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22/07/2016

Aquecimento e degelo da Antártida têm breve pausa, diz estudo


O aquecimento e o degelo da Antártida tiveram uma breve pausa, segundo publicação de cientistas nesta quarta-feira (20). A península, um dos lugares da Terra que sofreu pelo aquecimento do clima no último século, voltou a se resfriar devido a alterações naturais no local.
O aquecimento veloz registrado até o final dos anos 1990, que se estende rumo à América do Sul, desencadeou o rompimento de antigas plataformas de gelo, que são vastos fragmentos de gelo que flutuam no final das geleiras, e um declínio em algumas colônias de pinguins.
Uma mudança para ventos mais frios e a chegada de mais gelo marítimo causaram um resfriamento na região, apesar do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A análise foi publicada por cientistas na revista "Nature".
"O aumento de gases de efeito estufa (...) está sendo sobrepujado nesta parte da Antártida" por variações naturais no clima local, disse o principal autor do estudo, John Turner, da Pesquisa Britânica na Antártida (BAS, na sigla em inglês).
"Certamente não estamos dizendo que o aquecimento global acabou. Pelo contrário", disse ele em uma teleconferência a respeito do estudo. "Estamos destacando a complexidade da mudança climática."
Desde aproximadamente 1998, as temperaturas do ar da Antártida diminuíram cerca de 0,5ºC por década, aproximadamente o mesmo ritmo que vinha subindo desde cerca de 1950.
A estabilização do buraco da camada de ozônio sobre a Antártida, que protege o planeta dos raios ultravioleta, pode explicar em parte a alteração nos ventos que levaram ao resfriamento, segundo o estudo.
Mas o aumento de gases de efeito estufa, sobretudo em razão da queima de combustíveis fósseis em todo o mundo, significa que o resfriamento deve ser só um evento isolado em um canto da Antártida.
As temperaturas provavelmente devem voltar a subir e podem ter um acréscimo de 3ºC a 4ºC até o ano de 2.100, alertou Turner.
Na cúpula climática de Paris em dezembro, quase 200 governos assinaram o acordo mais ambicioso até o momento para conter o aquecimento global, adotando a meta de eliminar o uso de combustíveis fósseis gradualmente até 2.100.
Cerca de 10 plataformas de gelo diminuíram muito de tamanho ou se desintegraram na Antártida nas últimas décadas. Em 2014, no mesmo local, cientistas flagraram uma nova rachadura de dezenas de quilômetros de extensão em uma plataforma.

Fonte: Reuters
Foto: Nasa

20/07/2016

Junho de 2016 foi o mais quente desde 1880, diz agência dos EUA


O mês passado foi o junho mais quente no planeta desde o início dos registros, em 1880, com cerca de 15,5º C de média, informou nesta terça-feira (19) a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
"A temperatura média mundial de superfícies terrestres e oceânicas para junho de 2016 foi a mais alta para este mês desde 1880, ano em que começaram os registros de dados de temperatura global", indicou a NOAA.
A autoridade meteorológica americana disse que junho foi também o 14º mês consecutivo com recorde de temperaturas altas na Terra. Devido a esse aumento, a Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) afirmou que foram "quebrados vários recordes no primeiro semestre de 2016".
"Apesar destes dois indicadores do clima terem superado os registros em 2016, os cientistas da Nasa disseram que é mais significativo que a temperatura global e o gelo marinho do Ártico continuem suas décadas de tendências de mudança", destacou a agência.
Segundo a NOAA, os 15,5º C registrados de média em junho na Terra são a temperatura mais alta para este mês desde 1880, superando o recorde anterior, estabelecido em 2015.
Desde fevereiro de 2015, foram registrados 14 dos 15 meses mais quentes, o que indica que a temperatura da superfície do mar registrou um novo patamar máximo para um mês de junho.
Entre as anomalias registradas em junho, os cientistas destacaram a diminuição do gelo no Ártico, que ficou 11,4% abaixo da média do período 1981-2010, e as contínuas precipitações no centro e no norte da Europa.
Para a Nasa, a relevância da tendência mundial de aumento das temperaturas se vê superada pelo aquecimento da região ártica.
"Foi um ano recorde em temperatura global, mas as altas temperaturas recorde no Ártico nos últimos seis meses foram ainda mais extremas", disse o cientista Walt Meier, da Nasa.
A extensão de gelo marinho do Ártico no pico da temporada de degelo do verão cobre na atualidade 40% a menos de superfície que no final dos anos 70 e começo dos 80, segundo os dados da NOAA.

