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05/09/2016

Estudo explica por que vagalumes e besouros emitem luz com cores diferentes


Elton Alisson | Agência FAPESP – Os vagalumes e algumas espécies de besouros possuem enzimas, chamadas luciferases, que conferem a eles a capacidade de emitir luz fria e visível (bioluminescência).
As mesmas enzimas que permitem aos vagalumes emitir luz com tonalidade verde-amarelo no crepúsculo, por exemplo, também fazem com que produzam luz com cor vermelha quando expostos a ambientes com pH ácido, sob altas temperaturas ou na presença de metais pesados. E também são responsáveis pelo fato de besouros emitirem luz com uma ampla gama de tons, independentemente do pH do ambiente.
Pesquisadores do grupo de bioluminescência e biofotônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba, em colaboração com um colega da University of Electro-Communications, do Japão, desvendaram, por meio de uma série de pesquisas apoiadas pela FAPESP, os mecanismos moleculares que fazem com que as enzimas luciferases emitam luz de cores diferentes nos insetos bioluminescentes.
As descobertas foram descritas em um artigo publicado na revista Biochemistry, da American Chemical Society (ACS).
“Apesar de décadas de estudos, os mecanismos moleculares por trás da mudança de cor da bioluminescência de vagalumes e besouros e da sensibilidade das enzimas luciferases de vagalumes ao pH, temperatura e metais pesados ainda permaneciam desconhecidos”, disse Vadim Viviani, professor da UFSCar e primeiro autor do artigo, à Agência FAPESP.“Nosso estudo permitiu entender melhor, agora, como as luciferases produzem diferentes cores de luz”, avaliou.
De acordo com o pesquisador, as enzimas luciferases produzem bioluminescência em vagalumes e besouros por meio da catálise da reação de oxidação da proteína luciferina – uma molécula fluorescente que, ao ser oxidada, age como emissor de luz.
Dependendo do microambiente da região onde ocorre a reação de oxidação da luciferina (o sítio ativo), a cor da luz produzida pode variar do verde ao vermelho, detalhou Viviani.
Por meio de pesquisas realizadas nos últimos anos, os pesquisadores na UFSCar e em outras universidades e instituições de pesquisa no mundo identificaram que dois dos 550 aminoácidos que compõem a enzima luciferase – Glutamato311 (E311) e Arginina337 (R337) – têm cargas elétricas opostas: o E311 tem carga positiva e o R337, carga negativa.
Há alguns anos, Viviani fez uma mutação no aminoácido E311 e, dessa forma, conseguiu mudar a cor da luz emitida pela enzima luciferase de um vagalume brasileiro.
Já um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos também fez recentemente uma mutação no aminoácido R337 e conseguiu obter o mesmo efeito de mudança da cor da luz produzida e identificou que, coincidentemente, os resíduos do E311 e do R337 estão muito próximos na estrutura tridimensional da luciferase de vagalumes.
“Essas descobertas evidenciaram que esses dois aminoácidos eram importantes para a mudança da cor da luz emitida pelas luciferases, mas não se sabia qual papel desempenham na determinação da cor da bioluminescência”, afirmou Viviani.
A fim de tentar esclarecer essa questão, os pesquisadores e colaboradores fizeram agora mutações dos aminoácidos E311 e R337, que resultaram na mudança das cargas elétricas de um conjunto de luciferases que produzem diferentes cores de bioluminescência, clonadas por Viviani e seu grupo ao longo das últimas décadas.
Por sua vez, o professor Takashi Irano, da University of Electro-Communications, no Japão, sintetizou análogos de luciferina que interagem com partes específicas do sítio ativo das enzimas luciferases testadas.
As mutações dos dois aminoácidos de uma luciferase obtida a partir do vagalume Macrolampis s2 – encontrado na Mata Atlântica – que foram objeto da dissertação de mestrado da estudante Aline Simões, no programa de biotecnologia e monitoramento ambiental da UFSCar – indicaram que, como possuem cargas elétricas opostas, os aminoácidos interagem entre si eletrostaticamente e fecham o sítio ativo da enzima.
Com isso, o sítio ativo da luciferase torna-se hidrofóbico (repele água), resultando em um aumento da energia da luz produzida pela enzima, que, dessa forma, ganha tonalidade variável entre o verde e o azul.
Já a interrupção da interação dos dois aminoácidos por mudanças na carga elétrica de um deles ou alteração no pH do ambiente onde está a luciferase, por exemplo, promove a abertura do sítio ativo da enzima, permitindo a entrada de água.
“A luz produzida nessas situações é menos energética e assume uma cor avermelhada”, explicou Viviani.
Uma das autoras do estudo – a estudante Vanessa Rezende Bevilaqua, doutoranda no programa de genética evolutiva e biologia molecular da UFSCar, sob orientação do pesquisador e com Bolsa da FAPESP – identificou que a única luciferase que produz naturalmente cor vermelha, oriunda da larva trenzinho (Phrixotrix hirtus), não tem o aminoácido R337 e, portanto, não tem carga elétrica positiva.
A falta dessa carga positiva, que de outra forma atrairia a carga negativa do aminoácido E311e bloquearia o sítio ativo, faz com que a região não feche direito e que a luz emitida pela luciferase seja vermelha.
Os resultados foram corroborados por outras mutações em aminoácidos feitas pela estudante de doutorado na UFSCar Gabriele Gabriel e pela modelagem da estrutura tridimensional das enzimas pelo estudante Frederico Arnoldi, atualmente pesquisador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
“Essas descobertas ajudam a explicar como as luciferases produzem diferentes cores de luz”, afirmou Viviani. “Isso abre a possibilidade de poder controlar melhor esses mecanismos para criar luciferases por engenharia genética que apresentem propriedades desejadas para diferentes aplicações biotecnológicas, como com uma determinada tonalidade de cor ou intensidade de luz”, afirmou.
Leia mais em Agência FAPESP

31/08/2016

Descoberto fóssil da primeira espécie de vertebrado voador


A descoberta de um fóssil de uma espécie até aqui desconhecida, na Argentina, poderá ajudar a entender o desenvolvimento dos animais voadores, como os pássaros que hoje conhecemos. Trata-se do Allkaruen koi, pertencente à família dos pterossauros, e terá sido o primeiro vertebrado com capacidade de voar.

