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04/08/2016

Professor de Química adapta experimentos utilizando resíduos



Com objetivo de criar materiais alternativos para as aulas de Química, o professor Danilo Oliveira decidiu colocar em prática no Colégio Estadual Governador João Alves Filho, em Areia Branca, o projeto“Adaptação de experimentos presentes nos Livros Didáticos com Materiais Alternativos”. O objetivo do projeto é preparar o material didático com experimentos que possam ser realizados em sala da aula sem a necessidade da vidraria do Laboratório de Química e com materiais alternativos.

Danilo contou que a ideia do tema surgiu por causa da realidade da escola. “Não tem laboratório, não tinha sala de informática. Era uma estrutura bem precária, a gente só tem a sala, o pincel e o quadro. Então, a partir desse momento eu tive a ideia de fazer experimentos com materiais alternativos com os alunos, adaptar experimentos que estavam nos livros didáticos e também divulgar para outros professores de outras escolas.”

Junto com as bolsistas, Milena Rodrigues Rosário e Dávila da Conceição Muniz, o professor criou um blog onde são postados os experimentos e as fotos. “A nossa realidade não é diferente de muitas escolas públicas do país. Então, tem esse contato com outros professores e até alunos. A intenção do blog é divulgar.”

Um dos experimentos que eles fizeram em sala de aula é a destilação simples, que consiste em separar uma mistura homogênea em sólido e líquido. Normalmente, esse processo precisaria do balão volumétrico, do condensador e de outras vidrarias. Para a realização em sala de aula, eles usaram uma lâmpada queimada de poste e fizeram um condensador de garrafa pet e mangueiras.

As bolsistas, além de participarem ativamente do blog, também tiveram a missão de selecionar os experimentos que seriam adaptados, testá-los e apresentar na sala de aula. A seleção das bolsistas aconteceu através da participação dos alunos na CIENART 2014 e da observação da aptidão para o projeto. Além disso, a questão financeira foi motivo para desempate.

A equipe já apresentou o projeto no Cienart 2015 com o titulo “Adaptação de Experimentos presentes em Livros Didáticos com Materiais Alternativos” e recentemente no VIII Encontro Estadual de Química (ENESQUIM) com o tema “Experimentos de Ciência encontrados nos Livros Didáticos e modificados com Materiais Alternativos”. Os próximos passos serão apresentar na CIENART 2016 com titulo “Divulgação de Experimentos com Materiais Alternativos através de um Blog” e no final do projeto, em dezembro, escrever um artigo científico e submeter para uma revista. Para mais informações: quimicacegjaf.blogspot.com

Apoio

O projeto faz parte do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIBICJr), fruto de uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação do Estado de Sergipe (FAPITEC) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).  

Fonte: FAPITEC

27/07/2016

Professor da UFC produz equipamento de baixo custo para tratamento de água



O Prof. José Capelo Neto, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, desenvolve um método de tratamento de água para comunidades rurais, de até 20 famílias, que atende à qualidade da água recomendada para o consumo humano. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

O projeto "Filtração Rápida em Múltiplas Etapas Aplicada a Pequenas Comunidades do Semiárido" é desenvolvido no centro de pesquisa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), na Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, em Itaitinga.

Para a execução da pesquisa, filtros de pressão de piscinas de baixo custo foram comprados e conectados em série visando promover o tratamento da água de açudes ou lagoas. Resultados preliminares indicam que o equipamento deve ser eficiente em referência à  qualidade da água tratada e ao baixo uso dela para lavagem e manutenção.

"O objetivo foi utilizar a tecnologia e o conhecimento científico para chegar a uma configuração construtiva simples, ou seja, apesar de termos usado ciência e tecnologia complexas no desenvolvimento do projeto, o equipamento resultante é de extrema simplicidade e funcionalidade", informa o Prof. Capelo. Ele destaca ainda que  o equipamento utiliza material que pode ser facilmente encontrado em lojas da área de construção.

ECONOMIA – De acordo com o pesquisador, estações convencionais de tratamento de água costumam utilizar até 30% da água produzida para limpeza da própria estação, sobrando apenas 70% para o consumo. Os resultados preliminares indicam que o novo equipamento utilizaria apenas entre 4% a 7% da água produzida, dependendo da qualidade da água bruta.

Segundo o Prof. José Capelo, o projeto será concluído até o fim deste ano. O pesquisador pretende  patentear o equipamento, em conjunto com a Funcap e Cagece, para garantir a permanência dele sob domínio público, tornando possível entregá-lo à sociedade.

No entanto, o mecanismo para fazer o equipamento chegar  às comunidades rurais ainda não foi definido. "Uma ideia inicial seria capacitar e treinar pequenas indústrias em municípios do Interior do Estado para a fabricação desses equipamentos, criando assim, uma rede construtiva e de manutenção sustentável, aliando a isso a disseminação tecnológica, a geração de empregos e de riqueza", explica o pesquisador da UFC.

Também participam da pesquisa o engenheiro Fernando Victor Galdino Ponte, do Sistema de Saneamento Rural da Cagece, mestre em Engenharia Hidráulica e Ambiental pela UFC;  Helísia Pessoa Linhares, estudante  de Engenharia Ambiental e bolsista de extensão; e o Prof. Carlos J. Pestana, pesquisador da Robert Gordon University, na Escócia. Samylla Oliveira, mestre em Engenharia Ambiental pela UFC, com experiência profissional na Cagece e na área de tratamento de água, está contribuindo com a pesquisa por meio de uma bolsa do CNPq. 

Com informações da Funcap.
Foto: Prof. José Capelo Neto

24/07/2016

Solar Impulse 2 sai do Egito para a última etapa de sua volta ao mundo



O avião Solar Impulse 2 decolou neste domingo (24) do Egito rumo a Abu Dabi para a última etapa de sua volta ao mundo iniciada há mais de um ano. Nesta 17ª e última etapa, o avião é pilotado pelo suíço Bertrand Piccard, que realizou o primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível, graças a suas baterias que acumulam energia solar.
Entre aplausos e gritos de apoio da equipe de terra, o avião decolou do aeroporto do Cairo para uma viagem que deve levá-lo a Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiu no dia 9 de março de 2015.
"É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Bertrand Piccard aos jornalistas reunidos no aeroporto.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.
A Solar Impulse 2 devia ter saído do Egito na semana passada mas sua decolagem foi adiada pelos fortes ventos e por um problema de saúde do piloto.
O avião solar chegou ao Cairo em 13 de julho, depois de decolar de Sevilha (sul da Espanha), trajeto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos.
Piccard disse na noite deste sábado que essa última etapa será difícil. "É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", advertiu.