Fonte: EFE
Foto: UNFCCC


16/07/2016

Estudo indica que aquecimento global também interfere nas nuvens

Desde 1980, nuvens diminuíram em áreas temperadas de latitude média.
Cientistas relacionam mudanças das nuvens a gases de efeito estufa.


As nuvens, reguladoras térmicas do planeta, também mudaram em razão das mudanças climáticas, o que poderia contribuir para aumentar o aquecimento global, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (13) na revista "Nature".

Desde os anos 1980, a nebulosidade diminuiu nas áreas temperadas de latitude média, com uma expansão das zonas secas subtropicais em direção aos polos, revela a análise de cerca de 20 imagens de satélite. E em todas as partes as nuvens subiram sua latitude.

"Essas mudanças reforçam a absorção pela Terra da radiação solar e reduzem o retorno das radiações térmicas para o espaço", explicou Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, que participou do estudo.

"Isso exacerba o aquecimento mundial, aumentando as concentrações de gases do efeito estufa (GES)".

As nuvens regulam a temperatura da Terra, enviando para o espaço uma parte da radiação solar antes que elas alcancem o chão. À noite, elas agem como um cobertor para minimizar a perda de calor.

Sua influência nas alterações climáticas é "uma dos principais áreas de incerteza para os cientistas que trabalham sobre o clima e que tentam antecipar sua evolução futura", disseram os pesquisadores.

Os satélites, originalmente concebidos para prever a meteorologia, não são estáveis o suficiente para acompanhar a evolução das nuvens ao longo das décadas. Mas a equipe foi capaz de corrigir os dados, agindo sobre a órbita dos satélites, na calibração dos instrumentos e na degradação de sensores.

Desta forma, os resultados mostraram claras alterações na distribuição das nuvens, que os autores logo colocaram em paralelo com a história das concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera.
Gases de efeito estufa influenciam nuvens

Os pesquisadores estabeleceram que "o comportamento das nuvens pareceu consistente com o aumento, gerado pelo homem, das concentrações de gases do efeito estufa", aponta o instituto de pesquisa em um comunicado.

Enquanto nenhuma correlação foi estabelecida com outros fatores potenciais, tais como os níveis de ozônio, aerossóis de origem antropogênica, ou mudanças naturais na radiação solar.

Em contrapartida, outro fator de influência, duas grandes erupções vulcânicas - a erupção do Chichon no México em 1982 e do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991 - agiram sobre as nuvens e tiveram um efeito de resfriamento por alguns anos, enviando poeira para o ar refletindo a luz solar.

"Mas, a menos que um novo evento vulcânico desse tipo aconteça, os cientistas esperam que as tendências que afetam as nuvens continuem, enquanto o planeta está se aquecendo como resultado do aumento das concentrações de gases do efeito estufa", advertem os autores.


Fonte: AFP

23/04/2016

Acordo do clima é assinado por 175 países, recorde da ONU


Nesta sexta-feira (22), na sede das Nações Unidas, em Nova York, 175 países assinaram o Acordo de Paris contra a mudança climática. Jamais tantos países tinham assinado uma convenção internacional deste tipo no primeiro dia em que o texto foi aberto para que as nações começassem a aderir.

Para que o acordo entre em vigor, é preciso agora que pelo menos 55 países, que somem no total 55% das emissões globais, completem o processo de ratificação. Entre eles, 15, em sua maioria pequenos países insulares, já o fizeram nesta sexta, e espera-se que ao longo deste ano muitas outras nações sigam o caminho. Na maioria dos casos, os países precisam que o texto seja aprovado por seus parlamentos.

Os dois maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, se comprometeram a cumprir esses processos neste ano e, no caso dos chineses, antes da cúpula do G-20 prevista para setembro.