Os restos foram descobertos “soberbamente preservados” na província de Chubut, na Patagônia argentina, e analisados por uma equipa de arqueólogos, que concluiu que o animal tinha características particulares para se manter em voo, de acordo com o The Independent. O Allkaruen koi era dotado de ossos pneumáticos (ocos) e um dedo alongado para apoiar a membrana que servia de asa. Os resultados da análise do fóssil foram publicados num artigo, na revista PeerJ.

Diego Pol, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, explicou ao jornal britânico que “esta pesquisa dá um importante contributo para entender a evolução de todos os pterossauros”, os primeiros a conseguir voar, porque o animal “apresenta um estado intermédio na evolução cerebral dos pterossauros e nas suas adaptações ao ambiente aéreo”.

A análise dos restos do Allkaruen koi permite agora juntar novos dados ao conhecimento anterior sobre como evoluíram os primeiros vertebrados voadores. Até aqui, conheciam-se dois tipos de pterossauros — uma mais primitiva e outra semelhante ao conhecido pterodáctil. O Allkaruen koi, batizado como “cérebro ancião” na língua nativa Tehuelche, uma forma intermédia entre as duas já conhecidas, é particularmente importante devido às características do ouvido interno, muito importante para o equilíbrio.

Os pterossauros foram os primeiros animais vertebrados a conseguir desenvolver a capacidade de voar, através do movimento das asas. A partir dessa espécie ancestral, surgiram dezenas de espécies, incluindo algumas do tamanho de um F-16 e outras tão pequenas como um avião de papel, de acordo com o Museu Americano de História Natural.


Quem era o Pterossauro?Os pteroussauros foram uma espécie muito próxima dos dinossauros — portanto, um réptil. No entanto, a espécie evoluiu de uma forma muito distinta dos restantes répteis, e tornaram-se nos primeiros animais depois dos insetos a conseguir desenvolver a capacidade de voo — não apenas de planar ou de saltar muito alto.
A espécie desapareceu há 66 milhões de anos, na mesma extinção em massa que aniquilou grande parte dos dinossauros, incluindo o famoso Tyrannosaurus rex, não deixando nenhum descendente.
Fonte: Museu Americano de História Natural

Fonte: Observador

20/08/2016

Estudo descreve quatro novas espécies de tubarão


Peter Moon | Agência FAPESP – Se algum zoólogo brasileiro anunciasse a descoberta no país não apenas de uma, mas de quatro espécies de mamíferos de médio porte de uma só vez, o achado seria festejado pela comunidade científica mundial. O mesmo entusiasmo deveria valer também para a descoberta, em uma só tacada, de quatro novas espécies de tubarões na costa brasileira.
A descrição de quatro novas espécies de tubarões foi recentemente publicada no periódico Zootaxa, em artigo assinado por Sarah Tházia VianaMarcelo Rodrigues de Carvalho e Ulisses Gomes.
A pesquisa é resultado do mestrado e doutorado de Viana – apoiada pela FAPESP com bolsas de doutorado e de estágio de pesquisa no exterior. Ela teve a orientação de Carvalho, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e especialista no estudo da sistemática, morfologia e evolução de peixes cartilagíneos, que incluem os tubarões, as raias e as quimeras. Terceiro signatário do artigo, Gomes é da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“O estudo só foi possível graças à FAPESP, que me permitiu visitar as principais coleções do mundo, sem o que as identificações das novas espécies não teriam sido possíveis”, atesta Viana.
De acordo com Carvalho, desde os anos 1980, havia indícios recorrentes de que alguns espécimes de tubarões capturados no litoral brasileiro não coincidiam exatamente com a morfologia das espécies do gênero Squalus às quais se considerava que pertencessem.
Segundo o biólogo, isso acontece porque Squalus é um gênero que ocorre em todos os oceanos, e as descrições foram baseadas em espécimes-tipo muitas vezes antigos e malpreservados, depositados na Europa, Estados Unidos, Japão e Oceania. Outro fator é que as diferenças entre as espécies são muito pequenas. Squalus, aliás, foi um dos primeiros gêneros de tubarão descritos por Lineu ainda em 1758.
Até a publicação do artigo dos pesquisadores brasileiros, existiam 26 espécies reconhecidas de Squalus nos mares do planeta. Agora são 30. Os novos integrantes são Squalus albicaudusS. bahiensisS. lobularis, e S. quasimodo.
“São animais pequenos, quando comparados aos tubarões que estamos acostumados a ver no cinema, como o grande tubarão branco e o tubarão-tigre, ambos com mais de 5 metros”, diz Viana. As novas espécies têm cerca de 70 cm e pesam uns 4 kg.
As quatro novas espécies não habitam a plataforma continental brasileira. O seu habitat começa onde a plataforma continental termina e se estende em direção às profundezas abissais. “Eles vivem a partir dos 300 metros de profundidade. Pouco se sabe sobre a biologia desses peixes. Os exemplares que conhecemos foram capturados por pescadores com redes em alto-mar ou provenientes de coletas oceanográficas realizadas há mais de 20 anos”, afirma Viana.
Leia mais em Agência FAPESP.

19/08/2016

Os primeiros humanos não se espalharam pelas Américas por terra, diz nova teoria


Os primeiros humanos não se espalharam pelas Américas pelo caminho que é normalmente indicado pelos arqueólogos, diz um estudo publicado na última edição da revista Nature. Segundo os pesquisadores , é precisa uma nova teoria para a colonização das Américas, já que a suposta rota de entrada era "biologicamente inviável".

As primeiras pessoas a chegar às Américas atravessaram uma antiga ponte terrestre entre a Sibéria e o Alasca, segundo a teoria mais aceite, mas depois tiveram de esperar que as massas de gelo que cobriam o que agora é o Canadá começassem a recuar, criando um corredor livre de gelo que lhes permitiu migrar para sul.

