizam para o público”, disse a botânica e pesquisadora Rafaela Campostrini Forzza, coordenadora da Lista de Espécies da Flora do Brasil.

São quase 600 cientistas brasileiros e estrangeiros trabalhando em rede para atualizar os dados com novas descobertas de espécies ou mudança de nomes de plantas. As orquídeas são a família de plantas com maior número de espécies, distribuídas por quatro dos seis biomas brasileiros. “Dependendo do bioma, uma família ganha da outra devido às características de cada família de planta”, explicou a coordenadora.

Lista virtual
A primeira edição online da Lista de Espécies da Flora do Brasil foi publicada em 2010, como meta da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário. Em 2015, a lista foi atualizada.

A lista serve para consulta de pesquisadores, que analisam os dados e contribuem com artigo ou livro sobre o tema. Foram convidados especialistas em diferentes famílias de plantas para integrarem o grupo de cientistas responsável por atualizar a lista da flora brasileira, sob a coordenação do Jardim Botânico. “Na verdade, é um grande trabalho de equipe. Jamais uma instituição sozinha conseguiria fazer isso”, disse.

A lista é a base do projeto Flora do Brasil Online (FBO 2020) que integra o World Flora Online (WFO ou Flora do Mundo Online, em tradução livre), publicação virtual que reunirá informações sobre todas as plantas conhecidas do mundo até 2020.

Segundo Rafaela Forzza, os pesquisadores esperam terminar em 2019 as contribuições à lista, e fazer os ajustes finais de editoração no ano seguinte. O trabalho será lançado simultaneamente em todos os jardins botânicos do mundo que participam da rede.

Amazônia
Até o momento, o Brasil aparece como o País com o maior número de espécies da flora. Em seguida, estão China, África do Sul e Estados Unidos. A Mata Atlântica é o bioma com maior diversidade no Brasil.

A presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Samyra Crespo, destacou que, em média, são registrados 1 milhão de acessos mensais na base de dados do projeto. “Pode estar em qualquer lugar do mundo. Sendo estudante ou pesquisador, basta se logar e se identificar e pode acessar”, disse a presidente.

Outro projeto é o repatriamento de plantas brasileiras levadas por naturalistas nos séculos 18 e 19. “E elas vêm em forma virtual, em 3D, imagens de alta resolução, que podem ser consultadas por qualquer pesquisador, em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil”, disse Samyra Crespo.

Até o final de 2015, o acervo tinha 1,250 milhão de exsicatas (amostra de planta seca e prensada numa estufa) digitalizadas de alta resolução. Segundo Rafaela Forzza, conhecer a flora da Amazônia ainda é um grande desafio e necessita de “um projeto de nação”.

“A flora é muito mal conhecida, historicamente, e a gente não vence esse problema. Esse desbalanço de conhecimento em relação aos outros biomas é muito evidente. A gente tem que acreditar que a Amazônia ainda é um buraco de conhecimento. Ainda está no século 19 de conhecimento, enquanto o resto do país já avançou muito”, lembrando que a Amazônia Legal corresponde a 50% do território nacional.

O tamanho da floresta e a dificuldade de acesso reforçam a dificuldade. “Não é meia dúzia de cientistas que vai conseguir vencer isso. É preciso um projeto de governo, de país, para conseguir melhorar esse conhecimento”.

Fonte: EBC