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02/09/2016

Pesquisa abre caminho para diagnóstico precoce de Alzheimer

Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), com apoio da FAPESP, pode tornar possível o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
Atualmente, ainda não há marcadores biológicos ou exames de imagem disponíveis na rotina clínica para detectar o avanço do processo degenerativo cerebral. O diagnóstico é feito apenas quando já há sinais de declínio cognitivo – basicamente por exclusão de outras condições que causam perda de memória e demência.
“Estima-se que quando os pacientes começam a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neurônios já morreram. E, a essa altura, não há muito mais o que fazer. Porém, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no início, as chances de estabilizar sua progressão com as drogas hoje disponíveis são muito maiores”, disse à Agência FAPESPLuciana Malavolta Quaglio, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP.
Alguns resultados do trabalho coordenado por Malavolta foram apresentados dia 30 de agosto, em Foz do Iguaçu, durante a 31ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).
Em seu laboratório, a pesquisadora sintetizou pequenos fragmentos peptídicos capazes de serem atraídos por um peptídeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Por motivos ainda não totalmente compreendidos pela ciência, as moléculas beta-amiloide naturalmente presentes no organismo começam a se agregar umas às outras, formando as chamadas placas beta-amiloidais. Esses agregados se acumulam no cérebro e causam uma série de alterações que, em conjunto com outros fatores, resultam na morte de neurônios.
O objetivo da pesquisa de Malavolta é desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames clínicos a presença das placas beta-amiloidais no cérebro.
“Estamos testando quatro diferentes fragmentos peptídicos – todos com poucos aminoácidos. Enquanto o peptídeo beta-amiloide tem cerca de 42 resíduos de aminoácidos, os nossos têm entre quatro e seis, pois, se forem grandes, não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica (um conjunto de células extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue) e chegar ao cérebro”, explicou Malavolta.
O desenho das moléculas foi concluído em 2011. Desde então, em colaboração com cientistas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Malavolta vem aperfeiçoando métodos de radiomarcação, ou seja, de ligar os fragmentos peptídicos a isótopos radioativos – o que possibilita acompanhar a distribuição do composto pelo organismo e realizar exames de imagem.
A estratégia é semelhante à dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a função renal ou cardíaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse é injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao órgão-alvo, as radiações emitidas são identificadas por um equipamento conhecido como câmara de cintilação e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.
A radiomarcação tem sido feita com o radioisótopo tecnécio, elemento que emite radiação gama. Segundo Malavolta, esse isótopo tem sido bastante usado em exames de medicina nuclear para diagnóstico, pois tem meia-vida de seis horas – tempo suficiente para a realização do exame e para o paciente ter alta hospitalar no mesmo dia.
“Em média, as técnicas de radiomarcação de forma direta com tecnécio (na qual o radioisótopo é ligado diretamente na molécula) descritas na literatura científica alcançam um rendimento entre 60% e 65% [porcentagem de fragmentos que de fato permanecem ligados ao radioisótopo]. Nós conseguimos valores acima de 90%, o que é considerado bastante satisfatório no campo da medicina nuclear."
Ensaios pré-clínicos
Diversos testes in vitro e in vivo foram feitos para avaliar a estabilidade dos peptídeos radiomarcados e sua biodistribuição no organismo.
Em um dos experimentos, foi comparado um grupo de camundongos sadios e outro geneticamente modificado para desenvolver um quadro semelhante ao Alzheimer. Nesse modelo, para induzir a formação das placas beta-amiloidais no cérebro dos animais, é inserido no genoma do roedor uma mutação dupla na proteína APP (proteína precursora amiloidal), que dá origem ao peptídeo beta-amiloide.
Os fragmentos radiomarcados foram injetados nos dois grupos de animais e, após diferentes tempos, os pesquisadores faziam a contagem de radiação em cada um dos órgãos, com auxílio de um contador de radiação gama.
“Dependendo do fragmento, observamos que entre 3% e 5% das moléculas radiomarcadas conseguiram de fato chegar até o cérebro dos animais geneticamente modificados, o que é considerado um índice satisfatório. Atualmente, há radiofármacos usados em outros tipos de diagnósticos nos quais a porcentagem de especificidade fica em torno de 1%”, contou Malavolta.
Nos animais controle (sadios), segundo a pesquisadora, as atividades radioativas referentes aos peptídeos radiomarcados ficaram ao redor de 0.5% no cérebro.
Nos testes in vitro, o índice de interação dos fragmentos radiomarcados com as células cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. Já com as células dos camundongos sadios o índice ficou entre 10% e 12%.
Ao avaliar a interação dos fragmentos radioativos com as proteínas presentes no sangue dos roedores, o índice ficou em torno de 35% nos dois grupos.
“Nesse caso, quanto mais baixo for o índice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos peptídicos estão livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos fármacos disponíveis atualmente apresentam 95% de interação com as proteínas plasmáticas, ou seja, apenas 5% das moléculas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma eficiência. Imagina quando se tem 65% do composto livre", comparou Malavolta.
Uma das estratégias que a pesquisadora pretende testar para aumentar a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao cérebro é o encapsulamento em nanopartículas. Alguns testes iniciais já foram feitos.
Resultados preliminares da pesquisa apresentada na FeSBE também já foram publicados nos periódicos: Neurological Sciences,Neuropeptides, Journal of Peptide Science, Protein & Peptide Letters e Revista Brasileira de Psiquiatria, entre outros. 
Fonte: Karina Toledo, de Foz do Iguaçu | Agência FAPESP

