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05/09/2016

Astrônomos brasileiros mapeiam estrutura de idades do halo da Via Láctea


Uma equipe internacional, que conta com três astrônomos brasileiros, produziu uma versão mais detalhada do primeiro mapa cronográfico do halo da nossa Galáxia. O halo é um dos componentes galácticos que possuem tipicamente estrelas mais velhas e, portanto, é um ambiente fundamental para estudos que tentam descobrir indícios da origem e formação da Via Láctea. O trabalho, que acaba de ser publicado na edição de 5 de setembro do periódico científico Nature Physics (1), foi desenvolvido a partir do mapa apresentado em 2015 no artigo de Rafael Miloni Santucci, doutorando do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, orientado pela professora Silvia Rossi, em parceria com o professor da Universidade de Notre Dame Vinicius Moris Placco e com outros astrônomos internacionais. Os três astrônomos também participaram do novo trabalho.
O mapeamento foi realizado usando uma amostra de aproximadamente 100 mil estrelas azuis de ramo horizontal (conhecidas também como BHBs, sigla para o mesmo nome em inglês), extraídas de um levantamento de dados norte-americano conhecido como SDSS (Sloan Digital Sky Survey). O ramo horizontal representa uma fase evolutiva avançada da estrela, na qual o brilho é gerado por causa da fusão de Hélio em Carbono em seu núcleo. Nesta fase, que corresponde a cerca de 10% do tempo total de sua vida, seu brilho se torna muito intenso e constante, fazendo com que esses astros possam ser observados a grandes distâncias.
Ao avaliar as distâncias e as cores dos objetos, os astrônomos verificaram que as estrelas BHBs mais azuladas do halo estão concentradas predominantemente na região central da Galáxia, e suas cores ficam ligeiramente avermelhadas conforme as distâncias ao centro galáctico aumentam. Essa variação é extremamente sutil e invisível ao olho humano, mas é revelada pelas medidas de cor feitas por filtros especiais e evidenciada no trabalho publicado. Para explicar o fenômeno, os cientistas primeiro avaliaram e descartaram todas as possíveis causas para o avermelhamento tipicamente descritas na literatura, tais como a existência de poeira no meio interestelar ou composições químicas diferentes. A única explicação restante para essa variação de cor é a idade da estrela, sendo que, somente para esta fase evolutiva de uma estrela, quanto mais vermelha, mais jovem ela é.
Esses resultados sugerem que a formação de estrelas na nossa Galáxia ocorreu de dentro para fora, ou seja, a gravidade colapsou primeiramente o gás no centro da Galáxia e, ao longo de poucos bilhões de anos, a formação estelar chegou até as regiões mais periféricas. Uma visão em 3D do mapa foi construída para melhor visualizar os detalhes da descoberta. Na animação, o plano XY contém o disco da Galáxia e o eixo Z representa a distância das estrelas até o plano, sendo que 1kpc de distância corresponde a aproximadamente a 3,26 mil anos-luz (um ano-luz vale cerca de 10 trilhões de quilômetros). A posição do Sol não está destacada na animação, mas corresponde às coordenadas (X, Y, Z) = (8.5, 0, 0). A variação de cor descrita pela variável (g-r) possui um equivalente de idade entre parênteses, em unidades de bilhões de anos. Portanto, nota-se que as regiões centrais da Galáxia são mais velhas (cerca de 12 bilhões de anos) e os objetos vão ficando mais jovens conforme estão mais distantes, até atingir cerca de 9,5 bilhões de anos de idade.

Mapa de idade

Para construir esse mapa de idade, os pesquisadores usaram a média da cor das estrelas em pequenos espaços. Cada ponto colorido visto dentro do cubo transparente revela a média de cor em um volume menor que 1 kiloparsec (kpc, unidade de medida de distâncias estelares) cúbico, onde existem ao menos três estrelas. As projeções vistas nas faces do cubo representam visões em 2D nos diferentes planos de visada, cujas variações de cor foram suavizadas para destacar o fenômeno.
Surpreendentemente, a região onde são encontrados os objetos mais velhos se estende por uma grande área ao redor do núcleo galáctico, atingindo até mesmo a região do halo próxima do Sol, que está cerca de 28 mil anos-luz (8,5 kpc) distante do centro galáctico. Esta região antiga pode ser explorada com a finalidade de estudar as propriedades destas estrelas velhas, extremamente importantes para saber mais sobre como era a composição química no início do Universo e como ela tem evoluído. Isto também ratifica que podemos encontrar estrelas muito velhas e pobres em metais mesmo nas regiões próximas de nós, ou seja, podemos incluir objetos brilhantes nas buscas para encontrar os primeiros astros do Universo. Essas buscas também fazem parte da pesquisa deste grupo de cientistas, com resultados promissores até o momento.
Além disso, esta técnica permitiu identificar a presença de estruturas formadas recentemente pela interação da nossa Galáxia com outras menores como a Galáxia Anã de Sagitário, que teve seu formato completamente destruído pelas forças gravitacionais da Via Láctea, formando um rastro de estrelas ao redor do centro da Galáxia. Mais do que resultados importantes, o trabalho consolida a técnica dos mapas de idade baseados na cor de estrelas BHBs como uma ferramenta crucial para estudar até mesmo a evolução de outras Galáxias, pois a nova geração de telescópios gigantes, como o GMT e o E-ELT, permitirá aos astrônomos individualizar BHBs nessas regiões a muitos milhões de anos-luz de distância.
“Ainda há muito trabalho a ser feito”, ressalta Santucci. “Usamos apenas um dos levantamentos de dados disponíveis na literatura para realizar este trabalho, e as estrelas BHBs estão presentes em todos os ambientes e em todas as direções do céu.” Os astrônomos aguardam novos levantamentos de dados como o projeto S-PLUS – um importante mapeamento do céu realizado por um telescópio brasileiro, situado em Cerro Tololo, no Chile, que fornecerá dezenas de milhares de novas BHBs no céu do Hemisfério Sul da Terra, onde o SDSS não consegue observar, e poderá revelar estruturas inéditas da Via Láctea.
O trabalho possui suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do Programa de Excelência Acadêmica (Proex).
Da Seção de Apoio Institucional do IAG
 Foto: ESO/A. Fitzsimmons/ Wikimedia Commons

