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05/08/2016

50 mil medalhas da Olimpíada de Astronomia dependem de vaquinha


Um corte no orçamento da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) fez com que o coordenador dela, o professor João Batista Garcia Canalle, recorresse a um site de financiamento coletivo para garantir a confecção das medalhas. Lançada no fim de julho e aberta até o dia 22 de setembro, a campanha já havia conseguido arrecadar mais de R$ 23 mil até a tarde desta quarta-feira (3). 
O objetivo é levantar R$ 150 mil para produzir 50 mil medalhas (45 mil para a 19ª OBA e 5 mil para a 10ª Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog). 
De acordo com a comissão organizadora, o custo total anual dos eventos é de cerca de R$ 1,2 milhões. Procurado pelo G1, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não confirmou o valor repassado no ano anterior, mas afirmou que, "dado o cenário orçamentário recente, houve uma diminuição do valor global da chamada de apoio a Olimpíadas de 2015, sendo o valor total aprovado e já pago à OBA de R$ 580 mil" (leia abaixo a nota na íntegra) .

Motivação 
As competições são organizadas pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e, na edição de 2016, contaram com a participação de 890 mil alunos. "Motivação é fundamental na educação e medalhas são extremamente motivadoras", explicou a comissão organizadora em um comunicado.
"A verba destinada à OBA foi cortada pela metade, o que dificultou não só a questão das medalhas, mas também a preparação e a viagem dos alunos que representarão o Brasil nas olimpíadas de conhecimento das ciências espaciais no exterior", afirmou a comissão. Neste ano, as olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, sigla em inglês) e Latino Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) acontecem na Índia e na Argentina, respectivamente. 

Leia a íntegra da nota do CNPq: 
"O CNPq apoia as Olimpíadas Brasileira de Astronomia (OBA) desde 2003, no âmbito das Chamadas de Apoio às Olimpíadas Científicas, de forma crescente ano a ano, totalizando, nos últimos dez aos, mais de R$ 5 milhões destinados. Nas últimas edições da Chamada de Olimpíadas, a OBA tem sido o evento que recebe o maior volume de recursos, à frente da Olimpíada Brasileira de Matemática – OBM e da Olimpíada Brasileira de Física – OBF. No entanto, dado o cenário orçamentário recente, houve uma diminuição do valor global da Chamada de apoio a Olimpíadas de 2015, sendo o valor total aprovado e já pago à OBA de R$ 580 mil."

Fonte: G1
Foto: Reprodução/Kickante

12/06/2016

USP abrirá inscrições para pós em Mudanças Climáticas e suas Interdisciplinaridades


Agência FAPESP – O Núcleo de Apoio à Pesquisa em Mudanças Climáticas (NapMC – Incline), da Universidade de São Paulo (USP), inicia em 1º de julho o processo de matrículas na disciplina de Pós-Graduação Mudanças Climáticas e suas Interdisciplinaridades.
O objetivo do curso é desenvolver conhecimentos gerais e interdisciplinares sobre aspectos relacionados às Mudanças Climáticas e suas implicações no clima passado, presente e futuro.
A disciplina será ministrada no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro. A carga horária será de 60 horas ao longo das duas semanas, com aulas de segunda a sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 17h.
As matrículas são gratuitas e abertas a todos os alunos de Pós-Graduação da USP e também a interessados de instituições externas. Os alunos regulares deverão matricular-se entre 1º e 10 de julho pelo Sistema Janus. Alunos não regulares têm prazo até 15 de julho para fazer a matrícula pelo e-mail cpgiag@usp.br.
O curso abordará os temas Paleoclima, balanço de energia na atmosfera, biometeorologia humana, Introdução à oceanografia descritiva de importância para as mudanças e variabilidade do clima, entre outros. Para mais informações acesse o site:http://www.incline.iag.usp.br/data/index_BRA.php.

22/03/2016

Cientistas criam novo tipo de célula-tronco com apenas meio genoma


Cientistas geraram pela primeira vez um tipo de célula-tronco embrionária que carrega uma única cópia do genoma humano, e não as costumeiras duas, um desdobramento que poderia levar ao avanço da pesquisa sobre edição genética, rastreio genético e medicina regenerativa.
Derivada do óvulo feminino, as células-tronco geradas pelos cientistas são as primeiras células humanas conhecidas capazes de divisão celular com apenas uma cópia do genoma da célula do progenitor, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (16) no periódico "Nature".
Espera-se que a descoberta reduza a complexidade para se identificar anormalidades genéticas, o que poderia levar a uma melhor compreensão de muitas doenças, afirmaram os pesquisadores.
Células humanas são consideradas diploides porque elas herdam dois conjuntos de cromossomos, 23 da mãe e 23 do pai. As células reprodutivas do óvulo e do esperma são conhecidas como haploides pois elas contém um único conjunto de cromossomos. Elas não podem se dividir para gerar mais óvulos e esperma.
"O que é fundamentalmente novo é que nós temos células que podem se dividir e se renovar com um único genoma. Isso é simplesmente sem precedentes”, declarou Dieter Egli, do Centro Médico da Universidade de Columbia em Nova York, autor do estudo junto com Nissim Benvenisty, da Universidade de Jerusalém.
Os pesquisadores, incluindo cientistas da Fundação de Células-Tronco de Nova York, identificaram células-tronco haploides capazes de se transformar em muitos outros tipos de célula, como células nervosas, do coração e pancreáticas, mantendo ao mesmo tempo um único conjunto de cromossomos.

