Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

06/07/2016

Combater desmatamento é insuficiente para conservar a biodiversidade da Amazônia



Esforços internacionais visando à conservação de espécies das florestas tropicais irão falhar se não levarem em consideração o controle da exploração madeireira ilegal, de incêndios florestais e da fragmentação de áreas remanescentes. Esta é a conclusão de um estudo inovador, que acaba de ser publicado na Nature, a principal revista científica internacional.

O estudo Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss (Perturbação antropogênica pode ser tão importante quanto o desmatamento na condução de perda de biodiversidade tropical) mediu o impacto geral das perturbações florestais mais comuns – o que inclui exploração madeireira, incêndios e fragmentação de florestas remanescentes – em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontradas na Amazônia paraense.

Pela primeira vez, pesquisadores de 18 instituições internacionais, dentre as quais 11 brasileiras, foram capazes de comparar a perda de espécies causada por perturbações humanas com aquelas resultantes da perda de hábitat pelo desmatamento.

E o resultado desafia a atual concepção das estratégias de conservação, na qual prevalece o foco no combate ao desflorestamento: os cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, os efeitos das perturbações causadas por atividades humanas resultam em perda de biodiversidade tão ostensiva quanto a causada pelo desmatamento.

Uma das principais pesquisadoras do projeto, Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, diz: “Conseguimos oferecer evidências convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica precisam considerar as perturbações florestais e o desmatamento. Sem ações urgentes, a expansão da exploração ilegal de madeira e a ocorrência cada vez maior de incêndios causados pelo homem irão resultar em áreas de florestas tropicais cada vez mais degradadas, conservando apenas uma pequena fração da exuberante diversidade que já abrigaram.”

Quando analisado em conjunto, o efeito das atividades humanas resultantes em perturbações florestais no Pará é equivalente a uma perda adicional de mais de 139.000 quilômetros quadrados (km2) de floresta pristina (sem intervenção humana) e correspondente a todo o desmatamento no Estado desde 1988, ano que inaugurou o monitoramento oficial.

O pesquisador sênior do projeto, Toby Gardner, do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), destaca: “As florestas tropicais são um dos mais valiosos tesouros biológicos do planeta. Ao focar exclusivamente as extensões de floresta remanescentes, sem levar em conta o estado de saúde dessas áreas, as atuais iniciativas de conservação estão colocando em perigo tal riqueza”.

Leia mais em Jornal da USP
Foto: Wikimedia Commons

09/05/2016

Desmatamento da Amazônia Legal aumenta 190% em MT, diz Imazon




Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostram que o desmatamento na área da Amazônia Legal em Mato Grosso aumentou 190% nos meses de fevereiro e março de 2016 em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram derrubados 172 km² neste ano, enquanto em 2015 foram 60 km².
Conforme os dados, os municípios que mais desmataram em Mato Grosso nos meses de fevereiro e março foram Marcelândia (27,9 km²) e Feliz Natal (26 km²). Outros oito municípios do estão estão na lista dos que mais desmataram, sendo eles Nova Maringá (13 km²), Juína (12.2 km²), Santa Carmem (10.5 km²), Aripuanã, (8.6km²) Diamantino (7.6 km²) e Juara (7.4 km²).

Nesse período, Mato Grosso foi o responsável por 81% do desmatamento registrado na Amazônia. Rondônia ficou em segundo lugar, com 9%. Porém, na comparação dos períodos de agosto de 2015 a março de 2016, e agosto de 2014 a março de 2015, o estado teve queda de 7% na área desmatada, passando de 639 km² para 595 km².
De acordo com o SAD, em março deste ano, 61% da área florestal da Amazônia Legal estavam cobertos por nuvens, sendo que os estados com mais cobertura o Amapá (91%), o Pará (77%) e o Amazonas (63%).

Assentamentos
Foram registrados em toda a Amazônia Legal 25 quilômetros quadrados de desmatamento em assentamentos de reforma agrária em fevereiro e março. Dos três mais afetados da área, estão dois de Mato Grosso, sendo o PE Vida Nova, em Jangada, e PA Japuranoman, em Nova Bandeirantes.
Ainda conforme os números, não foi detectado desmatamento em Unidades de Conservação e Terra Indígenas nos meses de fevereiro e março.

Medidas
Em reunião na Conferência Mundial do Clima, realizada em dezembro de 2015 em Paris, o governo de Mato Grosso anunciou que pretende acabar com desmatamento no estado até 2020. No final de março, foi publicado o decreto nº 468, que instituiu o Comitê Estadual da Estratégia PCI, que será responsável por implantar e acompanhar o cumprimento das metas.
A primeira reunião do Comitê deverá ocorrer ainda nesta quinta-feira (05), às 14h30, no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.

