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20/08/2016

Estudo descreve quatro novas espécies de tubarão


Peter Moon | Agência FAPESP – Se algum zoólogo brasileiro anunciasse a descoberta no país não apenas de uma, mas de quatro espécies de mamíferos de médio porte de uma só vez, o achado seria festejado pela comunidade científica mundial. O mesmo entusiasmo deveria valer também para a descoberta, em uma só tacada, de quatro novas espécies de tubarões na costa brasileira.
A descrição de quatro novas espécies de tubarões foi recentemente publicada no periódico Zootaxa, em artigo assinado por Sarah Tházia VianaMarcelo Rodrigues de Carvalho e Ulisses Gomes.
A pesquisa é resultado do mestrado e doutorado de Viana – apoiada pela FAPESP com bolsas de doutorado e de estágio de pesquisa no exterior. Ela teve a orientação de Carvalho, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e especialista no estudo da sistemática, morfologia e evolução de peixes cartilagíneos, que incluem os tubarões, as raias e as quimeras. Terceiro signatário do artigo, Gomes é da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“O estudo só foi possível graças à FAPESP, que me permitiu visitar as principais coleções do mundo, sem o que as identificações das novas espécies não teriam sido possíveis”, atesta Viana.
De acordo com Carvalho, desde os anos 1980, havia indícios recorrentes de que alguns espécimes de tubarões capturados no litoral brasileiro não coincidiam exatamente com a morfologia das espécies do gênero Squalus às quais se considerava que pertencessem.
Segundo o biólogo, isso acontece porque Squalus é um gênero que ocorre em todos os oceanos, e as descrições foram baseadas em espécimes-tipo muitas vezes antigos e malpreservados, depositados na Europa, Estados Unidos, Japão e Oceania. Outro fator é que as diferenças entre as espécies são muito pequenas. Squalus, aliás, foi um dos primeiros gêneros de tubarão descritos por Lineu ainda em 1758.
Até a publicação do artigo dos pesquisadores brasileiros, existiam 26 espécies reconhecidas de Squalus nos mares do planeta. Agora são 30. Os novos integrantes são Squalus albicaudusS. bahiensisS. lobularis, e S. quasimodo.
“São animais pequenos, quando comparados aos tubarões que estamos acostumados a ver no cinema, como o grande tubarão branco e o tubarão-tigre, ambos com mais de 5 metros”, diz Viana. As novas espécies têm cerca de 70 cm e pesam uns 4 kg.
As quatro novas espécies não habitam a plataforma continental brasileira. O seu habitat começa onde a plataforma continental termina e se estende em direção às profundezas abissais. “Eles vivem a partir dos 300 metros de profundidade. Pouco se sabe sobre a biologia desses peixes. Os exemplares que conhecemos foram capturados por pescadores com redes em alto-mar ou provenientes de coletas oceanográficas realizadas há mais de 20 anos”, afirma Viana.
Leia mais em Agência FAPESP.

14/07/2016

Acadêmica da UEPG cria aplicativo sobre Dengue



A acadêmica do segundo ano de Medicina da UEPG, Eduarda Mirela da Silva Montiel, desenvolveu a parte de conteúdo do aplicativo 2 + Dengue, construído em conjunto com equipe da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Na construção do conteúdo do aplicativo, a acadêmica trabalhou sob supervisão da professora Ana Cláudia Garabeli Cavalli Kluthcovsky, do Departamento de Medicina da UEPG. Eduarda explica que o aplicativo 2 + Dengue traz conteúdos, a exemplo de características da doença, fatores de transmissão, mosquito vetor, construção de armadilhas, questionários e tratamento. Nesta quarta-feira (13), o aplicativo foi apresentado ao diretor da Agencia de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi), Ricardo Ayub.

Com relação ao conjunto de informações do aplicativo, Eduarda observa que se volta para a parte educativa e de conscientização sobre a doença transmitida pelo mosquito vetor (Aedes aegypti). O aplicativo também conta com um banco de dados construído a partir das informações fornecidas pelos usuários acerca da quantidade de larvas do mosquito e da pontuação do questionário aplicado. A construção do aplicativo iniciou em maio de 2015, envolvendo a participação de Alessandro Murta Baldi, hoje cientista da computação formado pela UFMS. Ele programou o aplicativo. O projeto também registra a presença do acadêmico do quarto ano do curso de Ciência da Computação da UFMS, Leonardo Mauro, que contribuiu na parte do design do aplicativo. A parte de supervisão do aplicativo também registra a participação do professor Amauri Antônio de Castro Junior, diretor da UFMS. Para Eduarda, o aplicativo é uma forma de repasse de informações sobre a dengue cada vez mais presente em municípios paranaenses e já endêmica no Mato Grosso do Sul.

Importância e Divulgação

A acadêmica diz que outro ponto refere-se à importância de se transmitir o máximo de informações à população e aos profissionais que atuam no tratamento e prevenção da doença. Eduarda ressalta que a ideia é que os usuários e as equipes de vigilância sanitária usem o aplicativo como medida de controle do vetor. “O aplicativo contribui com modelo de armadilha e na coleta de dados que podem ser consultados no seu banco de dados”. A acadêmica entende que projetos desenvolvidos no âmbito dos diferentes cursos da instituição, além de propiciar o crescimento pessoal, trazem benefícios à população.

Para a acadêmica, a parte mais difícil no desenvolvimento de projetos é a de recursos (material, estrutura, instrumentos). “Às vezes surgem ideias, mas não seguem em frente por falta dos recursos necessários em suas diferentes fases”. Registra como a parte mais gratificante, o momento em que surgem os resultados de cada pesquisa. Eduarda assinala que o aplicativo foi apresentado, em 2015, no IV Congresso Brasileiro de Informática na Educação, no âmbito da programação da X Conferência Latino-Americana de Objetos e Tecnologias de Aprendizagem, promovido pela Sociedade Brasileira de Computação, no Centro Cultural de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió, Alagoas.

Informações da Assessoria de Imprensa.
FOTO: DIVULGAÇÃO/UEPG

12/06/2016

Internacionalização do ensino no AM impulsiona pesquisas na Amazônia


Instituições de ensino do Amazonas abrem vagas para estudantes do exterior e investem em ações de internacionalização. Vários programas de intercâmbio tentam fazer do caminho percorrido por alunos de graduação e pós-graduação uma "via de mão dupla". Enquanto estudantes do Brasil buscam aprimorar novas línguas em outros países, alunos e pesquisadores estrangeiros têm a oportunidade de conhecer e colaborar com o desenvolvimento da Amazônia por meio de projetos públicos e privados.

São muitos os personagens de outros países que colaboram para impulsionar pesquisas e descobertas na região amazônica. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Jochen Schongart, é um deles. Desde 1998 ele deixou a Alemanha e fixou residência em Manaus. À época, não imaginava que uma pesquisa sua iria interferir na legislação do Amazonas. O estudo colabora para o manejo correto de árvores.

“Era um desafio naquela época. Eu tinha 29 anos. Estava cheio de energia, em busca de novas coisas e me interessou bastante querer voltar para o Brasil – eu já tinha feito um estudo na região Sul. Eu fui bem recebido no Inpa, tive todo o apoio que eu precisava para me instalar, montar o laboratório que até hoje temos aqui”, relembra o pesquisador alemão.