Fonte: Reuters
Foto: Gloryn Chia/Columbia University Medical Center

12/03/2016

Os cientistas identificam um vírus e duas bactérias que poderiam causar a doença de Alzheimer


Um grupo de 31 pesquisadores publicou um editorial alertando o mundo da ciência para mudar o seu foco quando se trata de doença de Alzheimer. A mensagem é clara - após uma década de tentativas falhas para tratar e prevenir a doença, é hora de reavaliar as evidências de que a doença de Alzheimer pode ser espalhada por micróbios. 

O editorial implica especificamente no vírus do herpes - do tipo que provoca feridas frias - e dois tipos de bactérias, todas as quais já foram ligadas à doença de Alzheimer.

Esta não é a primeira vez que os cientistas têm suspeitado que vírus ou bactérias podem desempenhar um papel na causa da doença de Alzheimer - Estudos anteriores mostraram que as pessoas com a doença de Alzheimer tendem a ser mais susceptíveis de serem infectadas com certos micróbios, incluindo tipos de fungos do que o resto da população.

"Nós estamos dizendo que há provas irrefutáveis ​​de que a doença de Alzheimer tem um componente microbiano dormente", disse Douglas Kell, um químico da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que foi um dos autores do editorial. "Não podemos continuar a ignorar todas as evidências."

Segundo o editorial , houve cerca de 100 artigos publicados sobre a relação entre HSV1 e Alzheimer.

"Escrevemos para expressar nossa preocupação de que um aspecto particular da doença tem sido negligenciada, apesar de tratamento com base nele poder retardar ou parar a progressão da doença de Alzheimer".  "Propomos que mais pesquisas sobre o papel de agentes infecciosos em causa da doença de Alzheimer, incluindo estudos prospectivos de terapia antimicrobiana são agora justificados. "

