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25/05/2016

Jovens cientistas desenvolvem prancha de stand up paddle à base de garrafas PET


A garrafa de PET (Polietileno Tereftalato) que antes era descartada no lixo se tornou artigo de luxo nas mãos dos cientistas juniores do Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias no Amazonas (Pró-Engenharias) e do Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Tecnologia da Informação (RH-TI). Eles desenvolveram pranchas de Stand Up Paddle (SUP) – apropriadas para a prática do esporte, a partir das garrafas do tipo PET encontradas nas ruas.
Os programas, que são desenvolvidos na Escola Estadual Senador Petrônio Portella, zona centro-oeste de Manaus, contam com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc).
Sessenta alunos de várias escolas da rede pública de ensino, divididos entre os programas RH-TI e Pró-Engenharias, participam do programa que tem por objetivo incentivar os alunos desde o ensino médio a seguir nas carreiras nas áreas de Tecnologia da Informação e Engenharias.
Os adeptos do esporte que se tornou febre na capital amazonense podem contar com uma prancha de SUP sustentável, produzida a partir de garrafas PET, canos e CDs.
No total, mil garrafas do tipo PET foram retiradas das ruas, lixeiras de mercados e comércios de Manaus e seis pranchas ecológicas foram desenvolvidas pelos alunos.
O experimento foi testado na sexta-feira (20), na Praia da Ponta Negra, zona oeste de Manaus. O estudante Julius de Araújo, 17, que participa do Pró-Engenharias, informou que para o recolhimento das garrafas PET os estudantes se organizaram em vários grupos. Com as garrafas já em mãos, segundo ele, foi necessário fazer a limpeza de cada uma.
“Queríamos um projeto que carregasse essa bandeira sustentável mais que, ao mesmo tempo, fosse algo regional, que trouxesse lazer para a população amazonense. Apesar de ter sido uma tarefa árdua, o resultado foi muito satisfatório”, disse o estudante.
O professor de Química e idealizador do projeto, Obenesio Aguiar, disse que o projeto de pesquisa trabalha a interdisciplinaridade integrando as disciplinas de Química, Física, Matemática, com preocupações referentes ao meio ambiente.
“Nós vimos uma problemática da cidade de Manaus, que é cortada por igarapés, cercadas por rios e lagos. O descarte irregular das garrafas PET é um problema. Os alunos, dentro do programa, visam resolver problemas de todas as áreas seja ambiental, social ou tecnológica. A solução deles foi essa, do lixo virar luxo e esporte”, disse o professor.
A coordenadora do Pró-Engenharias, Cristiane Cavalcante, disse que as áreas das Engenharias visam construir, pensar, planejar em cima de determinada situação e realizar uma ação.
“O projeto da prancha ecológica é um projeto interdisciplinar que se desenvolveu a partir de uma situação problema. Eles tiveram que pensar em estratégias não muito convencionais. O fato de pensar e resolver uma situação tem tudo a ver com a área das engenharias. O apoio da Fapeam é imprescindível para podermos desenvolver o programa”, disse.
Fonte: Esterffany Martins / Agência Fapeam
Foto: Érico Xavier / Agência Fapeam



30/01/2016

Projeto permite descarte adequado a 17 mil eletroeletrônicos


Projeto realizado numa parceria entre o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP e o Instituto GEA Ética e Meio Ambiente possibilitou que mais de 17 mil eletroeletrônicos (computadores e impressoras, entre outros) descartados e inservíveis da Caixa Econômica Federal tivessem uma destinação final adequada. A iniciativa, que recebeu o nome de Descarte Legal, é uma das repercussões do Projeto Eco-Eletro, em que catadores ligados a cooperativas de material reciclável receberam treinamento de especialistas da USP para desmontar e separar as peças de eletroeletrônicos de forma segura e rentável.

De acordo com a professora Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do LASSU, a iniciativa da Caixa prova que é possível incluir catadores treinados na desmontagem segura de eletroeletrônicos. “Ainda há muita resistência dos produtores e de outros setores da sociedade em incluí-los na logística reversa. Um dos questionamentos é quanto à qualidade da desmontagem. Porém, o sucesso deste projeto mostra o oposto”, observa a coordenadora do LASSU.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305, logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. A PNRS destaca o papel dos catadores e das cooperativas nesse processo.