Num novo estudo publicado na revista Nature, uma equipa internacional de pesquisadores recorreu ao ADN extraído de um ponto crucial deste corredor para pesquisar a evolução do ecossistema depois do degelo dos glaciares. Com estes dados conseguiram criar um retrato muito completo que mostra quando a passagem se tornou viável para os humanos, concluindo que as viagens podem ter começado há 12 600 anos, mas que antes não seriam possíveis.

Recuando mais no tempo, faltava a esta faixa de território recursos fundamentais, como a madeira para servir de combustível e ferramentas, e animais para a alimentação.

Se estes dados estiverem corretos, os primeiros americanos, de uma cultura pré-histórica americana denominada Clovis, que deixaram marcas no território a sul dos glaciares muito antes, tiveram de seguir outra rota. Os autores do estudo indicam que estes provavelmente migraram ao longo da costa do Pacífico.

"Apesar de o corredor estar aberto há 13 mil anos, foram precisas algumas centenas de anos até ser possível usá-lo", explica Eske Willerslev, a geneticista da Universidade de Copenhaga que liderou a pesquisa. "Isto significa que as primeiras pessoas a entrar no que agora é os Estados Unidos, na América Central e na do Sul tiveram de seguir uma rota diferente."

Fonte: Diário de Notícias
Imagem:  MIKKEL WINTHER PEDERSEN

18/08/2016

Fungo pode acabar com as bananas dentro de 5 anos



Um grupo de cientistas descobriu um fungo nas plantações de bananas que se está se desenvolvendo de forma tão rápida que poderia acabar com a banana dentro de cinco a dez anos. Contudo, a sequência genética do fungo já é conhecida e há fortes hipóteses de se conseguir, em breve, encontrar a solução para salvar este fruto.

Os cientistas da Universidade da Califórnia descobriram esta doença que é composta por três fungos diferentes. “Na realidade, a industria mundial da banana pode ficar devastada dentro de cinco a 10 anos pelos fungos”, afirmou o líder dos estudos feitos na Universidade da Califórnia. A doença em questão, chamada Sigatoka, é a junção de três fungos diferentes. Apareceu para grande surpresa dos especialistas e alastrou-se por África, Médio Oriente, Sul da Ásia e Austrália.

O grande problema deste novo fungo é que não só ataca o sistema imunitário da fruta como afeta também o seu metabolismo: “Este novo fungo consegue manipular o metabolismo da banana e afeta os seus nutrientes”, comenta um dos cientistas do grupo. Para solucionar este problema, os cientistas vão usar uma nova fórmula genética para modificarem as bananas e torná-las resistentes a este fungo ou criar um fungicida que previna o fungo de alterar o metabolismo da banana.

Muitas plantações encontram-se em perigo e o fruto poderá sofrer aumentos de preço nos próximos anos caso comece a ser mais difícil a sua produção, sendo que cerca de 100 milhões de toneladas de bananas são produzidas anualmente em 12 países.

Fonte: Observador

16/08/2016

Pesquisa com borboletas ajuda a alertar sobre a degradação da Floresta Amazônica


Estudioso de insetos diversos, o doutorando em Entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Márlon Breno Costa Santos desenvolveu um projeto de pesquisa que estudou as borboletas frugívoras – que se alimentam de frutos em decomposição – para investigar se tanto plantas como pássaros podem influenciar a ocorrência dessas borboletas em um determinado local.
A pesquisa que recebeu aporte do Governo do Estado por meio do Programa de Apoio à Excelência Acadêmica (Pró-Excelência), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), foi feita na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, e estudou as borboletas segundo a sua espécie e de acordo com algumas características delas, como tamanho do corpo e tipo de alimentação das lagartas (borboletas jovens).
Segundo Márlon, a coleta foi feita com armadilhas conhecidas como “arapuca entomológica”, na qual se coloca banana e melão estragados como isca para as borboletas. Todo o processo da pesquisa foi dividido em cinco fases.
“Primeiramente, nós elaboramos a ideia de como seria feita a coleta das borboletas na floresta. Depois de analisarmos que a melhor maneira seria pela arapuca entomológica, nós partimos para a coleta em si, daí nós fizemos a identificação das espécies capturadas assim como a montagem e medição das características delas. Por fim, passamos para os testes estatísticos e com os resultados, montamos o artigo científico”, disse Santos.
Uma das questões que a pesquisa procurou entender foi como as borboletas se distribuem no espaço, de maneira a alertar sobre a degradação das florestas que pode levar ao desaparecimento de espécies, causando, assim, um imenso desequilíbrio ambiental.
“O nosso objetivo é que o principal beneficiado com esse trabalho seja a sociedade civil: eu e toda a população amazônida como cidadãos. Nós dependemos dos recursos naturais muito mais do que é atribuído, seja para comer, vestir, morar, sem falar no clima do planeta que é balanceado pela nossa imensa Amazônia e outras florestas tropicais. Por isso, cuidar do nosso patrimônio – a floresta – é essencial para o nosso futuro, e o que poucas pessoas sabem é que as borboletas têm um papel muito importante nisso tudo”, ressaltou Márlon.
De acordo com o pesquisador, o estudo foi realizado dentro da Reserva Adolpho Ducke porque lá se concentram várias espécies de plantas e borboletas, que ajudaram a chegar a um resultado maior para o projeto: fornecer dados para a comunidade científica local, regional e internacional para serem usados como auxílio e fortificação na criação de projetos maiores que visam à conservação de paisagens em escalas globais.
Além disso, espera-se um olhar mais atento para a dinâmica biológica que ocorre dentro da Reserva Adolpho Ducke, com a finalidade de promover a sua preservação frente à expansão urbana de Manaus, não permitindo que a reserva se torne apenas um fragmento florestal no meio da cidade.
Parcerias
O projeto de pesquisa contou com vários parceiros ao longo de sua duração. O CNPq, que forneceu bolsa de mestrado para Márlon e auxiliou na coleta das plantas, a Capes que forneceu bolsa de doutorado para um dos participantes do projeto, e o Programa de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio), que forneceu a infraestrutura.
Além deles, pesquisadores e doutores do Inpa, Embrapa e da Universidade de São Paulo (USP) contribuíram com dados sobre plantas e borboletas da Reserva Ducke, assim como a Fapeam, que custeou todas as despesas de campo durante a coleta das borboletas.
Para Santos, a Fundação de Amparo à Pesquisa está presente na maior parte das pesquisas e do conhecimento científico produzido no Estado do Amazonas. “Ela incentiva os pesquisadores do nosso Estado a realizar trabalhos que possam ter grande impacto na comunidade científica internacional e ajuda a solidificar o Norte do Brasil no cenário científico mundial”, afirmou.
O estudo foi finalizado em 2015 com a publicação do artigo neste mesmo ano.
Fonte: Ada Lima – Agência Fapeam