Fonte: Science Alert
Imagem: ZEISS Microscopy/Flickr


Microrganismos das plantas auxiliam o vegetal e podem ser fontes de antibióticos


Eles podem auxiliar no crescimento e desenvolvimento das plantas e também ser fonte de novos antibióticos. Os microrganismos presentes nas plantas, próximos às raízes (rizosfera), no interior (endosfera) ou sobre os tecidos vegetais (filosfera) deverão ser uma ferramenta poderosa para aprimorar o desenvolvimento vegetal além de possuir potencial de aplicação na saúde humana. Essas questões foram debatidas durante o Primeiro Simpósio Plant Microbiome, que reuniu especialistas internacionais de 22 a 24 de fevereiro em Jaguariúna (SP) na sede da Embrapa Meio Ambiente.
Os pesquisadores Penny Hirsch, Tim Mauchline e Ian Clark, do Rothamsted Research, na Inglaterra, vêm desenvolvendo trabalho de metagenômica e metatranscriptômica, para verificar as alterações de práticas agrícolas nas comunidades microbianas e em suas funções. Os cientistas explicaram que os microrganismos desempenham importantes papéis para a manutenção do ecossistema, e têm capacidade de promover o crescimento de plantas, seja pela produção de hormônios vegetais, disponibilização de nutrientes e até mesmo inibição de fitopatógenos, os agentes causadores de doenças em plantas. A pesquisa inglesa é realizada em campos de experimentos que existem desde 1834, que estão entre os mais antigos utilizados pela comunidade científica mundial.
Estudioso dessa linha de pesquisa, Peter Bakker da Utrecht University, na Holanda, demonstrou que algumas espécies de bactérias, como as pertencentes ao gênero Pseudomonas, são capazes de induzir o sistema imune da planta por meio de uma espécie de comunicação entre os microrganismos e a planta infectada. "A planta atacada por um patógeno libera um composto, um tipo de "pedido de socorro", capaz de atrair determinados grupos de microrganismos que auxiliam na defesa", explica o especialista. 
Além disso, muitos microrganismos conseguem produzir enzimas e metabólitos capazes de controlar o crescimento de patógenos em placas de Petri em laboratório, úteis à biotecnologia. Alguns desses compostos são antibióticos, que podem ser produzidos por várias actinobactérias presentes no solo ou associados às plantas.
Descoberta de antibióticos
Uma nova proposta apresentada pelo pesquisador Gilles van Wezel, da Leiden University, Holanda, pode ser considerada como uma quebra de paradigma nas estratégias para o descobrimento de novos antibióticos. A técnica usual é a busca massiva na bioprospecção de compostos a partir de amostras ambientais, tais como, plantas, solo e água. Neste método são isolados milhares de microrganismos que, posteriormente, são avaliados.
Wezel propõe o abandono da força bruta na busca por antibióticos pelo uso de "insigths" biológicos e ecológicos, dispensando a triagem de milhares de microrganismos por genes já conhecidos e presentes na natureza. Ele demonstrou como ativar a produção de novos antibióticos pelos microrganismos. A técnica pode ser traduzida como a possibilidade de se acordar genes adormecidos, por indução dirigida, para a produção desses compostos.
O cientista sugeriu a busca por diferentes microrganismos em ambientes pouco explorados, ou seja, os considerados extremos, como desertos, geleiras, entre outros. Wezel acredita que a prospecção nesses ambientes pode levar à descoberta de novos compostos.  Ele também demostrou que plantas, quando estressadas, liberam compostos elicitores, que funcionam como um "gatilho" que desencadeiam a produção de antibióticos pelos microrganismos. Uma resposta de defesa química do vegetal que poderia ser aplicada na geração de medicamentos para humanos.
Quando aqueles microrganismos capazes de produzir tais compostos foram cultivados em meio de cultura, juntamente com patógenos ou com alterações induzidas no pH, demonstraram eficiência na produção de antibióticos diferentes dos já conhecidos e em quantidades promissoras. Por meio de técnicas avançadas, será possível determinar, no futuro, quais genes controlam a produção de antibióticos e qual a sua estrutura e composição.
Grandes oportunidades em um microuniverso 
Jos Raaijmakers, pesquisador do Instituto Holandês de Ecologia - NIOO-KNAW, afirma que, ao estudar o microbioma de plantas, a ciência pretende responder algumas questões básicas como: quais microrganismos estão presentes na planta, onde se encontram e o que fazem?
Ele explica que existe uma enorme diversidade de microrganismos que ainda é pouco conhecida e os métodos de cultivo para isolamento propiciam a obtenção de somente cerca de 1% da diversidade total, presente em amostras ambientais. A coleta inicial de dados é crucial para responder a primeira questão.
O Simpósio contou com a participação de cerca de 130 inscritos, de 38 universidades e institutos de pesquisas do Brasil, Reino Unido e Holanda. Segundo o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Rodrigo Mendes, o evento visou a promover os estudos e integrar os cientistas, que estão na fronteira do conhecimento nesse campo de pesquisa. "É importante sabermos os principais grupos de microrganismos que se encontram em determinada amostra, para depois tentarmos identificar possíveis funções que eles desempenham no solo e que possam, de alguma forma, beneficiar a planta", comenta.
Pesquisas sobre o microbioma e as aplicações
A pesquisa de microbiomas foi marcada, nos últimos dez anos, de avanços tecnológicos que revolucionaram técnicas como o sequenciamento genômico em larga escala, que possibilitou o acesso às comunidades microbianas como nunca antes. "O sequenciamento em larga escala pode ser comparado ao grande salto tecnológico propiciado pela invenção do microscópio e, igualmente, pode ser considerado como um marco importante na exploração da microbiologia", ressalta Mendes.
Ainda segundo o chefe de Pesquisa, o estudo do microbioma de plantas é extremamente importante, já que essas informações poderão auxiliar na manipulação dessas comunidades, visando a melhorar o desempenho das plantas, seja quando atacadas por patógenos ou até mesmo para incrementar a produtividade agrícola de modo sustentável.
O chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), Francisco Laranjeira, concorda que esses conhecimentos poderão gerar ativos importantes para a agricultura no futuro. Para ele, propostas para solucionar os atuais desafios da agricultura, tais como produzir mais alimentos em menores áreas, possibilitar a produção em eventos de seca ou a diminuição da dependência de moléculas químicas no campo, por exemplo, surgirão à medida dos avanços no entendimento de como acontecem essas inter-relações.
No entanto, Laranjeira destaca que não existe tecnologia que seja capaz de revolucionar tudo. "Considero cada pesquisa como uma pequena parte de um todo e à medida que as contribuições vão surgindo é que iremos construindo uma agricultura e uma vida melhor," completou.
As pesquisas no Brasil 
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) têm participação ativa nos recentes avanços para a elucidação dos mecanismos moleculares entre plantas – patógeno, por meio de estudos em conjunto com o Programa Back to the Roots(de volta às raízes), coordenado por Rodrigo Mendes e por Jos Raajimakers, do Instituto Holandês de Ecologia.
É o caso do pesquisador Miguel Dita, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, atualmente lotado na Embrapa Meio Ambiente, que realiza pesquisas que procuram entender a diversidade funcional do microbiana da bananeira buscando o desenvolvimento de produtos e processos para sua possível aplicação nos sistemas de produção. A ideia é compreender as relações ecológicas entre esses seres e sua interação com a bananeira, buscando identificar microrganismos chaves, supressores de pragas e doenças, proteção contra estresses abióticos como a seca, por exemplo. 
As pesquisas não se baseiam na busca de agentes específicos de biocontrole, mas em entender o papel do conjunto. De maneira simultânea, as pesquisas são direcionadas à saúde do solo. Microrganismos novos foram identificados e os testes de caracterização funcional revelaram uma grande diversidade de endofíticos cultiváveis e multifuncionais que habitam as raízes da bananeira. "Acreditamos que exista um grande potencial de desenvolvimento de novos produtos e métodos para melhorar a produtividade na bananeira, de maneira sustentável por meio do manejo do microbioma, tanto da planta quanto do solo," explicou Miguel Dita.
Marcos Vicente (MTb 19.027/MG)
Embrapa Meio Ambiente

