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07/09/2016

Cientistas estudam possível ação da vitamina C na terapia de depressão

Ácido ascórbico, como é chamada, também atua como neuromodulador. Em bichos, combinação com antidepressivos potencializou tratamento.

Uma molécula simples e muito bem conhecida pela população é vista como esperança de evolução no tratamento de transtornos depressivos. O uso do ácido ascórbico, mais conhecido como vitamina C, em modelos de depressão em animais tem sido estudado há quase 10 anos por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Experimentos do grupo já demonstraram que o uso de ácido ascórbico em associação a três antidepressivos disponíveis – fluoxetina, imipramina e bupropiona – potencializou o efeito dos medicamentos em camundongos com sintomas de depressão. E mesmo a administração desses antidepressivos em doses menores do que seriam efetivas conseguiu reduzir os sintomas dos animais quando em associação com o ácido ascórbico.
“Os antidepressivos têm muitos efeitos adversos, que são inclusive motivo de abandono do tratamento. Se conseguirmos baixar essa dose ao associá-los com um agente sem efeitos colaterais, teria talvez uma estratégia terapêutica muito promissora no tratamento da depressão”, diz a pesquisadora Ana Lúcia Severo Rodrigues, que apresentou os resultados que seu grupo tem obtido nos últimos anos na 31ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), nesta quarta-feira (31), em Foz do Iguaçu.
Neuromodulador
Mas não é seu papel de vitamina o responsável pelos efeitos observados em animais, segundo Ana Lúcia. “O ácido ascórbico é conhecido pelo público como uma vitamina hidrossolúvel necessária na alimentação. Mas é uma substância que também modula a função do sistema nervoso”, explica.

Os efeitos positivos do ácido ascórbico foram observados em camundongos nos quais os sintomas depressivos foram induzidos por meio da administração do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), substância que tem ação inflamatória. O grupo de Ana Lúcia estuda o papel do TNF-alfa na depressão de caráter inflamatório, tipo de depressão apresentada por parte dos pacientes.
“O TNF-alfa seria um dos componentes envolvidos na resposta inflamatória que pode estar promovendo comportamento depressivo”, diz a pesquisadora. Ela acrescenta que estudos mostram que, quanto maior o nível de marcadores que indicam inflamação em pacientes com depressão, menor sua resposta aos remédios disponíveis.
O ácido ascórbico, por sua vez, atua em um sistema de neurotransmissores que pode estar envolvido com o mecanismo inflamatório desse tipo de depressão, por isso passou a ser estudado pelo grupo, que avalia se essa molécula pode ter como alvo o TNF-alfa. Ana Lúcia lembra que, apesar de os resultados em animais serem promissores, ainda não são suficientes para recomendar o uso da estratégia a pacientes. Ainda são necessários testes clínicos, em humanos.
“A aprovação de testes clínicos neste caso pode ser mais simples, menos burocrática, pelo fato de ser um composto isento de efeitos colaterais, que já é utilizado para muitos outros fins. Mas quanto à indústria farmacêutica, é mais complicado, pois ela tem interesse de desenvolver novas moléculas e este é um composto acessível, barato”, diz a pesquisadora, acrescentando que por esse motivo não há apelo comercial para as pesquisas com ácido ascórbico.
FONTE: G1 - Mariana LenharoFoz do Igauçu

02/08/2016

Cientistas descobrem 17 variações genéticas ligadas à depressão



Cientistas descobriram nesta segunda-feira (1º) novas evidências de um risco hereditário para a depressão e revelaram 17 variações genéticas ligadas ao transtorno depressivo maior (MDD).
A descoberta deverá aumentar a compreensão da biologia por trás do MDD e abrir caminhos para tratá-lo, afirmou a equipe em artigo publicado na revista científica "Nature Genetics".
O MDD, mais conhecido simplesmente como depressão, é considerado um transtorno mental que a maioria dos especialistas acredita que seja causado por uma combinação de fatores genéticos e ambientais.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é uma das principais causas de invalidez no mundo todo, afetando cerca de 350 milhões de pessoas.
O transtorno pode causar mudanças de humor, fadiga e perda de sono e de apetite. O novo estudo é o primeiro a encontrar associações genéticas com o MDD entre pessoas de ascendência europeia. A única evidência de DNA encontrada anteriormente havia sido entre asiáticos.
"Esperamos que esses resultados ajudem as pessoas a compreender que a depressão é uma doença do cérebro com sua própria biologia", disse o coautor do estudo Roy Perlis, do Hospital Geral de Massachusetts.
"Agora vem o trabalho duro de usar esses novos entendimentos para tentar desenvolver melhores tratamentos", acrescentou Perlis, em um comunicado.
A equipe usou dados disponíveis on-line - os perfis genéticos de mais de 450.000 pessoas, compartilhados voluntariamente para serem usados nesse tipo de pesquisa. Entre elas, cerca de 121.000 relataram um histórico de depressão.
As variantes genéticas compartilhadas estavam em locais do genoma envolvidos no nascimento de neurônios no cérebro em desenvolvimento, disseram os pesquisadores.
Elisabeth Binder, do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, disse que o estudo é um avanço importante para a genética da depressão.
A descoberta representa "um primeiro vislumbre de luz no horizonte para médicos e pacientes de que, no futuro, poderemos ser capazes de basear o diagnóstico e o tratamento na biologia", disse a pesquisadora, por intermédio da organização Science Media Centre, em Londres.
Mas Jonathan Flint, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, observou que as pessoas que participaram do estudo relataram elas mesmas os seus históricos de depressão, em vez de fornecerem um registro médico formal.
Como resultado, a associação observada "pode não ter nada a ver com o transtorno depressivo maior", advertiu Flint.