22/06/2016

Astrônomos brasileiros observam explosões solares em frequências inéditas

Elton Alisson | Agência FAPESP – Pesquisadores do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em colaboração com colegas do Brasil e do exterior, conseguiram fazer a primeira observação de explosões solares nas frequências de 3 e 7 terahertz (THz).
O anúncio foi feito durante a Reunião Anual da Divisão de Física Solar da American Astronomical Society, realizada entre os dias 31 de maio e 3 de junho em Boulder, no Colorado, nos Estados Unidos.
“Conseguimos provar que é possível detectar explosões solares nessas faixas de frequências de terahertz. Isso abre novas perspectivas observacionais”, disse Pierre Kaufmann, pesquisador do CRAAM-UPM e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.
A observação foi feita por meio do experimento espacial Solar-T – um telescópio fotométrico duplo, projetado e construído no Brasil por pesquisadores do CRAAM-UPM, em colaboração com colegas do Centro de Componentes Semicondutores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Desenvolvido por meio de um Projeto Temático e de um Auxílio Regular, apoiados pela FAPESP, o Solar-T foi acoplado a um balão estratosférico lançado pela agência espacial norte-americana – a Nasa –, em 19 de janeiro, na base MacMurdo dos Estados Unidos na Antártica, em uma missão voltada a observar o Sol (Leia mais em: agencia.fapesp.br/22605/).
Durante os 12 dias de duração de um voo de circunavegação a 40 mil metros de altitude na Antártica, o Solar-T coletou ininterruptamente a energia que emana das explosões solares nas frequências de 3 e 7 THz, correspondentes a uma faixa da radiação infravermelha distante.
As observações nessa faixa de radiação situada no espectro eletromagnético entre a luz visível e as ondas de rádio permitem fazer diagnósticos inéditos sobre a ocorrência de explosões associadas aos campos magnéticos das regiões ativas do Sol, que muitas vezes lançam em direção à Terra jatos de partículas de carga negativa (elétrons) aceleradas a grandes velocidades.
A radiação das explosões nessa faixa do infravermelho distante também torna possível uma nova abordagem para investigar fenômenos que produzem energia em regiões ativas que ficam entre a superfície do Sol, a fotosfera, onde a temperatura não passa dos 5,7 mil graus, e as camadas superiores e mais quentes: a cromosfera, onde as temperaturas alcançam 20 mil graus, e a coroa, que está a mais de 1 milhão de graus.
O problema, contudo, é que essas frequências de terahertz são impossíveis de serem medidas a partir do nível do solo porque são bloqueadas pela atmosfera, explicou Kaufmann. “É necessário ir ao espaço para medi-las e, para isso, uma nova tecnologia de detecção em THz teve que ser desenvolvida”, afirmou.
Por meio do Solar-T, os pesquisadores conseguiram finalmente observar pela primeira vez uma explosão solar nas frequências de 3 e 7 THz.
O telescópio fotométrico registrou no dia 28 de janeiro, exatamente às 12:12:10 (GMT), um evento solar impulsivo (que cresce rapidamente no decorrer do tempo) nas frequências de 3 e 7 THz.
O evento foi coincidente com uma explosão solar impulsiva detectada pelo telescópio terrestre Solar Submillimeter (SST), também da UPM, instalado no Complexo Astronômico El Leoncito, nos Andes argentinos, nas frequências de 0,2 e 0,4 THz, nas quais o equipamento opera.
Explosões simultâneas no mesmo dia e horário foram observadas com um abrilhantamento no visível (linha de emissão específica de hidrogênio, chamada de H-alfa, no vermelho) pelo telescópio HASTA, também instalado na Argentina, e em ultravioleta extremo (EUV) pela sonda não tripulada Solar Dynamics Observatory (SDO), da Nasa.
“É possível ver pela observação em ultravioleta extremo que, antes do início da explosão solar, é formada uma grande estrutura, com um arco magnético com uma ponta brilhante que cai em direção à mancha solar”, descreveu Kaufmann.
“O momento em que a ponta brilhante do arco magnético se choca com a superfície da mancha solar coincide exatamente com a explosão solar impulsiva detectada nas frequências de 3 e 7 terahertz, subterahertz <[0,2 e 0,4 THz] e no visível”, detalhou.
Leia mais em Agência FAPESP.

15/05/2016

Alunos da USP resgatam sonda que caiu em São Sebastião da Grama, SP


A sonda experimental lançada à estratosfera por alunos da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, neste sábado (14), atingiu o solo em São Sebastião da Grama (distante a 145 km), em uma mata próxima à cidade, 2h30 depois do lançamento.

Os estudantes de graduação da Escola de Engenharia da USP (EESC-USP) desenvolveram todo o projeto: os sensores, o programa de computador de bordo, o paraquedas e os motores do balão custaram R$ 5 mil, valor arrecadado por doações.

Capacidade de sobrevivência
A sonda levou biomoléculas e micro-organismos que vivem em condições extremas na Terra. Além de praticar o que aprenderam no curso, eles querem analisar a capacidade de sobrevivência desses organismos na estratosfera, onde o índice de radiação ultravioleta é altíssimo.

O interesse por esses micro-organismos é porque eles servem como modelos de formas de vida que podem existir em ambientes fora do planeta. Aos 30 quilômetros de altura, a baixa pressão rompeu o balão e o equipamento desceu com um paraquedas desenvolvido pelos estudantes.

Com os dados coletados pelos sensores, a equipe vai poder criar modelos e máquinas mais eficientes para avaliar a possibilidade de existir vida em outros planetas. O resultado da avaliação deve sair na próxima semana.

Importância do experimento
O trabalho é orientado pelo professor do Departamento de Engenharia Mecânica da EESC-USP Daniel Varela Magalhães. Segundo ele, é importante realizar o experimento para mostrar que existe a capacidade de construção e recuperação do módulo.

“Tudo isso tem um grande trabalho de engenharia com mérito total dos alunos. É importante que o exercício de todos os conhecimentos de engenharia adquiridos nos cursos da universidade sejam colocados em prática. Isso é um exercício fantástico da profissão que eles vão exercer no futuro”, avaliou.

Douglas Galante, pesquisador do laboratório Nacional de Luz Sincrotron no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materias (CNPEM), ressaltou que a equipe montou o experimento para testar os limites físicos da vida nessas condições.