A França, que liderou as negociações deste primeiro acordo global contra a mudança climática, espera que seu parlamento autorize a ratificação ainda neste ano, segundo o presidente François Hollande.
O chefe de Estado francês, que foi hoje o primeiro a assinar o documento, cobrou que os demais países da União Europeia (UE) deem o "exemplo" e cumpram as ratificações ao longo de 2016.

Os discursos dos líderes mundiais ressaltaram o sentimento de urgência de ação contra o aquecimento global. "Estamos em uma corrida contra o relógio", advertiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que reiterou que o "futuro" do mundo depende dos progressos rumo a uma economia baixa em emissões. "Estamos batendo recordes nesta reunião, e é uma boa notícia. Mas os recordes também estão sendo batidos fora", disse Ban ao se referir sobre as temperaturas globais e o degelo.

Já o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, selou o pacto em nome de seu país acompanhado de sua neta de 2 anos. As Nações Unidas também destacaram a importância do momento para o futuro do mundo e decidiu que, ao invés de um alto dirigente da organização, as primeiras palavras da sessão de assinatura fossem da jovem tanzaniana Gertrude Clément, que com apenas 16 anos se destacou por seu ativismo sobre o clima.

Os mais de 60 líderes e centenas de representantes nacionais reunidos no salão da Assembleia Geral ouviram também um forte discurso do ator Leonardo DiCaprio, que apoia a ONU como Mensageiro contra a mudança climática.

"O mundo está olhando. Os senhores serão aclamados ou vilipendiados pelas gerações futuras", alertou DiCaprio aos líderes mundiais, ressaltando que "o planeta não será salvo se não deixarmos os combustíveis fósseis debaixo da terra, onde pertencem".

O acordo é o primeiro pacto universal de luta contra a mudança climática de cumprimento obrigatório e determina que seus 195 países signatários ajam para que a temperatura média do planeta sofra uma elevação "muito abaixo de 2°C", mas "reunindo esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C".

Processo de adesão
A adoção do texto de Paris, que colocou fim a anos de complexas e trabalhosas negociações, "não quer dizer que as partes aderem automaticamente ao acordo", lembra Eliza Northrop, do World Resources Institute.

São necessárias duas etapas: a assinatura (aberta desta sexta-feira até abril de 2017) e a ratificação em função das regras nacionais (votação pelo parlamento, decreto, etc). Formalmente, para entrar em vigor, o acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Alguns países indicaram que depositarão os instrumentos de ratificação imediatamente depois da assinatura da convenção, no próprio dia 22 de abril, enquanto em muitas nações se requer a aprovação parlamentar.

"Uma entrada em vigor rápida", talvez em 2017 ou 2018, "permitiria enviar uma mensagem política", afirma Laurence Tubiana, negociadora francesa.

"Para aplicá-lo, os Estados devem agora organizar sua transição energética, que passa por uma reorientação dos investimentos", resume Celia Gautier, da ONG Réseau Action Climat (ONG).


Fonte: G1
Foto: Jewel Samad/AFP

Mudança do clima produzirá mais picos de ozônio, diz estudo


O aquecimento global deve gerar nos Estados Unidos, até 2050, de três a nove dias adicionais por ano com picos de ozônio perigosos para a saúde, afirma um estudo.

Os gases liberados pelos escapamentos dos automóveis e caminhões contribuem para aumentar os níveis de ozônio e o problema se torna ainda mais grave quando as temperaturas aumentam, o que será mais habitual que no passado.

"Nas próximas décadas, a mudança climática global provocará com certeza mais ondas de calor durante o verão, o que levará a um aumento de entre 70% e 1000% dos picos de ozônio, segundo a região", afirmou Lu Shen, da Faculdade John A. Paulson de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) de Harvard, principal autor do estudo publicado na "Geophysical Research Letters".

A Califórnia, o sudoeste e o nordeste do país podem sofrer até nove dias a mais por ano com picos de concentração de ozônio perigosos para a saúde.

O ozônio pode provocar problemas pulmonares em adultos e asma em crianças. Durante os picos, os médicos recomendam que as pessoas com problemas pulmonares não saiam de casa.