11/08/2016

Tartarugas são soltas no mar em Guarujá após período de reabilitação



Três jovens tartarugas-verde resgatas em praias da Baixada Santista nos últimos dois meses, foram devolvidas ao mar nesta quarta-feira (10), em Guarujá, no litoral de São Paulo.
Elas passaram por tratamento no Instituto Gremar, responsável pela reabilitação e resgate de animais marinhos na região. Dos três animais soltos pela manhã, dois foram encontrados na praia da Enseada, em Guarujá, durante o mês de junho. O terceiro animal foi achado em julho, na praia de Guaratuba, em Bertioga.
Segundo os biólogos do instituto, quando resgatados, os animais apresentavam sinais de cansaço e alguns também tinham marcas de escoriações pelo corpo. As tartarugas ficaram, em média, 50 dias internadas até receber alta.
Já totalmente reabilitatos, elas foram soltas na manhã desta quarta-feira na praia das Conchas, em Iporanga, no Guarujá.

Fonte: G1
Foto: Gremar

09/08/2016

Maior pegada de dinossauro carnívoro descoberta na Bolívia

Com 1,20 metros, a pegada deixada por um abelisaurus é a maior alguma vez encontrada por um dinossauro carnívoro. O animal que a deixou poderia ter mais de 12 metros de altura.


Uma pegada de dinossauro com 1,20 metros de largura encontrada na Bolívia é considerada uma das maiores pegadas de dinossauros carnívoros alguma vez encontrados. De acordo com o paleontólogo Sebastian Apesteguia, citado pela Agência Reuters, a pegada foi deixada há 80 milhões de anos por um abelisaurus.

“Os abelisaurus eram os grandes carnívoros do fim do período Cretáceo”, explica Apesteguia, que está a estudar a descoberta.

E para uma pegada gigante, um animal gigante. Como informa o paleontólogo, “o tamanho normal de um abelisaurus é cerca de 9 metros. Mas as pegadas que encontramos foram deixadas por um animal que tinha mais de 10 ou até mais de 12 metros”.

A pegada foi descoberta por um guia turístico numa zona perto da cidade de Sucre, no centro da Bolívia.

Apesar de ter sido encontrada numa zona em que existem várias pegadas de dinossauros — existe até um Parque Cretáceo no local –, a pegada “é maior do que qualquer outra que já encontramos na área”, disse o paleontólogo. “É um tamanho recorde para dinossauros carnívoros do final do período Cretáceo na América do Sul”, acrescenta.

Fonte: Observador

08/08/2016

Pesquisadores descrevem nova espécie de rã no Nordeste

Encontrada nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, nova espécie é a 19ª de grupo conhecido como rãzinhas do brejo, típicas da América do Sul

Diego Freire  |  Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) identificaram e descreveram uma nova espécie de Anura, ordem de animais que inclui os sapos, as rãs e as pererecas, nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. As características da rã são descritas em artigo publicado no periódico científico alemãoSalamandra.
A descoberta foi feita no âmbito do projeto “Comunicação e sistemas sensoriais em anuros da Mata Atlântica”, coordenado por Luís Felipe Toledo, do IB e do Museu de Zoologia da Unicamp, com apoio da FAPESP.
Pertencente ao gênero Pseudopaludicola, do qual fazem parte outras 18 espécies conhecidas como rãzinhas do brejo, que ocorrem em diversas regiões da América do Sul, a nova rãzinha mede cerca de 15 mm, menos que uma moeda de R$ 1, que tem cerca de 27 mm de diâmetro – o que, de acordo com os pesquisadores, corrobora a hipótese de miniaturização do gênero ao longo do seu processo evolutivo.
Para identificar a nova espécie os pesquisadores tiveram que lançar mão de um arsenal de ferramentas – além da morfologia, utilizaram recursos da biologia molecular, citogenética, acústica entre outras – para diferenciar a Pseudopaludicola jaredi, assim batizada em homenagem ao biólogo Carlos Alberto Gonçalves Silva Jared, do Instituto Butantan.
“Estamos refinando o conhecimento sobre as espécies mais crípticas, morfologicamente idênticas. A identificação, nestes casos, tem que ser feita por meio de taxonomia integrativa, que reúne pesquisadores de áreas diversas do conhecimento”, afirma Toledo. Assim, o artigo que descreve a Pseudopaludicola jaredi é assinado por nove pesquisadores.
A pesquisa reuniu pesquisadores do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do IB-Unicamp, do Laboratório de Taxonomia, Ecologia Comportamental e Sistemática de Anuros Neotropicais da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal (Facip) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do Laboratório de Zoologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Laboratório de Anfíbios e Répteis do Departamento de Botânica e Zoologia do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Laboratório de Vertebrados do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Entre os pesquisadores está Felipe Silva de Andrade, do Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros (LaHNAB) do IB-Unicamp, que fez a revisão taxonômica do gênero no âmbito de tese de doutorado apoiado pela FAPESP.
“Trata-se de um fenômeno ainda pouco compreendido para o grupo, mas a descrição de uma nova espécie contribui para o reconhecimento da real biodiversidade ainda subestimada do gênero e para o avanço do conhecimento sobre os processos evolutivos que potencialmente atuaram na evolução de seus caracteres fenotípicos, como sua morfologia e seu canto”, diz Andrade.
Leia mais em Agência FAPESP.
Foto: Daniel Loebmann

05/08/2016

Os últimos mamutes morreram de sede


Os cientistas acreditam que o último grupo de mamutes morreu de sede devido a alterações climáticas que levaram ao aquecimento da Terra e à redução drástica da água dos lagos.