Leia mais em G1
Fonte: Leandro Tapajós e Jamile Alves/G1

29/05/2016

USP de Ribeirão cria 'rato virtual' para substituir cobaias vivas em testes


Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) criou um sistema que dispensa a utilização de ratos de verdade em testes comportamentais.

Desenvolvida pelo departamento de computação e matemática, a plataforma dispõe de animais virtuais e é inspirada nas ligações cerebrais de um roedor real para detectar alterações ligadas à ansiedade e ao medo.

"Essa rede neural artificial é inspirada nos neurônios, no sistema nervoso, simula o cérebro de um rato real. Com base nisso, temos o controle do nosso rato virtual. Esses ratos são postos no labirinto virtual para andarem e serem testados assim como um rato real em um labirinto real", diz a pesquisadora Ariadne de Andrade Costa.

Mais rápido
O método convencional difundido em todo o mundo consiste da utilização de ratos de verdade, cujas reações são detectadas dentro de uma estrutura chamada de labirinto de cruz. Depois do teste, o roedor é sacrificado, pois, para cada novo procedimento, é necessário utilizar um animal diferente, explica o psicólogo Rafael Bonuti.

"Nós só usamos o rato uma vez. Se a gente reexpor o animal ao teste, ele se acostuma e o comportamento dele vai mudar", afirma.

Além do potencial de acabar com o sacrifício de ratos, o sistema computadorizado tende a ser mais rápido que o método convencional, que demora em média cinco minutos por procedimento para apresentar resultados.

O modelo virtual simula os efeitos das drogas que diminuem e aumentam respectivamente os níveis de ansiedade em um mesmo animal virtual e em questão de segundos.

O resultado dos testes é dado em números e códigos que representam a reação dos animais.

"A gente consegue reproduzir o comportamento de ratos não apenas sem drogas, mas também de ratos em que foram inseridas drogas, mudando apenas um parâmetro", explica Ariadne.

Coordenador do projeto, Renato Tinós explica que o sistema representa uma evolução para a área da psicobiologia e também para teorias sobre a inteligência artificia
l.
"Possibilita que se reduza o número de experimentos com os ratos reais, que têm que ser sacrificados no final. A segunda contribuição é para área de computação, porque esses modelos possibilitam testar teorias de inteligência artificial. Com isso, pesquisadores da área podem desenvolver novos programas e testar novas teorias."

Fonte: G1 Ribeirão e Franca
Foto: Valdinei Malaguti/EPTV

01/05/2016

Estudo desvenda evolução de moscas-varejeiras

Na mesma época em que os dinossauros começaram a desaparecer – durante a transição do período Cretáceo para o Paleoceno, há mais de 60 milhões de anos –, um grupo de insetos conhecido como Schizophora passou a florescer.
Pertencente à ordem Diptera e à subordem das moscas Brachycera, a radiação adaptativa Schizophora (termo usado para se referir a uma linhagem que se diversificou rapidamente em um determinado período) abrange milhares de espécies. Representam cerca de 3% de toda a diversidade animal na Terra, em uma variedade maior que a de todos os vertebrados somados.
Dentro desse grupo, há 22 milhões de anos surgiram as chamadas moscas- varejeiras, integrantes de famílias como Calliphoridaee Sarcophagidae. Seu aparecimento no planeta teria sido concomitante ao dos mamíferos pastadores, dos quais algumas espécies – como a mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) – tornaram-se parasitas milhões de anos depois.
As conclusões são de um estudo publicado na Scientific Reports, do grupo Nature, por pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Virginia (Estados Unidos) e Nanyang Technological (Cingapura).
Para desvendar a história evolutiva desses insetos, os cientistas adaptaram técnicas de mitogenômica em larga escala – que permitem sequenciar simultaneamente o DNA mitocondrial em centenas de amostras. O trabalho foi feito com apoio da FAPESP durante o pós-doutorado de Ana Carolina Martins Junqueira, sob a supervisão da professora Ana Maria Lima de Azeredo-Espin, da Unicamp.
“A mitogenômica é uma variação da genômica que, em vez de trabalhar com o DNA existente no núcleo celular, busca acessar as informações sobre as sequências de nucleotídeos contidas nas mitocôndrias”, explicou Junqueira, que atualmente é pesquisadora do Singapore Centre for Environmental Life Sciences Engineering, na Nanyang Technological University.
Por ser mais rápido de sequenciar, o genoma mitocondrial é o marcador mais usado em estudos evolutivos. “A tecnologia foi rapidamente desenvolvida para as pesquisas com vertebrados e amplamente empregada no estudo das migrações humanas. Mas havia ficado subdesenvolvida no caso dos insetos, apesar de eles representarem a maior diversidade de vida animal na Terra”, disse Junqueira.
Para desenvolver a mitogenômica de insetos em larga escala, o grupo elegeu como modelo a radiação Schizophora. Moscas de 32 espécies, de diferentes famílias, foram coletadas nos Estados Unidos, na Austrália e em Cingapura, além de em São Paulo e na região Amazônica.
Os insetos foram macerados e todo o DNA contido nas amostras, extraído. Em seguida, com auxílio de ferramentas de bioinformática, foram selecionados apenas os dados referentes às sequências de nucleotídeos da mitocôndria – algo entre 1% e 5% do total gerado. Quase uma centena de genomas mitocondriais foi divulgada no artigo publicado na Scientific Reports.
“Com base na diversidade dos nucleotídeos, é possível estimar o tempo de divergência de cada espécie ou família ao longo da escala geológica e esclarecer as relações filogenéticas. Usamos como referência os poucos dados fósseis existentes sobre invertebrados”, disse Junqueira.
“No caso dos insetos, os fósseis são datados de acordo com a camada geológica em que foram encontrados. Adicionamos os dados moleculares sobre essas informações para estimar o período em que uma espécie divergiu de outra”, disse.
Segundo Azeredo-Espin, o foco das análises foram as moscas causadoras de miíase, doença caracterizada pela infestação de larvas de moscas na pele ou outros tecidos.
“Nossa linha de pesquisa busca entender a evolução do hábito de parasitismo desse grupo de moscas, que são consideradas pragas da pecuária e causam grande perda econômica, pois o conhecimento pode ser útil em estratégias de controle. Os resultados sugerem que o ectoparasitismo de moscas-varejeiras teria surgido entre 2,3 e 6,9 milhões de anos atrás”, disse.
De acordo com a hipótese defendida pelo grupo, a radiação Schizophora começou a se diversificar intensamente após um período de forte seca no planeta, que deu origem a uma vegetação mais baixa, como gramíneas e tundra, à qual os mamíferos herbívoros se adaptaram.
“Nessa época, os continentes estavam mais próximos e o estreito de Bering era uma ponte terrestre, o que possibilitou aos mamíferos pastadores se dispersar pelo planeta. Havia abundância de alimento e eles começaram a se diversificar. Com a diversificação dos herbívoros, veio a diversificação dos carnívoros. Dessa forma, houve um aumento de biomassa, o que foi essencial para a diversificação dessas espécies de insetos saprófagos [que se alimentam de restos orgânicos em decomposição]”, disse Junqueira.
Azeredo-Espin conta que inicialmente surgiram espécies mais generalistas, cujos hábitos não estavam necessariamente associados à presença de outros animais. Após milhões de anos de convivência com mamíferos pastadores, entraram em cena insetos com hábitos especializados.
“É o caso da mosca-da-bicheira e da mosca-do-berne, que, para fechar seu ciclo reprodutivo, precisam depositar seus ovos em um hospedeiro vivo e de sangue quente”, disse a professora da Unicamp.
Estudo populacional
Para duas das espécies de moscas incluídas no estudo – a Chrysomya megacephala (um tipo de mosca-varejeira) e a Musca domestica (mosca-doméstica) – foi feito também um estudo populacional. Essas espécies são vetores mecânicos de patógenos e têm importância médica e veterinária.
Para o estudo, foram sequenciados 60 genomas de indivíduos das duas espécies, coletados em três diferentes continentes. O objetivo foi avaliar a variabilidade genética e o fluxo de genes de um local para outro.
Os resultados sugerem que, enquanto as moscas domésticas parecem estar agrupadas em zonas geográficas distintas, com baixo nível de fluxo gênico entre as diferentes populações, a espécie Chrysomya megacephala é praticamente igual nos diferentes continentes.
“A variabilidade genética observada na Chrysomya megacephala foi muito pequena, praticamente residual. Algo que seria esperado apenas para espécies em extinção. E, no entanto, a espécie demonstra grande poder de invasão e de adaptação”, disse Junqueira.
Para entender melhor o fenômeno, o grupo pretende fazer o mesmo tipo de análise usando como base os dados do genoma nuclear das moscas coletadas, contou Azeredo-Espin.
“Queremos descobrir se a perda de variação genética ocorre apenas no genoma mitocondrial ou se também está presente no genoma nuclear. Dependendo do que encontrarmos, haverá uma explicação diferente”, disse.
Segundo a pesquisadora, a informação será essencial para o desenvolvimento de programas de controle de vetores em áreas urbanas, onde a mosca é um importante carreador de vírus e bactérias.
O artigo Large-scale mitogenomics enables insights into Schizophora (Diptera) radiation and population diversity (doi: 10.1038/srep21762)pode ser lido em www.nature.com/articles/srep21762

