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18/08/2016

Fungo pode acabar com as bananas dentro de 5 anos



Um grupo de cientistas descobriu um fungo nas plantações de bananas que se está se desenvolvendo de forma tão rápida que poderia acabar com a banana dentro de cinco a dez anos. Contudo, a sequência genética do fungo já é conhecida e há fortes hipóteses de se conseguir, em breve, encontrar a solução para salvar este fruto.

Os cientistas da Universidade da Califórnia descobriram esta doença que é composta por três fungos diferentes. “Na realidade, a industria mundial da banana pode ficar devastada dentro de cinco a 10 anos pelos fungos”, afirmou o líder dos estudos feitos na Universidade da Califórnia. A doença em questão, chamada Sigatoka, é a junção de três fungos diferentes. Apareceu para grande surpresa dos especialistas e alastrou-se por África, Médio Oriente, Sul da Ásia e Austrália.

O grande problema deste novo fungo é que não só ataca o sistema imunitário da fruta como afeta também o seu metabolismo: “Este novo fungo consegue manipular o metabolismo da banana e afeta os seus nutrientes”, comenta um dos cientistas do grupo. Para solucionar este problema, os cientistas vão usar uma nova fórmula genética para modificarem as bananas e torná-las resistentes a este fungo ou criar um fungicida que previna o fungo de alterar o metabolismo da banana.

Muitas plantações encontram-se em perigo e o fruto poderá sofrer aumentos de preço nos próximos anos caso comece a ser mais difícil a sua produção, sendo que cerca de 100 milhões de toneladas de bananas são produzidas anualmente em 12 países.

Fonte: Observador

16/08/2016

Pesquisa com borboletas ajuda a alertar sobre a degradação da Floresta Amazônica


Estudioso de insetos diversos, o doutorando em Entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Márlon Breno Costa Santos desenvolveu um projeto de pesquisa que estudou as borboletas frugívoras – que se alimentam de frutos em decomposição – para investigar se tanto plantas como pássaros podem influenciar a ocorrência dessas borboletas em um determinado local.
A pesquisa que recebeu aporte do Governo do Estado por meio do Programa de Apoio à Excelência Acadêmica (Pró-Excelência), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), foi feita na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, e estudou as borboletas segundo a sua espécie e de acordo com algumas características delas, como tamanho do corpo e tipo de alimentação das lagartas (borboletas jovens).
Segundo Márlon, a coleta foi feita com armadilhas conhecidas como “arapuca entomológica”, na qual se coloca banana e melão estragados como isca para as borboletas. Todo o processo da pesquisa foi dividido em cinco fases.
“Primeiramente, nós elaboramos a ideia de como seria feita a coleta das borboletas na floresta. Depois de analisarmos que a melhor maneira seria pela arapuca entomológica, nós partimos para a coleta em si, daí nós fizemos a identificação das espécies capturadas assim como a montagem e medição das características delas. Por fim, passamos para os testes estatísticos e com os resultados, montamos o artigo científico”, disse Santos.
Uma das questões que a pesquisa procurou entender foi como as borboletas se distribuem no espaço, de maneira a alertar sobre a degradação das florestas que pode levar ao desaparecimento de espécies, causando, assim, um imenso desequilíbrio ambiental.
“O nosso objetivo é que o principal beneficiado com esse trabalho seja a sociedade civil: eu e toda a população amazônida como cidadãos. Nós dependemos dos recursos naturais muito mais do que é atribuído, seja para comer, vestir, morar, sem falar no clima do planeta que é balanceado pela nossa imensa Amazônia e outras florestas tropicais. Por isso, cuidar do nosso patrimônio – a floresta – é essencial para o nosso futuro, e o que poucas pessoas sabem é que as borboletas têm um papel muito importante nisso tudo”, ressaltou Márlon.
De acordo com o pesquisador, o estudo foi realizado dentro da Reserva Adolpho Ducke porque lá se concentram várias espécies de plantas e borboletas, que ajudaram a chegar a um resultado maior para o projeto: fornecer dados para a comunidade científica local, regional e internacional para serem usados como auxílio e fortificação na criação de projetos maiores que visam à conservação de paisagens em escalas globais.
Além disso, espera-se um olhar mais atento para a dinâmica biológica que ocorre dentro da Reserva Adolpho Ducke, com a finalidade de promover a sua preservação frente à expansão urbana de Manaus, não permitindo que a reserva se torne apenas um fragmento florestal no meio da cidade.
Parcerias
O projeto de pesquisa contou com vários parceiros ao longo de sua duração. O CNPq, que forneceu bolsa de mestrado para Márlon e auxiliou na coleta das plantas, a Capes que forneceu bolsa de doutorado para um dos participantes do projeto, e o Programa de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio), que forneceu a infraestrutura.
Além deles, pesquisadores e doutores do Inpa, Embrapa e da Universidade de São Paulo (USP) contribuíram com dados sobre plantas e borboletas da Reserva Ducke, assim como a Fapeam, que custeou todas as despesas de campo durante a coleta das borboletas.
Para Santos, a Fundação de Amparo à Pesquisa está presente na maior parte das pesquisas e do conhecimento científico produzido no Estado do Amazonas. “Ela incentiva os pesquisadores do nosso Estado a realizar trabalhos que possam ter grande impacto na comunidade científica internacional e ajuda a solidificar o Norte do Brasil no cenário científico mundial”, afirmou.
O estudo foi finalizado em 2015 com a publicação do artigo neste mesmo ano.
Fonte: Ada Lima – Agência Fapeam

13/08/2016

Emissões de nitrogênio na América Latina devem ser monitoradas, dizem especialistas


Emissões de nitrogênio na América Latina devem ser monitoradas, dizem especialistas Apesar de os países da região e os BRICS serem os maiores usuários de fertilizantes nitrogenados, os impactos das emissões do gás em suas formas reativas não têm sido avaliados