Grande parte dos mamutes que habitaram a Terra desapareceram há cerca de 10.500 anos, no entanto há indícios de uma pequena população destes mamíferos que habitou Saint Paul, uma pequena ilha na costa do Alasca, que os cientistas creem que só se terão extinguido há 5.600 anos.

A comunidade científica acredita que a espécie extinguiu-se por causa das alterações climáticas que precederam a Idade do Gelo e também devido à caça. Ainda assim, tentavam perceber porque razão os animais aguentaram durante mais 5.000 anos naquela ilha.

Agora perceberam porque é que morreram e como foram os seus últimos dias na Terra. Os mamíferos gigantes, que chegavam a pesar 6.000 quilos, habitavam a ilha de 110 quilômetros quadrados que não tinha rios nem nascentes. A água potável que bebiam vinha de poços e lagos. De acordo com um estudo da Universidade de Pensilvânia, os antepassados dos elefantes terão ficado presos nas ilhas quando o Alasca se separou na Sibéria, conta a BBC Mundo.

E parece que a vida até lhes corria bem, mas depois vieram os dias quentes que precederam a Idade do Gelo. O nível das águas do mar subiu de tal forma que a superfície da ilha diminuiu e a água salgada misturou-se com a água dos lagos, infiltrando-se nas reservas de água potável.

Quando isso aconteceu, os muitos mamutes da ilha concentravam-se todos à volta dos poucos poços que havia. O que aconteceu foi que iam matando a vegetação que lá havia, precipitando a erosão dos solos, o que acelera a sedimentação dos lagos. Ou seja, eles próprios estavam a prejudicar a produção de água potável.

Os mamutes precisavam de 70 a 200 litros de água por dia. Quando deixou de haver neve ou chuva suficiente para encher as reservas de água doce, os animais começaram a morrer rapidamente.

A comunidade científica alerta que problemas como este podem afetar, atualmente, os animais e as populações que vivem em pequenas ilhas.

Via: Observador
Foto: Krafft Angerer/Getty Images

02/08/2016

Ilustrador destaca diversidade amazônica com pokémons



Por Leyberson Pedrosa | Colaborou: Lia Magalhães Edição:Líria Jade Fonte:Portal EBC

Enquanto os fãs da animação japonesa esperam pela chegada do Pokémon GO no Brasil, o ilustrador Cezar Souza vê a repercussão do seu trabalho ganhar proporções não imaginadas. Souza fez uma série de desenhos que misturam a fauna e flora da Amazônia com os monstrinhos do Pokémon. Contudo, se engana quem acha que ele escolheu os Pokémons por causa do jogo:

“Na verdade, esse projeto está em desenvolvimento desde 2013. Foi uma feliz coincidência a finalização dele ocorrer em plena nova febre pokémon.”

Recentemente, o manauara apresentou um artbook (espécie de álbum de ilustrações)  como trabalho de conclusão do curso de Design na Faculdade Fucapi (AM) onde usa a biodiversidade para criar "pokémons amazônicos". Confira:

Leia mais em EBC.


01/08/2016

Agrotóxicos ameaçam colônias de aves da Antártica


Peter Moon | Agência FAPESP – Pesquisadores confirmaram a presença de contaminantes orgânicos no sangue de petréis-gigantes do sul de diversas colônias na Península Antártica. Estudos de carcaças e outros tecidos já tinham dado sinais da contaminação, agora confirmados a partir de amostras de sangue em que foi detectada a presença de diversas substâncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso ameaçava a sobrevivência de diversas espécies de aves de rapina.
A pesquisa foi realizada pela bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Ela estudou os animais das colônias de petréis-gigantes das ilhas Elefante e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, com bolsa de pós-doutorado e bolsa de estágio de pesquisa no exterior da FAPESP.
A pesquisa teve apoio também da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e do National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos, com o apoio logístico do Programa Antártico Brasileiro.
O petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus) é um animal magnífico e um importante predador de topo no Atlântico Sul e Oceano Austral. Com envergadura de asas de cerca de 2 metros, é uma das maiores aves voadoras do planeta, menor apenas que o albatroz e o condor. São também longevos. Petréis-gigantes podem viver mais de 50 anos. Passam a vida nos céus dos mares do Sul do planeta, à procura de comida.
Na época do acasalamento, durante o verão antártico, os petréis-gigantes retornam à mesma colônia onde nasceram. Para os biólogos, essa é uma vantagem para o estudo da espécie. Uma vez identificado e marcado, um indivíduo pode ter sua vida estudada por vários anos.
Nos verões antárticos de 2011/2012 e 2012/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indivíduos e constatou a presença de contaminantes orgânicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil).
Segundo Colabuono, todos esses poluentes orgânicos são persistentes no meio ambiente, têm ação cancerígena, causam disfunção hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num artigo em Environmental Pollution.
Colabuono afirma que, comparado aos níveis de contaminação nas aves do hemisfério norte, os níveis de contaminação detectados nas colônias de petreis na Península Antártica ainda são baixos. O objetivo agora é monitorá-los no longo prazo, para se “ter um indicativo da tendência de aumento ou decréscimo desses contaminantes ao longo dos anos no ambiente em que estas aves vivem”, diz a bióloga.

Leia mais em Agência FAPESP.