Fonte: Karina Toledo/Agência Fapesp
Foto: Divulgação

09/04/2016

"Receptor Maconha" pode ser a chave para novos tratamentos de fertilidade masculina



Em um relatório de pesquisa publicado na edição de abril 2016 do The FASEB Journal, cientistas mostraram que um receptor canabinoide, chamado de "CB2", ajuda a regular a criação de esperma. Isto não só fornece mais evidências de que a maconha pode atrapalhar a fertilidade nos homens, mas também sugere uma estratégia terapêutica para o tratamento da infertilidade masculina.

"A possibilidade de melhorar a fertilidade masculina é um dos principais focos deste estudo, uma vez que a infertilidade é um problema mundial que afeta até 15% dos casais e os fatores masculinos representam entre 20-70%", disse Paola Grimaldi, Ph. D., pesquisadora envolvida no trabalho do Departamento School of Medicine at the University of Rome Tor Vergata, Itália.

Para fazer a sua descoberta, Grimaldi e colegas trataram três grupos de ratos com diferentes agentes em um período de 14 a 21 dias. O primeiro grupo foi tratado com um ativador específico do receptor CB2. O segundo grupo foi tratado com um inibidor específico do receptor CB2. O terceiro grupo recebeu apenas a solução salina e serviu como grupo de controle. O grupo tratado com o ativador CB2 mostrou uma aceleração da espermatogênese, enquanto o grupo tratado com o inibidor exibiu uma taxa mais lenta do processo. Isto sugere que um equilíbrio de ativação CB2 é necessário para a progressão adequada da espermatogênese.

"Que os efeitos benéficos normais de canabinoides endógenos na espermatogênese podem ser estimulados por um imitador químico, um agonista, é uma ideia nova potencialmente promissora para o tratamento da infertilidade masculina", disse Thoru Pederson, Ph.D., Editor-Chefe do The FASEB Journal.


Fonte: Federation of American Societies for Experimental Biology. "'Marijuana receptor' might hold the key to new fertility treatments for men: Research suggests that cannabis exposure may affect DNA-bound proteins, sperm chromatin and have an impact on fertility, embryo development and offspring health." ScienceDaily. ScienceDaily, 8 April 2016

Imagem: Freepik
Tradução: Bruno Silva

15/03/2016

Aluna de odontologia cria cartilha de higiene bucal para deficientes




Para ajudar portadores de necessidade especiais, a estudante de odontologia Iasmin Caroline do Rosário, de 21 anos, criou uma cartilha sobre higiene bucal para essas pessoas. O projeto, idealizado em Taubaté (SP) foi apresentado neste ano ao Ministério da Saúde, em Brasília .
A pesquisa teve início em 2013, quando Iasmin ingressou na Universidade de Taubaté (Unitau). Lá ela conheceu o projeto de extensão Odontologia para Deficientes (OPD), que estuda maneiras de garantir a higiene bucal dos deficientes.
A partir deste primeiro contato com o assunto, ela começou a participar de congressos sobre o tema - um deles um congresso Internacional da USP que rendeu o convite do Ministério da Saúde. A estudante trocou informações com outros profissionais que atuam no ramo e a pasta forneceu material para ajudar a aluna na pesquisa na universidade.

Iasmin explica que as informações da cartilha buscam atender todo tipo de deficiência. A ideia é explicar aos cuidadores dos portadores de necessidades especiais, com uma linguagem coloquial, como realizar corretamente a escovação dos dentes. Com soluções caseiras, a aluna proprõe, por exemplo, técnicas caseiras para manter a boca do paciente aberta durante a escovação.
“A cartilha ensina desde qual escova usar, até os movimentos que devem ser feitos durante a escovação. O bacana é que conseguimos traduzir algumas linguagens técnicas da área por termos de fácil compreensão”. Dessa maneira, segundo ela, até mesmo a pessoa com pequena deficiência recebe a explicação e compreende o que deve fazer.

Interesse
A vontade de entender mais sobre a rotina de quem possui necessidades especiais surgiu quando ela sequer pensava em se tornar odontologista. Iasmin conta que estudou em uma escola publica de São José dos Campos (SP), onde existia uma sala separada apenas para deficientes. E era com esses colegas que a menina se divertia no intervalo das aulas.
“Sempre tinha um amigo com algum tipo de deficiência na escola. Eu até aprendi a falar em Libras (sigla de Linguagem Brasileira de Sinais) sozinha. Então sempre foi uma aproximação espontânea, natural”, contou.
Ela disse ainda que o fato de não ter outros profissionais da saúde na família causou um pouco de medo no início da graduação, as que o envolvimento com a carreira desde o comço da faculdade ajudou a superar o receio. “Encarei que estava lá não apenas para estudar, mas também para ser uma profissional desde o início”, afirmou a jovem.

Futuro
Em uma das reuniões, a estudante debateu com os representantes do ministério o aumento dos casos de microcefalia no nordeste brasileiro. Além de auxiliar no entendimento do caso, a conversa fez Iasmin decidir seus primeiros passos após a conclusão do curso.
“Por causa do projeto, apareceu a possibilidade de fazer uma especialização na Paraíba. Algumas pessoas até me perguntaram o motivo de ir tão longe quando possuímos ótimas formações em São Paulo. Mas acredito que com esse novo cenário no Nordeste, esse tipo de trabalho vai somar e muito ao cuidado com deficientes”, concluiu.