Elton Alisson | Agência FAPESP – Os países da América Latina, juntamente com a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul – que, com o Brasil, formam o BRICS –, são os maiores emissores atualmente de nitrogênio reativo, como amônia e óxido de nitrogênio.
Os impactos no ambiente, no clima e na saúde humana das emissões de nitrogênio nessas e outras formas reativas pela queima de combustíveis fósseis, uso de fertilizantes nitrogenados e esgoto não tratado nesses países, contudo, não têm sido monitorados.
O alerta foi feito por especialistas durante a “School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, Environmental Sustainability and Climate Change”, financiada pela FAPESP, por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), que ocorreu entre os dias 31 de julho e 10 de agosto em São Pedro, no interior de São Paulo.
Realizado pelo Cena-USP e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), o evento reuniu 100 estudantes de graduação e pós-graduação, sendo 50 do Brasil e 50 do exterior, para discutir a distribuição desigual de nitrogênio no mundo e seu impacto na sustentabilidade ambiental em um cenário de mudanças climáticas globais.
“É preciso estabelecer uma rede de monitoramento contínuo, com séries temporais de 20 anos, por exemplo, para avaliar como o aumento da urbanização e o uso de fertilizantes nitrogenados em larga escala têm impactado os ecossistemas na América Latina e nos países do BRICS”, disse Tibisay Pérez, professora do Centro de Ciências Atmosféricas e Biogeoquímica do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (IVIC), à Agência FAPESP.
“Com isso, seria possível estabelecer políticas públicas mais direcionadas às necessidades dos países desses dois blocos”, avaliou Pérez.
De acordo com a pesquisadora, os países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, onde já existe esse monitoramento, atingiram o limite máximo de uso de fertilizantes nitrogenados em sua agricultura.
Por meio de uma combinação de tecnologias com políticas públicas, como o fim dos subsídios à produção de fertilizantes na década de 1990, os países da União Europeia – onde cerca de 60% das emissões de nitrogênio reativo são provenientes da agricultura – conseguiram reduzir suas emissões de óxido de nitrogênio em 49% em 2009 em comparação com 1990, segundo dados apresentados por Jan Willem Erisman, professor da Vrije Universiteit Amsterdam, da Holanda, durante o evento.
Atualmente, os países europeus têm discutido estratégias para diminuir as emissões de nitrogênio reativo e vêm trabalhando com conceitos como o de “pegada de nitrogênio” – a quantidade de nitrogênio reativo liberada para o meio ambiente como resultado do consumo de recursos como alimentos e combustíveis fósseis.
Já os países do BRICS e da América Latina, os maiores usuários atualmente de fertilizantes nitrogenados, passam por um processo de urbanização descontrolado, que tem impacto no aumento das emissões de nitrogênio reativo pela queima de combustíveis fósseis e por efluentes nessas regiões urbanas.
Na América Latina, por exemplo, apenas 20% do esgoto doméstico é tratado e 17% da população não tem acesso a saneamento básico, apontou Jean Pierre Ometto, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em palestra no evento.
Como os países latino-americanos estão situados em regiões tropicais e subtropicais, que concentram hotspots de biodiversidade, seus ecossistemas podem estar fortemente ameaçados pelos impactos da deposição de nitrogênio, suspeitam os pesquisadores participantes da Escola.
“A América Latina tem passado por um rápido processo de urbanização e de substituição de sistemas tradicionais de produção agrícola para uma agricultura mecanizada e com alto uso de fertilizantes nitrogenados, sem levar em conta a questão das emissões de nitrogênio reativo”, disse Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília (UnB).
Segundo a pesquisadora, o aumento da deposição de nitrogênio reativo na atmosfera é reconhecido hoje como um dos principais fatores contribuintes para redução da diversidade de plantas em ecossistemas naturais e seminaturais por acidificar e tornar o solo tóxico, entre outros impactos.
Os dados disponíveis sobre os impactos da deposição de nitrogênio na diversidade de plantas, contudo, foram obtidos quase que exclusivamente a partir de estudos realizados no norte da Europa e na América do Norte, ponderou.
“É muito importante obter dados de regiões onde esse problema começou a aumentar recentemente ou deverá crescer em um futuro próximo, como a América Latina e os países do BRICS”, apontou.
A China, por exemplo, utiliza em algumas áreas voltadas à horticultura 400 quilogramas de nitrogênio por hectare. Já o Brasil e a África do Sul costumam fertilizar culturas como o milho com 120 quilogramas por hectare.
No outro extremo, na África Subsaariana, costuma-se fertilizar culturas com 8 quilogramas por hectare, comparou Bustamante. “Enquanto há regiões no mundo onde há um excesso de uso de fertilizantes, em outras há um problema de déficit”, ponderou.
“Há diferenças regionais marcantes. E os países que precisam aumentar o nível de fertilizantes nitrogenados devem evitar seguir os caminhos das nações poluidoras e buscar formas mais sustentáveis de incrementar a fertilidade do solo”, apontou.
Segundo ela, essa recomendação vale também para o carbono. Os especialistas têm sugerido aos países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos que optem por rotas de desenvolvimento de baixo carbono e não sigam a trajetória convencional de desenvolvimento.
Leia mais em Agência FAPESP

11/08/2016

Tartarugas são soltas no mar em Guarujá após período de reabilitação



Três jovens tartarugas-verde resgatas em praias da Baixada Santista nos últimos dois meses, foram devolvidas ao mar nesta quarta-feira (10), em Guarujá, no litoral de São Paulo.
Elas passaram por tratamento no Instituto Gremar, responsável pela reabilitação e resgate de animais marinhos na região. Dos três animais soltos pela manhã, dois foram encontrados na praia da Enseada, em Guarujá, durante o mês de junho. O terceiro animal foi achado em julho, na praia de Guaratuba, em Bertioga.
Segundo os biólogos do instituto, quando resgatados, os animais apresentavam sinais de cansaço e alguns também tinham marcas de escoriações pelo corpo. As tartarugas ficaram, em média, 50 dias internadas até receber alta.
Já totalmente reabilitatos, elas foram soltas na manhã desta quarta-feira na praia das Conchas, em Iporanga, no Guarujá.