29/07/2016

Leite de barata tem 3 vezes mais energia que o de vaca, diz estudo



O leite de uma única espécie de barata, a Diploptera punctata, é altamente nutritivo, demostraram pesquisadores do Instituto para Biologia de Células-Tronco e Medicina Regenerativa em Bangalore, na Índia.
A reprodução das baratas geralmente ocorre com ovos, mas, nesta espécie específica, os embriões crescem e se desenvolvem num órgão especializado dentro da mãe, que os alimenta com o leite. Uma vez ingerido pelos embriões, o líquido se transforma em cristais
Os pesquisadores fizeram um pequeno corte no intestino médio dos embriões e analisaram a substância. O resultado do estudo aponta que o leite da barata tem três vezes mais energia que o das vacas. Ele é formado por gorduras, açúcares e proteínas.

Então ele poderia ser uma alternativa de alimento para humanos no futuro? Em entrevista ao jornal "The Washington Post", o bioquímico e pesquisador Ramaswamy disse que o leite de barata “tem um gosto que não se parece com nada em especial”, segundo um amigo que experimentou. De acordo com Ramaswamy, o maior desafio é convencer os humanos a consumir algum produto que tenha leite de barata. "Não acho que alguém vai gostar se você disser: 'Nós extraímos cristais de uma barata e isso será comida'", disse ao jornal.

Além disso, as baratas não têm mamilos, o que poderia dificultar a extração do material. Ramaswamy também disse que estudos futuros devem avaliar se o leite é tóxico para seres humanos. "Eu posso vê-lo [leite de barata] em bebidas de proteína", completou.

Fonte: G1
Foto: International Union of Crystallography

27/07/2016

Guaraná tem potencial antioxidante maior do que chá verde, constata estudo


Diego Freire | Agência FAPESP – O chá verde é amplamente consumido devido a uma série de benefícios de uma classe de compostos químicos presente em sua formulação: as catequinas, com ação antioxidante e propriedades anti-inflamatórias, entre outras. Pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) descobriram um concorrente à altura para a bebida, com pelo menos 10 vezes mais catequinas e velho conhecido dos brasileiros: o guaraná.
Ensaios clínicos com voluntários humanos saudáveis revelaram o guaraná como importante fonte de catequinas. Efetivamente absorvidas, elas reduzem o estresse oxidativo no organismo, relacionado ao surgimento de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares, diabetes e câncer, inflamações e envelhecimento precoce em virtude da morte de células, entre outras condições prejudiciais à saúde e ao bem-estar. Os ensaios foram feitos no âmbito da pesquisa Bioacessibilidade, biodisponibilidade e atividade antioxidante de compostos fenólicos do Guaraná (Paullinia cupanain vitro e in vivo, realizada com apoio da FAPESP e coordenada pela pesquisadora Lina Yonekura.
“Até então, o guaraná era visto apenas como estimulante devido ao seu alto teor de cafeína, principalmente pela comunidade científica internacional. No Brasil, também observamos que havia uma escassez de trabalhos enfocando outros efeitos biológicos do guaraná. A avaliação pioneira sobre a absorção e os efeitos biológicos de suas catequinas em voluntários humanos pode aumentar o interesse da comunidade científica, do mercado e da sociedade em geral pelo fruto como alimento funcional”, acredita Yonekura, atualmente professora assistente da Faculdade de Agricultura da Kagawa University, no Japão.
paper com os resultados da pesquisa foi destaque de capa da revista Food & Function, da Royal Society of Chemistry, do Reino Unido. O artigo Bioavailability of catechins from guaraná (Paullinia cupana) and its effect on antioxidant enzymes and other oxidative stress markers in healthy human subjects foi publicado no periódico como um dos Hot Articles de 2016 e é assinado por Yonekura, Carolina Aguiar Martins, Geni Rodrigues Sampaio, Marcela Piedade Monteiro, Luiz Antônio Machado César, Bruno Mahler Mioto, Clara Satsuki Mori, Thaíse Maria Nogueira Mendes, Marcelo Lima Ribeiro, Demetrius Paiva Arçari e Elizabeth 
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Foto: Capa da revista Food & Function

23/07/2016

Pássaro recebe bico de titânio feito com impressora 3D na China



Um pássaro que perdeu metade do bico durante uma briga no Zoológico de Guangzhou, no sul da China, vai poder voltar a comer normalmente. O grou-da-Manchúria chamado Lili recebeu um bico de titânio feito com impressora 3D.
Depois de usar bicos de plástico para descobrir o tamanho e formato ideais, técnicos imprimiram uma prótese feita de titânio, material escolhido pela força e resistência.
A cirurgia para implantar a prótese foi feita em um hospital veterinário de Guangzhou e durou cerca de meia hora. Logo em seguida, o pássaro já pôde pegar peixes de um balde normalmente.
O grou-da-Manchúria está entre os grous mais raros e maiores do mundo, medindo cerca de 1,5 metro. Há apenas cerca de 2.750 espécimes vivendo na Rússia, China, Mongólia, Japão e Coreia.
Uma de suas características mais distintivas é uma mancha vermelha no alto da cabeça. Eles podem viver até 70 anos e são vistos pela cultura chinesa como símbolos de longevidade e nobreza.