29/07/2016

Terapia experimental contra Alzheimer mostra resultado promissor



Um grupo de cientistas que busca um tratamento para atrasar o avanço do mal de Alzheimer recebeu com esperança os resultados promissores de um pequeno ensaio clínico.
O fármaco experimental LMTM, da empresa TauRx Therapeutics Ltd., sediada em Cingapura, foi concebido para reduzir a acumulação das proteínas tau no cérebro.
Quando o cérebro não funciona corretamente, essa proteína se acumula de forma anormal, provocando degenerações nos neurônios, como a doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência.
De um modo geral, o ensaio clínico envolvendo 891 pessoas com suspeita de Alzheimer não mostrou nenhum benefício para os que tomaram até duas doses da droga ou um placebo.
A maioria dos pacientes do estudo estava tomando, além da droga experimental, outros medicamentos já aprovados para a doença de Alzheimer, disseram os pesquisadores.
Mas um subgrupo menor, de cerca de 100 pacientes que estavam tomando apenas o fármaco experimental e não recebiam nenhum outro tratamento para Alzheimer, mostrou um ritmo de atrofia cerebral muito lento, de acordo com os resultados apresentados na quarta-feira na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC), em Toronto, no Canadá.
"Os resultados do estudo não mostraram benefícios do tratamento para nenhum dos grupos, independentemente das doses do fármaco, nas análises preliminares", disse o autor do estudo Serge Gauthier, professor de neurologia na Universidade McGill.
"No entanto, análises adicionais deram resultados muito alentadores e mostraram que os pacientes que tomaram o LMTM como monoterapia tiveram um declínio significativamente menor do que os pacientes de controle ou do que aqueles que tomaram o LMTM associado a outros tratamentos existentes para Alzheimer", completou.
Desaceleração da atrofia cerebral
Os pesquisadores relataram "um benefício estatisticamente significativo nos resultados cognitivos e funcionais, e uma desaceleração da atrofia cerebral" neste pequeno subgrupo.
Os resultados são parte do primeiro ensaio completo de fase III com uma droga anti-tau para a doença de Alzheimer.
"Em um campo minado pelos fracassos consistentes de novos candidatos a fármacos testados nas fases finais de ensaios clínicos e onde não houve nenhum avanço terapêutico prático na última década, estou animado com a promessa do LMTM como uma potencial nova opção de tratamento para esses pacientes", acrescentou Gauthier.
Cautela
Especialistas não envolvidos no estudo, porém, pediram cautela na interpretação dos resultados.
As conclusões são "interessantes mas também complexas, e vai levar tempo para a área determinar o que elas significam", advertiu Maria Carrillo, diretora científica da AAIC.
"O pequeno número de participantes que receberam a medicação do estudo como monoterapia levanta questões muito importantes. São necessárias pesquisas adicionais para nos ajudar a entender esses resultados, para que mais e melhores terapias para o Alzheimer possam ser criadas e efetivamente testadas", acrescentou.
Evento adverso
O estudo mostrou também que 80% dos participantes relataram pelo menos um evento adverso, incluindo distúrbios do sistema gastrointestinal ou nervoso, infecções e problemas renais.
Quase 47 milhões de pessoas no mundo sofrem algum tipo de demência, um número que deverá subir para 131,5 milhões até 2050, segundo a federação Alzheimer's Disease International.
Não há cura para a doença, mas a agência sanitária americana Food and Drug Administration aprovou cinco medicamentos nos últimos 20 anos para tratar seus sintomas.