Fonte: AFP
Foto: Khaled Desouki/AFP

12/07/2016

Projeto transforma lixo orgânico em ração para peixes



Segundo o pesquisador, para cada tonelada de lixo orgânico é possível produzir até 900 quilos de proteína. Já a sobra que as larvas não conseguirem comer, pode ser usada na agricultura com a transformação de adubo.
“É um processo totalmente sustentável que pode ser uma solução para essa quantidade de lixo desperdiçada por meio da transformação em proteína de ração para peixes e, posteriormente, para animais e criações diversas”, reforçou Nunes.
Ainda de acordo com o pesquisador, a partir do momento que as larvas são processadas, é possível ter uma proteína com alta palatabilidade por conta dos insetos serem o alimento natural dos peixes na natureza.
“É um alimento que para o peixe é protetor por conter alguma propriedade que são saudáveis para estas espécies. Além disso, é uma fonte barata”, acrescentou.
O projeto foi um dos vencedores do Prêmio Samuel Benchimol, em 2015.  Carlos Gustavo Nunes explicou também que existem trabalhos semelhantes a esse em outras partes do mundo. O diferencial da pesquisa realizada no Amazonas, segundo ele, é que as tecnologias e inovações são distintas e voltadas para região amazônica.
“Em outras partes do mundo é preciso aquecer as estufas para que os insetos sobrevivam nesse clima temperado. Na Amazônia não precisamos disso, pois o clima é de verão o ano todo. Por isso, é possível ter uma produção diária desses insumos”, disse Nunes.
Sinapse de Inovação
A ração para peixes é um dos 40 projetos aprovados no âmbito do Programa Sinapse da Inovação, fruto da parceria firmada entre a Fapeam com a Fundação Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), que visa transformar os resultados de projetos de pesquisa de universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação em produtos inovadores competitivos, além de fortalecer o empreendedorismo inovador.
Essa é a primeira vez que o empresário Nelson Poli é comtemplado no edital desse segmento pela instituição. Ele disse que apoio da Fapeam é essencial para transformar a ideia em bom negócio para indústria e para população amazonense.
“O apoio da Fapeam é fundamental para que as coisas saiam do papel e tomem proporções reais, com as dimensões que queremos tomar. Esse apoio é essencial para que os estudos sejam feitos e viabilizem a produção em larga escala”, finalizou o empresário.
Fonte: Esterffany Martins/Agência Fapeam
Foto: Érico Xavier/Agência Fapeam

11/07/2016

Avião Solar Impulse 2 inicia penúltima etapa de volta ao mundo


O avião Solar Impulse 2 decolou nesta segunda-feira de Sevilha, sul da Espanha, rumo ao Cairo, na penúltima etapa de sua volta ao mundo utilizando o Sol como única fonte de energia.

Pilotado pelo suíço André Borschberg, o avião solar decolou às 06h20 locais (01h20 de Brasília) nesta 16ª etapa, que durará cerca de 50 horas. Deve chegar à capital egípcia no dia 13 de julho.

Vestido com uma roupa laranja e um capacete, André Borschberg, de 63 anos, recebeu incentivos de sua filha pouco antes de decolar da capital andaluza.

Em sua travessia sobrevoará o Mediterrâneo através dos espaços aéreos de Argélia, Tunísia, Itália, Malta e Grécia.

A aeronave pesa apenas 1,5 tonelada, mas de um extremo ao outro de suas asas mede 63 metros, como os maiores aviões comerciais do mundo, tipo Boeing 747. É feito de fibra de carbono e é chamado de "paper plane".

Voa a uma velocidade média de 50 km/h graças as suas baterias de lítio que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas instaladas nas asas.

Depois de chegar ao Egito, deve nos dias posteriores iniciar a 17ª e última etapa de sua volta ao mundo, que terminará em Abu Dhabi, de onde partiu em 9 de março de 2015.

Fonte: AFP

10/07/2016

Uruguai tem primeira escola pública sustentável da América Latina

Escola foi pensada para que nenhum resíduo seja descartado ao seu redor. Ela foi construída graças a um financiamento e esforço de uma ONG.



Dizem que as crianças são como esponjas na hora de absorver conhecimento, e em um mundo que luta contra as mudanças climáticas, aprender a cuidar do meio ambiente é fundamental. Essa é a proposta da primeira escola pública sustentável da América Latina, construída no Uruguai.

A temperatura exterior é de 7,5º C, em uma manhã de inverno em Jaureguiberry, a 85 quilômetros ao leste de Montevidéu. Dentro da escola 294, porém, ela chega chega a quase 20º C.

Não há aquecedor elétrico ou ar condicionado para combater o inverno e o verão. A escola não está conectada à rede elétrica nem a tubulações de água.

Apesar de se destacar pela sua arquitetura peculiar, a estrutura do local, pensada para que nenhum resíduo seja descartado no seu entorno, garante que ele deixará rastros invisíveis na terra.

"Estamos bem. Temos mais de 50% de bateria. Temos só energia solar", diz à AFP a diretora Alicia Alvarez, de 51 anos, enquanto mostra o sistema de condensadores que armazena energia para o edifício. "Vou apagar um pouco a luz para não gastar", acrescenta.

Os painéis solares podem ser vistos no teto do recinto, projetado pelo famoso arquiteto americano Michael Reynolds, conhecido como "o guerreiro do lixo" por causa de suas construções que retiram resíduos do meio ambiente, como rodas de carros, latas e garrafas, e os incorporam às suas obras.

A escola, que recebeu a aprovação das autoridades da educação, pôde ser construída graças também a um financiamento privado e ao esforço de uma ONG local, e abriu suas portas em março de 2016.

Os 39 estudantes sabem que jogar lixo fora é errado, e aprenderam que com os resíduos orgânicos podem fazer compostagem, um fertilizante natural que utilizam na horta que cresce em um canteiro diante das três salas de aula.

Plantas de manjericão, tomates, morangos e acelgas, berinjelas ou brócolis, além de uma banana pouco adaptada ao frio do inverno, se desenvolvem graças à temperatura controlada e à irrigação permanente.

No teto, a água da chuva é coletada com canaletas que a leva até um sistema de filtração. De lá, vai para os banheiros e para a horta, e as sobras terminam em um charco onde tudo é decomposto, com impacto mínimo sobre o entorno.

Sem desperdício
"É uma escola cheia de vida", resume Paula, que tem sete anos e elabora com seus companheiros uma lista de coisas que devem ser feitas - e evitadas - para cuidar do planeta.

Esta manhã, na aula da professora Rita Montans, de 45 anos, as crianças trabalham com escrita espontânea e organização de conceitos. O tema é "como cuidar do meio ambiente"?

Os alunos propõem e anotam ideias nos seus cadernos: "cuidar das plantas"; "não jogar lixo fora"; "não jogar fora as garrafas"; "as plantas nos ajudam a respirar um ar mais puro".

"Se não houvesse árvores, não estaríamos mais aqui", diz contundente Sebastián, também de sete anos.

O objetivo, explica a professora, é criar uma espécie de código de conduta para cuidar do entorno, além de uma "cruz ambiental" ou "cruz verde" que os alunos poderiam administrar, assim como a "cruz vermelha" que ainda existe em algumas escolas do continente.

Os professores recebem uma capacitação especial para dar aulas na escola sustentável, tanto a nível de adaptação dos programas das disciplinas, quanto para um manejo mais autônomo do edifício.