Fonte: Associated Press
Foto: Associated Press

22/07/2016

Aquecimento e degelo da Antártida têm breve pausa, diz estudo


O aquecimento e o degelo da Antártida tiveram uma breve pausa, segundo publicação de cientistas nesta quarta-feira (20). A península, um dos lugares da Terra que sofreu pelo aquecimento do clima no último século, voltou a se resfriar devido a alterações naturais no local.
O aquecimento veloz registrado até o final dos anos 1990, que se estende rumo à América do Sul, desencadeou o rompimento de antigas plataformas de gelo, que são vastos fragmentos de gelo que flutuam no final das geleiras, e um declínio em algumas colônias de pinguins.
Uma mudança para ventos mais frios e a chegada de mais gelo marítimo causaram um resfriamento na região, apesar do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A análise foi publicada por cientistas na revista "Nature".
"O aumento de gases de efeito estufa (...) está sendo sobrepujado nesta parte da Antártida" por variações naturais no clima local, disse o principal autor do estudo, John Turner, da Pesquisa Britânica na Antártida (BAS, na sigla em inglês).
"Certamente não estamos dizendo que o aquecimento global acabou. Pelo contrário", disse ele em uma teleconferência a respeito do estudo. "Estamos destacando a complexidade da mudança climática."
Desde aproximadamente 1998, as temperaturas do ar da Antártida diminuíram cerca de 0,5ºC por década, aproximadamente o mesmo ritmo que vinha subindo desde cerca de 1950.
A estabilização do buraco da camada de ozônio sobre a Antártida, que protege o planeta dos raios ultravioleta, pode explicar em parte a alteração nos ventos que levaram ao resfriamento, segundo o estudo.
Mas o aumento de gases de efeito estufa, sobretudo em razão da queima de combustíveis fósseis em todo o mundo, significa que o resfriamento deve ser só um evento isolado em um canto da Antártida.
As temperaturas provavelmente devem voltar a subir e podem ter um acréscimo de 3ºC a 4ºC até o ano de 2.100, alertou Turner.
Na cúpula climática de Paris em dezembro, quase 200 governos assinaram o acordo mais ambicioso até o momento para conter o aquecimento global, adotando a meta de eliminar o uso de combustíveis fósseis gradualmente até 2.100.
Cerca de 10 plataformas de gelo diminuíram muito de tamanho ou se desintegraram na Antártida nas últimas décadas. Em 2014, no mesmo local, cientistas flagraram uma nova rachadura de dezenas de quilômetros de extensão em uma plataforma.

Fonte: Reuters
Foto: Nasa

20/07/2016

A influência do ambiente nos “princípios ativos” das plantas medicinais


José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Chamada popularmente de “margaridão”, a Tithonia diversifolia é uma espécie invasora da família dos girassóis (Asteraceae) que se adaptou perfeitamente aos ecossistemas tropicais e subtropicais de três continentes: Ásia, África e América. Suas propriedades terapêuticas, há muito conhecidas pela medicina tradicional em diferentes países, vêm sendo reconhecidas por estudos científicos rigorosos. Atividades anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana, antiviral, leishmanicida, inseticida e outras são reportadas pela literatura especializada.
Essa pletora de ações medicinais decorre dos metabólitos secundários presentes na espécie. A função dos metabólitos secundários na dinâmica das plantas ainda não é de todo compreendida pela ciência. Grosso modo, pode-se dizer que, enquanto os metabólitos primários (proteínas, carboidratos etc.) são essenciais para a manutenção e a reprodução da vida, os secundários (terpenos, fenóis etc.) atuam como uma espécie de interface química entre a planta e o ambiente, desempenhando papéis como os de antioxidantes naturais, fungicidas, repelentes de insetos etc. Daí sua utilidade para os humanos.
Um novo estudo sobre o efeito das condições ambientais no perfil metabólico da Tithonia diversifolia acaba de ser publicado no jornal online Scientific Reports, do grupo Nature: “Effect of the environment on the secondary metabolic profile of Tithonia diversifolia: a model for environmental metabolomics of plants”.
“Bruno monitorou os fatores ambientais e os relacionou com os perfis metabólicos da planta. Uma analogia, no caso humano, seria rastrear, mês a mês, a alimentação ingerida, as condições climáticas, o gasto calórico etc. e relacionar essas informações com dados bioquímicos de componentes como colesterol, triglicérides, glicose e outros”, disse Fernando Batista da Costa, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), orientador do doutorado de Bruno Leite Sampaio e também signatário do artigo da Scientific Reports.
“Além de fornecer uma base muito sólida para a utilização medicinal da Tithonia diversifolia, esse trabalho estabeleceu um modelo que pode ser usado no manejo de várias categorias de plantas: alimentícias, medicinais, tóxicas etc. Existe, então, uma ampla aplicabilidade”, acrescentou Costa.
Com o objetivo de comparar os efeitos de dois ambientes diferentes, Bruno Leite Sampaio cultivou a Tithonia diversifolia no Horto de Plantas Medicinais da FCFRP-USP, no município de Ribeirão Preto, a 315 quilômetros de São Paulo, e na Fazenda Santo Antônio, no município de Pires do Rio, a 145 quilômetros de Goiânia.
“Para excluir o fator da variação genética, precisávamos que todas as plantas fossem idênticas. Então, no lote de Ribeirão Preto, produzimos todos os espécimes a partir de uma única planta-mãe. Seccionando pedaços do caule, geramos 48 mudas por estaquia, depois transferidas para o Horto de Plantas Medicinais. E repetimos o mesmo procedimento em Goiás, gerando 48 mudas depois transferidas para a Fazenda Santo Antônio”, informou Sampaio.
A produção de metabólitos secundários nas várias partes das plantas (raízes, caules, folhas, flores) foi monitorada, mês a mês, ao longo de 24 meses. Ao mesmo tempo, foram registradas as variáveis ambientais de interesse: macro e micronutrientes e outros parâmetros físico-químicos do solo; e dados climáticos (precipitação acumulada, umidade relativa do ar, temperatura e níveis de radiação solar), estes fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia.
“Não focamos o estudo na variação de biomassa, mas sim na produção e acúmulo de metabólitos, em especial os secundários, nas diferentes partes da planta. Esses metabólitos podem ser entendidos como respostas químicas das plantas às variações ambientais, com vistas à melhor adaptação ao ambiente. E são eles que constituem os chamados ‘princípios ativos’ que determinam a eventual utilização farmacológica da planta”, explicou o jovem pesquisador.
“Trabalhamos com um grande número de plantas para não retirar amostras (de raízes, caules, folhas e flores) sempre dos mesmos indivíduos, pois isso induziria nas plantas uma resposta química artificial. O que nos interessava era acompanhar as variações no metabolismo normal e não respostas metabólicas falsas, decorrentes da injúria mecânica sofrida. Então, fizemos as coletas de amostras segundo um esquema de revezamento, de forma que cada planta tinha parte de seu material coletado apenas uma vez por ano”, acrescentou.