Fonte: G1
Foto: Reprodução/Imazon

27/02/2016

Estudo contribuirá com diminuição do desmatamento no Amazonas

Segundo projeto de pesquisa, integração de plantas de pastagens e mudas de pau rosa em uma mesma área pode diminuir abertura de novos campos par melhorar áreas de pastagens degradadas

O pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Emanuel Orestes da Silveira, está desenvolvendo um estudo com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para integrar espécies de plantas de pastagens junto às mudas de pau rosa para contribuir com a diminuição do desmatamento na região amazônica. O estudo que deve ser concluído em 2018 beneficiará, ainda, os produtores rurais com o incremento da exploração silvícola e a produção animal.

Segundo o pesquisador, o estudo pretende avaliar a produtividade de plantas de pastagens estabelecidas nas entre linhas das mudas de pau rosa, disponibilizadas em diferentes espaçamentos. A ideia é encontrar alternativas que resultem um sistema mais sustentável e que melhore a renda produtores locais.

“O foco deste trabalho é integrar em uma mesma área espécies de plantas de pastagens melhoradas juntamente ao sistema arbóreo para que se incremente em uma mesma área a  exploração silvícola e a produção animal, mitigando desta forma a abertura de novas áreas para as pastagens no Amazonas. A iniciativa deve melhorar as áreas de pastagens degradadas e dará uma alternativa a mais de renda ao produtor ao se estabelecer uma espécie arbórea nativa da região em um sistema mais sustentável”, disse Silveira.

Desenvolvimento
O estudo é desenvolvido em dois ambientes. A parte de campo está sendo estabelecida em duas pequenas propriedades rurais do Médio Amazonas. Segundo o pesquisador, a ideia é demonstrar a viabilidade do estudo ao pequeno produtor. Já a parte da extração da essência será realizada nas instalações da Ufam, em Manaus.

“Ao incrementar a renda do produtor através da diversificação da produção, estaremos minimizando as perdas de solo através de erosão, diminuindo os custos de abertura de novas áreas para as pastagens e aumentando a produção animal individual e por área através do aumento da disponibilidade de forragem”, disse Emanuel.

De acordo com o pesquisador, apesar dos processos serem conhecidos, atualmente eles não são aplicados, de maneira prática, junto aos produtores.

“A partir do momento que se vislumbrar a real importância destes processos o Estado receberá o benefício de uma produção agrossilvipastoril sustentável, caracterizando desta forma o Amazonas com a sua vocação florestal e mostrando à sociedade que existe um caminho que pode ser trilhado”, disse o pesquisador.

 Fonte: Francisco Santos / Agência Fapeam  Imagem: Freepik

07/02/2016

Recorde de queimadas na Amazônia causa perda de biodiversidade


O mês passado terminou como o janeiro com o maior número de focos de incêndio no Brasil desde 1999, início da série histórica do serviço de monitoramento por satélite do Inpe

Agravadas pelo violento El Niño iniciado em 2015 e ainda ativo, as queimadas castigam a Amazônia. O mês passado terminou como o janeiro com o maior número de focos de incêndio no Brasil desde 1999, início da série histórica do serviço de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 5.361 contra 4.637 em janeiro de 2015, até então o maior número. A maioria deles, na Amazônia. A seca trazida pelo El Niño agrava os incêndios causados pelo homem. E as perdas para a biodiversidade, alertam cientistas, são muito maiores do que parecem à vista. Mesmo que o verde volte, a riqueza biológica pode não se recuperar em muitas áreas.

Janeiro costuma ser mais chuvoso na Amazônia. Mas este ano ainda há considerável número de focos ativos de incêndio, cerca de 97% deles na Amazônia. A causa provável é o El Niño. A ecóloga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, ambas no Reino Unido, afirma que as perdas de biodiversidade de 2015 e início de 2016 podem custar anos — talvez mesmo séculos — para serem sanadas.

“O que reaparece depois do fogo não se parece em nada com a floresta amazônica original. A mudança é brutal e evidente. Por isso estamos tão preocupados”, disse Erika, que integra a Rede Amazônia de pesquisa e o projeto Ecofor, uma parceria entre o Brasil e o Reino Unido.

Gigantes feridas
Erika estuda a Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, dentro de uma área que ainda permanece sob risco elevado de fogo, de acordo com o serviço de Monitoramento de Queimadas e Incêndios do Inpe.

“Choveu muito pouco desde setembro. As chuvas deveriam ter começado a se intensificar em dezembro, e não foi isso o que aconteceu”, disse a ecóloga.

Após os incêndios, o verde não demora muito para voltar. Mas isso não é atestado de saúde da floresta.

“Ter verde não quer dizer muita coisa. O que surge é um emaranhado quase intransponível de cipós, vegetação rasteira e árvores menos nobres, que chamamos de pioneiras, pois têm crescimento rápido. Uma bem comum é a embaúba. Essa espécie não costuma ocorrer em áreas preservadas, mas em florestas que já sofreram com a influência da extração de madeira e do fogo, sua ocorrência aumenta em até 37.000%! Não é incomum ver florestas queimadas tornarem-se praticamente um embaubal. E isso não garante a diversidade. Muda a composição da floresta”, disse.

As árvores gigantes que sustentam todo um ecossistema morrem. A paisagem se transforma. Caripés, breus e andirobas são particularmente vulneráveis.

