23/06/2016

Pesquisadores da Unifesp usam laser contra câncer de cabeça e pescoço


Diego Freire | Agência FAPESP – Com o objetivo de oferecer um tratamento menos agressivo a pacientes com câncer avançado, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aplicam de forma experimental em um ambulatório da instituição uma técnica inovadora que utiliza luz infravermelha para remover tumores sólidos em cabeça e pescoço.
Introduzida e aprimorada pelo Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Unifesp no âmbito do projeto temático Combinação de cisplatina e laser no tratamento de câncer de cabeça e pescoço, realizado com o apoio da FAPESP, a técnica consiste na termoablação do tumor – a evaporação da água no compartimento celular de lesões sólidas e consequente eliminação do tecido tumoral – aplicada em paralelo a injeções intratumorais do medicamento quimioterápico cisplatina.
“Com essa prática ambulatorial conseguimos melhorar certas condições mórbidas do paciente, como sangramento, dor por compressão tumoral, infecção local e odor, que impactam a qualidade de vida em uma doença avançada”, diz Marcos Bandiera Paiva, que trouxe a técnica para o Brasil após 20 anos de pesquisa na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde mais de 500 pacientes já foram submetidos ao procedimento com sucesso.
Conhecida como laser-indução de terapia térmica (LITT), a técnica é utilizada na UCLA para termoablação de tumores de cérebro, mama, pulmão e próstata. Com o apoio da FAPESP, o tratamento foi aprimorado por meio da aplicação de injeções locais de quimioterapia, utilizando-se o quimioterápico cisplatina em combinação com a LITT, uma inovação em comparação ao tratamento administrado nos pacientes nos Estados Unidos, feito apenas com o laser.
A vantagem da combinação de cisplatina com LITT está na abrangência do procedimento. Durante a desobstrução tumoral, observam-se níveis máximos de energia na área central do tumor, submetida a temperaturas acima de 100° C, ao passo que as margens são tratadas em níveis subterapêuticos, com a temperatura do laser entre 40°C e 60°C, o que propicia a recidiva do crescimento tumoral. As injeções localizadas de cisplatina na periferia do tumor potencializam a erradicação tumoral localizada – isso porque, explica Paiva, aquecida nas regiões periféricas do tumor durante a aplicação do laser, a cisplatina tem sua toxicidade aumentada.
“O calor faz com que o quimioterápico tenha sua capacidade de penetrar nas membranas celulares exacerbadas. A célula tumoral fica mais facilmente permeável à cisplatina, potencializando assim a toxicidade da quimioterapia local e levando a uma erradicação mais eficaz do tumor.”
Ao contrário da radioterapia, cuja radiação possui energia suficiente para ionizar átomos e moléculas, danificando as células saudáveis e afetando o material genético, o procedimento adotado no ambulatório da Unifesp pode ser repetido após um intervalo de três semanas, garantindo melhores resultados e até a remoção completa do tumor.
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Foto: Leo Ramos/Revista Pesquisa

Voo tripulado a Marte não deve ocorrer em menos de 15 anos, diz agência



Sonhando com uma viagem para Marte? Você terá que esperar pelo menos 15 anos para que a tecnologia seja desenvolvida, disse o diretor da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), lançando dúvidas sobre as afirmações de que a viagem pode acontecer mais cedo.

"Se houvesse dinheiro suficiente, talvez pudéssemos fazê-lo antes, mas não há tanto agora quanto o que o programa Apollo teve", afirmou o diretor-geral da ESA, Jan Woerner, referindo-se ao projeto norte-americano que levou os primeiros homens à Lua.

Woerner diz que um assentamento humano permanente na Lua, onde impressoras 3D poderiam ser usadas para transformar rochas lunares em itens essenciais necessários para a jornada de dois anos até Marte, seria um grande passo rumo ao planeta vermelho.

A agência nacional aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) espera enviar astronautas a Marte em meados da década de 2030, e o empresário Elon Musk, presidente da montadora de veículos elétricos Tesla Motors, disse que planeja enviar uma espaçonave não-tripulada a Marte ainda em 2018 e encaminhar humanos para lá até 2030.

Mas Woerner afirma que a empreitada irá levar mais tempo. Uma nave para Marte necessitaria de foguetes e combustível potente o suficiente para a decolagem da viagem de volta e os humanos precisariam de proteção para desafios físicos e mentais inéditos, além da radiação espacial.