Fonte: G1 Vale do Paraíba e Região/Guilherme Machado
Foto: Arquivo pessoal/Iasmin Caroline

08/03/2016

Dia Internacional da Mulher


Excepcionalmente no dia de hoje, nossa Fã Page irá compartilhar as postagens do site Mulheres na Ciência.

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Imagem: Hydrogene Portfolio

01/03/2016

Vitamina D3 influi no controle da pressão arterial

A suplementação com vitamina D3 na dieta reduz a pressão arterial sistólica de ratos hipertensos e atua na expressão de genes relacionados com o controle da pressão arterial, sem induzir danos ao DNA ou estimular a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) prejudiciais ao organismo. O resultado é demonstrado em pesquisa realizada com animais na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP pela bióloga Carla da Silva Machado, pós-graduanda em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Novos testes serão necessários para comprovar a eficiência da suplementação em seres humanos.

A pesquisa avaliou o efeito das dietas suplementada e deficiente em vitamina D3 sob a regulação da expressão de genes relacionados com a hipertensão arterial. “Também foram verificados outros parâmetros, como a presença de danos ao DNA (material genético), marcadores bioquímicos de estresse oxidativo, envolvidos com a indução de danos às células, fibrose renal e alterações na pressão arterial sistólica”, afirma a pesquisadora.

O estudo utilizou dois modelos de ratos, os SHR, ratos espontaneamente hipertensos, e os WKY, controles normotensos, com pressão arterial normal. “A dieta foi administrada por via oral. Um grupo de animais recebeu alimentação em que foi retirada a vitamina D3 da dieta e outro grupo foi suplementado com concentração de vitamina D3 dez vezes maior que o grupo controle”, conta Carla. “A dieta suplementada reduziu de forma significativa a pressão arterial sistólica nos animais hipertensos SHR. A suplementação também não induziu danos ao material genético das células, tanto nos animais hipertensos quanto nos normotensos.”

Vitamina D3
A deficiência em vitamina D3 causou danos ao DNA, induziu a formação de EROs e alterou a expressão de genes relacionados com o sistema renina-angiotensina-aldosterona. “No organismo, esse sistema está relacionado com o controle da pressão arterial, ou seja, com seu aumento ou diminuição”, explica a pesquisadora. “Normalmente, as pessoas hipertensas já possuem um aumento na produção de EROs, que estão relacionadas a indução de danos ao DNA e à membrana das células, além de outras complicações ao organismo. Na pesquisa, a deficiência em vitamina D3 agravou esse quadro.”

Segundo Carla, será importante a realização de testes clínicos para comprovar se os efeitos da suplementação e deficiência em vitamina D3 também se aplicam na população humana. “Nos experimentos com animais, a suplementação não apresentou efeitos nocivos aos órgãos avaliados, demonstrando seu potencial para utilização em seres humanos”, diz. “No entanto, estudos populacionais são necessários para confirmar se essa relação também existe em humanos.”

A pesquisadora aponta que a principal fonte de vitamina D3 é a exposição à radiação UVB do sol, sendo sintetizada na epiderme (camada superficial da pele). “Em menor proporção, a vitamina D3 pode ser obtida na dieta, por meio de consumo de peixes como atum, cavalinha e salmão. Em casos de baixa exposição ao sol, há necessidade de suplementação com vitamina D3 ou aumento do consumo de alimentos que contém naturalmente ou são fortificados com a vitamina D3, como os derivados lácteos”, conta. “A função mais conhecida da vitamina D3 é a regulação do metabolismo de cálcio e fósforo no organismo, porém atualmente há novas abordagens de estudos que investigam sua influência na regulação da expressão de genes, e sua atuação no sistema imune.”

A pesquisa foi realizada no Laboratório de Nutrigenômica da FCFRP. Carla é aluna de pós-graduação em Genética, pela FMRP, sob orientação da professora Lusânia Maria Greggi Antunes. O estudo recebeu o prêmio de melhor pôster apresentado no 9º Congresso de Toxicologia em Países em Desenvolvimento e 19º Congresso Brasileiro de Toxicologia, realizados em Natal (Rio Grande do Norte), entre 7 e 10 de novembro do ano passado. A pesquisa gerou o artigo científico Vitamin D3 Deficiency Increases DNA Damage and the Oxidative Burst Of Neutrophils in a Hypertensive Rat Model, aceito recentemente (janeiro de 2016) pela revista Mutation Research – Genetic Toxicology and Environmental Mutagenesis.

Fonte: Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

Mais informações: email carladasilvamachado@gmail.com com Carla da Silva Machado
Imagem: Freepik

22/02/2016

Pesquisa da USP sobre alimentos vence o Prêmio Péter Murányi 2016


Uma pesquisa liderada por Franco Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), venceu o Prêmio Péter Murányi 2016 – Alimentação. O estudo, que busca desenvolver novas tecnologias de conservação de frutas a partir do entendimento dos seus mecanismos de amadurecimento, permitirá aos produtores reduzir as perdas pós-colheita e, ao consumidor final, um produto melhor, mais nutritivo, doce e firme, sem comprometer padrões de qualidade.

O trabalho “Bases moleculares das transformações pós-colheita e qualidade de frutas”, realizado em conjunto com Beatriz Rosana Cordenunsi e João Roberto Oliveira do Nascimento, ambos da FCF-USP, identificou as vias metabólicas para a transformação do amido em açúcar e as enzimas que atuam na degradação da parede celular, ou seja, na textura da fruta.

Os resultados revelaram, por exemplo, que a velocidade da transformação varia conforme o cultivar. “Identificamos uma variedade com mais resistência ao frio – fator importante para garantir a qualidade do produto no transporte de longa distância”, afirmou Lajolo, que integra o Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

“O trabalho foi o vencedor entre mais de 90 inscritos e passou pelo crivo de uma Comissão Técnico-Científica altamente competente”, afirmou Zilda Vera Murányi Kiss, presidente da Fundação que organiza o prêmio.

“O prêmio leva em consideração a perspectiva da aplicação, de agregar valor para a sociedade, estimulando os pesquisadores neste sentido”, ressaltou Euclides Mesquita Neto, membro da Coordenação de área de Engenharia da FAPESP, que integrou o Júri.

O Prêmio Péter Murányi, no valor de R$ 200 mil, será entregue no dia 19 de abril, no Centro de Convenções da Associação Paulista de Supermercados. A premiação é anual e concedida em quatro áreas, de forma alternada: saúde, educação, alimentação e desenvolvimento científico & tecnológico. A próxima edição será focada na área da educação. As inscrições terão início em maio próximo pelo site www.fundacaopetermuranyi.org.br. 

Fonte: Agência Fapesp

02/02/2016

Mulheres na Ciência

Está no ar o www.mulheresnaciencia.com . Um espaço para divulgação e apoio à pesquisa científica das mulheres.


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01/02/2016

Pesquisadores apoiados pelo CNPq são destaques na Revista Science

Luísa Carvalheiro

A revista científica Science publicou na edição do dia 22 de janeiro um estudo desenvolvido por diversos grupos de pesquisa de Universidades Brasileiras e Internacionais sobre o impacto da perda de polinizadores em regiões do Mundo onde ainda existem populações vivendo em condições de insegurança alimentar.

O estudo, "Mutually beneficial pollinator diversity and crop yield outcomes in small and large farms", combina o conhecimento de agrônomos e biólogos e começou em 2009 com a identificação de vários agricultores na Asia, África e América Latina e o treinamento de equipes para a analise dos dados sobre deficit de polinização.