Construída com materiais recicláveis
Construído a partir de pneus cheios de areia, latas e garrafas usadas e unido com cimento, além de grandes estruturas de madeira e troncos de eucalipto que sustentam um teto verde e o peso da terra utilizada como isolante, o imóvel é luminoso e tem espaços bem distribuídos, de modo que nada parece estar apertado.

Uma vez por semana, as crianças têm uma hora de aula de horta e colhem frutas e legumes que elas mesmas cultivam, e que são incorporados às saladas servidas no refeitório.

"Não há aprendizado melhor do que viver", diz a diretora Alvarez. "Independente de que as crianças possam aplicar ou não" o que aprenderam, "a semente está plantada", conclui confiante.

Fonte: AFP
Foto: Pablo Porciuncula / AFP

14/06/2016

Avião movido a energia solar finaliza voo 'simbólico' em Nova York


O famoso avião Solar Impulse, que é movido a energia solar, pousou no aeroporto JFK, de Nova York, na manhã deste sábado, depois quatro horas de uma viagem que começou no Lehigh Valley, na Pensilvânia.
Decolando na sexta-feira à noite, a aeronave passou boa parte da viagem dando voltas em torno da Estátua da Liberdade para um ensaio fotográfico.
O piloto, Andre Borschberg, falou à BBC após o pouso e considerou o voo "simbólico".
"Os Estados Unidos são um país onde você encontra muitos empresários e pioneiros, então terminar nossa viagem pela América sobrevoando a Estátua da Libertade - que representa para mim a liberdade de empreender, de inovar, que alimenta o espírito desse país - é muito simbólico."
O avião tem o tamanho de um Boeing 747 e pesa cerca de 300 toneladas, tendo uma velocidade média de 70 km/h. Ele partiu de Abu Dhabi em março do ano passado e o objetivo dos autores do projeto é dar uma volta ao mundo com o Solar sem gastar nenhum combustível.
Agora, a aeronave deverá partir em direção a Europa, cruzando o Atlântico. Mas e decisão sobre quando isso irá acontecer ainda não foi feita - e é um pouco complexa.
Isso porque o Solar precisa de ventos favoráveis e condições climáticas boas que permitam o sobrevoo pelo oceano por vários dias. "Paciência é a palavra que definirá essa decisão", disse o diretor de voo Raymond Clerc. "Eu imagino que esse voo irá durar cerca de 3 ou 4 dias."
A equipe queria que o voo para a Europa tivesse Paris como destino, em uma referência à histórica primeira travessia feita por um avião ao cruzar o Atlântico, com Charles Lindbergh, em 1927. Mas o clima não deverá permitir isso e é mais provável que o Solar parta para Toulouse, mais para o Sul, ou então para Sevilha, na Espanha.
Trajetos
O projeto do Solar já conseguiu grande progresso desde seu início, em 9 de março de 2015. No ano passado, foram cinco etapas de voo, começando em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, e com paradas em Omã, Mianmar, China e Japão.
Nesse período, o trajeto mais marcante foi o que durou mais de quatro dias sobre o Pacífico. Esse voo acabou danificando a bateria da aeronave, que precisou passar por reparos e ficou "inativa" por 10 meses. O projeto se completará quando o Solar retornar a Abu Dhabi.
O avião é movido à enegia "limpa" - ele tem 17 mil células solares, que são responsáveis por mantê-lo no ar abastecendo propulsores e carregando a bateria. A ideia é que o projeto chame a atenção do mundo para que sejam implementadas mais soluções tecnológicas sustentáveis.
Fonte: BBC
Foto: BBC

10/06/2016

Cientistas descobrem método promissor para armazenar CO2



Pela primeira vez, cientistas conseguiram injetar com sucesso dióxido de carbono (CO2) no solo de basalto vulcânico e solidificá-lo, oferecendo uma solução promissora para o armazenamento deste gás de efeito estufa vinculado ao aquecimento global, segundo um estudo publicado na quinta-feira (9) na revista americana Science.

Os cientistas conseguiram bombear emissões de carbono para dentro da terra e transformar o gás em sólido para armazenamento em alguns meses - radicalmente mais rápido do que as previsões anteriores, que sugeriram que o processo poderia demorar centenas ou inclusive milhares de anos para ser concluído.

O estudo é parte do projeto-piloto Carbfix lançado em 2012 na usina geotérmica de Hellisheidi, na Islândia.

Cientistas e engenheiros experimentaram combinar o CO2 e outros gases com água e canalizar a mistura para o subsolo.

O objetivo era desenvolver um método seguro para armazenar CO2, evitando que o gás escapasse para a atmosfera e contribuísse para o aquecimento global.

A usina de Hellisheidi, a maior instalação geotérmica do mundo, que fornece energia para a capital, Reykjavik, bombeia água vulcânica aquecida com energia geotérmica subterrânea para fazer as turbinas funcionarem.

O processo produz 40.000 toneladas de CO2 por ano. Embora corresponda a apenas 5% das emissões de uma usina a carvão do mesmo tamanho, a quantidade é significativa.

Por anos, pesquisadores sugeriram métodos de captura e armazenamento de gás carbônico como esse, mas houve dificuldades para desenvolver a tecnologia necessária.

Na natureza, o basalto em contato com o CO2 e a água produz uma reação química que resulta em um mineral calcário branco. Os cientistas não sabiam, no entanto, quanto tempo esta reação levaria. Estudos anteriores estimaram que a solidificação poderia demorar milênios.

O aproveitamento do basalto subterrâneo de Hellisheidi se revelou ótimo, com 95% do CO2 injetado solidificado em menos de dois anos.

"Isso significa que podemos bombear para o subsolo grandes quantidades de CO2 e armazená-lo de uma maneira muito segura em um curto período de tempo", disse o coautor do estudo Martin Stute, hidrologista no Observatório da Terra da Universidade de Columbia.

"No futuro, poderíamos pensar em usar isso para usinas nucleares em lugares onde há muito basalto - e há muitos lugares assim".

O basalto compõe a maior parte do relevo oceânico do mundo e cerca de 10% das rochas continentais, segundo os pesquisadores do estudo.

Um relatório de 2014 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas alertou que se não dominássemos a tecnologia de captura e armazenamento de gás carbônico, poderia ser impossível limitar adequadamente o aquecimento global.

A maioria dos experimentos anteriores não foram bem sucedidos porque injetaram CO2 puro em arenito (rocha sedimentar) ou aquíferos salinos, em vez de misturar o gás com água e armazená-lo no basalto.

O basalto, uma rocha porosa, é rico em cálcio, ferro e magnésio, minerais que são necessários para solidificar o carbono para o armazenamento, de acordo com os pesquisadores.


Fonte: AFP

08/06/2016

Arquitetos alemães querem produzir no Brasil fachada que filtra poluição do ar


Em busca de soluções para reduzir a poluição atmosférica, uma dupla de arquitetos de Berlim desenvolveu uma fachada inteligente que purifica o ar e criou um material de construção que ajuda a reduzir os níveis de gases do efeito estufa.