Telefone: (19) 3311 - 2611
Vanessa Nesser Kavamura - Estagiária 
Embrapa Meio Ambiente 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
Fonte: Embrapa
Foto: ThinkStock

06/02/2016

Cientistas britânicos poderão alterar embriões humanos


Cientistas da Grã-Bretanha receberam permissão para editar os genes de embriões humanos para efeitos de pesquisa, usando uma técnica que alguns afirmam poder ser usada para criar "bebês por encomenda" no futuro.

Menos de um ano depois de cientistas chineses causarem furor em todo o mundo afirmando que modificaram embriões humanos geneticamente, Kathy Niakan, cientista especializada em células-tronco do Instituto Francis Crick de Londres, recebeu uma licença para realizar experimentos semelhantes.

"A Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) aprovou uma solicitação de pesquisa do Instituto Francis Crick para usar novas técnicas de 'edição de genes' em embriões humanos", declarou o laboratório de Kathy nesta segunda-feira.

A instituição afirmou que o trabalho a ser feito "será para propósitos de pesquisa e irá analisar os primeiros sete dias de desenvolvimento de um óvulo fertilizado, de uma única célula até cerca de 250 células".

Os cientistas não poderão desenvolver os embriões modificados para propósitos clínicos ou implantá-los em mulheres.

Kathy planeja realizar experimentos usando o que é conhecido como CRISPR-Cas9, uma tecnologia que já causa debates internacionais acalorados por causa dos temores de que possa ser usada para criar bebês por encomenda.

A CRISPR pode dotar os cientistas da capacidade de encontrar e modificar ou substituir defeitos genéticos. Muitos especialistas a classificam como "um divisor de águas".

Fonte: Kate Kelland, da REUTERS
Foto: Sandy Huffaker/Getty Images

Um olhar para a evolução do olho

Cientistas conseguiram reconstruir olho de um fóssil de crustáceo de 160 milhões de anos de idade encontrado no sudeste da França. Com a reconstrução do olho, os cientistas conseguiram fazer a estrutura de tecido mole visível - que foi durante muito tempo considerado impossível.

Zoólogos de Colônia e Lyon conseguiram descobrir a estrutura interna de um olho composto de aproximadamente 160 milhões de anos (Dollocaris ingens van Straelen, 1923, Thylacocephala) do período Jurássico Médio. Ele foi descoberto no depósito de La Voulte no sudeste da França. 

Com a reconstrução da estrutura do olho, os cientistas conseguiram fazer a estrutura de tecido mole ser visível - que foi durante muito tempo considerado impossível. Juntamente com o paleontólogo Jean Vannier (CNRS / Université Claude Bernard Lyon 1 / ENS de Lyon) e outros colegas, a zoóloga Brigitte Schoenemann da Universidade de Colônia desempenhou um papel de liderança nesta pesquisa.

A construção de alta performance olho do crustáceo mais se assemelha a de uma abelha ou uma libélula. O mais provável é que também funcionavam de maneira parecida. A análise física revelou que este crustáceo estava ativo durante o dia e viveu nas partes repletas de luz sobre o oceano. Uma análise do seu estômago mostrou que, obviamente, perseguia organismos marinhos menores e se alimentava deles.

Este trabalho de pesquisa é importante porque até agora os pesquisadores pensavam que somente as partes duras de um animal, como conchas ou ossos, poderiam ser preservadas. Assim, os resultados da equipe sobre pesquisa em tecidos moles são inovadores.

A equipe foi capaz de abrir completamente novas perspectivas - não apenas para a investigação de sistemas sensoriais fossilizados. Ele também mostrou que, em comparação com resultados anteriores, o registro fóssil pode contribuir importantes fatos para a discussão da evolução dos sistemas internos visuais e outros.

Fonte: Jean Vannier, Brigitte Schoenemann, Thomas Gillot, Sylvain Charbonnier, Euan Clarkson.
Imagem: Freepik

05/02/2016

Brasileiro recebe 1,75 milhão de euros para desenvolver pesquisa na Europa



Com a proposta de desenvolver um método inovador para aumentar a eficiência da energia elétrica, o brasileiro Elison Matioli, que é professor da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, ganhou um prêmio de 1,75 milhão de euros para pôr em prática seu projeto de pesquisa.
O prêmio do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC, na sigla em inglês) tem o objetivo de financiar jovens cientistas a desenvolverem pesquisas inovadoras de alto risco e alto ganho. O que significa que são projetos que têm uma probabilidade grande de não darem certo. Mas, caso sejam bem-sucedidos, podem revolucionar sua área do conhecimento e exercer um impacto significativo no mundo.