Fonte: G1
Foto: Gremar

10/08/2016

Embrapa lança site sobre Código Florestal



Agência FAPESP – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou o site Código Florestal: contribuições para adequação ambiental da paisagem rural, um canal de informações para produtores rurais e técnicos ambientais com informações sobre como adequar as propriedades às exigências do novo Código Florestal (Lei nº 12.651).
O serviço traz orientações técnicas para a recuperação de áreas degradadas, dicas de boas práticas agropecuárias e explica as características e as dimensões das áreas protegidas pela lei ambiental: as Áreas de Preservação Permanente (APP), as Áreas de Reserva Legal (ARL) e as Áreas de Uso Restrito (AUR), de acordo com a Agência Embrapa de Notícias.
As estratégias de recuperação, proteção e manejo apresentadas no site resultam de estudos e testes realizados por pesquisadores e analistas da Embrapa e de instituições parceiras, entre elas universidades e institutos federais e estaduais.
Consultas de espécies nativas por bioma e mapas dos viveiros e produtores de sementes espalhados pelo Brasil também estarão disponíveis aos usuários do site. Até o momento é possível consultar apenas as espécies nativas do Cerrado e os viveiros do Estado de Minas Gerais.
“Temos que dar alternativas para o produtor. Estamos trabalhando há mais de quatro anos nesse desafio de procurar onde estavam essas informações dentro e fora da Embrapa e fazê-las chegar a quem precisa”, disse José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa e colaborador do projeto, em nota divulgada pela instituição.
Mais informações: www.embrapa.br/codigo-florestal

04/08/2016

Professor de Química adapta experimentos utilizando resíduos



Com objetivo de criar materiais alternativos para as aulas de Química, o professor Danilo Oliveira decidiu colocar em prática no Colégio Estadual Governador João Alves Filho, em Areia Branca, o projeto“Adaptação de experimentos presentes nos Livros Didáticos com Materiais Alternativos”. O objetivo do projeto é preparar o material didático com experimentos que possam ser realizados em sala da aula sem a necessidade da vidraria do Laboratório de Química e com materiais alternativos.

Danilo contou que a ideia do tema surgiu por causa da realidade da escola. “Não tem laboratório, não tinha sala de informática. Era uma estrutura bem precária, a gente só tem a sala, o pincel e o quadro. Então, a partir desse momento eu tive a ideia de fazer experimentos com materiais alternativos com os alunos, adaptar experimentos que estavam nos livros didáticos e também divulgar para outros professores de outras escolas.”

Junto com as bolsistas, Milena Rodrigues Rosário e Dávila da Conceição Muniz, o professor criou um blog onde são postados os experimentos e as fotos. “A nossa realidade não é diferente de muitas escolas públicas do país. Então, tem esse contato com outros professores e até alunos. A intenção do blog é divulgar.”

Um dos experimentos que eles fizeram em sala de aula é a destilação simples, que consiste em separar uma mistura homogênea em sólido e líquido. Normalmente, esse processo precisaria do balão volumétrico, do condensador e de outras vidrarias. Para a realização em sala de aula, eles usaram uma lâmpada queimada de poste e fizeram um condensador de garrafa pet e mangueiras.

As bolsistas, além de participarem ativamente do blog, também tiveram a missão de selecionar os experimentos que seriam adaptados, testá-los e apresentar na sala de aula. A seleção das bolsistas aconteceu através da participação dos alunos na CIENART 2014 e da observação da aptidão para o projeto. Além disso, a questão financeira foi motivo para desempate.

A equipe já apresentou o projeto no Cienart 2015 com o titulo “Adaptação de Experimentos presentes em Livros Didáticos com Materiais Alternativos” e recentemente no VIII Encontro Estadual de Química (ENESQUIM) com o tema “Experimentos de Ciência encontrados nos Livros Didáticos e modificados com Materiais Alternativos”. Os próximos passos serão apresentar na CIENART 2016 com titulo “Divulgação de Experimentos com Materiais Alternativos através de um Blog” e no final do projeto, em dezembro, escrever um artigo científico e submeter para uma revista. Para mais informações: quimicacegjaf.blogspot.com

Apoio

O projeto faz parte do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIBICJr), fruto de uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação do Estado de Sergipe (FAPITEC) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).  

Fonte: FAPITEC

02/08/2016

Ilustrador destaca diversidade amazônica com pokémons



Por Leyberson Pedrosa | Colaborou: Lia Magalhães Edição:Líria Jade Fonte:Portal EBC

Enquanto os fãs da animação japonesa esperam pela chegada do Pokémon GO no Brasil, o ilustrador Cezar Souza vê a repercussão do seu trabalho ganhar proporções não imaginadas. Souza fez uma série de desenhos que misturam a fauna e flora da Amazônia com os monstrinhos do Pokémon. Contudo, se engana quem acha que ele escolheu os Pokémons por causa do jogo:

“Na verdade, esse projeto está em desenvolvimento desde 2013. Foi uma feliz coincidência a finalização dele ocorrer em plena nova febre pokémon.”

Recentemente, o manauara apresentou um artbook (espécie de álbum de ilustrações)  como trabalho de conclusão do curso de Design na Faculdade Fucapi (AM) onde usa a biodiversidade para criar "pokémons amazônicos". Confira:

Leia mais em EBC.