Diminuir o consumo de energia elétrica e deixar o automóvel na garagem são os meios mais efetivos para reduzir os níveis de ozônio.

Fonte: AFP
Imagem: Freepik

19/04/2016

Mês passado foi o março mais quente desde 1880, diz agência americana


O mês passado foi o março mais quente já registrado na história e o 11º mês consecutivo em que se bate este recorde, uma sequência inédita em 137 anos de registros, indicaram meteorologista americanos.

A temperatura média mundial na superfície do planeta em março de 2016 foi "a mais alta para um mês de março nas estatísticas anuais sobre a temperatura mundial da NOAA", a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, segundo um relatório desse organismo. A NOAA realiza essa avaliação desde 1880.
Em março, temperatura média da Terra ficou 1,22ºC mais alta do que a média de todo o século 20, de 12,7ºC, segundo um relatório da NOAA. Esses recordes consecutivos de calor preocupam a comunidade científica, já que indicam que o processo de aquecimento global pode estar acelerando.
O ano de 2015 foi o mais quente já registrado, superando 2014, que por sua vez também tinha obtido esse recorde.
O relatório do órgão mostrou que a maior parte da suerfície da Terra estava mais quente do que a média em março, "com recorde notável de temperatura no leste do Brasil, maior parte do centro e leste da África, maior parte do sudeste da Ásia e grandes porções do norte e leste da Austrália".
O noroeste do Canadá e o norte e oeste da Ásia tiveram temperaturas ao menos 3ºC mais alas do que a média registrada entre 1981 e 2010.
Em contraste, a França e o Reino Unido registraram, em março, temperaturas um pouco mais baixas do que a média de 1981 a 2010.

Fonte: AFP
Imagem: Freepik

14/04/2016

73% das ilhas do mundo serão mais áridas em 2050


As alterações climáticas poderão sujeitar quase três quartos das pequenas ilhas do mundo, onde vivem 16 milhões de pessoas, a uma maior aridez em 2050, revela um estudo hoje publicado na revista Nature Climate Change.

Embora já se soubesse que as alterações climáticas vão provocar mudanças no equilíbrio entre a precipitação e a evaporação em muitas regiões do mundo, os modelos climáticos não permitiam estimar essas mudanças nas pequenas ilhas espalhadas pelos vários oceanos, onde habitam aproximadamente 18 milhões de pessoas.

O método padrão para avaliar a aridez é calcular a diferença entre a precipitação e a evapotranspiração potencial (perdas de água pela evaporação e pela transpiração das plantas), mas isto não funciona para as pequenas ilhas, já que os modelos globais só fornecem estimativas de precipitação e não de evapotranspiração.

A equipe de Kristopher B. Karnauskas, da Universidade de Colorado Boulder, usou um método para estimar a evapotranspiração potencial das pequenas ilhas, o que lhe permitiu então calcular o índice de mudança de aridez para 80 arquipélagos em todo o mundo.

Os resultados apontam para uma tendência de aumento da aridez em mais de 73% dos arquipélagos.

Embora se preveja que cerca de metade das ilhas experienciem mais chuva (sobretudo aquelas que se situam nos trópicos), os aumentos da evaporação são mais consistentes na globalidade dos arquipélagos, o que resulta numa mudança geral no sentido de mais aridez.