“Algumas árvores gigantes são profundamente atingidas pelo fogo. São como pessoas com feridas graves. Elas podem agonizar por dois ou três anos até morrer. Em três anos, uma floresta pode ter uma perda de 50% de carbono”, disse Erika.

O impacto na flora de reflete na fauna. Embora muitos animais fujam do fogo, não têm para onde voltar. Além disso, alguns, mesmo as aves, não conseguem escapar. A pesquisadora Nárgila Moura, da Pós-Graduação de Zoologia da Universidade Federal do Pará e do Museu Paraense Emílio Goeldi, estuda como o fogo muda a fauna de aves.

“As queimadas têm efeitos negativos principalmente nas espécies do chamado sub-bosque, mais sedentárias. Além disso, as florestas queimadas têm espécies diferentes. Essa mudança na comunidade está diretamente associada à morte das árvores. Esta causa mais abertura nas copas, altera o microclima e impede a permanência de algumas aves. Tudo gera um ciclo vicioso, que piora com a recorrência do fogo e da extração madeireira”, explicou Nárgila.

Fonte: O Globo/Agência Fapeam

29/01/2016

Brasil registra mais de 300 espécies da flora por ano, mas Amazônia ainda é desconhecida


São quase 600 cientistas brasileiros e estrangeiros trabalhando em rede para atualizar os dados com novas descobertas de espécies ou mudança de nomes de plantas.

O Brasil tem, atualmente, 46.097 espécies de plantas, fungos e algas conhecidos. De acordo com a atualização da Lista de Espécies da Flora do Brasil, publicada em dezembro do ano passado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o País registra, em média, 334 novas espécies da flora a cada ano.

“A atualização é constante, diária porque, como é online, os cientistas entram e atualizam os dados e, automaticamente, disponibilizam para o público”, disse a botânica e pesquisadora Rafaela Campostrini Forzza, coordenadora da Lista de Espécies da Flora do Brasil.

São quase 600 cientistas brasileiros e estrangeiros trabalhando em rede para atualizar os dados com novas descobertas de espécies ou mudança de nomes de plantas. As orquídeas são a família de plantas com maior número de espécies, distribuídas por quatro dos seis biomas brasileiros. “Dependendo do bioma, uma família ganha da outra devido às características de cada família de planta”, explicou a coordenadora.

Lista virtual
A primeira edição online da Lista de Espécies da Flora do Brasil foi publicada em 2010, como meta da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário. Em 2015, a lista foi atualizada.

A lista serve para consulta de pesquisadores, que analisam os dados e contribuem com artigo ou livro sobre o tema. Foram convidados especialistas em diferentes famílias de plantas para integrarem o grupo de cientistas responsável por atualizar a lista da flora brasileira, sob a coordenação do Jardim Botânico. “Na verdade, é um grande trabalho de equipe. Jamais uma instituição sozinha conseguiria fazer isso”, disse.

A lista é a base do projeto Flora do Brasil Online (FBO 2020) que integra o World Flora Online (WFO ou Flora do Mundo Online, em tradução livre), publicação virtual que reunirá informações sobre todas as plantas conhecidas do mundo até 2020.

Segundo Rafaela Forzza, os pesquisadores esperam terminar em 2019 as contribuições à lista, e fazer os ajustes finais de editoração no ano seguinte. O trabalho será lançado simultaneamente em todos os jardins botânicos do mundo que participam da rede.

Amazônia
Até o momento, o Brasil aparece como o País com o maior número de espécies da flora. Em seguida, estão China, África do Sul e Estados Unidos. A Mata Atlântica é o bioma com maior diversidade no Brasil.

A presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Samyra Crespo, destacou que, em média, são registrados 1 milhão de acessos mensais na base de dados do projeto. “Pode estar em qualquer lugar do mundo. Sendo estudante ou pesquisador, basta se logar e se identificar e pode acessar”, disse a presidente.

Outro projeto é o repatriamento de plantas brasileiras levadas por naturalistas nos séculos 18 e 19. “E elas vêm em forma virtual, em 3D, imagens de alta resolução, que podem ser consultadas por qualquer pesquisador, em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil”, disse Samyra Crespo.

Até o final de 2015, o acervo tinha 1,250 milhão de exsicatas (amostra de planta seca e prensada numa estufa) digitalizadas de alta resolução. Segundo Rafaela Forzza, conhecer a flora da Amazônia ainda é um grande desafio e necessita de “um projeto de nação”.

“A flora é muito mal conhecida, historicamente, e a gente não vence esse problema. Esse desbalanço de conhecimento em relação aos outros biomas é muito evidente. A gente tem que acreditar que a Amazônia ainda é um buraco de conhecimento. Ainda está no século 19 de conhecimento, enquanto o resto do país já avançou muito”, lembrando que a Amazônia Legal corresponde a 50% do território nacional.

O tamanho da floresta e a dificuldade de acesso reforçam a dificuldade. “Não é meia dúzia de cientistas que vai conseguir vencer isso. É preciso um projeto de governo, de país, para conseguir melhorar esse conhecimento”.

Fonte: EBC