01/08/2016

Agrotóxicos ameaçam colônias de aves da Antártica


Peter Moon | Agência FAPESP – Pesquisadores confirmaram a presença de contaminantes orgânicos no sangue de petréis-gigantes do sul de diversas colônias na Península Antártica. Estudos de carcaças e outros tecidos já tinham dado sinais da contaminação, agora confirmados a partir de amostras de sangue em que foi detectada a presença de diversas substâncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso ameaçava a sobrevivência de diversas espécies de aves de rapina.
A pesquisa foi realizada pela bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Ela estudou os animais das colônias de petréis-gigantes das ilhas Elefante e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, com bolsa de pós-doutorado e bolsa de estágio de pesquisa no exterior da FAPESP.
A pesquisa teve apoio também da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e do National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos, com o apoio logístico do Programa Antártico Brasileiro.
O petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus) é um animal magnífico e um importante predador de topo no Atlântico Sul e Oceano Austral. Com envergadura de asas de cerca de 2 metros, é uma das maiores aves voadoras do planeta, menor apenas que o albatroz e o condor. São também longevos. Petréis-gigantes podem viver mais de 50 anos. Passam a vida nos céus dos mares do Sul do planeta, à procura de comida.
Na época do acasalamento, durante o verão antártico, os petréis-gigantes retornam à mesma colônia onde nasceram. Para os biólogos, essa é uma vantagem para o estudo da espécie. Uma vez identificado e marcado, um indivíduo pode ter sua vida estudada por vários anos.
Nos verões antárticos de 2011/2012 e 2012/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indivíduos e constatou a presença de contaminantes orgânicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil).
Segundo Colabuono, todos esses poluentes orgânicos são persistentes no meio ambiente, têm ação cancerígena, causam disfunção hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num artigo em Environmental Pollution.
Colabuono afirma que, comparado aos níveis de contaminação nas aves do hemisfério norte, os níveis de contaminação detectados nas colônias de petreis na Península Antártica ainda são baixos. O objetivo agora é monitorá-los no longo prazo, para se “ter um indicativo da tendência de aumento ou decréscimo desses contaminantes ao longo dos anos no ambiente em que estas aves vivem”, diz a bióloga.

Leia mais em Agência FAPESP.

28/07/2016

Cientistas belgas criam máquina que converte urina em água potável

Equipe coletou xixi em festival de música e recuperou 1.000 litros de água.
Sistema criado utiliza energia solar, dizem criadores.




Uma equipe de cientistas de uma universidade na Bélgica anunciou a criação de uma máquina que converte urina em água potável e fertilizante com ajuda de energia solar, uma técnica que pode ser aplicada em áreas rurais e em países em desenvolvimento.
O sistema criado pela Universidade de Ghent usa uma membrana especial e os cientistas afirmam que é eficiente no consumo de energia e pode ser aplicado em áreas desconectadas da rede elétrica.
"Conseguimos recuperar fertilizante e água potável a partir de urina usando apenas um simples processo de energia solar", afirmou o pesquisador Sebastiaan Derese, da universidade.
A urina é coletada em um grande tanque, aquecida com energia solar e passada por uma membrana em que a água é recuperada e nutrientes como potássio, nitrogênio e fósforo são separados.
Sob o slogan em inglês #peeforscience (#xixipelaciencia), a equipe utilizou o equipamento durante um festival de música de 10 dias em Ghent, recuperando 1.000 litros de água da urina do público.
O objetivo é instalar versões maiores da máquina em ginásios e aeroportos, mas também levar o equipamento para áreas rurais de países em desenvolvimento onde fertilizantes e água potável são escassos, disse Derese.
Como ocorreu em projetos anteriores em que a equipe que desenvolveu a máquina se envolveu, a água recuperada do festival será usada para produção de cerveja.
"Chamamos do esgoto para a cervejaria", disse Derese.

Fonte: Reuters
Foto: Francois Lenoir/Reuters

27/07/2016

Professor da UFC produz equipamento de baixo custo para tratamento de água



O Prof. José Capelo Neto, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, desenvolve um método de tratamento de água para comunidades rurais, de até 20 famílias, que atende à qualidade da água recomendada para o consumo humano. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

O projeto "Filtração Rápida em Múltiplas Etapas Aplicada a Pequenas Comunidades do Semiárido" é desenvolvido no centro de pesquisa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), na Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, em Itaitinga.

Para a execução da pesquisa, filtros de pressão de piscinas de baixo custo foram comprados e conectados em série visando promover o tratamento da água de açudes ou lagoas. Resultados preliminares indicam que o equipamento deve ser eficiente em referência à  qualidade da água tratada e ao baixo uso dela para lavagem e manutenção.

"O objetivo foi utilizar a tecnologia e o conhecimento científico para chegar a uma configuração construtiva simples, ou seja, apesar de termos usado ciência e tecnologia complexas no desenvolvimento do projeto, o equipamento resultante é de extrema simplicidade e funcionalidade", informa o Prof. Capelo. Ele destaca ainda que  o equipamento utiliza material que pode ser facilmente encontrado em lojas da área de construção.

ECONOMIA – De acordo com o pesquisador, estações convencionais de tratamento de água costumam utilizar até 30% da água produzida para limpeza da própria estação, sobrando apenas 70% para o consumo. Os resultados preliminares indicam que o novo equipamento utilizaria apenas entre 4% a 7% da água produzida, dependendo da qualidade da água bruta.

Segundo o Prof. José Capelo, o projeto será concluído até o fim deste ano. O pesquisador pretende  patentear o equipamento, em conjunto com a Funcap e Cagece, para garantir a permanência dele sob domínio público, tornando possível entregá-lo à sociedade.

No entanto, o mecanismo para fazer o equipamento chegar  às comunidades rurais ainda não foi definido. "Uma ideia inicial seria capacitar e treinar pequenas indústrias em municípios do Interior do Estado para a fabricação desses equipamentos, criando assim, uma rede construtiva e de manutenção sustentável, aliando a isso a disseminação tecnológica, a geração de empregos e de riqueza", explica o pesquisador da UFC.

Também participam da pesquisa o engenheiro Fernando Victor Galdino Ponte, do Sistema de Saneamento Rural da Cagece, mestre em Engenharia Hidráulica e Ambiental pela UFC;  Helísia Pessoa Linhares, estudante  de Engenharia Ambiental e bolsista de extensão; e o Prof. Carlos J. Pestana, pesquisador da Robert Gordon University, na Escócia. Samylla Oliveira, mestre em Engenharia Ambiental pela UFC, com experiência profissional na Cagece e na área de tratamento de água, está contribuindo com a pesquisa por meio de uma bolsa do CNPq. 