Fonte: Diário de Notícias
Foto: Freepik

13/04/2016

Aquecimento poderá reduzir em 44% a grande circulação das águas do Atlântico

Devido às mudanças climáticas, a gigantesca circulação de águas, que leva calor do Atlântico Sul para o Atlântico Norte, poderá diminuir quase pela metade ainda neste século. Se isso ocorrer, as consequências serão dramáticas, tanto em escala global quanto, principalmente, nas porções litorâneas dos três continentes banhados pelo Atlântico: América, Europa e África.
Para se ter ideia da importância dessa circulação oceânica, conhecida como Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico, basta considerar que sua potência (quantidade de energia liberada por segundo) é quase 100 mil vezes maior do que a da usina hidrelétrica de Itaipu, com todas as turbinas funcionando. A estimativa mais pessimista do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) é que essa potência, de 1,3 petawatt (1,3 x 1015 W), venha a ser reduzida em 44% até 2100.
Nesse caso, 44% da energia térmica atualmente transportada para as águas frias das altas latitudes do Atlântico Norte ficarão retidas e serão redistribuídas no Atlântico Sul e no Oceano Austral, impactando os centros de alta e baixa pressão, o regime dos ventos, a intensidade e duração das chuvas etc.
Uma forma de aferir a acurácia dessas projeções e desenhar com maior precisão o cenário futuro é olhar para o passado. Isto é, “rodar o modelo para trás” e comparar os resultados obtidos pela simulação com os dados concretos colhidos por meio da pesquisa de campo.
Tal é o propósito do projeto “Resposta da porção oeste do Oceano Atlântico às mudanças na circulação meridional do Atlântico: variabilidade milenar a sazonal”, conduzido pelo paleoclimatólogo Cristiano Mazur Chiessi, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). O projeto é apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores.
“Nosso projeto procura avaliar os impactos que as mudanças ocorridas há milhares de anos na circulação oceânica do Atlântico tiveram, na época, sobre o clima da América do Sul e sobre a porção oeste do Atlântico Sul. Um desses impactos, que aconteceu quando a célula teve sua intensidade drasticamente reduzida ou até mesmo colapsou, foi um período prolongado de chuvas torrenciais sobre a região nordeste do atual território brasileiro”, disse Chiessi à Agência FAPESP.
Nas condições atuais, a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico é uma circulação oceânica de larga escala, que recolhe águas quentes de grande salinidade, situadas no topo da coluna de água do Atlântico Sul, e as leva até altas latitudes do Atlântico Norte.
“Ao longo do trajeto, a intensa evaporação, que ocorre nas baixas latitudes, causa um aumento ainda maior da salinidade. Posteriormente, o resfriamento, nas altas latitudes, provoca uma contração de volume. Conjugados, esses dois fatores, aumento de salinidade e contração de volume, tornam as águas mais densas. E a maior densidade faz com que elas afundem na coluna de água e retornem ao Atlântico Sul em camadas profundas e frias, até alcançar as imediações da Antártica”, explicou o pesquisador. Veja a animação: 