Fonte: AFP

25/05/2016

Estudo revela efeitos positivos da cannabis na doença de Alzheimer


A cannabis poderá melhorar o consumo de energia pelo cérebro, deficitário na doença de Alzheimer, de acordo com uma pesquisa internacional cujos autores procuram agora separar os efeitos positivos e negativos da substância.

"Alguns efeitos da cannabis poderão melhorar o consumo de energia pelo cérebro, que se encontra deficitário na doença de Alzheimer", revela um estudo liderado pelos centros de Neurociências e Biologia Celular da (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) e para a Investigação Biomédica em Doenças Neurodegenerativas de Espanha (Instituto Cajal).

"O desafio futuro desta descoberta em ratinhos", já publicada na revista Neuropharmacology, reside na separação das consequências negativas e positivas da planta, sublinha a Universidade de Coimbra, numa nota hoje divulgada.

O principal ingrediente psicoativo da marijuana - tetrahidrocanabinol (THC) -, atua sobre dois receptores - CB1 e CB2 -, localizados no cérebro, que se distinguem como os "polícias maus e os polícias bons".

"Os receptores CB1 estão associados à morte neuronal, distúrbios mentais e vício em diferentes drogas ou álcool", enquanto os CB2, pelo contrário, "anulam muitas das ações negativas dos CB1, protegendo os neurônios, promovendo o consumo de glucose (energia) pelo cérebro e diminuindo a dependência de drogas", refere a UC.

Através de diversas técnicas laboratoriais, os pesquisadores concluíram que "os receptores CB2, quando estimulados por análogos do THC quimicamente modificados para interagirem apenas com os receptores CB2 sem ativar o CB1, evitando os efeitos psicotrópicos e mantendo os efeitos benéficos, promovem o aumento de captação de glucose no cérebro", explica Attila Köfalvi, primeiro autor do artigo.

Experiências adicionais com outras técnicas mostraram que este efeito do CB2 não se limita aos neurônios, mas estende-se a outras células do cérebro que ajudam ao funcionamento dos neurônios, os astrócitos.

"No futuro, esta descoberta poderá abrir caminho para uma terapia paliativa na doença de Alzheimer", admite Attila Köfalvi, citado pela UC.

Na pesquisa colaboraram os institutos espanhóis Pluridisciplinar da Universidade Complutense de Madrid e de Tecnologia de Madrid e argentino de Investigações Bioquímicas de Bahía Blanca da Universidade Nacional del Sur.

A pesquisa foi financiada pelo Prêmio Belard Santa Casa da Misericórdia, por um programa norte-americano para o desenvolvimento de tecnologias emergentes e por fundos da União Europeia, designadamente através do Programa Operacional Fatores de Competitividade (Compete), via Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Fonte: Diário de Notícias