Com informações da Funcap.
Foto: Prof. José Capelo Neto

26/07/2016

Impulse II encerra viagem e é 1º avião a cruzar o mundo com energia solar


O avião Solar Impulse II, movido apenas a energia solar, completou sua volta ao mundo após aterrissar no aeroporto internacional de Abu Dhabi às 4h05 (horário local, 21h05 de Brasília), mesmo ponto de onde partiu em março de 2015.
"Este momento é muito especial para nós, completamos esta viagem passo a passo e estamos muito emocionados com a chegada a Abu Dhabi", disse André Borschberg, segundo piloto da aeronave, à agência EFE. O avião foi pilotado por Bertrand Piccard na última etapa entre Egito e Emirados Árabes Unidos.
O Impulse completou 42.000 quilômetros em 17 voos, para os quais necessitou de mais de 500 horas sobrevoando o mar de Arábia, Índia, Mianmar e China, os oceanos Pacífico e Atlântico, os Estados Unidos, o sul da Europa e o norte da África.
Por volta das 19h GMT (16h em Brasília) desta segunda, o avião já tinha percorrido 2.500 km em sua última viagem. Foram 44 horas desde sua saída do Cairo, no Egito, segundo a AFP.
"Lancei o projeto @solarimpulse em 2003 para transmitir a mensagem de que as tecnologias limpas podem conseguir o impossível", disse Piccard em uma publicação no Twitter.
Borschberg também destacou na rede social que o Solar Impulse II "é ao mesmo tempo o primeiro avião com resistência ilimitada e a única aeronave experimental autorizada a sobrevoar as cidades".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua "profunda admiração" por esta iniciativa. "É um dia histórico não só para vocês, mas também para a humanidade", acrescentou em uma conversa com Piccard transmitida ao vivo.
Neste domingo (24), o avião decolou do aeroporto do Cairo com destino a Abu Dabi. "É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Piccard, antes da decolagem, acrescentando que a viagem seria "difícil". "É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", completou.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse II voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.
Em geral, o avião se movimenta a uma velocidade de cerca de 50 km/h, que pode ser duplicada quando está exposto ao sol.

Fonte: EFE
Foto: Jean Revillard / SI2 / via Reuters

24/07/2016

Fundação Grupo Boticário seleciona projetos ambientais para apoio financeiro


A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza acaba de abrir as inscrições do tradicional ‘Programa de Apoio a Ações de Conservação’. Para essa edição, é possível concorrer em três categorias: ‘Apoio a Projetos’, ‘Apoio a Programas’ e ‘Biodiversidade do Paraná’. As inscrições ficam abertas até 31 de agosto, neste link

A iniciativa visa potencializar a geração de conhecimento, através de pesquisas e estudos da biodiversidade brasileira, além de estimular ações que promovam mudanças positivas no cenário ambiental do país. “Incentivamos projetos que tragam resultados efetivos para a proteção da biodiversidade e contribuam com o cumprimento das metas ambientais internacionais com as quais o país esteja comprometido” afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

A categoria ‘Apoio a Projetos’ selecionará iniciativas que contribuam para a conservação da natureza no Cerrado e na Caatinga, biomas que juntos ocupam 36% do território brasileiro. “A cada edição, escolhemos um ‘recorte’ específico para promover novas iniciativas. Dessa vez, o foco será em projetos de conservação de dois biomas muito importantes para o país. Na Caatinga vivem 27 milhões de brasileiros, além de ser o único bioma exclusivamente nacional. E o Cerrado abriga nascentes de rios que abastecem as principais bacias hidrográficas do país, tanto que carrega o apelido de ‘caixa d’água do Brasil’”, afirma a diretora. 

Com o ‘Apoio a Programas’, são abrangidas iniciativas de média e longa duração, que possibilitem ações de conservação da natureza de maior magnitude e que demandem mais tempo para aplicação. Já a terceira categoria - ‘Biodiversidade do Paraná’-, criada em parceria com a Fundação Araucária, seleciona propostas a serem executadas em qualquer região paranaense, como por exemplo, a área de ocorrência da Floresta com Araucárias, ecossistema característico da Mata Atlântica. 

Linhas temáticas
Para concorrer em qualquer uma das três categorias, é preciso que as propostas atendam a uma das quatro linhas temáticas de apoio. A primeira trata de ‘Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)’ e tem como objetivo a criação, ampliação e execução de atividades prioritárias de seus Planos de Manejo (documentos oficiais de planejamento das unidades de conservação). A segunda linha visa a execução de ações prioritárias para espécies ameaçadas, seguindo os Planos de Ação Nacional (PANs), documentos que elencam ações prioritárias para conservação de determinadas espécies e ecossistemas.

A terceira, ‘Ambientes Marinhos’, é voltada para estudos, ações e ferramentas para a proteção e redução de pressão sobre a biodiversidade marinha. Nesta edição, essa linha será destinada apenas a propostas da categoria ‘Biodiversidade do Paraná’. 
Já a linha ‘Políticas Públicas’ (exclusiva para ‘Apoio a Programas’) visa à implementação e fortalecimento de incentivos para conservação da natureza, instrumentos legais para fiscalização e proteção da biodiversidade, consolidação de áreas protegidas e parcerias para conservação. 

Inscrições
Podem se inscrever no Programa de Apoio a Ações de Conservação instituições sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais (ONGs). Para a categoria ‘Biodiversidade do Paraná’, pessoas físicas e universidades públicas podem se candidatar através do site da Fundação Araucária.
A Fundação Grupo Boticário, ao longo dos seus 25 anos, já apoiou 1.486 projetos de 496 instituições em todo o Brasil, contribuiu para a descrição de 141 espécies e para o estudo de outras 240 espécies ameaçadas. Dúvidas podem ser encaminhadas por e-mail para edital@fundacaogrupoboticario.org.br.