O projeto resultou de um desafio lançado pela Food and Agricultural Organization (FAO/UN) e os pesquisadores Lucas Garibaldi (líder do projeto , Universidade Nacional de Rio Negro , Bariloche, Argentina) e Luísa Carvalheiro (2ª autora, Universidade de Brasília) foram responsáveis pelas análises de dados onde foram calculados os déficits de produção, ou seja, a diferença de produção entre os campos menos produtivos e campos mais produtivos.

Luísa conta que a maior parte do seu trabalho foi realizado através de financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) por meio da bolsa Atração de Jovens Talentos. Destaca ainda que não é a única a receber apoio da agência. "O trabalho envolve várias instituições brasileiras, havendo outros co-autores financiados pela CNPq", conclui. 

De acordo com os pesquisadores os principais resultados obtidos no estudo levam em consideração "que a variação de densidade de polinizadores foi o principal responsável pelo déficit de produção nos campos agrícolas  avaliados".

Outro resultado importante a ser considerado "é que o efeito dos polinizadores depende muito do tamanho do campo e da diversidade de polinizadores".

Ou seja, "em campos agrícolas pequenos o aumento da densidade de polinizadores leva a ao aumento consistente  da produtividade, entretanto, em grandes propriedades (campos maiores que 2ha), tais benefícios só foram detectados quando a diversidade de polinizadores era elevada'.

Quais os próximos passos?

Estudos recentes mostram que a diversidade e número de polinizadores em áreas agrícolas estão em declínio. Isto representa uma séria ameaça para a produtividade agrícola. Seria importante desenvolver estudos de caráter global, que avaliassem de forma sistematizada os benefícios das diferentes práticas de manejo de polinizadores, bem como, mais estudos sobre os detalhes da biologia das diferentes espécies de polinizadores do Brasil.

Fonte: Coordenação de Comunicação do CNPq
Foto: science.naturalis

17/01/2016

Pesquisadora propõe microssatélites para atualizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

SCD-2 no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE.

No livro “O Segmento Espacial orientado pela Engenharia de Sistemas”, a pesquisadora Jaqueline Vaz Maiolino, mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) pelo INPE, e diretora de Engenharia da Orbital Engenharia, propõe o uso de pelo menos dois microssatélites para atualizar o segmento espacial do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD). A obra, publicada no início do ano passado, é baseada na dissertação de mestrado da autora, defendida em 2011, no Curso da ETE, sob a orientação do professor Marcelo Lopes de Oliveira e Souza, da ETE, e co-orientação do ex-gerente do SBCD, Wilson Yamaguti.

Dois anos após a defesa de sua dissertação, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou edital de licitação (Concorrência 01/2013) para a contratação de estudo comparativo de soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro). Atualmente, o SBCD conta com os satélites SCD-1, SCD-2 e CBERS 4A. Os dois primeiros, embora em funcionamento, podem ficar inoperantes a qualquer momento, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil inicialmente previsto em vários anos.

Além da obsolescência desses satélites, a autora argumenta que a necessidade crescente de maior quantidade e frequência de dados ambientais e hidrometeorológicos para monitoramentos e pesquisas vem demandando, nos últimos anos, estudos sobre a atualização do segmento espacial do SBCD. A pesquisadora lembra ainda que soluções com nanossatélites também vêm sendo apresentadas, tendo em vista o baixo custo destes sistemas e o grande envolvimento de universidades no desenvolvimento dos projetos, em parceria com o INPE, ITA e a AEB.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD) foi idealizado nos anos 1970, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), e entrou em operação no início de 1993, com o lançamento do primeiro Satélite de Coleta de Dados (SCD-1). Na sequência, foram lançados o SCD-2 (1998) e os satélites da série CBERS que passaram a integrar o segmento espacial do SBCD, mas com missão dedicada prioritariamente à geração de imagens por sensoriamento remoto. O segmento solo do SBCD é composto por mais de 1000 plataformas de coleta de dados (PCDs) distribuídas pelo território nacional, pelas estações de recepção de Alcântara (MA) e Cuiabá (MT), pelo Centro de Missão de Coleta de Dados, em Natal (RN), e pelo Centro de Controle de Satélites (CCS), em São José dos Campos (SP).



Segundo Maiolino, os dados ambientais e hidrometeorológicos são fornecidos a cerca de 100 usuários, entre estes a Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A necessidade cada vez maior de dados e com maior frequência, para monitoramentos ambientais e hidrometeorológicos, vem demandando melhorias e ampliação da capacidade de geração e retransmissão de dados. Atualmente, os dados chegam a ser retransmitidos a cada 100 minutos durante o dia. Para suprir a necessidade de dados com maior frequência e de forma complementar àqueles fornecidos pelas PCDs do SBCD, muitos usuários buscam outros sistemas, como o dos satélites GOES/NOAA, transmissões via celular, entre outros, nem sempre adequados às necessidades do usuário.

Com base nos estudos realizados anteriormente pelo INPE, na realidade da configuração do atual sistema SBCD e em estudos de simulação computacional, Maiolino avaliou os atuais sistemas espaciais frente às demandas dos atuais usuários e também daqueles em potencial, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A avaliação considerou o custo dos sistemas, mas também a necessidade de dados com intervalos de no máximo 1 hora. Apesar de sugerir dois microssatélites para recompor o SBCD, Jaqueline destaca o uso de nanossatélites, como o CONASAT, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio do INPE, cuja solução traz uma série de vantagens e vem se apresentando como alternativa promissora.

Jaqueline Maiolino é formada em engenharia aeronáutica pela Univap, desenvolveu sua pesquisa na área de Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) do INPE, opção Engenharia e Gerenciamento de Sistemas Espaciais (CSE). Sua dissertação “Uma proposta para a atualização do segmento espacial do sistema brasileiro de coleta de dados orientada pela engenharia de sistemas”, pode ser acessada através do LINK

Fonte: INPE

13/01/2016

Inédito. Na nova turma de astronautas metade são mulheres

Twitter @NASA

As quatro mulheres são candidatas a serem escolhidas para a viagem inaugural a Marte

Pela primeira vez, numa turma da NASA de aprendizes a astronauta, metade foram mulheres. Só por isso, já fazem parte da história, mas as quatro sonham com muito mais e têm razão para isso: são candidatas a estar na viagem inaugural a Marte, que está prevista realizar-se daqui a 15 anos.

Para participarem no primeiro passo rumo ao objetivo a mais de 56 milhões de quilômetros, as quatro mulheres foram escolhidas entre seis mil candidatos. Três delas são casadas, duas têm filhos e mesmo admitindo que a separação da família será muito difícil (só a viagem até Marte demorará entre seis a nove meses), todas elas estão ansiosas por participar num momento histórico.

"Marte pode ensinar-nos tanto sobre o passado, presente e futuro do nosso próprio planeta", salientou Jessica Meir, de 38 anos. A esta astronauta junta-se Anne McClain (36), Christina Hammock Koch (37) e Nicole Aunapu Mann (38). Entre elas já participaram em missões de combate aéreo no Iraque, andaram pelo Polo Sul e mergulharam no gelo da Antártida, segundo escreve o site da Glamour, que acompanhou as astronautas num dia de treino em Houston.