“Mandamos uma série de microorganismos extremamente resistentes a fatores de estresse, baixa pressão, baixa temperatura, alta incidência de radiação e pouca disponibilidade de água. Basicamente um ambiente extremamente agressivo á vida e nenhum organismo normal iria sobreviver nessas condições, mas eles são capazes de sobreviver”, explicou.


Fonte: G1
Foto: Carol Malandrino/G1





14/05/2016

Sonda experimental do Grupo Zenith leva microorganismos à estratosfera



No último sábado, dia 14, às 11 horas, aconteceu o lançamento de uma sonda experimental à estratosfera, no entorno do Hangar I do Departamento da Engenharia Aeronáutica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

Batizado como missão Garatéa, esse evento faz parte de um projeto do grupo Zenith – formado por estudantes de graduação da EESCque realizam trabalhos extracurriculares na área de engenharia aeroespacial –, orientado pelo professor do Departamento de Engenharia Mecânica, Daniel Varela Magalhães, com a participação do engenheiro mecatrônico e ex-aluno da Escola, Lucas Fonseca, que participou da missão aeroespacial da sonda Rosetta. A proposta do grupo é desenvolver e difundir tecnologias aplicadas ao setor aeroespacial para estimular e ampliar visibilidade dessa área no Brasil.

O objetivo do lançamento da sonda – que é realizado por meio de um balão meteorológico inflado com gás hélio – é expor microrganismos extremófilos e algumas biomoléculas a condições extremas para analisar sua capacidade de sobrevivência e os danos moleculares sofridos, bem como a resiliência de moléculas candidatas a bioassinaturas, como os pigmentos biológicos.

Essa parte biológica do projeto é coordenada pelo professor do Instituto de Química (IQ) da USP, Fábio Rodrigues, em parceria com o pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Douglas Galante. O interesse em compreender a resposta desses organismos quando expostos a tais condições extremas justifica-se por eles servirem de modelos para a vida que poderia existir em ambientes diferentes da Terra, seja no Sistema Solar, seja em exoplanetas.

Durante o lançamento, a missão dos integrantes do Zenith foi assegurar que o experimento seja controladamente exposto ao ambiente severo da estratosfera, a 32 km de altitude, lidando com condições extremas muito similares às encontradas em órbita. O equipamento conta com três sensores de radiação ultravioleta e contadores de radiação ionizante, bem como sensores ordinários como barômetro, termômetro e acelerômetro. Devido à baixa pressão nessa altitude, o balão com gás hélio se romperá quando atingir o ponto esperado, e a sonda fará o retorno com segurança por meio de um paraquedas desenvolvido especialmente pelo grupo.

A missão Garatéa também fará parte do “Global Space Balloon Challenge”, um desafio organizado pela Stanford University e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) que reúne participantes do mundo inteiro, competindo em diversas categorias como: design, melhor experimento, maior altitude, maior distância horizontal viajada e melhores imagens. Para concorrerem nessa última categoria, os membros do grupo acoplarão, antes do lançamento, microcâmeras que farão o registro fotográfico durante o percurso do balão.

Fonte: Keite Marques / Assessoria de Comunicação da EESC
Foto: Divulgação

12/05/2016

Suposto achado de cidade maia por jovem é questionado por especialistas


Após a enorme repercussão internacional, especialistas estão questionando o anúncio da descoberta de uma cidade maia por um garoto canadense de 15 anos.
Segundo reportagem da imprensa local, William Gadoury sobrepôs 22 constelações que encontrou no Códice Maia de Madri, um conjunto antigo de escritos, e descobriu que as posições das estrelas correspondiam à localização das antigas cidades daquela civilização.
William identificou 117 estrelas correspondentes a povoados maias e então reparou que havia um astro para o qual não havia cidade identificada. Ao analisar imagens de satélite da posição correspondente, descobriu ali estruturas com formas geométricas, o que concluiu serem uma pirâmide e outros trinta edifícios. "Há itens suficientes que sugerem se tratar de uma estrutura feita pelo homem", disse ao jornal britânico "Independent" o pesquisador da agência espacial canadense Daniel De Lisle.
Mas, após a história rodar o mundo, começaram a surgir especialistas que duvidam das conclusões de Gadoury. A primeira questão é que não haveria um registro exato de quais seriam as constelações maias. Susan Milbrath, curadora Museu de História Natural da Flórida, acrescentou, em e-mail enviado à revista "Wired" que, no seu auge, a civilização maia ocupou tão densamente a Península de Iucatã que ela ficou praticamente inteira tomada, ou seja, seria possível achar vestígios dela em qualquer lugar, dando a impressão de que está batendo com o desenho das estrelas.
Mas então o que seriam as formas geométricas encontradas pelo adolescente no meio da selva mexicana? Thomas Garrison, antropólogo da Universidade da Califórnia, acredita que se trata de uma plantação abandonada 10 ou 15 anos atrás, do tipo conhecida naquela região como "milpa". "Isso é óbvio para qualquer um que tenha passando um tempo nas planícies maias", aponta.
O "Washington Post" recebeu uma mensagem de um arqueólogo da Universidade da Califórnia, Geoffrey Braswell, que afirma ter estado nos lugares apontados pelo menino canadense. Ele diz que uma das formas retangulares é um campo onde se planta -- ou se plantava -- maconha. Outra forma retangular seria um pântano seco. Ele afirma que não há sítios arqueológicos maias relevantes na região, mas sim restos da ocupação espanhola colonial, já que a área teria sido um importante caminho de ligação entre México e Guatemala. Entre essas estruturas haveria restos de uma igreja muito antiga.
Mesmo tendo sua pesquisa questionada, nenhum pesquisador levantou dúvidas sobre a boa intenção de William. Pelo contrário, sua curiosidade e esforço foram elogiados. Braswell até disse ao "Washington Post" que espera que o rapaz tente ingressar em sua universidade.
Fonte: G1
Foto:  Canada Space Agency