Fonte: Fundação Boticário

Solar Impulse 2 sai do Egito para a última etapa de sua volta ao mundo



O avião Solar Impulse 2 decolou neste domingo (24) do Egito rumo a Abu Dabi para a última etapa de sua volta ao mundo iniciada há mais de um ano. Nesta 17ª e última etapa, o avião é pilotado pelo suíço Bertrand Piccard, que realizou o primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível, graças a suas baterias que acumulam energia solar.
Entre aplausos e gritos de apoio da equipe de terra, o avião decolou do aeroporto do Cairo para uma viagem que deve levá-lo a Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiu no dia 9 de março de 2015.
"É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Bertrand Piccard aos jornalistas reunidos no aeroporto.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.
A Solar Impulse 2 devia ter saído do Egito na semana passada mas sua decolagem foi adiada pelos fortes ventos e por um problema de saúde do piloto.
O avião solar chegou ao Cairo em 13 de julho, depois de decolar de Sevilha (sul da Espanha), trajeto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos.
Piccard disse na noite deste sábado que essa última etapa será difícil. "É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", advertiu.

Fonte: AFP
Foto: Khaled Desouki/AFP

22/07/2016

Aquecimento e degelo da Antártida têm breve pausa, diz estudo


O aquecimento e o degelo da Antártida tiveram uma breve pausa, segundo publicação de cientistas nesta quarta-feira (20). A península, um dos lugares da Terra que sofreu pelo aquecimento do clima no último século, voltou a se resfriar devido a alterações naturais no local.
O aquecimento veloz registrado até o final dos anos 1990, que se estende rumo à América do Sul, desencadeou o rompimento de antigas plataformas de gelo, que são vastos fragmentos de gelo que flutuam no final das geleiras, e um declínio em algumas colônias de pinguins.
Uma mudança para ventos mais frios e a chegada de mais gelo marítimo causaram um resfriamento na região, apesar do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A análise foi publicada por cientistas na revista "Nature".
"O aumento de gases de efeito estufa (...) está sendo sobrepujado nesta parte da Antártida" por variações naturais no clima local, disse o principal autor do estudo, John Turner, da Pesquisa Britânica na Antártida (BAS, na sigla em inglês).
"Certamente não estamos dizendo que o aquecimento global acabou. Pelo contrário", disse ele em uma teleconferência a respeito do estudo. "Estamos destacando a complexidade da mudança climática."
Desde aproximadamente 1998, as temperaturas do ar da Antártida diminuíram cerca de 0,5ºC por década, aproximadamente o mesmo ritmo que vinha subindo desde cerca de 1950.
A estabilização do buraco da camada de ozônio sobre a Antártida, que protege o planeta dos raios ultravioleta, pode explicar em parte a alteração nos ventos que levaram ao resfriamento, segundo o estudo.
Mas o aumento de gases de efeito estufa, sobretudo em razão da queima de combustíveis fósseis em todo o mundo, significa que o resfriamento deve ser só um evento isolado em um canto da Antártida.
As temperaturas provavelmente devem voltar a subir e podem ter um acréscimo de 3ºC a 4ºC até o ano de 2.100, alertou Turner.
Na cúpula climática de Paris em dezembro, quase 200 governos assinaram o acordo mais ambicioso até o momento para conter o aquecimento global, adotando a meta de eliminar o uso de combustíveis fósseis gradualmente até 2.100.
Cerca de 10 plataformas de gelo diminuíram muito de tamanho ou se desintegraram na Antártida nas últimas décadas. Em 2014, no mesmo local, cientistas flagraram uma nova rachadura de dezenas de quilômetros de extensão em uma plataforma.

Fonte: Reuters
Foto: Nasa

20/07/2016

Junho de 2016 foi o mais quente desde 1880, diz agência dos EUA


O mês passado foi o junho mais quente no planeta desde o início dos registros, em 1880, com cerca de 15,5º C de média, informou nesta terça-feira (19) a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
"A temperatura média mundial de superfícies terrestres e oceânicas para junho de 2016 foi a mais alta para este mês desde 1880, ano em que começaram os registros de dados de temperatura global", indicou a NOAA.
A autoridade meteorológica americana disse que junho foi também o 14º mês consecutivo com recorde de temperaturas altas na Terra. Devido a esse aumento, a Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) afirmou que foram "quebrados vários recordes no primeiro semestre de 2016".
"Apesar destes dois indicadores do clima terem superado os registros em 2016, os cientistas da Nasa disseram que é mais significativo que a temperatura global e o gelo marinho do Ártico continuem suas décadas de tendências de mudança", destacou a agência.
Segundo a NOAA, os 15,5º C registrados de média em junho na Terra são a temperatura mais alta para este mês desde 1880, superando o recorde anterior, estabelecido em 2015.
Desde fevereiro de 2015, foram registrados 14 dos 15 meses mais quentes, o que indica que a temperatura da superfície do mar registrou um novo patamar máximo para um mês de junho.
Entre as anomalias registradas em junho, os cientistas destacaram a diminuição do gelo no Ártico, que ficou 11,4% abaixo da média do período 1981-2010, e as contínuas precipitações no centro e no norte da Europa.
Para a Nasa, a relevância da tendência mundial de aumento das temperaturas se vê superada pelo aquecimento da região ártica.
"Foi um ano recorde em temperatura global, mas as altas temperaturas recorde no Ártico nos últimos seis meses foram ainda mais extremas", disse o cientista Walt Meier, da Nasa.
A extensão de gelo marinho do Ártico no pico da temporada de degelo do verão cobre na atualidade 40% a menos de superfície que no final dos anos 70 e começo dos 80, segundo os dados da NOAA.

Fonte: EFE
Foto: UNFCCC


19/07/2016

Orquídea rara chama a atenção por ter 'cabeça de diabo' entre pétalas


Com apenas 30 unidades identificadas no sul da Colômbia, uma nova espécie de orquídea chama a atenção por outra característica: ter uma “cabeça de diabo” entre as pétalas.