01/05/2016

Dispositivo eletrônico detecta moléculas ligadas a câncer, Alzheimer e Parkinson

Um biosensor desenvolvido por pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas, mostrou-se capaz de detectar moléculas relacionadas a doenças neurodegenerativas e alguns tipos de câncer.
Trata-se de um dispositivo eletrônico manufaturado sobre uma plataforma de vidro. Nele, um transistor é formado por uma camada orgânica em escala nanométrica, contendo o peptídeo glutationa reduzida (GSH), que reage de maneira específica quando em contato com a enzima glutationa S-transferase (GST), relacionada a doenças como Parkinson, Alzheimer e câncer de mama, entre outras. A reação GSH-GST é detectada pelo transistor e pode ser utilizada no diagnóstico.
O biossensor foi desenvolvido no âmbito do Projeto Temático "Desenvolvimento de novos materiais estratégicos para dispositivos analíticos integrados", realizado com o apoio da FAPESP, que reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento em torno da tecnologia dos dispositivos point of care, sistemas de teste simples executados junto ao paciente.
“Utilizando plataformas como esta, doenças complexas poderão ser diagnosticadas de forma rápida, segura e relativamente barata, uma vez que a tecnologia utiliza sistemas em escala nanométrica para identificar as moléculas de interesse no material analisado”, explica Carlos Cesar Bof Bufon, coordenador do Laboratório de Dispositivos e Sistemas Funcionais (DSF) do LNNano e pesquisador associado ao projeto coordenado pelo professor Lauro Kubota, do Instituto de Química da Unicamp. 
Além da portabilidade e do baixo custo, Bufon destaca como vantagem do biossensor em escala nanométrica a sensibilidade com que o dispositivo detecta as moléculas.
“Pela primeira vez a tecnologia de um transistor orgânico é utilizada para detecção do par GSH-GST, visando diagnosticar doenças degenerativas, por exemplo. Isso possibilitará a detecção de tais moléculas mesmo presentes em baixas concentrações no material examinado, uma vez que as reações são detectadas em escala nanométrica, ou seja, de milionésimos de milímetros.”
O sistema pode ser adaptado para detecção de outras substâncias, como moléculas relacionadas a diferentes doenças e elementos presentes em material contaminado, entre outras aplicações. Para isso, alteram-se as moléculas incorporadas no sensor, que reagirão na presença dos componentes químicos que são alvo de análise no ensaio, chamados de analitos.
“O DSF do LNNano tem desenvolvido uma variedade de plataformas para sensoriamento químico, físico e biológico voltadas a setores estratégicos nacionais e internacionais, incluindo saúde, meio ambiente e energia”, diz Bufon.
O objetivo, conta o pesquisador, é “ter em mãos uma série de soluções em dispositivos point of care para responder com agilidade a uma série de demandas”. Por exemplo, surtos de doenças ou análise de analitos contaminantes, como o chumbo e toxinas em amostras de água.
A pesquisa que levou ao desenvolvimento do biossensor para detecção de moléculas relacionadas a doenças neurodegenerativas e a alguns tipos de câncer foi relatada no artigo Water-gated phthalocyanine transistors: Operation and transduction of the peptide–enzyme interaction, publicado na revista Organic Electronics, e está disponível no endereço emwww.sciencedirect.com/science/article/pii/S1566119916300416.
O trabalho é de autoria dos pesquisadores Rafael Furlan de Oliveira, Leandro das Mercês Silva e Tatiana Parra Vello, sob a coordenação de Bufon, todos do DSF do LNNano.
Do vidro ao papel
Com o objetivo de reduzir ainda mais os custos, melhorar a portabilidade dos biossensores desenvolvidos e facilitar seu processo de manufatura e descarte, o grupo vem trabalhando em sistemas de detecção de substâncias em plataformas de papel.
“O papel, enquanto plataforma para a fabricação de dispositivos analíticos, apresenta uma série de vantagens por se tratar de um polímero natural, amplamente disponível em todo o mundo, leve, biodegradável, portátil e dobrável”, diz Bufon.
O desafio é converter um material isolante, caso do papel, em condutor. Para isso, o pesquisador desenvolveu uma técnica que possibilita impregnar nas fibras de celulose polímeros com propriedades condutoras, tornando-o capaz de conduzir eletricidade e transmitir informações de um ponto a outro e permitindo atribuir a ele a função de um sistema para sensoriamento.
“A técnica é baseada na síntese in situ de polímeros condutores. Para que esses polímeros não fiquem retidos na superfície do papel, é necessário que eles sejam sintetizados dentro dos poros da fibra de celulose e entre eles. Para isso, o processo é feito por meio de uma rota de polimerização química a vapor: um agente oxidante líquido é incorporado ao papel, que, em seguida, é exposto aos monômeros (pequenas moléculas capazes de se ligarem a outras) na fase de vapor. Ao evaporarem sob o papel, os monômeros entram na fibra em escala submicrométrica, penetrando entre os poros, onde encontram o agente oxidante e iniciam o processo de polimerização ali mesmo, impregnando todo o material”, explica.
Ainda de acordo com o pesquisador, “é como tentar encher uma sala com balões; se eles não passam pela porta cheios de ar, uma alternativa é enchê-los lá dentro”.
Uma vez impregnado pelos polímeros, o papel passa a ter as propriedades condutoras deles. Essa condutividade pode ser ajustada dependendo da aplicação que se queira dar ao papel, manipulando-se o elemento que é incorporado à fibra de celulose. Dessa forma, o dispositivo pode ser condutor de corrente elétrica, levando-a de um ponto a outro sem grandes perdas (imagine antenas de papel, por exemplo), ou semicondutor, interagindo com moléculas específicas e funcionando como sensor físico, químico ou eletroquímico.
Fonte: Diego Freire/Agência FAPESP
Foto: Divulgação