Fonte: AFP

22/05/2016

Cogumelos alucinógenos podem tratar depressão profunda, diz estudo


A psilocibina, o componente psicodélico presente em cogumelos, pode um dia ser um tratamento eficaz para pacientes com depressão profunda que não conseguem se recuperar usando outras terapias.
Um estudo piloto de pequena escala do uso da psilocibina em casos de depressão resistente a tratamento convencional mostrou que o método é seguro e eficiente, disseram pesquisadores britânicos.
Dos 12 pacientes que receberam a droga, todos mostraram algum recuo nos sintomas de depressão durante pelo menos três semanas. Sete continuaram a exibir uma reação positiva após três meses, e cinco continuavam em recuperação após este período.
Robin Carhart-Harris, que liderou o estudo no departamento de medicina do Imperial College de Londres, disse que os resultados, publicados no periódico científico Lancet Psychiatry, são surpreendentes.
Muitos pacientes descreveram uma experiência profunda, disse ele, e pareceram ter uma transformação na maneira como percebem o mundo.
"Mas não devemos nos empolgar com estes resultados", afirmou aos repórteres em um boletim em Londres. "Isso não é uma bala de prata. Estamos começando a aprender como fazer este tratamento".
Os cogumelos mágicos crescem em todo o mundo e vêm sendo usados desde os tempos antigos, tanto para recreação quanto para rituais religiosos.      
Fonte: Reuters

18/05/2016

Medicina da USP vai testar no SUS aplicativo para tratar depressão


Em junho, a USP começa uma experiência inovadora no tratamento da depressão. Considerada a segunda maior causa de incapacitação e afastamento do trabalho no mundo, a doença  receberá uma nova conduta médica por meio do uso de um aplicativo para smartphone – o Conemo – que será testado em pacientes de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Zona Leste de São Paulo. Depois de processar informações sobre o estado emocional dos pacientes, o programa de ativação de comportamento intervém com estímulos propondo a execução de ações prazerosas e saudáveis, a fim de aliviar os sintomas da depressão.

Os pacientes terão como empréstimo por seis semanas um smartphone com o aplicativo instalado. Durante esse período, os participantes serão monitorados por profissionais de enfermagem  que fazem parte da equipe de saúde da família e que foram devidamente treinados para executarem a função. Três vezes por semana, os pacientes receberão uma notificação em seu aparelho para entrar no aplicativo. Por meio de questionários, textos e vídeos, eles serão convidados a fornecer informações sobre seu estado emocional naquele determinado dia. Baseado no processamento desses dados, o programa encorajará os pacientes a serem mais ativos, propondo-lhes atividades agradáveis e saudáveis como parte de seu dia a dia. A equipe de enfermagem, que também terá supervisão de pesquisadores do projeto Conemo, estará preparada para dar suporte para quem estiver tendo dificuldade no uso do aplicativo ou deixar de realizar alguma atividade proposta.

Segundo o médico Paulo Rossi de Menezes, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP e pesquisador do hub Latin America Treatment and Innovation Network Mental Health (Latin-MH), instituição que desenvolveu o aplicativo, os resultados dessa pesquisa devem ser bastantes satisfatórios e devem trazer benefícios e melhorias à saúde mental e física dos pacientes. Menezes contou que um projeto piloto semelhante a esse já foi implementado na cidade de Lima, no Peru,  e obteve resultados positivos.

"Essa linha de pesquisa visa a desenvolver e testar novas tecnologias que permitam ampliar o acesso de pessoas aos tratamentos efetivos, uma vez que há uma escassez de profissionais especializados nos países de baixa renda.”