Pesquisa quer diminuir perda de energia
Depois de a energia ser gerada por qualquer tipo de fonte - hidrelétrica, solar ou nuclear, por exemplo - há a necessidade de convertê-la para uma forma em que ela possa ser consumida pelos equipamentos elétricos que usamos no cotidiano. O problema que o projeto de Matioli busca resolver é o da perda de energia elétrica devido a sistemas ineficientes de conversão de energia, o que corresponde a mais de 10% de toda a eletricidade consumida no mundo, segundo estimam os cientistas.

"Isso corresponderia a perdas de mais de 2 mil Terawatt-hora (TWh) de energia por ano, um valor muito elevado se comparado, por exemplo, à produção total da usina hidrelétrica de Itaipu, que é de aproximadamente 100 TWh por ano", diz Matioli.

Os sistemas que servem para converter a energia elétrica são constituídos principalmente por transistores de potência, atualmente feitos em materiais semicondutores como o silício.
Silício x nitreto de gálio

"Para aplicações como processamento de dados em computadores ou smartphones, o silício é muito eficiente, mas quando se requer conversão de energia em grande escala, o material não é próprio. Meu objetivo é o usar uma nova classe de semicondutores como o nitreto de gálio para desenvolver novos transistores de potência que resultariam em conversores de energia muito mais eficientes no futuro. Para a mesma tensão, este material propicia muito menos perda em comparação com o silício”, explica Matioli.

Hoje, segundo ele, ainda não é possível substituir o silício pelo nitreto de gálio, pois ainda existem desafios a ser superados. "O que eu proponho é combinar esse material com elementos da nanotecnologia para resolver esses desafios. Se der certo, conseguiremos fazer componentes muito menores e mais eficientes", afirma.

"Esses componentes poderiam nos levar a um novo paradigma, não o do processamento de dados como em computadores e celulares, mas o do processamento de energia para futuros painéis solares, eletrodomésticos e carros elétricos de forma miniaturizada e muito mais eficiente."

Projeto de alto risco
O projeto começa já em fevereiro de 2016 e o brasileiro tem cinco anos para usar esta verba para a contratação de pesquisadores, cientistas e comprar equipamentos necessários para atingir seus objetivos de pesquisa.

Ele observa que o prêmio é importante porque contempla projetos que teriam dificuldade de receber financiamentos tradicionais, por causa do alto risco de falharem. "Outras agências de financiamento se focam em projetos de menores riscos e querem o proof of concept antes de fazer o investimento. Sem os esses recursos, seria muito difícil desenvolver projetos mais ambiciosos, de maior risco."

O prêmio foi dado a 291 cientistas de 38 nacionalidades e Matioli foi o único brasileiro contemplado.

Fonte: G1
Foto: Arquivo Pessoal

04/02/2016

Pesquisa desenvolve protetor solar capaz de durar dias na pele



Na prevenção ao câncer e a outras doenças de pele, o protetor solar é um grande aliado diário. E os avanços para tornar esse produto cada vez mais eficaz não param. Cientistas dos Estados Unidos estão investindo, agora, em um protetor ainda mais resistente à água e que permanece na superfície da pele por um dia ou mais.

Com a ajuda da nanotecnologia, os pesquisadores da Universidade Yale desenvolveram a novidade, que é capaz de bloquear os raios ultravioleta sem penetrar na pele. Os membros da equipe encapsularam um protetor solar comum, o padimato O, dentro de uma nanopartícula, estrutura minúscula normalmente usada para transportar medicamentos para dentro do organismo.

Como as nanopartículas bioadesivas contendo o protetor solar são maiores do que os poros da pele, o produto não é absorvido.

Para testar se o produto realmente era incapaz de penetrar, ele foi aplicado na pele de porcos. Além de constatar que as nanopartículas realmente não penetraram nos animais, os cientistas concluíram que o produto é resistente à água e permanece na superfície da pele por um dia ou mais.

Outros testes, feitos em camundongos, atestaram que a capacidade de bloquear os raios ultravioleta das nanopartículas com protetor era similar à capacidade do protetor aplicado diretamente na pele, fora das nanopartículas.

Em estudo. De acordo com o site da universidade, uma das grandes vantagens de o novo protetor não penetrar na pele é ele ficar fora da corrente sanguínea, evitando possíveis riscos para a saúde.

Professor de dermatologia de Yale, Michael Girardi, um dos autores do estudo, observa que há pouca pesquisa sobre os efeitos do uso de protetor solar na geração de moléculas conhecidas como “espécies reativas de oxigênio”, que são capazes de provocar danos nas células. “Protetores químicos evitam os efeitos diretos dos raios ultravioleta no DNA, mas podem não proteger contra os efeitos indiretos”, afirma.

Entretanto, a pesquisadora Jessica Tucker, do Instituto Nacional de Imagem Biomédica e Bioengenharia dos Estados Unidos, ressalta que o potencial risco para a saúde da entrada do protetor solar na corrente sanguínea é pouco conhecido.