Em maior detalhe, o processo é o seguinte. A corrente quente desloca-se para norte, próxima do litoral leste da América, desde a altura de Salvador, no Brasil, até a altura de Nova York, nos Estados Unidos, aproximadamente. Lá, sofre uma inflexão para leste, rumo à Islândia e à Noruega. E, depois de alcançar o norte europeu, retorna ao sul, já como corrente fria e profunda, fluindo paralela à margem leste da América, até chegar às imediações da Antártica.
A grande perda de calor para o meio, que faz a corrente afundar, ocorre em dois sítios específicos: o Mar de Labrador, entre o Canadá e a Groenlândia, e o Mar da Noruega, entre a Groenlândia, a Islândia e a Noruega. “Devido a essa liberação de calor, a temperatura média da superfície oceânica perto do sul da Noruega ou do norte da Inglaterra é muito mais alta do que na porção da costa canadense situada na mesma latitude”, informou Chiessi.
A célula exerce uma influência muito grande sobre o clima, não apenas do oceano, mas também de todos os continentes situados ao redor do Atlântico “Isso vale especialmente para as porções desses continentes banhadas pelo oceano. Na América do Sul, tudo o que está a leste da Cordilheira dos Andes é altamente influenciado pelo fenômeno”, acrescentou o pesquisador.
Ele acredita que, em função das mudanças climáticas, a diminuição da intensidade desse processo oceânico já esteja acontecendo.
“O aquecimento global arrefece a circulação de duas maneiras. Em primeiro lugar, por uma intensificação das chuvas nas altas latitudes do Atlântico Norte, exatamente nos locais em que as águas precisam de maior densidade para poder afundar e retornar ao Sul. Se chove muito nessas regiões, a salinidade das águas superficiais diminui, reduzindo, por consequência, sua densidade e dificultando o afundamento. Em segundo lugar, pelo derretimento da calota de gelo sobre a Groenlândia, liberando água doce, de salinidade extremamente baixa, exatamente nos sítios de formação das águas profundas”, afirmou.
Chuvas torrenciais e prolongadas no Nordeste
Segundo o pesquisador, existe ainda uma grande margem de incerteza nas projeções. Os modelos atuais funcionariam muito bem para algumas variáveis. Mas não tão bem para outras. Daí a proposta de investigar, no passado, períodos em que a circulação esteve bastante diminuída ou até mesmo colapsada, para identificar quais foram as consequências, especialmente na margem oeste do Atlântico Sul.
“O período icônico mais recente de redução da circulação oceânica ocorreu entre 18 mil e 15 mil anos antes do presente, na última grande deglaciação. Com o aquecimento do planeta, as geleiras existentes nas altas latitudes do Hemisfério Norte, especialmente sobre o território canadense, derreteram e lançaram uma enorme quantidade de água doce no Mar de Labrador, arrefecendo ou até paralisando a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico”, relatou Chiessi.
Para estimar a magnitude do degelo, é preciso recuar mais um milênio, até 19 mil anos antes do presente. Nessa época, no máximo glacial, a concentração de CO2 na atmosfera, atualmente maior do que 400 partes por milhão (ppm), estava muito baixa, na faixa de 175 ppm. E o nível do mar encontrava-se 130 metros abaixo do atual. Toda a água correspondente permanecia aprisionada nas geleiras continentais, principalmente sobre o Canadá e o norte dos Estados Unidos.
Em várias regiões do planeta, a linha da costa havia avançado centenas de quilômetros sobre a área hoje ocupada pelos oceanos. Era possível ir a pé das Ilhas Malvinas ao atual território da Argentina; do sul da Inglaterra à França; do nordeste da Ásia ao noroeste da América do Norte. Não havia o Canal da Mancha, nem o Estreito de Bering, pois estas regiões encontravam-se emersas.
“Entre 18 mil e 15 mil anos atrás, com o aquecimento, as geleiras começaram a lançar uma extraordinária quantidade de icebergsno Mar de Labrador, diminuindo a salinidade das águas superficiais e, portanto, a intensidade da Célula de Revolvimento. Acredita-se mesmo que possa ter havido um colapso total da circulação. A potência de 1,3 petawatt de calor teve que ser redistribuída ao redor do Atlântico Sul e do Oceano Austral. E chegou a aquecer expressivamente a Antártica”, informou o pesquisador.
Devido a isso, a chamada zona de convergência intertropical, localizada onde a superfície do oceano é mais quente, e, consequentemente, a evaporação e a concentração de nuvens alcançam os valores mais altos, deslocou-se para o sul. Hoje, ela está situada em média entre 5 e 10 graus ao norte da linha equatorial. Naquela época, migrou para o sul do Equador, provocando chuvas torrenciais e prolongadas sobre o nordeste do território brasileiro.
“Um de nossos trabalhos, publicado em Earth and Planetary Science Letters no ano passado, evidenciou tal fenômeno”, disse Chiessi, referindo-se ao artigo Origin of increased terrigenous supply to the NE South American continental margin during Heinrich Stadial 1 and the Younger Dryas.
A pesquisa constatou um colossal aumento da taxa de sedimentação no fundo oceânico, em decorrência da erosão causada pelas chuvas e do arraste de sedimentos pelos rios, mar adentro. À frente da foz do rio Parnaíba, no Piauí, mas já em alto-mar, a mais de um quilômetro de profundidade, a taxa de sedimentação alcançou o valor de 100 centímetros em mil anos. Este é o padrão de sedimentação do Amazonas, que é um rio gigantesco. No entanto, foi igualado pelo Parnaíba, um rio de porte incomparavelmente menor.
“Devido às chuvas que incidiram sobre o Nordeste, o Parnaíba depositou em alguns locais uma quantidade de sedimentos equivalente àquela depositada pelo Amazonas. No mesmo período, há registros de uma grande diminuição das precipitações ao norte, na Venezuela e na América Central”, comentou Chiessi.
“Nós coletamos e analisamos entre oito e nove metros de coluna sedimentar em dois sítios marinhos: um deles ao largo da desembocadura do Parnaíba, o outro ao largo da Guiana Francesa. O primeiro foi coletado a 1.367 metros de profundidade. O segundo, a 2.510 metros”, detalhou.
Conforme descreveu o pesquisador, o processo de coleta é o seguinte. Primeiro, com o emprego de ecossonda de penetração, é feita a imagem do subfundo oceânico. Isso informa como estão as camadas sedimentares, se existem ou não distúrbios de sedimentação. Em regiões onde não há distúrbios, é enviado, então, do navio para baixo, um equipamento com mais de 5 toneladas chamado “testemunhador a gravidade”.
Por gravidade, o “testemunhador” chega ao fundo oceânico e penetra suavemente na camada de sedimentos não consolidada, recolhendo, sem distúrbios, de oito a dez metros de coluna sedimentar. Depois, já no laboratório, cada fração da coluna é analisada, obtendo-se, a partir disso, miríades de informações.