Nos últimos dois anos, as quatro astronautas viveram momentos que admitem que não vão esquecer. O treino de passeio espacial ou andar num jato supersônico são dois dos destaques, mas ainda há muito a preparar se querem estar entre os quatro membros da tripulação que irá pela primeira vez a Marte. Ao todo, a missão deverá durar cerca de três anos, entre a viagem e a permanência no planeta vermelho (um ano). Mas a experiência que tiveram até ao momento, já lhes deu uma perspetiva diferente de ver o mundo. "Do espaço não se veem fronteiras. O que se vê é um planeta solitário. Estamos todos nele, tão zangados uns com os outros. Gostaria que mais pessoas pudessem ver como a Terra é pequena e como estamos dependentes uns dos outros", realçou Anne McClain.

"Para ir a Marte vou pedir à minha família e amigos para fazerem pequenas surpresas para serem abertas em determinadas datas. Um cartão escrito à mão quando se está fora há 15 meses, pode ser o melhor que se possa imaginar", salientou Christina Hammock Koch. Anne McClain disse que levará o macaco de pelúcia do filho, enquanto Jessica Meir admitiu que precisa de música: os Red Hot Chili Peppers terão de a acompanhar. Nicole Aunapu Mann referiu que o filho já será adolescente ou mesmo um adulto quando a missão se realizar: "A vida dele vai mudar enquanto eu estiver fora. Isso será um grande sacrifício."

11/01/2016

Deveríamos ter 50% de mulheres na Microsoft, diz CEO

Paula Bellizia: "Eu acho que eu sou uma história que pode ser referência para outras mulheres"


Microsoft, Facebook e Apple têm algo em comum: as três empresas já tiveram Paula Bellizia em seu quadro profissional.

No Facebook, ela foi diretora de vendas para pequenas e médias empresas na América Latina e, na Apple, foi presidente das operações brasileiras.

Desde junho do ano passado, ela ocupa o cargo de CEO da Microsoft Brasil – empresa pela qual já havia passado entre 2002 e 2012.

Nesses últimos meses, a executiva não conversou com a imprensa. Esta é sua primeira entrevista como CEO da Microsoft Brasil. Nela, Bellizia fala sobre um grande desafio: aumentar o número de mulheres dentro da companhia.

Entre os funcionários da área de tecnologia, apenas 16% são mulheres na Microsoft (número global). Nesse quesito, a empresa está atrás de concorrentes como Apple (que tem 22% de mulheres em cargos de tecnologia) e do Google (que tem 18% de mulheres nesses cargos).

"Não temos 50% de mulheres na sociedade? Então, deveríamos ter 50% de mulheres na Microsoft". Veja a conversa com Paula Bellizia abaixo.

EXAME.com: Quando você fez faculdade de ciências da computação na Fatec/Unesp, sentiu preconceito por ser mulher?

Paula Bellizia: Quando eu entrei na Fatec, mulheres eram minoria. Em uma turma de 36 ou 40 alunos, seis eram mulheres. Mas eu nunca sofri preconceito lá. Muitas professoras eram mulheres e uma das diretoras também. Desse modo, eu via um equilíbrio.

Quando fui para o mercado de trabalho eu senti um pouco do preconceito, pois percebi que era um ambiente menos feminino. Mas ninguém nunca me disse: “você não serve para esse trabalho”. Além disso, eu também nunca senti um não-incentivo por parte da minha família, que é uma questão que as mulheres normalmente enfrentam.

Você acha que é um exemplo devido à sua trajetória?

Eu acho que sou uma história que pode ser referência para outras mulheres. Exemplo é uma palavra muito forte, mas eu sou uma história que ajuda a mostrar que, sim, é possível se você tiver um plano de carreira, se você souber o que você busca, se você não deixar que outras opiniões externas lhe tirem do seu caminho.

Eu posso ajudar outras mulheres que queiram trabalhar nessa área. Eu represento uma empresa que tem isso na cultura e sou uma porta-voz por ter passado por tantas empresas de tecnologia.

Por Marina Demartini
Publicado em EXAME

09/01/2016

Pesquisadora da FCM é premiada nos EUA por trabalho relacionado à doença de Crohn


A nutricionista e aluna de pós-doutorado da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Daniéla Magro, recebeu o Prêmio Jovem Pesquisador durante o Congresso Americano de Doença Inflamatória Intestinal, realizado nos Estados Unidos, em dezembro. A pesquisa “Evaluation of GLP-2 levels in Crohn's disease” avaliou os níveis dos hormônios GLP-1, GIP e GLP-2 em pacientes com a doença de Crohn, uma inflamação crônica do intestino associada à diarreia e desnutrição.

A pesquisa foi orientada pelo médico coloproctologista Claudio Saddy Rodrigues Coy, chefe do Departamento de Cirurgia da FCM, e mostrou, pela primeira vez, que alterações na secreção do GLP-1 e GIP, além da  falta de secreção do GLP-2,  diminuem a absorção dos nutrientes pelos indivíduos, principalmente de gorduras e carboidratos.

Daniéla explicou que os dados obtidos com a pesquisa, além de contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, também ajudam na compreensão das manifestações metabólicas relacionadas à doença de Crohn. “Concluímos que as deficiências nutricionais dos pacientes com a doença de Crohn não estão apenas relacionadas às alterações inflamatórias que a enfermidade ocasiona no trato gastrointestinal, mas também, à secreção dessas substâncias”, afirmou.

Por Camila Delmondes
Publicado em FCM UNICAMP

06/01/2016

As chances das mulheres na universidade

Estudo sugere que disciplinas com alta presença feminina não garantem às pesquisadoras vantagem para chegar ao topo da carreira

Um artigo publicado na revista Dados sugere que desigualdades de gênero têm efeitos mais complexos na carreira acadêmica no Brasil do que a literatura sobre o assunto costuma contemplar. Assinado pela socióloga Marília Moschkovich e por sua orientadora, a professora Ana Maria Fonseca de Almeida, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o trabalho analisou dados sobre a trajetória de professores e professoras da Unicamp e fez alguns achados surpreendentes. Um deles é que o fato de as mulheres serem maioria em determinadas áreas do conhecimento não necessariamente as ajuda a alcançar o topo. O estudo analisou as chances de homens e mulheres chegarem ao nível mais alto da carreira docente da Unicamp em cada uma das 27 unidades da instituição. Constatou-se que professores do sexo feminino têm menos chance que os do sexo masculino de alcançar o topo nos cursos de Linguística, Educação e Medicina, nos quais as mulheres são maioria no corpo docente. Ao mesmo tempo, professoras têm possibilidade maior de chegar ao cume nos cursos de Engenharia Mecânica e Agrícola, nos quais, paradoxalmente, elas são franca minoria.