01/04/2016

Instituto de Psiquiatria disponibiliza vagas para pacientes voluntários


O Instituto de Psiquiatria (IPq), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP, disponibiliza vagas para pacientes voluntários em diversos grupos e projetos de pesquisa.
Os tratamentos são gratuitos e incluem medicações, exames laboratoriais e de imagem, de acordo com os serviços oferecidos.
São oferecidos os seguintes tratamentos:
TDAH
Destinado às crianças entre 3 anos e 11 meses e 5 anos e 11 meses, que apresentem agitação e desatenção. Se confirmado diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), o paciente será incluído em protocolo de tratamento com duração de oito semanas. Informações e inscrições no site.
Ciúme patológico
Para pessoas maiores de 18 anos, que percebam que seu ciúme prejudica o relacionamento amoroso de alguma forma, sendo motivo de brigas ou discussões, com queixas e reclamações sobre o ciúme excessivo do/a parceiro/a. Inscrições pelo telefone: (11) 2661-7805 ou email proamiti.secretaria@gmail.com.
Gestantes e pós-parto
Podem participar gestantes de 18 a 45 anos, com quadros de depressão e ansiedade e para mulheres até o 6º mês do período pós-parto, de 18 a 45 anos, com quadro de depressão pós-parto. Agendar triagem pelo telefone (11) 2661-6440, com Irene.
Jogo patológico
Voltado para voluntários maiores de 18 anos, que apresentem compulsão por jogos de azar, a ponto de prejudicar seu trabalho, finanças ou relacionamentos. Inscrições para triagem pelos telefones. (11) 2661-7805 / 2307-7805 ou enviar email paraproamjo.secretaria@gmail.com.
Memória  
Para pessoas a partir de 60 anos, sem dificuldades de memória ou raciocínio em geral ou apenas com dificuldades leves, para estudo que pretende identificar o risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, com uso de uma nova tecnologia diagnóstica. Informações e inscrições pelo telefone (11) 94321-3537 (deixar nome e telefone de contato na caixa postal) ou pelo email pesquisamemorialim27@gmail.com.
Psicoterapia para cuidadores de pessoas com Alzheimer
Atendimento psicológico (grupo de apoio) para cuidadores de pacientes com doença de Alzheimer que apresentem sintomas depressivos e ansiosos (comuns nessa situação, em razão da sobrecarga de tarefas e responsabilidades). Critérios para participar: ser o cuidador principal ou exercer essa atividade no mínimo duas horas por dia; apresentar sintomas de sobrecarga e/ou depressivos, com perda de qualidade de vida; ter mais de 35 anos e, obrigatoriamente, ser familiar do doente. Inscrições pelo email grupopsicorpo@gmail.com.
Portadores de doença de Alzheimer e seus cuidadores
O serviço de Terapia Ocupacional procura pessoas acima de 60 anos, que apresentem demência de Alzheimer, diagnosticada há mais de 3 anos (fase moderada), bem como seu cuidador direto, maior de 18 anos, para estudo no qual os cuidadores serão ensinados a manejar pacientes que apresentem agitação, agressividade e alterações do sono, entre outros, visando melhorar esses sintomas e diminuir a sobrecarga para ambos. O paciente deverá vir ao IPq juntamente com seu cuidador, pelo período de três meses, uma vez por semana. Informações e inscrições (11) 2661-8043 ou email xandamartini@usp.br.
Transtorno bipolar em fase depressiva
Podem participar homens e mulheres de 18 a 59 anos, que apresentem transtorno bipolar e se encontrem deprimidos no momento, apresentando sintomas como tristeza profunda, desânimo, apatia, falta de energia, pensamentos negativos, cansaço e falta de concentração, entre outros. Inscrições e informações pelo telefone (11) 2661-7928 ou email pesquisaproman@gmail.com.
Estresse pós-traumático