Ambas as tecnologias poderiam ajudar a solucionar problemas de muitas cidades brasileiras. Porém, uma tentativa de construir uma fachada antipoluição no Brasil já fracassou devido à burocracia.

Criada pelos arquitetos Allison Dring e Daniel Schwaag, a fachada Prosolve começou a ganhar destaque em 2008, quando seu protótipo foi exposto no pavilhão da Alemanha na Bienal de Arquitetura.

Em 2013, os arquitetos entregaram o primeiro grande projeto com esse sistema: uma fachada de 2,5 mil m² construída em frente a um hospital na Cidade do México. A ideia era melhorar a qualidade do ar em torno do local.

O sistema Prosolve contém um revestimento feito de uma nanoestrutura de dióxido de titânio. Ao ser ativado pela luz solar, esse revestimento funciona como um filtro, neutralizando óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis que entram em contato com sua superfície. O formato dos módulos auxilia na potencialização desse efeito.

Com o sucesso do projeto no México, apareceram interessados em levar a fachada para Brasil, segundo Schwaag. Para isso, porém, seria necessário importar os módulos produzidos na Alemanha, mas isso acabou se tornando um empecilho.

"Havia um grande interesse de construir uma fachada no Rio de Janeiro, mas, no decorrer das conversas, surgiu a dúvida se o material seria liberado pela alfândega e também quanto tempo duraria essa avaliação local, o que poderia gerar custos muito altos", diz o arquiteto. Assim, a tentativa não saiu do papel.

Schwaag acredita que a melhor maneira para levar essa tecnologia ao Brasil seria encontrar um parceiro local para produzir os módulos. "Dessa forma, também estaríamos contribuindo com a economia do país e criando empregos", ressalta.

Leia mais em BBC
Fonte: Clarissa Neher/BBC
Foto: Alejandro Cartagena

29/05/2016

Poli tem projeto de veículo urbano com 1,25 metros de largura e 500 quilos



Apesar de não ser a solução final para o problema do trânsito, mudanças no transporte individual motorizado são alternativas para minorar o problema. E como o número e a largura das ruas e avenidas não pode ser aumentado indefinidamente, diminuir o tamanho dos veículos é uma saída.

Com esta proposta, o engenheiro Anderson de Lima, doutorando da Escola Politécnica (Poli) da USP, desenvolveu o projeto estrutural em 3D de um carro elétrico, cujas dimensões e peso são menores do que qualquer veículo existente no mercado e que atende aos mais exigentes requisitos de segurança veicular.

Com apenas 1,25 metro de largura, 2,60 metro de comprimento e 1,65 metro de altura, o carro é tão compacto que, em uma rua padrão, ocuparia metade do espaço, ou até menos, em comparação a um veículo compacto pequeno. Daria, portanto, para dois deles transitar lado a lado num mesmo espaço que um carro comum. Seu peso também é reduzido, apenas 500 quilos, mas isso não implicou em perda de segurança.

“O projeto conseguiu atender os requisitos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas [ONU], algo que nem mesmo veículos vendidos no Brasil são obrigados a cumprir”, destaca o orientador da pesquisa, o professor Marcílio Alves, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Poli.

Segundo Lima, a pesquisa foi fortemente centrada nos estudos estruturais e biomecânicos. “Isso era necessário porque testes internacionais mostram que em uma colisão, a uma velocidade de 56 km/h, a segurança seria crítica em um veículo tão compacto”, explica. Como o carro foi projetado para viagens curtas (locomoção até o trabalho, para levar filhos à escola, fazer compras), Lima realizou simulações computacionais de impacto frontal, considerando a velocidade de 56 km/h.“Também foram analisadosos requisitos estruturais e biomecânicos de proteção dos ocupantes em caso de colisões laterais, traseiras e de capotamento”, acrescenta.

Metamodelos
A pesquisa foi baseada na metodologia de otimização usando metamodelos, o que possibilitou reduzir a quantidade de simulações numéricas computacionais, que levariam meses para serem feitas. Foram feitas otimizações no projeto para minimizar a massa e cumprir os requisitos estruturais e biomecânicos. Lima precisou projetar toda a estrutura do veículo, partindo apenas do design, feito por Marcus Brito, aluno da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP),com dimensões pré-estabelecidas. Com base nesse modelo inicial, ele fez simulações para verificar quais parâmetros contribuiriam para minimizar a deformação da estrutura e maximizar a absorção da energia decorrente de diferentes condições de colisão.

Este trabalho possibilitou, por exemplo, cumprir o requisito de compressão máxima no peito a ser sofrida pelos ocupantes do veículo, no caso de impacto frontal. Do contrário, as chances de lesões torácicas seriam grandes. Também foi otimizado, para o caso de colisão frontal, o sistema de retenção, composto pelos cintos de segurança e airbags frontais. “Nas simulações, foram trabalhados cenários diversos, como ter cintos com ou sem limitador de carga e equipados ou não com o pré-tensionador.”

No final, Lima, conseguiu cumprir os rigorosos requisitos de segurança veicular estabelecidos pelas Nações Unidas para os casos de impacto frontal, lateral e traseiro, e ainda assim manter o peso do veículo em 500 quilos, considerando as baterias. Em razão do peso, o veículo poderia ser considerado um quadriciclo,ou seja, não precisaria atender, necessariamente, os requisitos de segurança dos ocupantes. “Provamos que é possível ter um carro leve que atenda as mais abrangentes normas internacionais”, ressalta.