Com um olhar mais atento ao centro da flor, é possível ver o rosto e parte do corpo "demoníacos". A nova espécie recebeu o nome “Telipogon diabolicus”.

O habitat da espécie é restrito a duas regiões colombianas, de Putumayo e Nariño, ao sul do país. A orquídea diabólica está entre as espécies ameaçadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A planta tem uma haste que mede entre 5,5 e 9 centímentros de altura. Além da “cabeça do diabo”, as pétalas têm riscos, característica não encontrada em nenhuma outra espécie colombiana do gênero.

"No mais recente catálogo de plantas colombianas, quase 3.600 espécies de orquídeas foram incluídas, que representam cerca de 250 gêneros", disseram pesquisadores. "Não há dúvida de que centenas de espécies do país permanecem desconhecidas. Só em 2015, mais de 20 novas foram publicadas com base no material coletado na Colômbia".

A descoberta é dos pesquisadores Marta Kolanowska e Dariusz Szlachetko, ambos da Universidade de Gdansk, na Polônia. Eles trabalharam em parceria com o professor colombiano Ramiro Medina Trejo.

Fonte: G1
Foto: Marta Kolanowska

Catalogar todas as espécies de árvores da Amazônia levaria 300 anos, mostra levantamento



A Floresta Amazônica tem uma variedade tão grande espécies de árvores que catalogá-las levaria três séculos, segundo estimativas de um novo estudo.
O trabalho publicado no periódico Scientific Reports fez um levantamento dos mais de 500 mil exemplares reunidos por museus nos últimos 300 anos.
E mostrou que aproximadamente 12 mil espécies foram descobertas até hoje.
Com base nesse número, cientistas preveem que ainda restam a serem descobertos ou descritos em detalhes cerca de 4 mil tipos raros de árvores.
Só foi possível elaborar essa lista graças à digitalização dos acervos de museus ao redor do mundo. Os pesquisadores dizem que ela ajudará quem busca proteger a florestal tropical com a maior biodiversidade do mundo.
"A lista dará aos cientistas uma melhor noção do que há de fato na bacia amazônica, e isso contribuirá com os esforços de preservação", diz um dos autores do estudo, Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda.

Fonte: BBC

17/07/2016

Perda de biodiversidade ameaça ecossistemas do planeta, diz estudo



A dimensão da perda de biodiversidade no mundo todo ameaça o funcionamento dos ecossistemas da Terra e inclusive a sobrevivência dos seres humanos, segundo um estudo publicado na quinta-feira (14) na revista científica americana "Science".

Em 58% da superfície terrestre, onde vive 71% da população mundial, "o nível de perda de biodiversidade é substancial o suficiente para questionar a capacidade dos ecossistemas de suportar as sociedades humanas", alerta o estudo.

"É a primeira vez que quantificamos os efeitos da perda de biodiversidade a nível planetário de forma tão detalhada que agora podemos dizer que esta perda ultrapassou os limites considerados seguros pelos ecologistas", explica o líder da pesquisa, Tim Newbold, da University College London.

Segundo os pesquisadores, as pradarias, savanas e a tundra são os ecossistemas mais afetados, seguidos por diferentes tipos de florestas e outras regiões selváticas.

Nestas zonas, é cada vez mais incerta a possibilidade de assegurar funções essenciais dos ecossistemas como a reprodução e crescimento de seres vivos e a manutenção de ciclos de produção de nutrientes.

"Sabemos que as perdas de biodiversidade afetam o funcionamento dos ecossistemas, mas o processo ainda não está totalmente claro", acrescentam os pesquisadores.

"O que sim sabemos é que em várias partes do mundo nos aproximamos de uma situação na qual uma intervenção humana poderia ser necessária para manter as funções do ecossistema", afirmam.

"A utilização dos solos já levou a biodiversidade até os limites do que poderia ser considerado não arriscado", ressaltou o professor Andy Purvis, do Museu de História Natural de Londres, um dos coautores do estudo.

Para o estudo, foram analisados 2,38 milhões de relatórios sobre 39.123 espécies e 18.659 lugares, dados fornecidos por centenas de pesquisadores de várias partes do mundo.

Fonte: AFP
Foto: Markus Schreiber/AFP

16/07/2016

Estudo indica que aquecimento global também interfere nas nuvens

Desde 1980, nuvens diminuíram em áreas temperadas de latitude média.
Cientistas relacionam mudanças das nuvens a gases de efeito estufa.


As nuvens, reguladoras térmicas do planeta, também mudaram em razão das mudanças climáticas, o que poderia contribuir para aumentar o aquecimento global, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (13) na revista "Nature".

Desde os anos 1980, a nebulosidade diminuiu nas áreas temperadas de latitude média, com uma expansão das zonas secas subtropicais em direção aos polos, revela a análise de cerca de 20 imagens de satélite. E em todas as partes as nuvens subiram sua latitude.

"Essas mudanças reforçam a absorção pela Terra da radiação solar e reduzem o retorno das radiações térmicas para o espaço", explicou Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, que participou do estudo.

"Isso exacerba o aquecimento mundial, aumentando as concentrações de gases do efeito estufa (GES)".

As nuvens regulam a temperatura da Terra, enviando para o espaço uma parte da radiação solar antes que elas alcancem o chão. À noite, elas agem como um cobertor para minimizar a perda de calor.

Sua influência nas alterações climáticas é "uma dos principais áreas de incerteza para os cientistas que trabalham sobre o clima e que tentam antecipar sua evolução futura", disseram os pesquisadores.

Os satélites, originalmente concebidos para prever a meteorologia, não são estáveis o suficiente para acompanhar a evolução das nuvens ao longo das décadas. Mas a equipe foi capaz de corrigir os dados, agindo sobre a órbita dos satélites, na calibração dos instrumentos e na degradação de sensores.