O tratamento é destinado a voluntários de 18 a 65 anos, que tenham vivenciado ou presenciado eventos traumáticos em qualquer momento da vida e que ainda se encontrem emocionalmente abalados. Serão oferecidos tratamentos médico e psicológico. Informações e inscrições telefone (11)94990-4532; (11) 98938-9805 ou email novasestrategias.ipq@hc.fm.usp.br.
Depressão 
Para homens e mulheres de 18 a 65 anos, que apresentem depressão unipolar (aquela sem alternância no estado de humor) ou bipolar (episódios depressivos que incidem em portadores do transtorno bipolar do humor). Inscrições e informações pelo site.
Compulsão alimentar
Destinado às mulheres de 18 a 60 anos, que tenham realizado cirurgia bariátrica para perda de peso há mais de 2 anos, mas que mantenham IMC superior a 30kg/m² e apresentem episódios de compulsão alimentar. Informações e inscrições para triagem pelo email:ambulim.ipq@hc.fm.usp.br ou telefone (11) 2661-6975.
Anorexia 
Adolescentes de 12 a 17 anos, com diagnóstico de anorexia nervosa ou que tenham apresentado perda de peso em um curto período de tempo, acompanhado de medo intenso de engordar. Inscrições pelo email: protad.hc@uol.com.br (informar nome completo do adolescente, data e ano de nascimento, nome dos pais ou responsáveis, motivo da procura por atendimento e telefones de contato).
Bulimia  
Para adolescentes até 17 anos, com bulimia nervosa. Os pacientes selecionados receberão atendimento psiquiátrico, nutricional e psicológico. Inscrições pelo email:protad.hc@uol.com.br – informar nome completo do adolescente; data de nascimento; nome dos pais ou responsáveis; motivo da procura por atendimento e telefone para contato.
Transtorno ​dismórfico ​corporal​ ​
Podem participar pessoas de ambos os sexos, maiores de 18 anos, ​que apresentem transtorno ​dismórfico ​corporal​,​ distúrbio mental que se caracteriza por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo.​ ​Informações e inscrições telefone (11) 2661-6975 ou email: ambulim.ipq@hc.fm.usp.br.
Skin picking 
Para homens e mulheres maiores de 18 anos, que apresentem skin piching, síndrome que leva as pessoas a cutucarem a pele compulsivamente, provocando lesões em diferentes graus, em várias partes do corpo (especialmente áreas que podem ser “escondidas” pela roupa). Os interessados podem se inscrever para triagem pelo fone (11) 2661-7805 ou email:proamiti.secretaria@gmail.com.
Idosos com TDAH
Para pessoas a partir de 65 anos, que apresentem sintomas de transtorno de déficit atenção e hiperatividade (TDAH) desde a infância e/ou juventude (desatenção, distração, desorganização, procrastinação, agitação). Inscrições para triagem pelo email:idosotdah@gmail.com ou diretamente com a psicóloga Margarete Klein – telefone. (11) 99229-0359.
Epilepsia 
Voltado às crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, com diagnóstico de epilepsia rolândica, ou adolescentes e adultos, de 16 a 55 anos, com epilepsia mioclônica juvenil. Informações e inscrições pelo site ou telefone (11) 2661-6518.
Esquizofrenia
Para pessoas de 18 a 55 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, para uma nova abordagem terapêutica, a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), que vem se mostrando eficaz no controle de sintomas chamados negativos, como apatia, falta de vontade e de energia, isolamento social e baixa afetividade, presentes em cerca de 60% dos portadores da doença. Informações e inscrições pelo e-mail:pesquisa.esquizofrenia@gmail.com.
Oniomania (compra compulsiva) 
Podem participar pessoas de 21 a 60 anos, que apresentem comportamento repetitivo e crônico de gastar descontroladamente – compra compulsiva ou oniomania. Esses indivíduos também podem apresentar outros transtornos associados, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar. Informações e inscrições telefone (11) 2661-7805 ou site.
Mais informações: site www.ipqhc.org.br
Fonte: USP