Substância. Na hora de escolher o protetor solar nas prateleiras, o consumidor deve estar atento à composição do produto. Em um teste realizado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor – Proteste, no Brasil há produtos que contêm benzofenona-3 (benzophenone-3 ou oxibenzona), um filtro químico, com potencial alergênico considerável. A Proteste afirma que há estudos verificando se pode causar outros danos à saúde.

Curiosidades sobre o protetor comum
O Fator de Proteção Solar (FPS) representa a eficácia do produto. Ou sejam com o FPS 30, você vai demorar 30 vezes mais para se queimar do que se não tiver aplicado o produto.

Os raios de luz solar são importantes fontes de vitamina D. Como o uso do protetor impede a absorção, uma opção é ficar poucos minutos exposto ao sol e, em seguida, passar a proteção.

A aplicação do protetor solar pode variar, dependendo de onde a pessoa estiver. Se for em um local muito ensolarado, por exemplo, deve-se aplicar um FPS maior. Além disso, o uso da proteção deve ser diário, mesmo para quem passa o dia no escritório.

É fundamental reaplicar o protetor solar após atividade física ou natação, mesmo que o produto seja à prova d'água.

O uso de chapéus e roupas também é fundamental para os cuidados com a pele.

Fonte: O Tempo
Imagem: Designed by Freepik

02/02/2016

Acordo destina R$ 12 milhões para estudos sobre desastres ambientais


O edital, que deve ser lançado até o fim de fevereiro, prevê a contratação de propostas de estudo de pesquisadores abrangendo as áreas de solo, água, vegetação e fauna
Ação conjunta entre entidades federais e estaduais irá gerar conhecimento para buscar soluções concretas às consequências de desastres ambientais como o ocorrido no município de Mariana, em Minas Gerais, no final do ano passado.

A iniciativa reúne o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) e prevê o lançamento de um edital no valor de R$ 12 milhões.

Para isso, na última semana, foi assinado um acordo de cooperação entre os órgãos, momento que o presidente do CNPq, Hernan Chaimovich, avaliou como uma evidência da a capacidade das agências e da comunidade cientifica de trabalharem juntos na busca de soluções para problemas concretos.

“Essa conjunção de esforços entre agências federais, agências estaduais e problemas reais, demonstra que o Brasil é capaz de enfrentar crise”, completou.

“O Brasil precisa, não só por esse caso (desastre em Mariana), incorporar ciência, tecnologia e inovação como política de estado, tal que, as políticas públicas sejam baseadas em evidências consensuais e não em opiniões individuais”, disse Hernan.

O presidente da Capes, Carlos Afonso Nobre, falou sobre a importância dos desastres naturais acontecidos nos últimos anos para a criação das políticas públicas relacionados ao tema. “No Brasil, nesta área de desastres naturais, nos estamos começando a construir alguns caminhos em que o conhecimento cientifico consegue de fato orientar políticas públicas”.

O edital

O edital, que deve ser lançado até o fim de fevereiro, prevê a contratação de propostas de estudo de pesquisadores abrangendo as áreas de solo, água, vegetação e fauna. Além, de estudos na área social como as consequências do desastre para agricultura, abastecimento, economia regional da bacia do rio e a população afetada.Também as áreas como hidrologia, engenharia de barragem, química, química ambiental, ecologia, biologia, oceanografia, mineralogia e meteorologia.

Entre outras ações, o edital irá oferecer bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, abrangendo cientistas nacionais e estrangeiros. A expectativa é que os estudos sejam feitos ao longo dos próximos quatro anos.

Fonte: Coordenação de Comunicação Social do CNPq
Foto: Christophe Simon / AFP

29/01/2016

Emirados Árabes Unidos buscam cientistas para 'espremer' nuvens

Dubai vista do mirante do Burj Khalifa (Foto: Ahmed Jadallah/Reuters)

Com apenas 100 milímetros de chuva por ano e uma grande taxa de evaporação devido às altas temperaturas, os Emirados Árabes Unidos andam sedentos de um recurso "muito mais importante que o petróleo": a água doce, que serve para abastecer seus 9,5 milhões de habitantes e quase 3 milhões de turistas.

Assim reconheceu Sultan al-Jaber, ministro de Estado dos Emirados, e enviado especial de Água e Mudança Climática em uma área do planeta onde os aquíferos não se renovam e a situação é suscetível a piorar pelo aquecimento global, segundo advertiu uma recente pesquisa publicada na revista "Nature Climate Change", que considerou que o Golfo pode se tornar inabitável no final de século.

Nesse contexto, os Emirados buscam atrair os melhores pesquisadores do mundo especialistas em técnicas para estimular as nuvens para que ajudem a aumentar a quantidade de chuva.