“Os padrões de desigualdade variaram nas diferentes disciplinas, sugerindo que outros fatores também podem ter influência sobre a carreira dos docentes segundo seu gênero”, diz Marília Moschkovich. A próxima fase da pesquisa, que se debruçará sobre os dados de mais três universidades públicas, ainda não definidas, vai comparar outros aspectos da carreira, como o padrão de publicação e a relação da área com o mercado de trabalho não acadêmico, por exemplo, para verificar se isso influencia a trajetória docente de modo peculiar em cada disciplina. “A carreira acadêmica talvez não desempenhe o mesmo ‘papel’ no mercado de trabalho em geral de cada área. Há estudos documentando como o mercado de trabalho corporativo para engenheiros, que têm salários maiores do que a carreira acadêmica na área, por exemplo, impõe diversas barreiras às mulheres. É possível que as mulheres que têm um bom desempenho na graduação em algumas engenharias se direcionem à carreira acadêmica enquanto homens na mesma condição se direcionem para o mercado de trabalho corporativo, mais aberto a eles. Isso poderia, ao menos em tese, contribuir para que o ambiente de trabalho acadêmico tenha certo ‘clima’. Com essa primeira etapa da pesquisa verificamos, porém, que a carreira acadêmica não é necessariamente menos competitiva ou mais amigável às mulheres”, diz Ana Maria F. Almeida, que também é coordenadora-adjunta de Ciências Sociais e Humanas da FAPESP. “Como isso se observa em certas áreas mas não em outras, há necessidade de estudos específicos mais aprofundados.”

Outra dimensão que será investigada é o efeito da origem social dos pesquisadores na velocidade da ascensão na carreira. Segundo as autoras, é razoável supor que um docente oriundo de um ambiente próximo do ambiente universitário – filho de professores do ensino superior, por exemplo – esteja mais familiarizado com as regras do universo acadêmico e consiga se afirmar mais rapidamente entre seus pares do que outro com pouca experiência com o mundo acadêmico, que custaria um pouco mais a compreender o que é preciso fazer para se impor e galgar etapas da carreira. “Essa competência para lidar com a carreira pode ser adquirida durante a pós-graduação ou até antes, na própria graduação, mas os códigos necessários para compreender as exigências da carreira nem sempre são disponibilizados para todos, o que pode ter influência na ascensão na carreira”, diz Ana Maria F. Almeida. As pesquisadoras pretendem acompanhar jovens professoras e professores para avaliar os desafios que enfrentam no início da carreira e ver se a situação mudou em relação à dos mais velhos. “A ideia é compreender o que elas e eles precisam fazer para se inserir e ganhar respeito”, diz Moschkovich.

A busca de igualdade de gênero no ambiente acadêmico, além de sua relevância no contexto dos direitos civis, é importante para dinamizar a universidade. “Garantir o acesso de pesquisadores e docentes com origem e experiências diferentes ajuda cada disciplina a diversificar seus problemas e objetos de pesquisa, suas abordagens e modos de trabalho”, diz Ana Maria F. Almeida. Mulheres são maioria entre os novos doutores (51,5% entre os titulados no Brasil em 2008) e também entre os docentes do ensino superior (55%), de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Nas universidades públicas brasileiras, a proporção é menor, com 45% de mulheres entre os docentes. Na Unicamp, elas são 35%.

“Há quem diga que essas diferenças são assim mesmo, que resultam da forma tardia com que as mulheres ingressaram na carreira acadêmica e que a realidade está mudando para as gerações mais novas, mas a verdade é que não se trata de um problema apenas geracional”, pondera Elizabeth Balbachevsky, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e uma estudiosa da profissão acadêmica. “Existem entraves importantes para a inserção e a ascensão da mulher na carreira acadêmica e há evidências de que esses entraves estão piorando à medida que a carreira fica mais competitiva”, afirma.

As autoras escolheram o universo de docentes da Unicamp porque vislumbraram nesse recorte – o de uma universidade pública brasileira – potencial para contribuir com o debate internacional sobre a relação entre gênero e carreira científica. Ocorre que, nesse contexto, é possível controlar variáveis que estão no centro da discussão de políticas para promover a igualdade em universidades de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, há um debate em torno da ampliação para as mulheres do período probatório, de forte dedicação ao trabalho, ao final do qual os pesquisadores são avaliados para só aí gozar de estabilidade. Avalia-se que elas são prejudicadas em relação aos homens por estarem em idade reprodutiva e serem responsáveis por cuidar dos filhos. Na universidade pública brasileira, é possível controlar o impacto da estabilidade para as mulheres, pois elas a conquistam imediatamente após a admissão por concurso, assim como os homens.

Em outros países, como os da Europa e a Austrália, discute-se como garantir salários equânimes para homens e mulheres num ambiente em que as pesquisadoras têm dificuldade em negociar promoções e remuneração de forma tão eficiente quanto os homens, sofrendo desvantagens. Na universidade pública do Brasil é possível analisar o que acontece num ambiente em que essa variável praticamente não tem peso, pois os salários de homens e mulheres em posições iguais da carreira são idênticos e definidos por lei, e as regras de promoção são aplicadas a todos igualmente, sendo definidas em colegiados compostos pelos próprios docentes. Por fim, observam as autoras, a desigualdade econômica na sociedade brasileira permite às docentes contar com empregadas domésticas para ajudar em tarefas socialmente atribuídas às mulheres, como os cuidados com os filhos e com a casa, algo que não se vê tanto em países desenvolvidos. “Trata-se de uma carreira que pode, pelo menos hipoteticamente, oferecer condições mais favoráveis para superar a desvantagem feminina em relação a outros contextos”, diz Moschkovich.

A pesquisa debruçou-se sobre três perguntas específicas. A primeira avaliou as chances dos docentes de cada sexo chegarem ao posto mais alto da carreira e a cargos de gestão na Unicamp. A segunda foi a velocidade com que os docentes de cada sexo chegam ao topo. E a terceira foi se tanto as chances de ascensão quanto a velocidade com que isso acontece variam de acordo com a proporção de mulheres em cada faculdade ou instituto, já que em algumas áreas, como Dança e Letras, as mulheres são maioria esmagadora e em outras, como Engenharia Elétrica, elas mal chegam a 10% dos docentes (VER QUADRO)

A principal constatação é que as mulheres sofrem desvantagem. Nos três níveis da carreira, a proporção de mulheres é inferior à de homens, mas a desvantagem é superior no nível mais alto, o MS6, com 73,8% de homens para 26,2% de mulheres. Já em relação às chances de alçar a cargos administrativos, os homens estão em vantagem quando os cargos são de direção da unidade e coordenação de pós-graduação, enquanto as mulheres têm mais possibilidades de se tornarem coordenadoras de graduação. Nunca uma mulher assumiu a reitoria da Unicamp. “Isso mostra o quanto as professoras têm mais dificuldade de ocupar cargos que acumulam maior poder universitário”, afirma Ana Maria F. Almeida. Um desenvolvimento recente envolveu as cinco pró-reitorias: três delas são ocupadas hoje por docentes do sexo feminino.

Para calcular a velocidade de ascensão, as autoras utilizaram como referência o ano mais recente em que docentes no nível mais alto da carreira defenderam o doutorado – e partiram do pressuposto de que todos os outros docentes titulados naquele ano ou antes teriam hipoteticamente chance de atingir o topo. A quantidade de docentes estudados em cada unidade variou, chegando a 79% em Engenharia Agrícola e mais de 50% em dois terços das 27 unidades. O dado mais surpreendente surgiu na avaliação das chances de ascensão na carreira. A proporção dos docentes que alcançaram o nível mais alto, entre os considerados com condição de chegar lá, foi semelhante para homens (55,1%) e mulheres (54,1%) para o conjunto da universidade. Mas oscilou entre as áreas – e nem sempre isso estava relacionado à presença maior ou menor de mulheres. Docentes do sexo feminino chegam ao nível mais alto com mais rapidez que os do masculino em sete unidades, na mesma velocidade em duas e em 14 os homens chegam ao topo mais rápido.