21/03/2016

Memória perdida por Alzheimer pode ser recuperada, diz estudo



Pessoas que sofrem do mal de Alzheimer podem não ter "perdido" a memória e ter apenas dificuldade para recuperá-la. É o que sugerem pesquisadores que nesta quarta-feira (16) revelaram a possibilidade de um tratamento que pode algum dia curar os estragos da demência.

O prêmio Nobel Susumu Tonegawa afirmou que estudos realizados em ratos mostram que estimulando áreas específicas do cérebro com luz azul, os cientistas podem conseguir que os animais lembrem experiências às quais não conseguiam ter acesso antes.
Os resultados fornecem algumas das primeiras evidências de que a doença de Alzheimer não destrói memórias específicas, mas as torna inacessíveis.
"Como seres humanos e camundongos tendem a ter princípios comuns em termos de memória, nossos resultados sugerem que os pacientes com a doença de Alzheimer, pelo menos em seus estágios iniciais, podem preservar a memória em seus cérebros, o que indica que eles têm chances de cura", afirmou Tonegawa à AFP.

Experimento
A equipe de Tonegawa usou camundongos geneticamente modificados para mostrar sintomas semelhantes aos dos seres humanos que sofrem de Alzheimer, uma doença degenerativa do cérebro que afeta milhões de adultos em todo o mundo.
Os animais foram colocados em caixas por cuja superfície inferior passa um baixo nível de corrente elétrica, causando uma descarga desagradável, mas não perigosa em seus membros.
Um rato que não tem Alzheimer que é devolvido para o mesmo recipiente 24 horas depois tem um comportamento medroso, antecipando, assim, a sensação desagradável.
Camundongos com Alzheimer não reagem da mesma forma, indicando que não guardam nenhuma memória da experiência.
Mas quando os pesquisadores estimulam áreas específicas do cérebro dos animais - as chamadas "células de engramas" relacionadas à memória - usando uma luz azul, lembram da sensação desagradável.
O mesmo resultado foi observado inclusive quando se colocavam os animais num recipiente diferente durante o estímulo, o que sugere que a memória teria sido retida e se ativou.
Conexões sinápticas
Ao analisar a estrutura física do cérebro dos camundongos, os pesquisadores mostraram que os animais afetados com a doença de Alzheimer tinham menos "espinhas dendríticas", através das quais as conexões sinápticas são formadas.
Com a repetição dos estímulos de luz, os animais podem incrementar o número de espinhas dendríticas atingindo o nível de ratos normais, então voltando a mostrar um comportamento de medo no recipiente de origem.
"A memória de ratos foi recuperada através de um sinal natural", disse Tonegawa, referindo-se ao recipiente que causava o comportamento de medo.
"Isto significa que os sintomas da doença de Alzheimer em camundongos foram curados, pelo menos em seus estágios iniciais", disse.
A pesquisa, patrocinada pelo Centro RIKEN-MIT para Genética de Circuitos Neurais, é a primeira a mostrar que o problema não é a memória, mas sua recuperação, disse o centro com sede no Japão.
Boa notícia para pacientes de Alzheimer
"É uma boa notícia para os pacientes de Alzheimer", disse Tonegawa por telefone à AFP desde seu escritório em Massachusetts. Tonegawa obteve em 1987 o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina.
O estímulo ótico das células cerebrais - técnica chamada "optogenética" - implica inserir um gene especial nos neurônios para fazê-las sensíveis à luz azul, e depois estimulam partes específicas do cérebro.
A optogenética foi usada anteriormente em tratamentos psicoterapêuticos para doenças mentais, como depressão mental e transtorno de estresse pós-traumático (PTSD).
Tonegawa disse que a pesquisa em ratos dá esperança para o tratamento futuro do mal de Alzheimer que afeta 70% das 4,7 milhões de pessoas no mundo sofrem de demência, um número que deve aumentar à medida que nos países desenvolvidos como o Japão as pessoas vivem cada vez mais tempo. Mas adverte que muito trabalho ainda é necessário.
"Os níveis iniciais de Alzheimer poderiam ser curados, no futuro, se conseguirmos uma tecnologia com ética e segurança para o tratamento de condições humanas", acrescentou. A pesquisa foi publicada na revista "Nature".

Fonte: France Presse
Foto: Riken/Divulgação

12/03/2016

Os cientistas identificam um vírus e duas bactérias que poderiam causar a doença de Alzheimer


Um grupo de 31 pesquisadores publicou um editorial alertando o mundo da ciência para mudar o seu foco quando se trata de doença de Alzheimer. A mensagem é clara - após uma década de tentativas falhas para tratar e prevenir a doença, é hora de reavaliar as evidências de que a doença de Alzheimer pode ser espalhada por micróbios. 

O editorial implica especificamente no vírus do herpes - do tipo que provoca feridas frias - e dois tipos de bactérias, todas as quais já foram ligadas à doença de Alzheimer.

Esta não é a primeira vez que os cientistas têm suspeitado que vírus ou bactérias podem desempenhar um papel na causa da doença de Alzheimer - Estudos anteriores mostraram que as pessoas com a doença de Alzheimer tendem a ser mais susceptíveis de serem infectadas com certos micróbios, incluindo tipos de fungos do que o resto da população.

"Nós estamos dizendo que há provas irrefutáveis ​​de que a doença de Alzheimer tem um componente microbiano dormente", disse Douglas Kell, um químico da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que foi um dos autores do editorial. "Não podemos continuar a ignorar todas as evidências."

Segundo o editorial , houve cerca de 100 artigos publicados sobre a relação entre HSV1 e Alzheimer.