O aplicativo foi desenvolvido por pesquisadores da FMUSP, em parceria com outros cientistas da London Schooll of Hygiene & Tropical Medicine, da Universidad Peruana Cayetano Heredia e da Northwestern University, integrantes do hub Latin-MH. Além do Brasil, fazem parte do Latin-MH o Peru, os Estados Unidos, o Equador e a Guatemala. O Latin-MH é um hub de pesquisa e treinamento de profissionais em saúde mental, com o objetivo de reduzir a lacuna de tratamentos em transtornos mentais, especialmente na atenção primária, na América Latina e no Caribe.


Leia mais em Jornal da USP
Fonte: Ivanir Ferreira/Jornal da USP

15/04/2016

Maconha não causa ansiedade e depressão, diz estudo



Maconha não aumenta o risco de desenvolver ansiedade ou depressão, diz um novo estudo.
Há muito debate sobre a ligação potencial da droga com os problemas de saúde mental.
Um grande estudo realizado no ano passado constatou que um em cada quatro novos casos de condições psicóticas como a esquizofrenia poderia ser o resultado direto de fumar extra-fortes variedades de cannabis, conhecida como skunk.

Mas um estudo realizado por cientistas da Universidade de Columbia, com base em 35.000 adultos americanos, não encontrou nenhuma ligação entre maconha e ansiedade e depressão.
Os pesquisadores analisaram a prevalência de uso de maconha entre os participantes, em seguida, avaliou as suas taxas de problemas de saúde mental três anos depois.
No entanto, o estudo encontrou que os usuários de maconha são mais propensos a se tornarem dependentes de outras substâncias, por exemplo, se tornando alcoólicos ou fumantes.
Aqueles que usaram maconha tiveram um risco aumentado de desenvolver distúrbios de uso de álcool e de drogas, incluindo a dependência da nicotina.
Usuários da droga foram apontados três vezes mais propensos a ter problemas com o álcool e duas vezes mais propensos a fumar cigarros.
No estudo, publicado na revista JAMA Psychiatry, os autores escreveram: "Nosso estudo indica que o consumo de cannabis está associado com o aumento da prevalência e incidência de transtornos por uso de substâncias". 