10/05/2016

NASA. Descobertos 1.284 novos planetas. Nove podem conter vida


A NASA anunciou esta terça-feira que 1.284 dos corpos de potencial interesse encontrados pela sonda Kepler foram validados como planetas. Nunca antes tinham sido identificados tantos novos exoplanetas de uma vez por uma agência espacial. De acordo com o estudo já publicado no Jornal de Astrofísica, nove destes planetas estão nas zonas de habitabilidade das estrelas que orbitam, significando isto que podem ter condições para ter vida.
A agência especial descobriu ainda 428 corpos que foram rotulados de “falsos positivos” porque, embora não tenha sido possível estudá-los convenientemente até à época, têm maior probabilidade de não serem planetas do que de serem. Esses corpos são chamados “impostores”. Essa informação só pode ser confirmada estudando-os durante a sua passagem entre a sonda e a estrela que orbitam, o que ainda não foi possível. Sabe-se também que os exoplanetas são comuns e que a esmagadora maioria das estrelas têm planetas a elas associados.
O anúncio oficial ao mundo foi realizado em teleconferência esta terça-feira por Paul Hert (diretor da Divisão de Astrofísica da sede da NASA em Washington), Timothy Morton (investigador associado na Universidade de Princeton em Nova Jérsia), Natalie Batalha (cientista da missão Kepler no Centro de Investigação de Ames da NASA em Moffett Field) e Charlie Sobeck (gestor das missão Kepler e K2 em Ames). Uma equipa de astrofísicos da agência espacial norte-americana respondeu às dúvidas dos internautas no Twitter, através da etiqueta #askNASA.
Há séculos que o ser humano se interroga sobre a existência de outros mundos semelhantes ao terrestre. A missão Kepler, décimo programa de exploração deste gênero da agência espacial norte-americana, tenta responder a esta (e outras) perguntas. “Kepler” é uma sonda espacial que funciona como observatório para outras regiões da Via Láctea. O objetivo da sonda, lançada para o espaço em março de 2009, é encontrar e estudar outros planetas, com o tamanho próximo ao da Terra, que não orbitem o Sol. O método é simples: a sonda Kepler deteta os milhões e milhões de estrelas da nossa galáxia que possam ter sistemas de planetas em seu redor. E vai em busca deles.
O que precisa de saber sobre a sonda Kepler
Desde que a sonda Kepler deixou a Terra para viajar pela galáxia fora já nos mostrou mundos verdadeiramente extraordinários. Graças ao projeto da NASA sabemos, por exemplo, que há três tipos de exoplanetas mais comuns no Universo próximo: são os gigantes gasosos; os planetas semelhantes à Terra, mas extremamente quentes e com órbitas muito curtas; e os gigantes de gelo. Posto isto, a missão agora é outra: encontrar mais planetas telúricos (planetas semelhantes à Terra em tamanho e solidez) nas zonas habitáveis das estrelas que orbitam, onde pode existir água líquida à superfície.
Com isto, a sonda Kepler vai dar-nos resposta a seis dúvidas: qual é a percentagem de planetas telúricos ou maiores que existem nas zonas habitáveis das estrelas? Como são as suas órbitas: curtas ou longas, próximas ou distantes, regulares ou irregulares? Quantos planetas existem a orbitar sistemas com mais do que uma estrela? Qual é o comportamento dos planetas gigantes: que massas e densidades têm, quanto tempo demoram a girar sobre eles próprios? Como são essas estrelas que os planetas orbitam? Que outras técnicas podemos usar para descobrir e explorar sistemas planetários?

Aos poucos e poucos, a NASA vai recebendo respostas. E por isso é que, em dezembro do ano passado, publicou um vídeo no YouTube onde ilustra como são as órbitas dos sistemas planetários múltiplos nos arredores do Sistema Solar. As órbitas foram colocadas em escala, mas o tamanho dos planetas não, para que vejamos com maior nitidez como, mesmo preenchido por tanto espaço vazio, o nosso universo está cheio de novidades para nos dar. Veja aqui o vídeo com a ilustração dos 1.705 planetas e 685 sistemas planetários que tinham sido encontrados até 24 de novembro de 2015.

Os últimos dias foram marcados pela passagem de Mercúrio entre o Sol e a Terra, um evento que só voltaremos a ver daqui a três anos. Na verdade, este evento tem mais ligação com a missão Kepler do que parece à primeira vista. É que é precisamente a passagem dos planetas entre a Terra e a estrela que eles orbitam que permite à sonda estudar os corpos extrassolares. 
Os cientistas chamam de trânsito astronômico ao fenômeno em que um corpo celeste passa em frente de outro maior, bloqueando parte da sua visão. É por causa dos trânsitos astronômicos que existem eclipses ou vemos pequenos pontos negros no Sol quando Mercúrio ou Vénus passam entre o nosso planeta e a nossa estrela. Esse efeito é a ferramenta de busca da sonda Kepler, que funciona como um soldado de guarda no meio de uma guerra: ela procura por pequenos pontos negros que atenuem o brilho natural das estrelas e vai ao encontro deles, para confirmar se são planetas.

Se forem, o passo seguinte da sonda Kepler é descobrir as características dos corpos celestes, principalmente a duração da translação do planeta e a massa do Sol, algo que se consegue tendo em conta quanto é que o brilho da estrela diminui à passagem do planeta. Outras características, como o tamanho do planeta e a sua temperatura, obtêm-se através do perfil da órbita dos corpos celestes. Com um registo de todas estas informações (algo que tem de durar poucas horas, aproveitando o trânsito astronômico), a NASA fica mais perto de saber se o planeta pode ou não estar na zona habitável da estrela.
Este projeto da NASA foi de tal modo bem sucedido que a agência norte-americana decidiu dar continuidade através da missão K2 ou “Second Light”. Essa missão, nascida a 18 de novembro de 2013, é a que nos trouxe novidades para a Terra, as mesmas que hoje foram anunciadas, depois de quase três anos a olhar para estrelas novas, supernovas e fenômenos cósmicos impressionantes.
Ambas as missões foram batizadas em homenagem a Johannes Kepler, um astrônomo e matemático alemão que descobriu as três leis fundamentais da mecânica planetária. Em palavras simples: Kepler foi o homem, discípulo de um dos maiores astrônomos do século XVII, que explicou ao mundo como é que os planetas se movem. Os seus estudos serviram de base para Isaac Newton.
Fonte: Observador
Imagem: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle

Canadense de 15 anos descobre vestígios de cidade maia perdida


Um garoto canadense de 15 anos está ganhando fama mundial após conseguir um feito incrível: ele descobriu vestígios de uma cidade maia perdida após um complexo trabalho de investigação usando imagens de satélite. O resultado de sua pesquisa deve ser publicado em breve numa revista científica, informa o diário local "Journal de Montreal".
William Gadoury tinha grande interesse pela civilização maia, que floresceu mil anos atrás na região que hoje é o sul do México e países da América Central, como Guatemala e Belize. Ele teve a ideia de sobrepor 22 constelações que encontrou no Códice Maia de Madri, um conjunto antigo de escritos levado para a capital espanhola pelos conquistadores, ao Google Mapas, e descobriu que as posições das estrelas correspondiam à localização das antigas cidades daquela civilização. Mais que isso: as estrelas mais brilhantes correspondiam às maiores urbanizações.
William identificou 117 estrelas correspondentes a povoados maias e então reparou que havia um astro para o qual não havia cidade identificada. William concluiu que, de acordo com a posição dessa 118ª estrela, num ponto remoto da Península de Iucatã, deveria ter existido uma cidade maia. A análise de imagens de satélite então confirmou que no local indicado pelo rapaz há estruturas com formas geométricas, aparentemente uma pirâmide e outros trinta edifícios.
William decidiu dar à cidade recém-descoberta o nome de K'aak Chi (boca de fogo). O lugar é difícil de ser explorado por causa da densa vegetação. Mas a agência espacial canadense (CSA) confirma que as imagens de satélite dão claros sinais de que se trata mesmo de uma cidade. "Há itens suficientes que sugerem se tratar de uma estrutura feita pelo homem", disse ao jornal britânico "Independent" o pesquisador da CSA Daniel De Lisle.
A civilização maia dominou a península de Iucatã e o norte da América Central, onde atualmente ficam o sul do México, Belize, Guatemala e partes de Honduras e El Salvador. O auge desse povo foi entre os anos 800 e 1000 d.C.. A partir daí, eles entraram em declínio econômico e cultural, e perderam influência com a ascensão de outros povos, como os toltecas. Acabaram dominados pelos espanhóis, e ainda vivem na mesma região.

Foto: Reprodução/Twitter/Canada Space Agency
Fonte: G1

07/05/2016

“Minieclipse”: público poderá ver passagem de Mercúrio com orientação de astrônomos


O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP vai acompanhar a passagem do planeta Mercúrio pelo Sol, que acontecerá no próximo dia 9, a partir das 8h13 da manhã. Na praça em frente à entrada principal do IAG serão colocados telescópios com filtros solares para observar o fenômeno, conhecido como “Trânsito de Mercúrio”, que deverá se estender até às 15h42 da tarde. Monitores do IAG vão orientar os interessados em acompanhar a passagem do planeta pelo Sol, que também poderá ser vista em vídeo e em projeções solares

A professora Elysandra F. Cypriano, do IAG, que coordena a atividade, explica que Mercúrio é o planeta do sistema solar mais próximo do Sol, localizado a uma distância média de 58,4 milhões de quilômetros (km), ou 0,4 Unidade Astronômica (UA). A Terra, que é o terceiro planeta mais próximo do Sol, está a uma distância de 149, 6 milhões de km, ou 1 UA. “Assim como a Terra, Mercúrio gira em torno do Sol, mas faz uma órbita interna à do nosso planeta”, afirma. “Por isso, em alguns momentos, é possível observar da Terra a sua passagem pelo sol”.

“Geralmente, o Trânsito ocorre em maio ou novembro, cerca de 13 vezes por século, e a visibilidade depende do lado da Terra que estiver exposto ao Sol no momento da passagem”, conta a professora.

"Girando em torno do Sol, Mercúrio passará na frente do disco solar, como se fosse um mini-eclipse, embora a denominação oficial do fenômeno seja Trânsito de Mercúrio"

“O Brasil terá uma visão privilegiada de todo esse trânsito, desde o início até o final, pois o Sol está acima do horizonte durante todo o período”, afirma Elysandra. “Durante o trânsito, os observadores verão um pequeno círculo preto passando pelo Sol”.

A partir das 8 horas do dia 9 de maio, o IAG vai disponibilizar telescópios com filtros solares para o acompanhamento do Trânsito de Mercúrio pelo Sol. “Os filtros são necessários porque não é recomendado olhar diretamente para o Sol”, observa Elysandra. “Se não houver uma proteção adequada, a exposição aos raios solares pode provocar cegueira permanente”.

Também para evitar que os observadores encarem o Sol diretamente, durante a observação serão feitas projeções da imagem do Sol captada por luneta em um anteparo. Como há a possibilidade do céu ficar encoberto em alguns momentos, também haverá no local um monitor de televisão que exibirá as imagens do Trânsito de Mercúrio captadas por satélite pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. O IAG está localizado na Rua do Matão, 1.226, Cidade Universitária, São Paulo.


Foto: Christopher Go/Cebu Philippines

07/04/2016

Cientistas encontram buraco negro gigante em galáxia inesperada


Astrônomos descobriram um buraco negro supermassivo -- com massa equivalente a 17 bilhões de vezes a do nosso Sol -- em um lugar improvável: o centro de uma galáxia que se encontra em um "bairro tranquilo" do Universo. Como informa, em nota, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), a descoberta pode indicar que "monstros" como este podem ser mais comuns no Universo do que se pensava.
Até agora, os maiores buracos negros supermassivos - aqueles com mais de 10 bilhões de vezes a massa do nosso Sol - só tinham sido encontrados nos núcleos de galáxias muito grandes nos centros de aglomerados de galáxias maciças. Agora, usando o telescópio espacial Hubble, a esuipe internacional de astrônomos descobriu um buraco negro no centro da galáxia NGC 1600, considerada bastante isolada.
Os buracos negros são regiões do espaço com uma concentração de massa tão elevada que seu campo gravitacional não permite que nada escape, nem mesmo a luz, o que dificulta medições diretas de suas propriedades.
A NGC 1600 é uma galáxia elíptica que não se localiza em um aglomerado de galáxias, mas em um grupo menor de cerca de vinte galáxias. O grupo está localizado a 200 milhões de anos-luz de distância, na constelação Erídano. Encontrar um buraco negro supermassivo gigantesco numa galáxia maciça dentro de um aglomerado de galáxias é de se esperar, mas encontrá-lo num grupo médio de galáxias como a NGC 1600 é muito mais surpreendente.
Surpreendidos
"Ainda que já tivéssemos indicações de que a galáxia poderia hospedar um objeto extremo em seu centro, fomos surpreendidos pelo fato de que o buraco negro na NGC 1600 é dez vezes mais massivo do que o previsto pela massa da galáxia," explica o autor principal do estudo, Jens Thomas, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha.
Encontrar esse buraco negro extremamente maciço em NGC 1600 leva os astrônomos a se perguntarem se esses objetos são mais comuns do que se pensava. "Há um tanto de galáxias do tamanho da NGC 1600 que residem em grupos de galáxias de tamanho médio", explica o co-autor Chung-Pei Ma, Universidade da Califórnia em Berkeley. "Estimamos que esses grupos menores são cerca de cinquenta vezes mais abundante do que os aglomerados de galáxias grandes e densas. Portanto, a questão agora é: temos a ponta de um iceberg? Talvez existam muito mais buracos negros monstros lá fora".
Fonte: G1
Foto: NASA,/ESA/ D. Coe, J. Anderson e R. van der Mare/Divulgação