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Foto: Tithonia diversifolia

Dinossauro carnívoro de nova linhagem é descoberto na Argentina


Feroz, carnívoro, implacável e intimidante com seis metros de comprimento do rabo à cabeça. "Gualicho", o último dinossauro descoberto na Argentina, abre uma nova linhagem em sua espécie, disseram os pesquisadores nesta quarta-feira (13) ao apresentá-lo em Buenos Aires.
Trata-se de um terópode de mãos com dois dedos, algo incomum para o que se tem descoberto até agora no continente, que o localiza como um achado de enorme significado mundial, segundo explicou em coletiva de imprensa Sebastián Apesteguía, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet).
"É uma linhagem completamente diferente. Nós ficamos gelados ao descobri-lo, já que, para nós, foi como ter um enorme elefante debaixo do tapete", explicou Apesteguía durante a apresentação no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina.
Uma particularidade de "Gualicho" é que seu único antecedente é o terópode africano Deltadromaeus, descoberto em Kem Kem, Nigéria, que, entretanto, jamais teve os ossos dos braços encontrados, onde se detectaria a singularidade.
O trabalho sobre "Gualicho", que foi publicado na prestigiada revista científica Plos One, leva a assinatura de Apesteguía junto com Rubén Juárez Valieri, que se especializa em dinossauros carnívoros e ornistíquios na Secretaria de Cultura do Rio Negro.
Origem do nome
"Colocamos o nome Gualicho para honrar a antiga deusa watsiltsüm dos índios tehuelches do norte (argentino), que é considerada como a dona dos animais e do vento. Além das enormes dificuldades que lidamos para poder recuperar o esqueleto achado", comentou Apesteguía.
"Gualicho" é uma palavra que na Argentina significa uma espécie de feitiço, e estava relacionado com a pesquisa, onde a equipe sofreu a virada de uma caminhonete e a negociação de diversas premissas de escavação, o que atrasou o trabalho em anos.
Os obstáculos burocráticos e outros de "má sorte" levaram, inclusive, a pesquisa a ficar durante um tempo nas mãos de outro grupo de paleontólogos.
O desenrolar do descobrimento começou no ano 2000, quando a equipe de Apesteguía encontrou ossos de dinossauros e troncos petrificados em um campo próximo da área de Villa El Chocón, em Neuquén, ao lado da província do Rio Negro, na Patagônia.
Em 2007, após juntar os recursos e se associar com profissionais estrangeiros, Apesteguía empreendeu a expedição junto com Peter Makovicky, cientista do Field Museum de Chicago, nos Estados Unidos.
Algumas semanas depois, a chefe dos técnicos do Field Museum, a japonesa Akiko Shinya, encontrou o esqueleto quase completo de um dinossauro carnívoro que hoje é conhecido como "Gualicho Shinyae", também em homenagem a essa profissional.
"Atualmente, a paleontologia gera recursos e turismo. Os dinossauros são o maior atrativo para conectar com as novas gerações", manifestou Lino Barañao, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva.
A maior parte dos fósseis de "Gualicho" foi colocada no Museu Patagônico de Ciências Naturais, de General Roca, Rio Negro, enquanto alguns estão preservados no Museu Provincial Carlos Amehino da cidade de Cipolletti, na mesma província.
O sul argentino - fronteiriço com o Chile - abriga uma das maiores jazidas de fósseis de dinossauros. O último achado que causou surpresa entre a comunidade científica foi anunciado em janeiro: restos de um saurópode gigante do Cretáceo, o Notocolossus, cujo úmero mede 1,76 metro, uma espécie da família dos titanossauros também desconhecida até o presente.

Fonte: AFP
Foto: EITAN ABRAMOVICH / AFP

19/07/2016

Orquídea rara chama a atenção por ter 'cabeça de diabo' entre pétalas


Com apenas 30 unidades identificadas no sul da Colômbia, uma nova espécie de orquídea chama a atenção por outra característica: ter uma “cabeça de diabo” entre as pétalas.

Com um olhar mais atento ao centro da flor, é possível ver o rosto e parte do corpo "demoníacos". A nova espécie recebeu o nome “Telipogon diabolicus”.

O habitat da espécie é restrito a duas regiões colombianas, de Putumayo e Nariño, ao sul do país. A orquídea diabólica está entre as espécies ameaçadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A planta tem uma haste que mede entre 5,5 e 9 centímentros de altura. Além da “cabeça do diabo”, as pétalas têm riscos, característica não encontrada em nenhuma outra espécie colombiana do gênero.

"No mais recente catálogo de plantas colombianas, quase 3.600 espécies de orquídeas foram incluídas, que representam cerca de 250 gêneros", disseram pesquisadores. "Não há dúvida de que centenas de espécies do país permanecem desconhecidas. Só em 2015, mais de 20 novas foram publicadas com base no material coletado na Colômbia".

A descoberta é dos pesquisadores Marta Kolanowska e Dariusz Szlachetko, ambos da Universidade de Gdansk, na Polônia. Eles trabalharam em parceria com o professor colombiano Ramiro Medina Trejo.

Fonte: G1
Foto: Marta Kolanowska

Catalogar todas as espécies de árvores da Amazônia levaria 300 anos, mostra levantamento



A Floresta Amazônica tem uma variedade tão grande espécies de árvores que catalogá-las levaria três séculos, segundo estimativas de um novo estudo.
O trabalho publicado no periódico Scientific Reports fez um levantamento dos mais de 500 mil exemplares reunidos por museus nos últimos 300 anos.
E mostrou que aproximadamente 12 mil espécies foram descobertas até hoje.
Com base nesse número, cientistas preveem que ainda restam a serem descobertos ou descritos em detalhes cerca de 4 mil tipos raros de árvores.
Só foi possível elaborar essa lista graças à digitalização dos acervos de museus ao redor do mundo. Os pesquisadores dizem que ela ajudará quem busca proteger a florestal tropical com a maior biodiversidade do mundo.
"A lista dará aos cientistas uma melhor noção do que há de fato na bacia amazônica, e isso contribuirá com os esforços de preservação", diz um dos autores do estudo, Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda.

Fonte: BBC