Com informações da Assessoria de imprensa da Poli
Foto: Divulgação POLI/USP

25/05/2016

Jovens cientistas desenvolvem prancha de stand up paddle à base de garrafas PET


A garrafa de PET (Polietileno Tereftalato) que antes era descartada no lixo se tornou artigo de luxo nas mãos dos cientistas juniores do Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias no Amazonas (Pró-Engenharias) e do Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Tecnologia da Informação (RH-TI). Eles desenvolveram pranchas de Stand Up Paddle (SUP) – apropriadas para a prática do esporte, a partir das garrafas do tipo PET encontradas nas ruas.
Os programas, que são desenvolvidos na Escola Estadual Senador Petrônio Portella, zona centro-oeste de Manaus, contam com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc).
Sessenta alunos de várias escolas da rede pública de ensino, divididos entre os programas RH-TI e Pró-Engenharias, participam do programa que tem por objetivo incentivar os alunos desde o ensino médio a seguir nas carreiras nas áreas de Tecnologia da Informação e Engenharias.
Os adeptos do esporte que se tornou febre na capital amazonense podem contar com uma prancha de SUP sustentável, produzida a partir de garrafas PET, canos e CDs.
No total, mil garrafas do tipo PET foram retiradas das ruas, lixeiras de mercados e comércios de Manaus e seis pranchas ecológicas foram desenvolvidas pelos alunos.
O experimento foi testado na sexta-feira (20), na Praia da Ponta Negra, zona oeste de Manaus. O estudante Julius de Araújo, 17, que participa do Pró-Engenharias, informou que para o recolhimento das garrafas PET os estudantes se organizaram em vários grupos. Com as garrafas já em mãos, segundo ele, foi necessário fazer a limpeza de cada uma.
“Queríamos um projeto que carregasse essa bandeira sustentável mais que, ao mesmo tempo, fosse algo regional, que trouxesse lazer para a população amazonense. Apesar de ter sido uma tarefa árdua, o resultado foi muito satisfatório”, disse o estudante.
O professor de Química e idealizador do projeto, Obenesio Aguiar, disse que o projeto de pesquisa trabalha a interdisciplinaridade integrando as disciplinas de Química, Física, Matemática, com preocupações referentes ao meio ambiente.
“Nós vimos uma problemática da cidade de Manaus, que é cortada por igarapés, cercadas por rios e lagos. O descarte irregular das garrafas PET é um problema. Os alunos, dentro do programa, visam resolver problemas de todas as áreas seja ambiental, social ou tecnológica. A solução deles foi essa, do lixo virar luxo e esporte”, disse o professor.
A coordenadora do Pró-Engenharias, Cristiane Cavalcante, disse que as áreas das Engenharias visam construir, pensar, planejar em cima de determinada situação e realizar uma ação.
“O projeto da prancha ecológica é um projeto interdisciplinar que se desenvolveu a partir de uma situação problema. Eles tiveram que pensar em estratégias não muito convencionais. O fato de pensar e resolver uma situação tem tudo a ver com a área das engenharias. O apoio da Fapeam é imprescindível para podermos desenvolver o programa”, disse.
Fonte: Esterffany Martins / Agência Fapeam
Foto: Érico Xavier / Agência Fapeam



16/05/2016

Arquiteto desenvolve estratégias para levar maior conforto ambiental a favelas


Sol intenso ou excesso de sombra. Muito frio ou muito calor. Vento forte ou sem ventilação: os moradores de favelas precisam, muitas vezes, conviver com extremos climáticos. Mas ao realizar uma pesquisa em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, o arquiteto Eduardo Pimentel Pizarro desenvolveu algumas estratégias que podem trazer maior conforto ambiental aos moradores.
“Quando baseada em estudos técnicos e ambientais, a forma de assentar tijolos e blocos traz mais ventilação ao ambiente e protege da incidência direta do sol, o que leva ao aumento da qualidade ambiental no espaço interno das residências. Para uma fachada oeste, por exemplo, o morador pode utilizar um determinado tipo de assentamento e um certo tipo de tijolo. Ao mesmo tempo, as fachadas das construções podem estimular uma série de atividades no espaço externo, como um banco retrátil, ou uma estante de compartilhamento de objetos pela comunidade “, explica Pizarro.
O arquiteto se baseou em materiais já utilizados pelos moradores, como tijolo maciço, bloco cerâmico vazado e blocos de concreto. Ele publicou, no jornal que circula na favela, um texto com “12 Passos” para os moradores aplicarem alguns desses conceitos na prática, mas uma ideia futura é produzir uma cartilha.
Vãos Livres
A outra estratégia é um pouco mais complexa, pois demandaria investimento no reforço das estruturas das construções e a gestão participativa dos moradores e do poder público. Pizarro explica que a grande maioria dos prédios tem 3 ou 4 andares. Cada pavimento, usos e acessos são independentes. “A proposta é criar vãos livres em alguns pavimentos para a passagem de ventilação, acesso ao sol e criação de espaços públicos. Seria preciso deslocar os moradores ou para o andar de cima ou para a construção ao lado e tirar todas as paredes daquele pavimento”, sugere.
Segundo Pizarro, essa estratégia é uma forma de trazer mais conforto ambiental à favela, mantendo a população no local e com o mesmo modo de vida. “Alguns estudos mostram que muitos moradores, ao se mudarem para prédios de projetos de urbanização, não se acostumam e acabam retornando”, justifica.
O arquiteto lembra que, em Paraisópolis, apesar de ter sido iniciado um processo de regularização fundiária, as pessoas não têm a posse formal da terra e sim o usufruto. “Podemos considerar esse fato como uma oportunidade para, diante de uma intervenção governamental, repensar a favela de forma participativa, envolvendo toda a população e o poder público para os benefícios serem coletivos.”
Essas são algumas das estratégias que o arquiteto desenvolveu em sua dissertação de mestrado, com método de pesquisa inédito no país, Interstícios e interfaces urbanos como oportunidades latentes: o caso da Favela de Paraisópolis, São Paulo. A pesquisa foi realizada na modalidade sanduíche na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e na Architectural Association Graduate School, em Londres (Inglaterra), sob orientação da professora Joana Carla Soares Gonçalves, e com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Interstícios urbanos
A pesquisa partiu do conceito de “interstícios urbanos”. A expressão vem do inglês “spaces in-between the buildings”: trata-se de tudo aquilo que está entre os edifícios e construções, como calçadas, ruas, praças, quintais, etc. O objetivo foi entender os espaços invisíveis de Paraisópolis e como esses interstícios podem ser articulados para constituir uma infraestrutura que traga benefícios ambientais, urbanos e sociais para a comunidade. O objetivo final da pesquisa era o de, efetivamente, oferecer respostas propositivas à melhoria da realidade de favelas consolidadas, como é o caso de Paraisópolis.
Entre 2013 e 2014, o arquiteto realizou visitas de campo, onde observou esses interstícios. Ele mediu temperatura, umidade e velocidade do vento em diversos pontos externos e em algumas casas (sala e quarto). Na etapa analítica, e com a ajuda de softwares, ele obteve algumas simulações do que poderia ser feito para diminuir a temperatura e trazer mais conforto ambiental.
Para o arquiteto é preciso olhar para a favela buscando lições que poderiam ser aplicadas na cidade como um todo, mas não de modo romântico, e sim como o início de uma forma de discussão de propostas. “É possível pensar em outras formas de intervenção que não sejam os predinhos de classe média, que se costuma fazer. Seria interessante algo mais sistêmico, que não reproduza os pontos negativos do restante da cidade”, finaliza Pizarro.
Prêmio
A proposta de Pizarro obteve a primeira colocação no LafargeHolcim Forum Student Poster Competition, evento realizado de 7 a 9 de abril em Detroit, nos Estados Unidos, pela LafargeHolcim Foundation, empresa da área de cimentos sediada na Suíça.
A favela de Paraisópolis tem cerca de 80 hectares e, segundo as lideranças locais, possui cerca de 100 mil habitantes.
Fonte: Valéria Dias/Jornal da USP
Foto: Eduardo Pimentel Pizarro