Separar as peças dos eletroeletrônicos para vendê-las é mais rentável que a venda do equipamento bruto, como sucata. Mas a desmontagem precisa ser feita de forma segura, pois alguns componentes podem poluir as pessoas e o meio ambiente. Vale lembrar que eletroeletrônicos levam, em sua composição, elementos tóxicos, como chumbo, mercúrio e cádmio. Já outros componentes podem ser reaproveitados pela indústria, como plástico e metais. Por isso, é necessário treinamento.

Os eletroeletrônicos da Caixa foram entregues a cooperativas de São Paulo, Brasília e Salvador, tendo sido treinadas duas em cada cidade. Recife foi incluída posteriormente. Após o tratamento, as peças foram vendidas e o dinheiro obtido (cerca de R$ 200 mil) foi dividido entre os 76 cooperados.
O projeto foi realizado entre julho de 2013 e junho de 2015 e possibilitou que voltassem para a cadeia produtiva cerca de 4,67 toneladas de alumínio; 1,57 toneladas de chumbo; 59,31 toneladas de ferro; 11,66 toneladas de placas eletrônicas, e 54,43 toneladas de plástico, fechando assim o ciclo de reciclagem. O resultado foi tão positivo que a Caixa decidiu renovar o contrato para o período 2016 e 2017, e ampliar o projeto para todo o Brasil.

Além de liberar os depósitos de eletroeletrônicos inservíveis, economizando cerca de R$60 mil mensais com alugueis, o banco se adiantou à regulamentação da PNRS e recebeu laudo emitido por indústrias recicladoras certificadas, como a Umicore, atestando a destinação final correta dos equipamentos. Sediada na Bélgica, a indústria é referência mundial na extração de metais em materiais como eletroeletrônicos.

Inclusão social
A gerente executiva da Gerência Nacional de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental da Caixa, Laura Ferreira Macedo, destaca a importância das instituições contribuírem e trabalharem com as cooperativas aptas a realizarem o tratamento adequado de resíduos eletroeletrônicos. “Essa área tem atraído cada vez mais o interesse do empresariado. Apesar de terem sido os catadores que lançaram a questão da reciclagem no Brasil, eles poderão ser passados para trás neste processo”, alerta.

Para ela, a fragilidade está no fato de o catador não ter a mesma estrutura, nem tanto domínio do processo quanto os empresários. “O empresariado pode sim atuar no setor. Mas é muito importante pensar em inclusão social e criar mecanismos para que os catadores também participem disso e que as oportunidades sejam para todos.”

Ampliação
Em cada cidade houve a participação de uma Universidade local: a USP, em São Paulo; a Universidade de Brasília, na capital federal, a Fundação Joaquim Nabuco e o ITEP, em Recife e a Universa – Universidade Salgado de Oliveira, em Salvador. “Isso fez toda a diferença, pois ajudou a aumentar a autoestima dos catadores. O fato de estarem frequentando os bancos escolares de uma universidade os deixava muito felizes”, comenta Ana Maria Domingues Luz, do Instituto GEA.

Na nova etapa do projeto, além das quatro cidades, foram incluídas Belém, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Mas o foco não se restringirá a equipamentos eletroeletrônicos: os catadores irão trabalhar com mesas, cadeiras, mobiliários e geladeiras.
“Tem estopa, tecido, madeira, parafusos, plástico. Como esses materiais podem voltar para a indústria de reciclagem?”, questiona Laura. “Por isso, este projeto tem um caráter inovador, porque precisaremos desenvolver, junto com essas universidades, todo um conhecimento para criar soluções para essas e outras demandas”, finaliza.

O projeto conta recursos do Fundo Socioambiental da Caixa, que é constituído com 2% do lucro anual do banco e aplicado em projetos na área socioambiental.

Mais informações: email terezacarvalho@usp.br, com a professora Tereza Cristina Carvalho; contato@institutogea.org.br, no Instituto GEA ou imprensa@caixa.gov.br, na assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal

Por Valéria Dias/Agência USP
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