31/03/2016

Astrônomos brasileiros descobriram a primeira estrela com atmosfera composta de 99,99% de oxigênio


A equipe comandada por Souza Oliveira Kepler da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou um novo tipo de estrela que até então só havia sido considerada hipoteticamente: uma estrela antiga que viveu muito tempo, sua camada externa é agora composta quase inteiramente de oxigênio puro.

Quando as estrelas são relativamente pequenas - aquelas com menos de 10 vezes a massa do nosso Sol - Ao chegar próximo do fim da sua vida útil, elas perdem as camadas exteriores e tornam-se o que são conhecidas de anãs brancas. Com alta gravidade, os elementos mais pesados descem ao núcleo da estrela enquanto os elementos mais leves como hidrogênio e hélio sobem para a superfície. 

A estrela chamada de SDSS J124043.01 + 671.034,68. Os astrônomos descobriram que sua atmosfera exterior é essencialmente composta de 99,99% de oxigênio. Apenas traços de outros elementos foram detectados, como neon, magnésio e silício.

Em qualquer caso, esta estrela dominada pelo oxigênio é um verdadeiro isolado em termos dos corpos solares que conhecemos, sendo a única estrela entre cerca de 32.000 anãs brancas com tal atmosfera de oxigênio.

"Esta anã branca foi incrivelmente inesperada", diz Kepler . "E como não tínhamos ideia de qualquer coisa como ista poderia existir, o que tornou ainda mais difícil de encontrar."

As conclusões são relatados na Science.

A white dwarf with an oxygen atmosphere
S. O. Kepler1,*, Detlev Koester2, Gustavo Ourique1
1Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 91501-900 Porto Alegre, RS, Brazil.
2Institut für Theoretische Physik und Astrophysik, Universität Kiel, 24098 Kiel, Germany.

Fonte: Peter Dockrill/Science Alert
Imagem: Sciencepics/Shutterstock.com

20/03/2016

Acordo com universidades holandesas vai “internacionalizar” a astronomia brasileira


O Observatório Nacional (ON/MCTI) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCTI) assinaram nesta quinta-feira (17) um convênio com o Netherlands Research School for Astronomy (NOVA), da Holanda, para intensificar a parceria entre os dois países em pesquisa astronômica, e promover a troca de conhecimento e o intercâmbio de pesquisadores. O convênio prevê ainda a participação em projetos conjuntos de pesquisa.
O NOVA reúne institutos astronômicos das universidades de Amsterdam, Groningen, Leiden e Nijmegen, reconhecidas pelas pesquisas de ponta e a formação de pesquisadores nas áreas de evolução de galáxias, estrelas, sistemas planetários e astrofísica dos buracos negros, além do desenvolvimento de instrumentação em astronomia, tanto para telescópios quanto para astrofísica de laboratórios.
“Este convênio celebra um acordo com as mais prestigiosas instituições em astronomia da Holanda. Permitirá o intercâmbio de pesquisadores e estudantes, contribuindo para a internacionalização da astronomia brasileira, em consonância com os temas estratégicos da política de ciência, tecnologia e inovação. Este acordo abrirá as portas para os pesquisadores brasileiros em instituições que estão entre as mais renomadas na Europa na área de astronomia”, afirmou o diretor do ON, João dos Anjos.
“O convênio é de fundamental importância para que o Museu de Astronomia prossiga em seu processo de internacionalização de atividades, tanto na área de divulgação científica, quanto em pesquisas relacionadas à História da Ciência”, acrescentou o pesquisador Alfredo Tolmasquim.
Também participaram da assinatura o reitor da Universidade de Leiden, Carel Stolker, e o cônsul-geral do Reino dos Países Baixos no Rio de Janeiro, Arjen Uijterlinde.
“Brasil e Holanda já possuem uma excelente relação em várias áreas e, por meio desse convênio, pretendemos estreitar ainda mais essa parceria”, revelou Carel Stolker.
O acordo prevê ainda a organização de eventos científicos conjuntos, como conferências e workshops. “Além disso, vamos estimular a interação entre as universidades e empresas dos dois países, para que as pesquisas possam se transformar em produtos e serviços que gerem benefícios reais para a sociedade”, explicou o cônsul Arjen Uijterlinde.
A parceria entre Brasil e Holanda em astronomia remonta ao século 17, quando a Holanda instalou, em Recife, o primeiro observatório astronômico moderno da América Latina, construído em 1639.
Fonte: MCTI
Imagem: Freepik

13/03/2016

Astrônomos descobrem maior objeto do Universo até o momento.


Astrônomos anunciaram recentemente a descoberta do BOSS Great Wall, um grupo de superaglomerados que se estendem por cerca de 1 bilhão de anos-luz de diâmetro e representa a maior estrutura já encontrado em espaço . 

O BOSS Great Wall é uma cadeia de superaglomerados conectados por gases que encontram-se cerca de 4,5 a 6,5 bilhões de anos-luz de distância da Terra.  

De acordo com Joshua Sokol na New Scientist, a megaestrutura descoberta por uma equipe do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias é composta de 830 galáxias separadas e tem uma massa 10.000 vezes maior do que a Via Láctea. 