03/05/2016

Avião Solar Impulse retoma volta ao mundo


O avião ecológico Solar Impulse 2, uma aeronave alimentada exclusivamente com a energia procedente do Sol, retomou a viagem de volta ao mundo ao decolar, nesta segunda-feira (2), de San Francisco, na Califórnia, com destino a Phoenix, no Arizona, sudoeste dos Estados Unidos.
O Solar Impulse 2, pilotado pelo suíço André Borschberg e que havia pousado em San Francisco em 24 de abril procedente do Havaí, decolou às 5H00 locais (9H00 de Brasília) e deve completar o percurso até Phoenix, de pouco mais de 1.150 quilômetros, em 16 horas e 20 minutos.
Esta etapa é bem mais curta que a anterior, quando o outro piloto do avião, o também suíço Bertrand Piccard, voou durante 60 horas consecutivas, com direito apenas a pequenos cochilos de 20 minutos intermitentes.
A travessia do Pacífico, realizada em duas etapas, representou até o momento a parte mais perigosa da volta ao mundo do Solar Impulse 2, especialmente pela distância entre os locais de pouso em caso de problemas.
Depois de iniciar a missão em Abu Dhabi, o Solar Impulse 2 teve que fazer uma longa parada técnica, de quase 10 meses, no Havaí para reparar as baterias abaladas por um calor excessivo durante a primeira parte da travessia do Pacífico a partir do Japão.
Para alcançar Phoenix, André Borschberg voará sobre o deserto de Mojave.
Fonte: AFP
Foto: AP Photo/Noah Berger

24/04/2016

Avião Solar Impulse 2 retoma volta ao mundo sem usar combustível


O avião ecológico suíço Solar Impulse 2 retomou, nesta quinta-feira (21), sua volta ao mundo sem usar combustível, ao decolar do arquipélago americano do Havaí, no Pacífico, segundo imagens ao vivo oferecidas pela equipe através de sua página na internet.
A aeronave, pilotada pelo suíço Bertrand Piccard, tem previsão de aterrissar no sábado na cidade californiana de Mountain View, próxima a San Francisco, após 59 horas de voo e impulsionada por suas milhares de células fotovoltaicas que lhe permitem estar no ar tanto de dia como de noite.
"Estamos no ar!", comemorou o piloto, de 58 anos, momentos depois de decolar. "A decolagem é o momento mais excitante, e também o momento onde tudo pode acontecer".
A decolagem ocorreu às 06h15 (13h15 em Brasília), uma hora mais tarde que o previsto, no aeroporto de Kalaeloa, não muito distante de Honolulu, a capital.
Um dos meteorologistas da equipe, Luc Truellmans, contou que a decolagem ocorreu com o nascer-do-sol, "quando a velocidade do tempo cai".
A equipe tirou o avião uma primeira vez da pista, mas decidiu voltar a colocá-lo no hangar porque havia muito vento.

Quando as condições melhoraram, os técnicos voltaram a preparar a nave para a decolagem enquanto o dia raiava, enquanto o piloto aproveitava para tomar café da manhã, segundo as imagens de retransmissão.
"A cabine está fechada. Nos vemos em #SF (San Francisco)! Pensarei em vocês enquanto voo para promover um #futurolimpo", escreveu Piccard em sua conta do Twitter antes de partir.
O Solar Impulse 2 bateu o recorde de voo solitário em julho do ano passado, quando o veterano aviador suíço e cofundador do projeto, André Borschberg, de 63 anos, fez história percorrendo em cinco dias e cinco noites - 117 horas e 52 minutos - os 8.900 km que separam a cidade japonesa de Nagoya e o Havaí.
O avião teve que aterrissar contudo neste arquipélago porque as baterias esquentaram.
Desde o final de fevereiro até meados de abril, Borschberg e Betrand Piccard realizaram 13 voos de teste que confirmaram o bom funcionamento do sistema de resfriamento após meses de manutenção.

No dia 15 de abril, a equipe anunciou estar esperando condições meteorológicas adequadas para retomar a volta ao mundo.
Após alcançar a Califórnia, a etapa seguinte será cruzar o país e chegar a Nova York, onde é preparada a travessia para cruzar o Atlântico.
O avião, que mede 72 metros de extremidade a extremidade de suas asas e pesa 2,3 toneladas, partiu em 9 de março de 2015 de Abu Dhabi, onde terminará este experimento de 35 mil km ao redor do mundo sem consumir combustível.

Foto: AFP Photo/Eugene Tanner
Fonte: AFP

23/04/2016

Acordo do clima é assinado por 175 países, recorde da ONU


Nesta sexta-feira (22), na sede das Nações Unidas, em Nova York, 175 países assinaram o Acordo de Paris contra a mudança climática. Jamais tantos países tinham assinado uma convenção internacional deste tipo no primeiro dia em que o texto foi aberto para que as nações começassem a aderir.

Para que o acordo entre em vigor, é preciso agora que pelo menos 55 países, que somem no total 55% das emissões globais, completem o processo de ratificação. Entre eles, 15, em sua maioria pequenos países insulares, já o fizeram nesta sexta, e espera-se que ao longo deste ano muitas outras nações sigam o caminho. Na maioria dos casos, os países precisam que o texto seja aprovado por seus parlamentos.

Os dois maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, se comprometeram a cumprir esses processos neste ano e, no caso dos chineses, antes da cúpula do G-20 prevista para setembro.

A França, que liderou as negociações deste primeiro acordo global contra a mudança climática, espera que seu parlamento autorize a ratificação ainda neste ano, segundo o presidente François Hollande.
O chefe de Estado francês, que foi hoje o primeiro a assinar o documento, cobrou que os demais países da União Europeia (UE) deem o "exemplo" e cumpram as ratificações ao longo de 2016.

Os discursos dos líderes mundiais ressaltaram o sentimento de urgência de ação contra o aquecimento global. "Estamos em uma corrida contra o relógio", advertiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que reiterou que o "futuro" do mundo depende dos progressos rumo a uma economia baixa em emissões. "Estamos batendo recordes nesta reunião, e é uma boa notícia. Mas os recordes também estão sendo batidos fora", disse Ban ao se referir sobre as temperaturas globais e o degelo.

Já o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, selou o pacto em nome de seu país acompanhado de sua neta de 2 anos. As Nações Unidas também destacaram a importância do momento para o futuro do mundo e decidiu que, ao invés de um alto dirigente da organização, as primeiras palavras da sessão de assinatura fossem da jovem tanzaniana Gertrude Clément, que com apenas 16 anos se destacou por seu ativismo sobre o clima.

Os mais de 60 líderes e centenas de representantes nacionais reunidos no salão da Assembleia Geral ouviram também um forte discurso do ator Leonardo DiCaprio, que apoia a ONU como Mensageiro contra a mudança climática.

"O mundo está olhando. Os senhores serão aclamados ou vilipendiados pelas gerações futuras", alertou DiCaprio aos líderes mundiais, ressaltando que "o planeta não será salvo se não deixarmos os combustíveis fósseis debaixo da terra, onde pertencem".

O acordo é o primeiro pacto universal de luta contra a mudança climática de cumprimento obrigatório e determina que seus 195 países signatários ajam para que a temperatura média do planeta sofra uma elevação "muito abaixo de 2°C", mas "reunindo esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C".

Processo de adesão
A adoção do texto de Paris, que colocou fim a anos de complexas e trabalhosas negociações, "não quer dizer que as partes aderem automaticamente ao acordo", lembra Eliza Northrop, do World Resources Institute.