Fonte: Sophie Jamieson/Telegraph

Foto: Stuart Aylmer/ Alamy

01/04/2016

Instituto de Psiquiatria disponibiliza vagas para pacientes voluntários


O Instituto de Psiquiatria (IPq), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP, disponibiliza vagas para pacientes voluntários em diversos grupos e projetos de pesquisa.
Os tratamentos são gratuitos e incluem medicações, exames laboratoriais e de imagem, de acordo com os serviços oferecidos.
São oferecidos os seguintes tratamentos:
TDAH
Destinado às crianças entre 3 anos e 11 meses e 5 anos e 11 meses, que apresentem agitação e desatenção. Se confirmado diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), o paciente será incluído em protocolo de tratamento com duração de oito semanas. Informações e inscrições no site.
Ciúme patológico
Para pessoas maiores de 18 anos, que percebam que seu ciúme prejudica o relacionamento amoroso de alguma forma, sendo motivo de brigas ou discussões, com queixas e reclamações sobre o ciúme excessivo do/a parceiro/a. Inscrições pelo telefone: (11) 2661-7805 ou email proamiti.secretaria@gmail.com.
Gestantes e pós-parto
Podem participar gestantes de 18 a 45 anos, com quadros de depressão e ansiedade e para mulheres até o 6º mês do período pós-parto, de 18 a 45 anos, com quadro de depressão pós-parto. Agendar triagem pelo telefone (11) 2661-6440, com Irene.
Jogo patológico
Voltado para voluntários maiores de 18 anos, que apresentem compulsão por jogos de azar, a ponto de prejudicar seu trabalho, finanças ou relacionamentos. Inscrições para triagem pelos telefones. (11) 2661-7805 / 2307-7805 ou enviar email paraproamjo.secretaria@gmail.com.
Memória  
Para pessoas a partir de 60 anos, sem dificuldades de memória ou raciocínio em geral ou apenas com dificuldades leves, para estudo que pretende identificar o risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, com uso de uma nova tecnologia diagnóstica. Informações e inscrições pelo telefone (11) 94321-3537 (deixar nome e telefone de contato na caixa postal) ou pelo email pesquisamemorialim27@gmail.com.
Psicoterapia para cuidadores de pessoas com Alzheimer
Atendimento psicológico (grupo de apoio) para cuidadores de pacientes com doença de Alzheimer que apresentem sintomas depressivos e ansiosos (comuns nessa situação, em razão da sobrecarga de tarefas e responsabilidades). Critérios para participar: ser o cuidador principal ou exercer essa atividade no mínimo duas horas por dia; apresentar sintomas de sobrecarga e/ou depressivos, com perda de qualidade de vida; ter mais de 35 anos e, obrigatoriamente, ser familiar do doente. Inscrições pelo email grupopsicorpo@gmail.com.
Portadores de doença de Alzheimer e seus cuidadores
O serviço de Terapia Ocupacional procura pessoas acima de 60 anos, que apresentem demência de Alzheimer, diagnosticada há mais de 3 anos (fase moderada), bem como seu cuidador direto, maior de 18 anos, para estudo no qual os cuidadores serão ensinados a manejar pacientes que apresentem agitação, agressividade e alterações do sono, entre outros, visando melhorar esses sintomas e diminuir a sobrecarga para ambos. O paciente deverá vir ao IPq juntamente com seu cuidador, pelo período de três meses, uma vez por semana. Informações e inscrições (11) 2661-8043 ou email xandamartini@usp.br.
Transtorno bipolar em fase depressiva
Podem participar homens e mulheres de 18 a 59 anos, que apresentem transtorno bipolar e se encontrem deprimidos no momento, apresentando sintomas como tristeza profunda, desânimo, apatia, falta de energia, pensamentos negativos, cansaço e falta de concentração, entre outros. Inscrições e informações pelo telefone (11) 2661-7928 ou email pesquisaproman@gmail.com.
Estresse pós-traumático
O tratamento é destinado a voluntários de 18 a 65 anos, que tenham vivenciado ou presenciado eventos traumáticos em qualquer momento da vida e que ainda se encontrem emocionalmente abalados. Serão oferecidos tratamentos médico e psicológico. Informações e inscrições telefone (11)94990-4532; (11) 98938-9805 ou email novasestrategias.ipq@hc.fm.usp.br.
Depressão 
Para homens e mulheres de 18 a 65 anos, que apresentem depressão unipolar (aquela sem alternância no estado de humor) ou bipolar (episódios depressivos que incidem em portadores do transtorno bipolar do humor). Inscrições e informações pelo site.
Compulsão alimentar
Destinado às mulheres de 18 a 60 anos, que tenham realizado cirurgia bariátrica para perda de peso há mais de 2 anos, mas que mantenham IMC superior a 30kg/m² e apresentem episódios de compulsão alimentar. Informações e inscrições para triagem pelo email:ambulim.ipq@hc.fm.usp.br ou telefone (11) 2661-6975.
Anorexia 
Adolescentes de 12 a 17 anos, com diagnóstico de anorexia nervosa ou que tenham apresentado perda de peso em um curto período de tempo, acompanhado de medo intenso de engordar. Inscrições pelo email: protad.hc@uol.com.br (informar nome completo do adolescente, data e ano de nascimento, nome dos pais ou responsáveis, motivo da procura por atendimento e telefones de contato).
Bulimia  
Para adolescentes até 17 anos, com bulimia nervosa. Os pacientes selecionados receberão atendimento psiquiátrico, nutricional e psicológico. Inscrições pelo email:protad.hc@uol.com.br – informar nome completo do adolescente; data de nascimento; nome dos pais ou responsáveis; motivo da procura por atendimento e telefone para contato.
Transtorno ​dismórfico ​corporal​ ​
Podem participar pessoas de ambos os sexos, maiores de 18 anos, ​que apresentem transtorno ​dismórfico ​corporal​,​ distúrbio mental que se caracteriza por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo.​ ​Informações e inscrições telefone (11) 2661-6975 ou email: ambulim.ipq@hc.fm.usp.br.
Skin picking 
Para homens e mulheres maiores de 18 anos, que apresentem skin piching, síndrome que leva as pessoas a cutucarem a pele compulsivamente, provocando lesões em diferentes graus, em várias partes do corpo (especialmente áreas que podem ser “escondidas” pela roupa). Os interessados podem se inscrever para triagem pelo fone (11) 2661-7805 ou email:proamiti.secretaria@gmail.com.
Idosos com TDAH
Para pessoas a partir de 65 anos, que apresentem sintomas de transtorno de déficit atenção e hiperatividade (TDAH) desde a infância e/ou juventude (desatenção, distração, desorganização, procrastinação, agitação). Inscrições para triagem pelo email:idosotdah@gmail.com ou diretamente com a psicóloga Margarete Klein – telefone. (11) 99229-0359.
Epilepsia 
Voltado às crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, com diagnóstico de epilepsia rolândica, ou adolescentes e adultos, de 16 a 55 anos, com epilepsia mioclônica juvenil. Informações e inscrições pelo site ou telefone (11) 2661-6518.
Esquizofrenia
Para pessoas de 18 a 55 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, para uma nova abordagem terapêutica, a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), que vem se mostrando eficaz no controle de sintomas chamados negativos, como apatia, falta de vontade e de energia, isolamento social e baixa afetividade, presentes em cerca de 60% dos portadores da doença. Informações e inscrições pelo e-mail:pesquisa.esquizofrenia@gmail.com.
Oniomania (compra compulsiva) 
Podem participar pessoas de 21 a 60 anos, que apresentem comportamento repetitivo e crônico de gastar descontroladamente – compra compulsiva ou oniomania. Esses indivíduos também podem apresentar outros transtornos associados, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar. Informações e inscrições telefone (11) 2661-7805 ou site.
Mais informações: site www.ipqhc.org.br
Fonte: USP