Para isso, foi criado o Prêmio de Pesquisa para a Melhora da Chuva, dotado de US$ 5 milhões e que em sua primeira edição serão repartidos por 3 cientistas ganhadores: Musataka Murakami, pesquisador da Universidade de Nagóia (Japão); Linda Zou, do Instituto de Ciência e Tecnologia Masdar em Abu Dhabi; e Volker Wulfmeyer, diretor do Instituto de Ciências Físicas e Meteorológicas da Universidade de Hohonheim (Alemanha).

O prêmio, entregue durante a Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi, recebeu um total de 78 propostas científicas de 25 países diferentes.

No entanto, a ciência para a melhora da chuva não é nova nos Emirados, que desde 1990 possui um Programa Nacional de Pesquisa dedicado a esta matéria, que desde 2001 conta com a colaboração da Nasa e do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos, em Boulder (Colorado).

O programa é administrado pelo Centro Nacional de Meteorologia e Sismologia, pertencente ao Ministério das Relações Exteriores.

Hoje em dia o programa conta com 60 estações meteorológicas estrategicamente distribuídas por todo o país, uma rede de acompanhamento atmosférico e seis aviões do tipo King Air C90 dotados com a última tecnologia, além de equipes especializadas em estímulo das nuvens e pesquisa atmosférica no aeroporto de Al Ain (no emirado de Abu Dhabi, próximo à fronteira com Omã).

Alya Al Mazroui, o responsável pelo programa, explicou que os processos para estimular as nuvens requerem 72 horas de preparação e condições meteorológicas apropriadas.

Uma vez dadas essas condições, os pilotos sobem cerca de 2.500 metros sobre a superfície para alcançar as nuvens, nas quais injetam labaredas que contêm uma mistura destes sais: cloreto de potássio, cloreto de sódio e cloreto de cálcio.

"Esses sais atraem vapor de água, aumentado o tamanho das gotas de água que caem sobre a terra", detalhou Al Mazroui, que insistiu que o experimento não prejudica o meio ambiente já que só são usados sais naturais e em nenhum momento recorrem a substâncias químicas perigosas.

A operação é acompanhada, coordenada e documentada em terra por outra equipe de cientistas.

A pesquisadora sustenta que seu maior índice de sucesso foi conseguir 35% a mais de chuva do que teria caído de uma nuvem de maneira natural, contra 50% conseguidos na Austrália, outro dos países pioneiros neste tipo de pesquisa.

Os Emirados já sabem, portanto, como estimular as nuvens para conseguir mais chuva, mas necessitam "espremê-las" ainda mais para encher seus aquíferos e liderar uma área de conhecimento com grande potencial de demanda em um planeta ameaçado pela crise hídrica, no qual 80% da população vivem em zonas áridas ou semiáridas.

Daí veio a ideia deste prêmio milionário para atrair o conhecimento mais avançado na matéria.

Dos três pesquisadores premiados nesta primeira edição, o professor Murakami é especialista em classificação de nuvens e identificação de quais são as ideais para serem estimuladas.

Zou é especialista no uso de nanotecnologia para acelerar a condensação de água nas nuvens, enquanto o alemão Wulfmeyer implementará seus estudos sobre quais são os solos ou coberturas terrestres mais apropriadas para estimular as nuvens sobre elas.

Fonte: G1

26/01/2016

Cientistas usam macaco transgênico para melhorar tratamento do autismo

Macaco da espécie 'Macaca fascicularis', mesma usada no estudo que modificou genes de macacos para reproduzir sintomas similares aos do autismo (Foto: André Ueberbach/Creative Commons)

Cientistas na China conseguiram modificar genes de macacos pela primeira vez para poder estudar o comportamento autista em humanos e a transmissão para seus descendentes, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (25) pela revista "Nature".
Um dos principais desafios na pesquisa dos diferentes espectros de autismo está na falta de modelos animais que possam reproduzir fielmente os sintomas desta condição detectados em pacientes humanos.

Embora nos últimos anos tenham sido alcançados grandes avanços neste campo em experimentos com roedores, não houve até agora modelos de primatas não-humanos, os quais refletem com mais precisão doenças neuronais complexas.
Os cientistas da Academia Chinesa de Ciências, com o especialista Zilong Qiu à frente, conseguiram desenvolver um modelo de primatas afetado pela síndrome de duplicação do gene MeCP2, um gene epigenético que controla a atividade de muitos outros genes.

Esta desordem se apresenta na infância e compartilha alguns dos sintomas principais com alguns espectros do autismo, explicaram os autores do estudo.

Neste sentido, estudaram oito macacos-caranguejeiros (Macaca fascicularis), modificados geneticamente a partir de lentivírus que apresentavam uma superexpressão no cérebro do gene MeCP2, associado ao autismo.

As funções cognitivas destes primatas transgênicos, afirmaram os cientistas, eram relativamente normais, mas foram observadas várias mudanças em seu comportamento.

Entre outros, detectaram nos oito sujeitos um aumento das condutas motoras repetitivas e dos comportamentos relacionados com a ansiedade, ao mesmo tempo em que diminuiu a interação social entre eles.

Descendentes também afetados
Além disso, demonstraram a existência de uma transmissão do gene aos descendentes de um dos macacos macho, os quais também apresentaram uma deterioração em suas interações sociais quando foram pesquisados como casais.