"Escrevemos para expressar nossa preocupação de que um aspecto particular da doença tem sido negligenciada, apesar de tratamento com base nele poder retardar ou parar a progressão da doença de Alzheimer".  "Propomos que mais pesquisas sobre o papel de agentes infecciosos em causa da doença de Alzheimer, incluindo estudos prospectivos de terapia antimicrobiana são agora justificados. "

Fonte: Science Alert
Imagem: ZEISS Microscopy/Flickr


17/01/2016

Doença de Alzheimer reduz sensibilidade gustativa


Vários estudos mostram que, com o passar dos anos, as pessoas têm a sensibilidade gustativa em relação ao sal diminuída. Mas o que preocupa a comunidade de saúde é o fato dessa redução da capacidade de sentir os sabores se acentuar em presença de doenças como o Alzheimer.

Para entender a relação da sensibilidade gustativa com a doença de Alzheimer, a nutricionista e pesquisadora Patrícia Contri, do setor de geriatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, estudou cerca de 130 pessoas. Ela comparou diversos parâmetros, como idade, saúde, hábito alimentar, índice de massa corporal (IMC) e sensibilidade gustativa, de 30 adultos entre 30 e 50 anos; 30 idosos sem Alzheimer; 23 em estágio moderado da doença e 37 em estágio leve.

Os resultados mostraram que a doença de Alzheimer está diretamente associada com o prejuízo da sensibilidade gustativa. A percepção do gosto salgado ficou prejudicada desde o estágio inicial da doença. E, com avanço, verificou-se que essas pessoas também sentem menos os gostos doce e amargo.

O paladar pelos sabores básicos – doce, salgado, ácido, amargo – foi observado pela pontuação dada pelos participantes do estudo. Cada um deles recebeu tiras com quatro concentrações diferentes de cada sabor e duas, sem gosto. “A diminuição da sensibilidade gustativa ocorreu em 26% dos idosos com a doença moderada; 8,1%, com a doença leve e 3,3%, sem a doença”, afirma Patrícia.

A nutricionista adianta que, com a idade, a função de identificar os gostos pode ficar prejudicada. Mas esse problema nas pessoas com Alzheimer se agrava com o avanço da doença. E o fato preocupa, pois a dificuldade na identificação dos gostos pode acentuar danos nutricionais nos idosos e agravar indiretamente a saúde.

Desnutrição em idosos
Os resultados desse estudo “podem contribuir para atuação prática do profissional na área da saúde que trabalha com o idoso que tem a doença de Alzheimer”, afirma Patrícia, já que oferece informações importantes para tornar as refeições mais agradáveis e atrativas. Patricia adianta que se deve ter cautela com orientações nutricionais restritivas para evitar possíveis complicações associadas à subnutrição.

Ela alerta também para que a dificuldade em reconhecer o gosto salgado não seja usada de forma isolada como um indicador no diagnóstico clínico da doença na população em geral. “Pode ser utilizado como método complementar para auxiliar a diferenciação de indivíduos com alteração cognitiva, em um contexto clínico. Porém, o mais importante é permitir identificar o momento certo para uma intervenção nutricional precoce, prevenindo a desnutrição nestes idosos”, adverte.

Segundo Patrícia, na literatura, existem poucos trabalhos que avaliaram a sensibilidade gustativa em idosos com a doença de Alzheimer. Os estudos já realizados apresentam limitações como pequeno número de pessoas analisadas e inclusão de indivíduos com mais de uma doença o que afeta o paladar. “Não existem pesquisas com este tema em idosos com a doença de Alzheimer, relacionando a progressão da doença”.

O trabalho Associação da gravidade da demência devido à doença de Alzheimer com o paladar de idosos foi apresentado pela nutricionista Patrícia Contri, em novembro, à FMRP para a obtenção do título de doutorado. A tese foi orientada pelo professor da área Geriatria do Departamento de Clínica Médica da FMRP, Julio Cesar Moriguti.

Doença de Alzheimer
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que cresce mundialmente conforme a população acima dos 65 anos de idade aumenta. Estima-se que o crescimento da incidência da doença dobre a cada 20 anos.

Dados da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) mostram que cerca de 1,2 milhão de brasileiros e de 35,6 milhões ao redor do mundo possuem a doença.

A patologia foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão, Alois Alzheimer. É caracterizada pela perda das funções cognitivas como: memória, atenção, linguagem e orientação. Não se sabe ao certo as causas da doença, que ainda é incurável. O único tratamento existente melhora os sintomas da doença, não sendo possível evitar sua progressão ou regressão.

Por Gabriela Vilas Boas e Rita Stella, do Serviço de Comunicação Social do Campus de Ribeirão Preto
Publicado em Agência USP