Fonto: Science Alert
Imagem: Volker Springel / Max Planck Institute para a Astrofísica / SPL

08/03/2016

INCRÍVEL: Vídeo mostra a escala real do Sistema Solar


Todas as imagens que nós encontramos na internet sobre o Sistema Solar não chegam perto de mostrar o tamanho exato do nosso quintal cósmico. Por isso, os cineastas Wylie Overstreet e Alex Gorosh, junto com alguns amigos, foram até o deserto de Nevada e fizeram algo único e até então inacreditável.
O objetivo deles era mostrar uma perspectiva rara sobre os nossos planetas vizinhos. Para isso, criaram um modelo em escala real, o primeiro sistema solar com órbitas planetárias completas, formando uma ilustração verdadeira do nosso lugar no universo. Veja acima o abaixo!



Fonte: RedBull

06/03/2016

Via Láctea cresceu de dentro para fora


As primeiras entre as centenas de bilhões de estrelas da Via Láctea – as estimativas variam entre 100 e 400 bilhões – podem ter começado a brilhar há 13 bilhões de anos, antes mesmo da formação completa da galáxia.

Esta é uma importante dedução suscitada por um mapa cronográfico pioneiro das estrelas mais antigas da galáxia. A principal conclusão do trabalho é que a galáxia começou a formar estrelas de dentro para fora, ou seja, primeiro no núcleo, pipocando depois em direção à sua periferia, o halo galáctico.

É o que explicam os astrofísicos Rafael Santucci e Vinícius Placco, que participaram do estudo internacional publicado no The Astrophysical Journal Letters.

O artigo foi publicado com apoio da FAPESP. Santucci é doutorando no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, sob orientação da professora Silvia Rossi. Placco é professor na University of Notre Dame, nos Estados Unidos, e estudou o halo galáctico também com apoio da FAPESP.

Para entender o significado da pesquisa é preciso imaginar o formato da Via Láctea. Trata-se de uma galáxia em espiral, cujos braços se espraiam a partir do núcleo, formando um disco de 100 mil anos-luz de diâmetro. Em torno do núcleo galáctico, a densidade estelar, ou seja, a quantidade de estrelas próximas umas das outras, é grande.

A essa concentração de estrelas que orbitam próximas ao núcleo dá-se o nome de bojo galáctico. Afastando-se do núcleo, a quantidade de estrelas cai e, por consequência, o disco galáctico afina até chegar às bordas, na periferia da galáxia, onde a densidade estelar é rarefeita.

Mas isso é uma pequena parte da galáxia, a parte visível à maioria dos observatórios astronômicos. O disco da Via Láctea está envolto pelo halo galáctico. Trata-se de um volume de espaço esférico muitas vezes maior que o disco.

As dimensões do halo galáctico são da ordem de várias centenas de milhares de anos-luz. Ele é composto principalmente por matéria escura, uma matéria invisível e desconhecida que faz com que a galáxia mantenha a sua coesão para não se estilhaçar. Mas o halo também é composto por nuvens de hidrogênio – e por estrelas.

As estrelas do halo podem ser divididas em três conjuntos. No primeiro, estão agrupadas as dezenas de milhares em densos aglomerados esféricos chamados aglomerados globulares.

Conhece-se cerca de 150 aglomerados orbitando a Via Láctea, mas há também dois outros conjuntos estelares. Existem estrelas que foram parar no halo porque sua velocidade de escape fez com que se desgarrassem do disco galáctico.

E há igualmente aquelas que originalmente pertenciam a outras galáxias, pequenas, que acabaram canibalizadas pela Via Láctea há bilhões de anos. São estes dois últimos conjuntos de estrelas os alvos de investigação do trabalho recém-publicado. Mais especificamente, a pesquisa envolveu um tipo particular de estrelas do halo, as chamadas “estrelas azuis do ramo horizontal”.

“São estrelas gigantes, em média dez vezes maiores que o Sol, que se encontram a caminho do fim da sua vida. Aquelas estrelas já passaram da sua fase jovem, quando queimavam hidrogênio. Estão agora na fase avançada, fundindo hélio e carbono”, explicou Santucci.

Quando esse suprimento findar, elas encolherão e se tornarão anãs brancas, que é o mesmo futuro do Sol. Os pesquisadores pretendiam reunir um grande número dessas estrelas azuis do ramo horizontal para analisar a cor de sua luz. Com isso, talvez fosse possível estimar a sua idade.

O cálculo da idade de uma estrela é feito a partir da combinação da análise da sua cor e também da assinatura química de sua luz. “As cores das estrelas estão relacionadas com suas temperaturas, que, por sua vez, estão relacionadas com suas massas, sendo que estas regem seus tempos de vida”, disse Placco.

Santucci observa que, no caso específico desta pesquisa, “as variações de idade que descrevemos no trabalho foram baseadas nas cores”.

Quanto às cores das estrelas, na maioria dos casos estrelas jovens e grandes são brancas ou azuis e estrelas de porte médio são amarelas ou laranjas. Estrelas velhas, caminhando para o fim da vida, se tornam gigantes vermelhas, para na senilidade virarem anãs brancas. “Mas as estrelas azuis do ramo horizontal são uma exceção à regra. Elas mantêm a cor azul mesmo no fim da vida”, disse Santucci.

Segunda geração estelar

Espectroscopia é a análise da assinatura química da luz das estrelas. Quando a luz produzida no núcleo da estrela escapa, passando por sua atmosfera, qualquer elemento químico presente na atmosfera deixa sua presença indelevelmente marcada para sempre no espectro daquela luz. Quando os astrônomos registram a luz de uma estrela distante, uma das primeiras coisas que fazem é analisar seu espectro.

Quando o Universo começou sua expansão, havia somente três elementos químicos, o hidrogênio, o hélio e uma pequena fração de lítio. Todos os demais elementos foram forjados no coração da primeira geração de estrelas, que terminou a vida em cataclísmicas explosões chamadas supernovas. Foram os detritos daquelas explosões que semearam o meio interestelar com todos os elementos da tabela periódica.

Essa semeadura prosseguiu e prossegue até hoje, com as supernovas das gerações subsequentes de estrelas. Acredita-se que o Sol, devido à sua composição química, seja produto da evolução de diversas gerações de estrelas. Em sua atmosfera existe uma grande variedade de elementos químicos.

Ao analisar o espectro da luz das estrelas, se os astrofísicos estão à caça de astros muito antigos, irão procurar aqueles cuja assinatura química indique a presença de alguns poucos elementos químicos além de hidrogênio, hélio e lítio, notadamente o carbono e o nitrogênio, entre outros.