Desta forma, os resultados mostraram claras alterações na distribuição das nuvens, que os autores logo colocaram em paralelo com a história das concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera.
Gases de efeito estufa influenciam nuvens

Os pesquisadores estabeleceram que "o comportamento das nuvens pareceu consistente com o aumento, gerado pelo homem, das concentrações de gases do efeito estufa", aponta o instituto de pesquisa em um comunicado.

Enquanto nenhuma correlação foi estabelecida com outros fatores potenciais, tais como os níveis de ozônio, aerossóis de origem antropogênica, ou mudanças naturais na radiação solar.

Em contrapartida, outro fator de influência, duas grandes erupções vulcânicas - a erupção do Chichon no México em 1982 e do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991 - agiram sobre as nuvens e tiveram um efeito de resfriamento por alguns anos, enviando poeira para o ar refletindo a luz solar.

"Mas, a menos que um novo evento vulcânico desse tipo aconteça, os cientistas esperam que as tendências que afetam as nuvens continuem, enquanto o planeta está se aquecendo como resultado do aumento das concentrações de gases do efeito estufa", advertem os autores.


Fonte: AFP

13/07/2016

Planta presente no Brasil é capaz de colonizar áreas desmatadas


Elton Alisson  |  Agência FAPESP – As espécies de árvores nativas pioneiras – que têm capacidade de colonizar ambientes degradados em razão de sua alta capacidade reprodutiva e crescimento rápido, entre outras características – têm sido priorizadas em programas de restauração de florestas tropicais desmatadas.
Isso porque essas árvores facilitam a transição da terra desmatada para a floresta em recomposição ao estabilizar o terreno e melhorar a conectividade entre os fragmentos florestais restantes, além de aumentar a permeabilidade do solo e contribuir para iniciar a montagem de redes de polinizadores e dispersores de sementes de plantas, apontam especialistas na área.
Apesar da importância ecológica dessas espécies pioneiras pouco se sabe, por exemplo, sobre como elas mantêm a diversidade genética nas populações naturais e o fluxo genético entre fragmentos florestais distantes uns dos outros, por exemplo, pondera Rodolfo Jaffé, pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV).
“Ter conhecimento da genética dessas espécies é fundamental para conseguir uma restauração mais eficiente ou a recuperação de funções ecossistêmicas-chave em curto ou médio prazo”, disse Jaffé à Agência FAPESP.
“É claro que esses ecossistemas recuperados por meio das espécies de árvores nativas pioneiras nunca serão iguais aos originais. Mas a ideia é chegar o mais próximo possível”, afirmou Jaffé, que realizou pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) com Bolsa da FAPESP.
O pesquisador, em parceria com colegas da University of Texas em Austin, nos Estados Unidos, onde fez um estágio de pesquisa também com Bolsa da FAPESP, estudou os padrões de diversidade e diferenciação genética da espécie de árvore nativa pioneiraMiconia affinis (conhecida popularmente no Brasil como jacatira-branca), que ocorre na região do Canal do Panamá, na América Central.
Os resultados do estudo foram descritos em um artigo publicado na revista PLoS One.
“A região do Canal do Panamá, que é um hotspot de biodiversidade global, perdeu em torno de 30% das suas florestas nos últimos 50 anos em razão do avanço da agropecuária, e isso tem resultado em uma forte erosão e em um acúmulo muito grande de sedimentos nos córregos e canais, influenciando negativamente todo a bacia e o sistema hídrico da região”, afirmou Jaffé.
“Por isso, o governo do país tem interesse em recuperar as áreas desmatadas para diminuir a erosão e o acúmulo de sedimentos no Canal, e as espécies de árvores nativas pioneiras presentes na região seriam boas candidatas para serem usadas em programas de restauração”, explicou.
A fim de avaliar se áreas desmatadas constituem uma barreira para as populações dessa espécie de árvore que mede entre 3 e 6 metros de altura e está amplamente distribuída na região neotropical (que vai desde o México ao Brasil), os pesquisadores coletaram folhas de cerca de 30 árvores em período de inflorescência e infrutescência de 11 populações diferentes, espalhadas pela região do Canal do Panamá.
Em seguida, extraíram o DNA das folhas e utilizaram marcadores moleculares microssatélites – pequenas regiões do DNA, que variam de um indivíduo para outro – para obter uma assinatura genética (genótipo) de cada uma delas.
Por meio de mapas de alta resolução da cobertura florestal e elevação da região do Canal do Panamá, além de ferramentas de genética da paisagem, eles avaliaram a influência de fatores como a distância geográfica, a altitude e o desmatamento sobre a estrutura e a diversidade genética dessas populações de árvores.
Os resultados das análises estatísticas indicaram que a diferenciação genética dessa espécie de árvore que geralmente coloniza clareiras, áreas ciliares e encostas expostas, aumentou significativamente de acordo com a altitude e a distância geográfica entre as populações.
“Isso quer dizer que, quanto mais afastadas, mais diferenciadas geneticamente são as populações dessa espécie de planta, e quanto mais próximas, mais parecidas são geneticamente. Esse padrão, chamado de isolamento por distância, é esperado para a maioria das populações de plantas”, afirmou Jaffé.
As análises também indicaram que a Miconia affinis apresenta níveis mais elevados de diversidade genética intrapopulacional e menores níveis entre populações do que muitas espécies de plantas pioneiras.
Curiosamente, o nível de diferenciação genética entre populações da planta, que, no Brasil, ocorre na Mata Atlântica, Cerrado e na Amazônia, foi menor do que a média relatada para árvores tropicais, mas semelhante ao de espécies tropicais pioneiras com dispersão mediada pelo vento, apontaram os pesquisadores.
“Esse alto nível de diversidade genética e baixo nível de diferenciação genética entre as populações da planta é devido, provavelmente, à propensão das espécies para colonizar paisagens recentemente desmatadas, levando a um aumento na conectividade entre as populações em toda a região”, estimam os pesquisadores.
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