Fonte: José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP
Imagem: NASA/Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio


15/03/2016

Calor de fevereiro bateu recorde, diz Nasa


O aumento médio das temperaturas em fevereiro foi muito superior aos saltos registrados em meses anteriores. De acordo a Nasa, os termômetros marcaram um avanço de 1,35 grau celsius em relação à media do mesmo mês durante o período de base de comparação, entre 1951 e 1980. As informações alertam para uma possível emergência climática.
O recorde anterior nessa comparação havia sido janeiro, que foi 1,14 graus Celsius mais quente do que a média do mês durante aquele período de 30 anos.
Divulgado pela agência espacial americana, os dados são um “verdadeiro choque, e mais um lembrete do crescimento incessante no aquecimento global resultante das emissões de gases-estufa pelo homem”, escreveram os cientistas Jeff Masters e Bob Henson no blog “Weather undergournd”, analisando as informações.
Entretanto, este fevereiro não bateu o recorde de mês mais quente da História, algo mais provável de acontecer nos meses de julho e agosto, quando é verão no Hemisfério Norte.
O fenômeno El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico, pode ter contribuído para o aumento nas temperaturas. Entretanto, comparado com o El Niño de 1997-1998, que foi muito mais forte, as temperaturas globais estão 0.5 grau Celsius mais altas.
“Estamos numa espécie de emergência climática agora”, disse o pesquisador Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisas sobre Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha, ao jornal australiano “Sydney Morning Herald”.
Fonte: O Globo
Imagem: Nasa

22/02/2016

As estrelas-do-mar estão se desintegrando com o aquecimento

Um grupo de pesquisadores universitários culpa o aquecimento global pela desintegração de populações inteiras de estrelas-do-mar e de lagostas no oceano Pacífico e no Atlântico.

Em uma série de artigos publicados em edição especial do periódico científico Proceedings of the Royal Society B, os cientistas dizem que o aumento da temperatura das águas do mar está levando várias espécies de estrelas-do-mar a sucumbir a uma doença que eles acreditam que seja fatal.
Segundo eles, a doença debilitante faz com que os corpos das criaturas marinhas ''se liquefaçam lentamente" e já infectou mais de 20 espécies, devastando até mesmo populações inteiras desde 2013.

Uma delas, a grande estrela-do-mar-girassol, desapareceu do noroeste do Pacífico, enquanto outra espécie, a estrela-do-mar ocre, parece seguir o mesmo fim trágico.

Morgan E. Eisenlord, biólogo evolutivo na Universidade de Cornell, conduziu um estudo sobre o problema em 16 áreas da costa do estado de Washington, além de testes em laboratório, que comprovaram a relação entre o aquecimento das águas e o aumento de doenças que afligem as criaturas do mar.

Outro estudo publicado no mesmo periódico científico sugere que as lagostas também são vulneráveis à sina semelhante, que afeta suas conchas e faz suas armaduras se deteriorarem. A diferença é que, nelas, a doença é causada por uma bactéria que se reproduz a uma taxa muito mais rápida em águas mais quentes.