Fonte: Reuters
Foto: NASA

22/06/2016

Astrônomos brasileiros observam explosões solares em frequências inéditas

Elton Alisson | Agência FAPESP – Pesquisadores do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em colaboração com colegas do Brasil e do exterior, conseguiram fazer a primeira observação de explosões solares nas frequências de 3 e 7 terahertz (THz).
O anúncio foi feito durante a Reunião Anual da Divisão de Física Solar da American Astronomical Society, realizada entre os dias 31 de maio e 3 de junho em Boulder, no Colorado, nos Estados Unidos.
“Conseguimos provar que é possível detectar explosões solares nessas faixas de frequências de terahertz. Isso abre novas perspectivas observacionais”, disse Pierre Kaufmann, pesquisador do CRAAM-UPM e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.
A observação foi feita por meio do experimento espacial Solar-T – um telescópio fotométrico duplo, projetado e construído no Brasil por pesquisadores do CRAAM-UPM, em colaboração com colegas do Centro de Componentes Semicondutores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Desenvolvido por meio de um Projeto Temático e de um Auxílio Regular, apoiados pela FAPESP, o Solar-T foi acoplado a um balão estratosférico lançado pela agência espacial norte-americana – a Nasa –, em 19 de janeiro, na base MacMurdo dos Estados Unidos na Antártica, em uma missão voltada a observar o Sol (Leia mais em: agencia.fapesp.br/22605/).
Durante os 12 dias de duração de um voo de circunavegação a 40 mil metros de altitude na Antártica, o Solar-T coletou ininterruptamente a energia que emana das explosões solares nas frequências de 3 e 7 THz, correspondentes a uma faixa da radiação infravermelha distante.
As observações nessa faixa de radiação situada no espectro eletromagnético entre a luz visível e as ondas de rádio permitem fazer diagnósticos inéditos sobre a ocorrência de explosões associadas aos campos magnéticos das regiões ativas do Sol, que muitas vezes lançam em direção à Terra jatos de partículas de carga negativa (elétrons) aceleradas a grandes velocidades.
A radiação das explosões nessa faixa do infravermelho distante também torna possível uma nova abordagem para investigar fenômenos que produzem energia em regiões ativas que ficam entre a superfície do Sol, a fotosfera, onde a temperatura não passa dos 5,7 mil graus, e as camadas superiores e mais quentes: a cromosfera, onde as temperaturas alcançam 20 mil graus, e a coroa, que está a mais de 1 milhão de graus.
O problema, contudo, é que essas frequências de terahertz são impossíveis de serem medidas a partir do nível do solo porque são bloqueadas pela atmosfera, explicou Kaufmann. “É necessário ir ao espaço para medi-las e, para isso, uma nova tecnologia de detecção em THz teve que ser desenvolvida”, afirmou.
Por meio do Solar-T, os pesquisadores conseguiram finalmente observar pela primeira vez uma explosão solar nas frequências de 3 e 7 THz.
O telescópio fotométrico registrou no dia 28 de janeiro, exatamente às 12:12:10 (GMT), um evento solar impulsivo (que cresce rapidamente no decorrer do tempo) nas frequências de 3 e 7 THz.
O evento foi coincidente com uma explosão solar impulsiva detectada pelo telescópio terrestre Solar Submillimeter (SST), também da UPM, instalado no Complexo Astronômico El Leoncito, nos Andes argentinos, nas frequências de 0,2 e 0,4 THz, nas quais o equipamento opera.
Explosões simultâneas no mesmo dia e horário foram observadas com um abrilhantamento no visível (linha de emissão específica de hidrogênio, chamada de H-alfa, no vermelho) pelo telescópio HASTA, também instalado na Argentina, e em ultravioleta extremo (EUV) pela sonda não tripulada Solar Dynamics Observatory (SDO), da Nasa.
“É possível ver pela observação em ultravioleta extremo que, antes do início da explosão solar, é formada uma grande estrutura, com um arco magnético com uma ponta brilhante que cai em direção à mancha solar”, descreveu Kaufmann.
“O momento em que a ponta brilhante do arco magnético se choca com a superfície da mancha solar coincide exatamente com a explosão solar impulsiva detectada nas frequências de 3 e 7 terahertz, subterahertz <[0,2 e 0,4 THz] e no visível”, detalhou.
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Cientistas querem criar árvores mil vezes mais potentes na remoção de CO2 da atmosfera


Desde a revolução industrial, muitos milhões de toneladas de dióxido carbono CO2 foram lançadas para a atmosfera. Um problema herdado e agravado todos os anos que os pesquisadores do Centro para as Emissões Negativas de Carbono da Universidade do Arizona estão a tentar resolver: estão trabalhando  numa resina que consegue "aspirar" o CO2 em pequenas concentrações.

Este material, que já está comercialmente disponível, só consegue agarrar o dióxido de carbono quando seco - quando está molhado, liberta o gás.

Os pesquisadores querem, por isso, utilizar a resina inovadora para acumular o CO2 em armazéns subterrâneos, que poderá ser usado em estufas ou na alimentação das algas responsáveis pela produção de biocombustível.

A resina poderá ser, também, usada para construir árvores sintéticas capazes de remover mil vezes mais dióxido de carbono do que as árvores reais do mesmo tamanho, segundo os pesquisadores. Os cientistas estão ainda a tentar transformar a resina em tapetes que limpam a atmosfera, avança a Bloomberg.