São necessárias duas etapas: a assinatura (aberta desta sexta-feira até abril de 2017) e a ratificação em função das regras nacionais (votação pelo parlamento, decreto, etc). Formalmente, para entrar em vigor, o acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Alguns países indicaram que depositarão os instrumentos de ratificação imediatamente depois da assinatura da convenção, no próprio dia 22 de abril, enquanto em muitas nações se requer a aprovação parlamentar.

"Uma entrada em vigor rápida", talvez em 2017 ou 2018, "permitiria enviar uma mensagem política", afirma Laurence Tubiana, negociadora francesa.

"Para aplicá-lo, os Estados devem agora organizar sua transição energética, que passa por uma reorientação dos investimentos", resume Celia Gautier, da ONG Réseau Action Climat (ONG).


Fonte: G1
Foto: Jewel Samad/AFP

14/04/2016

Uso de energia solar gera economia de R$ 20 mil em escola de Uberlândia




Há cerca de um ano a Escola Municipal Milton Magalhães, no Bairro Segismundo Pereira, em Uberlândia, passou a usar a energia solar. Graças às placas instaladas, em um projeto realizado em parceria com a ONG Greenpeace, a conta de luz diminuiu mais de 70%.
A instalação de 48 placas de energia fotovoltaica custou R$ 75 mil e foi financiada pela própria comunidade. De acordo com Bárbara Rubim,coordenadora de energias renováveis do Greenpeace, com o projeto, a escola será beneficiada com a economia. “A gente fez um acordo com a Prefeitura de que toda economia gerada pelo sistema vai retornar para a escola. A comunidade, junto com a diretoria da escola, vai decidir como esse dinheiro vai ser investido”, explica.
Ainda segundo Bárbara, um dos motivos que definiram a escolha da escola foram os 42 metros de telhado, além da abertura da instituição a possibilidades pedagógicas.

Segundo a diretora, Isabel Carrijo, em abril de 2015, quando o projeto foi instalado, o consumo caiu de 2.514KWh para 402 KWh na conta de fevereiro deste ano. Ao longo de um ano, a escola teve uma economia de cerca de R$ 20 mil.O recurso economizado começou a fazer parte do Caixa Escolar e vem sendo usado em ações da comunidade.
Ainda conforme Isabel, duas alterações, uma na rotina dos alunos e outra na estrutura da escola também foram realizadas. Eles foram, respectivamente, a conscientização dos alunos e a instalação de um grande painel para captação de energia solar.
Além disso, as professoras da instituição receberam um treinamento sobre sustentabilidade e economia de energia elétrica e adaptaram as aulas para envolver o tema com as crianças. “A gente percebe que há uma conscientização das crianças e eles como multiplicadores nos seus lares”, comenta Isabel.
A partir de agora, os técnicos do Greenpeace vão, juntamente com educadores da Prefeitura de Uberlândia, dar o apoio técnico para poder encontrar outras demandas escolares e ajudar na elaboração de mais projetos pedagógicos.

Fonte: G1 Triângulo Mineiro
Foto: MGTV/Reprodução

12/04/2016

Pesquisadores da UFU buscam converter energia solar em combustível


Diariamente, o sol disponibiliza uma grande quantidade de energia luminosa que, se eficientemente armazenada, pode suprir a demanda energética da sociedade de forma sustentável e ecológica. Para que isso seja possível, o projeto Desenvolvimento e caracterização fotoeletroquímica de dispositivos moleculares para conversão de energia solar, coordenado pelo professor Antonio Otavio de Toledo Patrocínio, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), tem buscado novos materiais que possam, de forma limpa e sustentável, converter a energia solar em outras formas como eletricidade e combustíveis. Contribuindo, assim, para a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis e o acúmulo de poluentes atmosféricos como o dióxido de carbono (CO2), causador do efeito estufa.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), os pesquisadores usam conceitos de nanotecnologia e engenharia molecular para prepararem esses materiais. “Dispositivos para transformar a energia solar em eletricidade já estão disponíveis comercialmente, mas a eletricidade gerada precisa ser usada imediatamente. Do contrário, é necessário o uso de baterias para armazenar energia, o que diminui a eficiência global do processo e aumenta os custos.”, aponta Antonio.

As plantas convertem diariamente água e luz solar em fonte de energia há milhares de anos, por meio da fotossíntese. Diante disso, os pesquisadores buscam, por meio de fotossíntese artificial desenvolver dispositivos relativamente simples que sejam capazes de converter a luz solar em espécies químicas com alto conteúdo energético. Estas espécies são, por exemplo, aquelas que queimamos no organismo para produzir energia, pois todos precisam queimar combustíveis orgânicos, como a glicose, para  produzir energia. Assim, o CO2 é convertido em glicose, que é considerada a espécie de alto conteúdo energético. "Na fotossíntese artificial, buscamos os combustíveis limpos, como o hidrogênio,  ou tentamos utilizar os resíduos gerados da queima dos combustíveis fosseis como matéria-prima, no caso o CO2", explica o pesquisador.

A proposta da fotossíntese artificial é usar a energia solar e armazená-la em forma de energia química, como a natureza faz. Sendo possível usá-la para converter substâncias abundantes na natureza como a água e o dióxido de carbono em hidrogênio, oxigênio, metano e outros compostos. Um dos resultados aguardados é comentado por Antônio. “Em especial, espera-se desenvolver uma célula fotoeletroquímica capaz de absorver a luz solar e armazenar a energia luminosa na forma de ligações químicas, ou seja, combustíveis, que podem ser facilmente armazenados e utilizados em diversas aplicações”, afirma Antônio.
Um dos desafios da fase atual da pesquisa é o desenvolvimento de compostos que possam funcionar de catalisadores para as reações de fotossíntese artificial. As pesquisas na área estão sendo desenvolvidas mundialmente. Antônio afirma que a ideia é que isso aconteça a longo prazo, em torno de dez anos, pois os pesquisadores ainda estão na etapa de entender o mecanismo de conversão e as principais características que os materiais a serem utilizados devem possuir para se garantir eficiência e estabilidade. “Não existe uma solução comercial ainda, contudo tem-se o costume de dizer que a fotossíntese artificial é o Santo Graal da utilização da energia solar. Uma vez que você reproduzida em larga escala, a fotossíntese artificial provocará grandes mudanças na matriz energética global”, diz o pesquisador.
Fonte: Roberta Nunes/FAPEMIG
Imagem: Freepik

10/04/2016

Mudança climática pode estar movendo o Polo Norte para o Reino Unido




A mudança do clima está provocando o deslocamento do Polo Norte em direção ao Reino Unido, devido a alterações na rotação da Terra, que resultam do derretimento de geleiras. 

Por volta do ano 2000, o pólo de rotação do Norte começou a migrar para o leste em um ritmo vigoroso. Agora, os cientistas do Jet Propulsion Laboratory podem ter descoberto o que está acontecendo.