A síndrome foi observada pela primeira vez na década de 1990 ao largo da costa da Nova Inglaterra, e se espalhou substancialmente nos últimos anos, coincidindo com picos de temperaturas no oceano.

Os cientistas dizem que não há cura para essas doenças, mas os trabalhos futuros deverão investigar se os sobreviventes podem ter alguma resistência natural à doença que possa ser explorada.

Vários estudos climáticos têm demonstrado que os oceanos estão se aquecendo. Para agravar, 30 por cento das emissões de carbono liberadas na atmosfera são absorvidas pelo mar, que funciona como uma grande sumidouro. Este processo leva à acidificação das águas, um problema crescente que ameaça a sobrevivência de recifes de corais, animais com conchas e outros organismos marinhos. 

Fonte: Vanessa Barbosa/Exame
Imagem Freepik

30/01/2016

Temperatura já era muito sensível ao CO2 há 15 mi de anos


A temperatura também era muito sensível ao dióxido de carbono há 15 milhões de anos, segundo um estudo que constata como os gases do efeito estufa regulam o clima e como o esfriamento do planeta dos últimos 15 milhões de anos -agora truncado- foi causado por uma baixa nos níveis de CO2.

Estas são algumas conclusões de um estudo publicado na revista "Nature Communications", liderado por pesquisadores da Universidade de Oviedo (norte da Espanha) e no qual participam, além disso, cientistas de universidades e centros franceses e americanos.

Há 15 milhões de anos, a Terra estava "bem mais quente" que atualmente, entre 7 e 9 graus em latitudes médias.

Desde então, o clima foi se esfriando progressivamente até nossos dias com ligeiras oscilações, embora esta tendência "esteja sendo rompida nos últimos anos por efeito do chamado CO2 antropogênico, o atribuível à atividade dos humanos".

Segundo explica a pesquisadora principal deste trabalho, Heather M. Stoll, do departamento de Geologia, a comunidade científica se dividiu entre os que sustentavam que o CO2 não regulava o clima e os que asseguravam que a temperatura é muito sensível ao mesmo.

"Nós demonstramos que há 15 milhões de anos o CO2 elevado mantinha temperaturas mais quentes, da mesma forma como cabe esperar com os aumentos atuais em dióxido de carbono", ressalta esta pesquisadora em uma nota da Universidade de Oviedo.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores analisaram cocolitóforo, algas unicelulares que se acumulam no fundo do mar e que representam uma ferramenta muito útil porque permitem avaliar como estes organismos, a base da cadeia alimentar, responderam às mudanças do clima e do oceano.

Estes organismos são muito sensíveis ao CO2, essencial para que realizem a fotossínteses, acrescentou à Agência Efe Stoll.

Concretamente, os cientistas examinaram cerca de 10 mil exemplares destas algas e analisaram, entre outros, as gotas de gordura que ficam pegadas aos sedimentos durante milhões de anos.

Nessas gotas de gordura produzidas pelas células aparecem dois tipos de carbono -carbono 12 e carbono 13- que variam em função da acumulação de CO2.

"É esta química (carbono 12 e 13) das gorduras o que nos permite reconstruir as concentrações de CO2".

Além disso, foram medidas as mudanças na grossura das cascas das algas fósseis extraídas do oceano Atlântico e Índico - mediram a quantidade de luz que passava através delas -, após o que concluíram que sua espessura se reduziu à metade durante os últimos dez milhões de anos, coincidindo com a diminuição dos níveis de CO2.

Portanto e dito de outra maneira: quanto maiores as concentrações de CO2, maior grossura nas algas, segundo Stoll.

Trata-se de um dado "curioso" porque está demonstrado que o aumento do CO2 provoca um aumento na acidificação dos oceanos, o que sabe-se que pode contribuir à dissolução de alguns organismos, como corais e amêijoas, mas não dos cocolitóforo.

Isto é assim, segundo Stoll, porque estas algas necessitam CO2 em abundância para a fotossíntese, daí sua adaptação.

"É previsível portanto que os organismos animais que não realizam a fotossíntese, como corais e amêijoas, responderão de outra forma às mudanças de CO2".