"Hoje estamos extraindo carbono do solo. Depois, convertemos essa energia em algo útil. Por fim, há um terceiro passo que ignoramos, isto é, não limpamos o que acabamos de sujar", explica Klaus Lackner, diretor do centro. É isso que quer mudar.

Os críticos temem, no entanto, que o foco neste tipo de projetos prejudique os esforços políticos no sentido de diminuir o consumo de combustíveis fósseis. O dióxido de carbono é um dos principais gases de efeitos de estufa na origem das alterações climáticas causadas pela humanidade.

Fonte: Diário de Notícias
Foto: Bloomberg

Santiago tem pré-emergência por poluição; governo culpa churrascos


A capital chilena Santiago e cidados ao sul do país alcançaram no final de semana e nesta níveis críticos de contaminação atmosférica que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, aumentam a cerca de 4 mil as mortes prematuras ao ano.

As autoridades responsabilizaram o aumento de material contaminante à fumaça gerada pelos churrascos feitos pelos chilenos para comemorar a vitória da seleção de futebol sobre a equipe do México, por 7 a 0, pela Copa América Centenário na partida do último sábado disputada nos Estados Unidos.

O ministro do Meio Ambiente, Pablo Badenier, disse em entrevista à radio Cooperativa: "As estações (de monitoramento) tiveram um pico muito alto entra as dez da noite e as três da manhã, e esses picos tão altos de concentrações observadas em um sábado à noite muito provavelmente não vêm de fontes fixas nem de fontes móveis, mas se deve a uma emissão particular. Nós acreditamos que, eventualmente, os churrascos, a calefação a lenha geraram esse pico".

O sub-secretário do Meio Ambiente, Marcelo Mena, associou as emergências e pré-emergências por poluição dos últimos três anos com outras partidas de futebol.

Nesta segunda-feira, as autoridades decretaram a quarta pré-emergência consecutiva na grande Santiago, o que obrigada a limitação da circulação de 20% dos carros e a paralisação de 450 indústrias. A cidade de Coyhaique, a 1.700 km ao sul da capital, já está em emergência.

A pré-emergência é o segundo nível em intensidade de poluição, e é decretada quando os níveis se situam entre 300 e 499 microgramas de partículas nocivas por metro cúbico.

A partir de 500 microgramas é decretada a emergência, que implica em medidas restritivas mais severas, como proibir a circulação de uma porcentagem maior dos veículos.

No inverno, a poluição se intensifica em Santiago pelo 'engavetamento' geográfico, visto que a cidade é um vale rodeado por colinas e pela Cordilheira dos Andes, colocando a capital, de sete milhões de habitantes, como uma das mais poluídas da América Latina.

Fonte: G1
Foto: AP Photo/Esteban Felix

21/06/2016

CEPID oferece duas vagas de Pós-Doutorado em Matemática Aplicada


Agência FAPESP – O Centro de Pesquisa em Matemática Aplicada à Indústria (CeMEAI), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP, oferece duas oportunidades de Pós-Doutorado com bolsa da Fundação.
O CeMEAI está sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), campus São Carlos, e receberá inscrições até o dia 30 de junho.
Uma das vagas (fapesp.br/oportunidades/1168) é voltada ao trabalho em modelagem de materiais compostos, a ser realizado em colaboração com a divisão de materiais e mecânica computacional da Chalmers University, da Suécia, e com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
Candidatos devem ter PhD em Matemática Aplicada, Métodos Numéricos ou áreas relacionadas; habilidades em uma linguagem de programação e em mecânica dos meios contínuos de sólidos e líquidos; e interesse em interagir com outros parceiros em ciência dos materiais e técnicas experimentais de materiais compósitos.
A outra vaga (fapesp.br/oportunidades/1169) é voltada ao trabalho em modelagem de processos de deposição direta de metal por meio de laser, a ser realizado em colaboração com o KTH Royal Institute of Technology, da Suécia.
Candidatos também devem ter PhD em Matemática Aplicada, Métodos Numéricos ou áreas relacionadas; habilidades em uma linguagem de programação e em mecânica do contínuo de sólidos e líquidos; além de interesse em interagir com outros parceiros em tecnologia de laser em deposição de metal.
As bolsas estão disponíveis pelo período de dois anos, mas o desempenho será avaliado anualmente. Currículos e candidaturas devem ser encaminhados ao coordenador do CeMEAI, José Alberto Cuminato: jacuminato@gmail.com.
Os selecionados receberão bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica da bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.
Caso os bolsistas residam em domicílio diferente e precisem se mudar para a cidade onde se localiza a instituição sede da pesquisa, poderão ter direito a um Auxílio-Instalação.

Tartaruga amputada ganha 'rodas' e fica mais rápida do que nunca



Uma tartaruga fêmea do sul da Índia está experimentando um novo tipo de vida após receber de veterinários um par de rodas. Veja o vídeo.
O animal havia perdido as extremidades das duas patas dianteiras em um ataque de mangusto, mamífero carnívoro de pequeno porte - conhecido por ser um dos poucos predadores que caçam serpentes.

Fonte: BBC