O eixo de rotação de qualquer planeta, incluindo a Terra, está em constante fluxo. Isso porque planetas não são esferas perfeitas, cuja massa está sempre em movimento.

Os cientistas monitoram medidas do eixo de rotação da Terra desde 1899. Antes do século 21, o pólo vagou em direção a Hudson Bay, Canadá, movendo-se a uma taxa de cerca de sete centímetros por ano. Acredita-se que esta migração a longo prazo estar relacionado com a perda da camada de gelo, que cobriu Canadá e grande parte do norte dos Estados Unidos durante a última era do gelo.

Por volta da virada do século, o eixo de rotação da Terra traçou um novo rumo em direção ao leste e ele está se movendo duas vezes mais rápido do que antes.

Os grandes volumes de água subterrânea através de bombeamento e somado a isso as mudanças climáticas fazem com que um lugar fique mais seco e outros mais úmidos. Tomadas em conjunto, essas mudanças estão causando a mudança do eixo com rapidez.


Referências:
Maddie Pedra/Gizmodo
José Eduardo Mendonça/Planeta Sustentável
Newslook.com

09/04/2016

Estudo investiga como o excesso de carbono afeta os oceanos


A queima de combustíveis fósseis tem consequências que vão além do aumento do efeito estufa. Se o excesso de CO2 permanece em parte na atmosfera, elevando as temperaturas no planeta, outra parte é absorvida pelos oceanos. Em contato com a água, ele reage e forma ácido carbônico, o que, por sua vez, provoca uma série de novas reações químicas, reduzindo o pH natural da água. Embora essas alterações não sejam homogêneas, variando de um ponto a outro no oceano, as consequências são mais ou menos as mesmas: pouco a pouco, essa alteração no pH das águas marinhas as torna mais ácidas. É a chamada acidificação dos oceanos.

São efeitos que vêm sendo estudados desde 2012 pela equipe de Oceanografia Química da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), integrante do BrOA, grupo de pesquisa multidisciplinar que reúne diversas instituições brasileiras. “Procuramos compreender como a concentração das formas de carbono inorgânico dissolvido impacta os diversos ecossistemas marinhos brasileiros, e assim entender melhor os processos biogeoquímicos e a influência antropogênica nas trocas de CO2 entre o mar e a atmosfera nos ambientes costeiros fluminenses”, explica Letícia Cotrim da Cunha, oceanógrafa e professora da universidade, cujo projeto contou com recursos do Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1). Em maio, será a vez da equipe da Uerj receber um grupo de pesquisadores alemães do Instituto Helmoltz de Pesquisa Marinha – Geomar, instituição de referência em química do mar, sediado na cidade de Kiel, na Alemanha.

“Caso as emissões de CO2 fossem paralisadas hoje, ainda assim seriam necessários cerca de 10 mil anos para tudo se recuperar, ou seja, para voltarmos às condições pré-Revolução Industrial. Mas o que tem acontecido, ao contrário, é que as emissões, ano a ano, vêm tendo aumentos pequenos mas constantes”, alerta a pesquisadora. As consequências para a vida marinha são óbvias. “Se o pH da água é reduzido, certos organismos, com estruturas constituídas à base de carbonato de cálcio, como algas calcárias, corais e animais com conchas, como os bivalves, são os primeiros prejudicados: crescem menos e mais lentamente, podem apresentar dificuldade na reprodução  e, em casos mais acentuados, sofrer dissolução de parte de sua estrutura calcária”, explica. O que também quer dizer que o cultivo comercial de mariscos, ostras e mexilhões é diretamente prejudicado, uma vez que, em águas acidificadas, esses organismos não se desenvolvem o suficiente para chegar à fase adulta. Quanto mais a situação se acentua, mais a vida marinha sofre prejuízos.

“No BrOA, alguns grupos procuram criar, em laboratório, diferentes cenários ambientais. Tanto fazemos bioensaios com o cultivo de organismos em diferentes ambientes, como traçamos, com modelagem matemática, diferentes cenários para entender como determinada região reagirá diante de determinadas mudanças. Também procuramos acompanhar, por observação, como essas mudanças estão acontecendo”, diz Letícia.

Ela explica ainda que ao longo dos milhões de anos de existência da Terra, houve situações anteriores de CO2 elevado, como os pesquisadores puderam constatar em testemunhos de gelo de 800 mil anos, colhidos na Antártica. “A diferença é que, se fizermos um gráfico daquela época até hoje, veremos que essas alterações, que foram pequenas e lentas ao longo de milênios, sofreram uma elevação abrupta e sistemática depois da Revolução Industrial”, compara.

No Brasil, as regiões mais sensíveis à acidificação são a plataforma continental desde a região de Abrolhos, no sul da Bahia, até o norte do estado do Rio de Janeiro, cujo fundo é dominado por recifes de corais e algas coralinas  – os rodolitos, que têm estrutura de carbonato de cálcio – e todos os organismos que vivem ao redor. Da mesma forma, as áreas costeiras de estuários – aquelas onde os rios desembocam no mar –, que em geral são regiões densamente povoadas, recebem um grande volume de material orgânico, vindo de esgoto não tratado, como acontece em um grande número de cidades brasileiras. A degradação desse material igualmente acelera a produção de CO2 in situ, o que pode agravar a acidificação.

“As mudanças de uso do solo, como o revolvimento da terra para áreas extensas de plantio, o desmatamento e a principalmente a queima de combustíveis fósseis, tudo isso aumenta de forma acelerada a emissão de CO2 para a atmosfera”, alerta Letícia. Ela explica que foi somente a partir dos anos 1990 que a comunidade científica realmente voltou os olhos para esse processo e suas consequências. “Como ainda não há políticas nacionais de financiamento para estudos sobre esse tema, as pesquisas ficam muito dificultadas”, diz a pesquisadora. “Em outros países, como o Chile, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e África do Sul, há programas e políticas nacionais para entender e propor adaptações ou soluções mitigadoras para a acidificação”, acrescenta.

Saídas para esse impasse existem. Para começar, seria preciso intensificar o uso de energias limpas, como a eólica e a solar, em substituição aos combustíveis fósseis. “Quanto menos energia se gasta, menos emissões se produz. Até mesmo o cidadão comum pode, e deve, colaborar. Banhos rápidos, racionalização do uso dos aparelhos de energia elétrica, e, claro, opção pelos transportes coletivos são medidas simples, mas que certamente produzirão um bom resultado se adotadas por um grande contingente de usuários conscientes. Paralelamente, seriam necessárias políticas públicas que reduzissem a produção de CO2, sobretudo na atividade industrial. Só assim, daríamos os primeiros passos para enfrentar toda essa situação”, conclui.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser encontradas no artigo The Western South Atlantic Ocean in a High-CO2 World: Current Measurement Capabilities and Perspectives, assinado pelos pesquisadores Kerr, R., da Cunha, L. C., Kikuchi, R. K. P., Horta, P. A., e outros, que pode ser encontrado em: http://repositorio.furg.br/handle/1/5826

Fonte: FAPERJ
Foto: Divulgação