14/02/2016

USP conduz estudo sobre uso de ayahuasca para tratar depressão


Na primeira edição desse ano, a Revista Brasileira de Psiquiatria publicou um estudo sobre o uso de ayahuasca para tratamento da depressão. As sessões foram conduzidas no Departamento de Neurociência e Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

A causa da depressão é incerta, mas a hipótese mais aceita atualmente – e na qual os tratamentos tradicionais se baseiam – é de que ela é causada por um desequilíbrio nas monoaminas cerebrais como a dopamina, norepinefrina e especialmente, serotonina. Os efeitos psicoativos da ayahuasca são produzidos pela ação conjunta da inibição das enzimas monoamina oxidase no trato gastrointesinal e no fígado; assim como a ação do DMT nas áreas frontais e paralímbicas do cérebro, mais precisamente nos receptores 5-HT1A/2A/2C, que são receptores que se ligam à serotonina.

A ação agonista dos alcalóides presentes na ayahuasca sobre os receptores serotonérgicos junto com os relatos de que a bebida causa sensações de bem-estar levaram à hipótese de que ela pode ser útil no tratamento da depressão.

Método
O estudo contou com 6 participantes diagnosticados com depressão leve a severa e que não encontraram benefícios com os tratamentos tradicionais. A amostra de ayahuasca foi preparada por membros do Santo Daime, consistindo de galhos do cipó Banisteriopsis caapi – ricos em harmina (inibidor da monoamina oxidase) – e folhas do arbusto Psychotria viridis – ricas em DMT.

Cada participante tomou 2mL/kg de ayahuasca, que continha 0.8mg/mL de DMT e 0.21mg/mL de harmina. A sessão ocorreu numa sala psiquiátrica com luz baixa, onde os participantes permaneceram sentados numa poltrona confortável por aproximadamente 4h enquanto os testes eram feitos.

Várias escalas para medir os níveis de depressão foram usadas. Uma primeira medição foi feita 10 minutos antes da ingestão da ayahuasca e, após a ingestão, várias outras medições ao longo do dia; assim como no dia seguinte, 7, 14 e 21 dias depois.

Resultados
No primeiro dia depois da ingestão, os níveis de depressão caíram 62%, diminuindo ainda mais em 72% no sétimo dia, subindo um pouco no 14º e voltando a cair no 21º (figura 01).

As mudanças mais marcantes nas pontuações foram causadas por itens relacionados ao humor, sentimentos de culpa, intenções suicidas e dificuldades no trabalho e outras atividades.


Os medicamentos tradicionais usados no tratamento de depressão demoram em média 2 semanas para fazer efeito, enquanto a ayahuasca mostrou benefícios logo no primeiro dia após sua ingestão.

A administração da ayahuasca nos participantes não produziu efeitos cognitivos e sensórios de forma significativa, apesar de terem sido observados entre 80 e 140 minutos após ingestão. A ausência desses efeitos pode ser explicada pela concentração relativamente baixa de DMT na amostra que foi usada. Isso sugere que mudanças na percepção podem não ser essenciais para os efeitos terapêuticos.

A bebida foi bem tolerada pelos participantes, sugerindo que ela pode ser administrada de forma segura a pacientes com depressão. O único efeito adverso reportado pelos voluntários foi o vômito, mas eles não consideraram que isso teve qualquer influência sobre os efeitos antidepressivos, além de não considerarem ter sido um desconforto grave.

Os resultados indicam que a ayahuasca tem um potencial significativo como antidepressivo. Foram observadas diminuições nos níveis de depressão nas diversas escalas, e as diferenças foram semelhantes em todos os voluntários, que passavam por episódios depressivos de intensidades diferentes e que não encontraram ajuda nos medicamentos tradicionais.