Para Marília Pinto de Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP que estuda diferenças de desempenho entre meninos e meninas no ensino fundamental, um dos méritos do artigo é mostrar com clareza que a presença de mais mulheres numa carreira não tem relação direta com possibilidades de ascensão. “Em alguns casos, ocorre o contrário. O tipo de dado levantado não permite se aprofundar nas razões, mas mostra um quadro desafiador”, diz. O fato de o estudo restringir-se a uma universidade, diz Marília, é mais um mérito do que uma fraqueza. “Se elas buscassem dados mais genéricos, talvez não conseguissem captar esses fenômenos.”

Elizabeth Balbachevsky diz que a originalidade do trabalho está em mostrar como as culturas de diferentes disciplinas incidem tanto sobre a incorporação das mulheres no mundo acadêmico quanto na perspectiva de carreira. “Há uma tendência de afirmar que as ciências duras são difíceis para as mulheres e as humanidades, mais amigáveis. Os dados mostram que não funciona bem assim”, afirma. “Um dado relevante do trabalho é que ele mostra o nível de competição na carreira acadêmica no Brasil. A competição existe, é notável numa universidade de pesquisa e pode variar de acordo com o perfil da área disciplinar”, afirma.

Por Fabrício Marques
Publicado em Revista FAPESP
Imagem: Freepik

03/01/2016

Fabiola Gianotti se torna a primeira mulher a dirigir o CERN - Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear

Foto de Arts Eletronica

Desde 1 de Janeiro Fabiola Gianotti é Directora Geral da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo desde que a organização foi fundada em 1954.

Gianotti anteriormente chefiou uma equipe de 3000 pessoas sobre o "Experimento ATLAS", levando à descoberta do bóson de Higgs em 2012. 

Gianotti também é membro do Conselho Consultivo da Secretária Geral Científica das Nações Unidas, e foi homenageada  na revista Time 1000 100 e Forbes "Top 100 Mulheres Mais Influentes".

Falando a jornalistas, Gianotti explicou que ela, pessoalmente, não sofreu preconceito de gênero, enquanto trabalhava em sua área, mas que ela sabe que não é o caso para alguns de seus colegas:

"Em geral, eu acho que a mentalidade está mudando e as pessoas estão cada vez mais reconhecendo que o que eles estão procurando é a excelência na ciência, na habilidade gerencial, etc"

"Eu não sinto que fui tratada de forma diferente porque eu era uma mulher. Mas eu também tenho que dizer que algumas das minhas colegas tinha uma vida mais difícil. ... Algumas outras sofreram um pouco e tiveram de enfrentar alguns obstáculos e algumas dificuldades".

"Estou muito honrada pelo papel, não tanto porque eu sou uma mulher, mas porque eu sou uma cientista, e ter a honra e o privilégio de liderar, talvez, o mais importante laboratório no mundo em nosso campo é um grande desafio. Eu farei o meu melhor".


Por Jamey Keaten
Publicado em Phys

02/01/2016

Brasileira na Nasa cria projeto para estimular interesse de crianças por ciência

Foto: Duília de Mello (BBC Brasil)

Ela arrumou outro casulo no quintal e o depositou com cuidado no vidro de maionese. Colocou um pouco de água lá dentro e, ai sim, fechou com a tampa furada.

"Deu certo, eu consegui fazer uma borboleta", conta Duília de Mello. "Eu não duvidei da palavra dele, nem aceitei: eu fui lá, testei e consegui provar. Acho que foi a primeira vez que a minha curiosidade científica foi despertada", conta ela que, hoje, aos 50 anos, é astrofísica da Nasa, a agência espacial americana.

Nada mal para a menina de origem humilde, nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, e criada no subúrbio do Rio por um pai alcoólatra e uma mãe zelosa.

Agora, para que cada vez mais crianças consigam superar as adversidades e se interessar por carreiras científicas, Duilia está criando a ONG Mulher das Estrelas, reunindo uma rede de mentores de diferentes especialidades, como física, matemática e robótica.

A astrônoma já conta com a ajuda de 20 profissionais. A ideia é estimular a criação de clubes de ciências e as competições científicas entre as escolas, com a curadoria à distância desses especialistas, para fazer com que crianças de origem pobre por todo o Brasil possam ganhar asas e mirar estrelas.

"Quero poder ajudar às pessoas que não tiveram tanta sorte quanto eu, ou que não tiveram uma mãe tão empenhada como a minha", diz ela, em entrevista por telefone, de Washington.

Informalmente, ela afirma já fazer essa espécie de mentoria à distância. "Muitos desses estudantes me acham na internet, me mandam mensagens. Eu respondo a todas elas, explico como é a profissão."


Perdidos no Espaço

Já na pré-adolescência Duília foi fisgada pelo fascínio da ficção científica. Era fã de Jornada nas Estrelas e Perdidos no Espaço, clássicos da televisão dos anos 60.

"Sempre fui apaixonada pelo Universo e, desde pequena, queria entender como ele funcionava tão bem sendo tão complexo", contou.

"No fim dos anos 1970 eu vivia vidrada nas descobertas das naves espaciais da Nasa, Pioneer 10 e 11, que estavam visitando Júpiter e Saturno. Naquela época não tínhamos internet, e o acesso à informação era bem restrito, principalmente para quem era de classe média baixa, como nós. Lembro de uma revistaManchete com uma grande reportagem sobre Júpiter. Fiquei impressionadíssima."

Enquanto o pai de Duília lutava contra o alcoolismo e tentava ganhar algum dinheiro para sustentar a família - primeiro como caminhoneiro, depois com um negócio de locação de mesas de totó (pebolim) -, a mãe dedicou a vida a fazer com que os quatro filhos estudassem. E conseguiu.

"Mas quando eu dizia que queria fazer astronomia, todo mundo falava que eu era maluca, inclusive minha mãe", lembra Duília.

Muitos professores tentaram convencê-la a seguir carreiras "mais sólidas", como medicina ou engenharia. Mas foi um professor de História quem acabou batendo o martelo: "É melhor ela ser uma astrônoma feliz que uma engenheira frustrada."

Após a graduação na UFRJ, Duília fez um mestrado no Instituto Nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) e um doutorado na USP.


Carreira na NASA

Há 13 anos ela trabalha na Nasa - o que acabou acontecendo como um desdobramento natural de seus trabalhos no mestrado e no doutorado - quando foi cursar o pós-doutorado no Instituto do Telescópio Espacial Hubble.

Ela é pesquisadora do Goddard Space Flight Center (centro que gerencia as comunicações com os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional) e especialista na análise de imagens do telescópio Hubble.

Na Nasa, Duília foi responsável pela descoberta da supernova SN 1997D e participou também da descoberta das chamadas bolhas azuis - as estrelas órfãs, sem galáxias.

"Em 2008, detectamos umas bolhas azuis, estrelas solitárias que vivem entre as galáxias, que são formadas fora das galáxias. Tanto podem ser pequenos aglomerados de estrelas como galáxias anãs, que podem acabar engolidas pelas galáxias vizinhas. Enfim, é um mecanismo interessante de pensar a evolução das galáxias" explica Duília.
Em 2013 ela foi escolhida como uma das dez mulheres que mudam o Brasil em ranking elaborado pela Barnard College, da Universidade de Columbia (EUA).

Por BBC Brasil
Publicado em Último Segundo