Quando os cientistas encontram astros com tal composição, é um forte indicativo de que se trata de estrelas muito antigas, pertencentes à segunda geração estelar do Universo. “Elas podem ser tão ou mais antigas do que a Via Láctea”, afirmou Placco.

Um primeiro trabalho do gênero foi publicado em 1991. Nele, a partir do estudo de 150 estrelas, procurou-se aferir sua distância e idade. Quanto à idade, não foram bem-sucedidos. A qualidade dos dados à disposição à época ainda era rala. “Vinte e quatro anos depois, o trabalho do Rafael (Santucci) foi fazer uma nova seleção de estrelas”, contou Placco.

Para tanto, Santucci mergulhou na gigantesca base de dados do projeto Sloan Digital Sky Survey (SDSS), nos Estados Unidos, cuja meta é catalogar centenas de milhares de galáxias distantes. “Mas como as estrelas da Via Láctea estão no meio do caminho, um subproduto importante do SDSS foi descobrir muitos milhares de estrelas no halo galáctico”, disse Santucci.

Ele vasculhou nos arquivos do SDSS e conseguiu pinçar 4.700 estrelas. Foi a partir do estudo dessas estrelas que se criou o primeiro mapa das estrelas mais antigas da Via Láctea. “A quantidade e a qualidade dos dados hoje à disposição são muito maiores e melhores do que aquelas do artigo de 1991”, disse Placco.

Com o mapa dos dois hemisférios (acima e abaixo do disco galáctico) da Via Láctea, foi possível descobrir o seguinte: as estrelas mais antigas se formaram antes ou concomitantemente “ao colapso gravitacional da imensa nuvem de gás que formou as estrelas do centro da Via Láctea”, segundo explicou Santucci.

“Nosso mapa mostra que os objetos mais próximos do centro da galáxia têm uma idade de cerca de 13 bilhões de anos”, disse.

A partir de então, as estrelas continuaram se formando, em ordem cronológica do centro para fora. “Nosso estudo veio confirmar antigas teorias da evolução galáctica, que postulavam que as estrelas mais antigas teriam se formado no centro e as mais jovens progressivamente em direção ao halo. Ninguém tinha mostrado isto antes”, disse Santucci.

Como esse resultado surpreendente não foi antecipado, os autores estão escrevendo um novo artigo para submeter à revista Science. “Trata-se de um mapa muito maior e mais preciso, feito a partir de uma amostra com 100 mil estrelas”, antecipou Santucci.

Uma evidência da originalidade da pesquisa dos brasileiros está no trabalho da concorrência acadêmica. Na primeira semana de janeiro, em reunião da Associação Americana de Astronomia na Flórida, foi apresentado outro mapeamento das idades das estrelas na Via Láctea, desta vez baseado em uma amostra de 70 mil estrelas gigantes vermelhas.

O foco não foi o halo, mas o disco galáctico. O trabalho confirmou o esperado quanto ao crescimento da galáxia: começou no meio e cresceu para fora. A prova é a abundância de estrelas antigas no meio do disco, segundo Melissa Ness, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha.

O artigo Chronography of the Milky Way's Halo System with Field Blue Horizontal-Branch Stars (doi:10.1088/2041-8205/813/1/L16), de Rafael Santucci, Vinicius Placco e outros, pode ser lido em http://iopscience.iop.org/article/10.1088/2041-8205/813/1/L16 

Fonte: Peter Moon | Agência FAPESP
Imagem: Nasa

04/03/2016

Telescópio Hubble fotografa galáxia mais distante já encontrada


Astrônomos anunciaram nesta quinta-feira (3) ter descoberto a mais distante galáxia já observada.
Posicionada a 13,4 bilhões de anos-luz de distância, a estrutura cósmica se formou quando o universo tinha apenas 400 milhões de anos de idade, passados desde o Big Bang.

A localização da galáxia, descoberta pelo Telescópio Espacial Hubble, significa que a luminosidade produzida por ela, viajando a à velocidade da luz (cerca de 1 bilhão de km/h), levaria 13,4 bilhões de anos para chegar até a Terra.

A galáxia, catalogada com a sigla GN-z11, foi avistada na direção da constelação da Ursa Maior. O Hubble a avistou dois anos atrás durante uma operação de varredura do céu, mas só agora cientistas confirmaram a descoberta, após uma análise detalhada dos dados.

Na época, astrônomos sabiam que estavam observando algo muito distante, possivelmente tão distante quanto 13,2 bilhões de anos-luz. Uma nova observação da galáxia, com um instrumento do Hubble que separa a luz em diversos comprimentos de onda revelou que a GN-z11 estava ainda mais distante que se achava, batendo um recorde por 200 milhões de anos.

Cientistas se disseram surpresos de terem conseguido determinar a distância da galáxia usando o Hubble, um telescópio operado pela Nasa. Um estudo sobre a descoberta sia na edição da semana que vem da revista "The Astrophysical Journal".

"Demos um grande passo atrás no tempo, além daquilo que jamais esperávamos poder fazer com o Hubble", afirmou o astrônomo Pascal Oesch, da Universidade Yale, em um comunicado.

A chave para a descoberta foi precisamente medir o alongamento do comprimento de onda da luz da galáxia para a região do vermelho. Essa medida diz quão rápido GN-z11 está se afastando da Terra, como medida da expansão do Universo, o que permite inferir a distância dela até nós.

Apesar de ser uma galáxia pequena para padrões atuais, GN-z11 é enorme, considerando que foi formada em uma época na qual o Universo tinha apenas 3% do tamanho que possui hoje, afirmou Garth Illingworth, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, coautor do estudo.

"Estamos vendo uma galáxia em sua infância", afirma Illingworth. "É incrível que uma galáxia tão grande tenha existido apenas 200 milhões ou 300 milhões de anos após as primeiras estrelas terem se formado."

GN-z11 possui cerca de 1 bilhão de vezes a massa do Sol. A galáxia é 25 vezes menor que a Via Láctea, apesar de estar produzindo estrelas 20 vezes mais rápido que a Via Láctea hoje.

Astrônomos afirma que esse recorde deve permanecer de pé até 2018, quando o Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, será lançado.

Fonte: Reuters
Foto: Nasa