Os especialistas da Academia Chinesa de Ciências de Pequim puderam assim determinar que tanto os primatas como sua descendência chegaram a apresentar mudanças em seu comportamento, o que demonstra que é possível experimentar com primatas não-humanos modificados geneticamente para estudar desordens do desenvolvimento neuronal.

Segundo destacam os autores, este trabalho poderia contribuir ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas para tratar os sintomas de algum dos espectros do autismo.

Fonte G1

Vegetais: crus ou cozidos?


O ato de cozinhar os vegetais leva necessariamente à redução do teor de compostos bioativos e da atividade antioxidante? Existe uma forma de preparo ideal, capaz de melhor preservar as propriedades funcionais desses alimentos?

Para responder a perguntas como essas, uma série de estudos vem sendo realizada com apoio da FAPESP no Instituto de Saúde e Sociedade (ISS) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob a coordenação da professora Veridiana Vera de Rosso.

“A conclusão a que chegamos até o momento é que não há uma regra válida para todos os alimentos. Depende, por exemplo, se o composto é solúvel em água, como as antocianinas, ou se é lipossolúvel, como os carotenoides. Da forma como está armazenado no vegetal, que no caso de carotenoides pode ser cristaloide, globular-tubular ou de cristal líquido. Se está ligado a outras moléculas, como proteínas, que são desnaturadas pelo calor durante o preparo, podendo facilitar a extração. Depende ainda da textura do alimento, do teor de água e de fibras. Não é possível dizer que um determinado tipo de processamento é melhor para todos os vegetais, assim como não dá para afirmar que é sempre melhor consumir o alimento cru”, avaliou de Rosso.

No trabalho mais recente, publicado na revista Food Chemistry, o grupo investigou o que acontecia com três classes de substâncias antioxidantes presentes na couve e no repolho roxo quando esses vegetais eram submetidos a três diferentes formas de preparo: cozimento por imersão na água, cozimento a vapor e refogado.

“Escolhemos as três formas de preparo mais empregadas no Brasil e buscamos deixar os alimentos na textura que seria agradável para a alimentação humana. Em seguida, a extração dos compostos antioxidantes presente nas amostras foi feita em laboratório”, explicou de Rosso.

No caso dos carotenoides, grupo representado pelos pigmentos que vão do amarelo ao vermelho, todas as formas de preparo levaram a uma redução significativa do teor de compostos bioativos na couve, sendo que a menos prejudicial foi o refogado. Enquanto a folha crua apresentou 155 microgramas de carotenoides totais (19 diferentes substâncias dessa classe foram avaliadas) por grama de alimento (μg/g), o número caiu para 35 μg/g na couve cozida por imersão; 43 μg/g na cozida no vapor; e 69 μg/g na refogada.

Já no repolho roxo, como o teor de carotenoides é naturalmente baixo, a diferença não foi significativa. Em relação às antocianinas (pigmentos do vermelho-alaranjado, ao vermelho vivo, roxo e azul) do repolho, o cozimento a vapor até mesmo favoreceu a extração dos compostos em laboratório, proporcionando aumento significativo do teor desses compostos.

Da folha crua foi possível obter 23,9 miligramas de antocianinas (6 diferentes substâncias dessa classe foram avaliadas) por 100 gramas do vegetal (mg/100g). No repolho cozido por imersão o número caiu para 14 mg/100g; no cozido a vapor ocorreu aumento para 28,9 mg/100g; e no refogado para 25 mg/100g.

“Como o repolho tem alto teor de fibras, a extração dos compostos é mais difícil quando a folha está crua. O cozimento a vapor promoveu o abrandamento do tecido, favorecendo a extração. Podemos inferir que o mesmo ocorre em nosso organismo, ou seja, o cozimento faz com que esses antioxidantes do repolho fiquem mais biodisponíveis para o processo digestivo. Mas, como as antocianinas são solúveis em água, devemos evitar o cozimento por imersão, pois ocorre uma grande perda durante o processo”, explicou de Rosso.

A terceira classe de substâncias antioxidantes avaliadas foi a dos compostos fenólicos. No caso do repolho, o cozimento a vapor novamente aumentou a quantidade de substâncias extraídas em comparação à folha crua, passando de 49 mg/100g para 91,4 mg/100g. O cozimento por imersão reduziu para 23,6 mg/100g e o refogado elevou para 53,3 mg/100g. Já na couve as três formas de preparo causaram redução na quantidade de compostos fenólicos extraída, sendo que nesse caso o cozimento a vapor foi o mais prejudicial (passando de 28,5 mg/100g na folha crua para 18,6 mg/100g) e o refogado o que mais preservou o nutriente (passando para 26,9 mg/100g).



Ação antioxidante nas células
O passo seguinte foi avaliar em culturas de células a atividade antioxidante desses dois alimentos, tanto na forma crua como na cozida por imersão, cozida a vapor e refogada.

“Adicionamos o extrato do alimento no meio celular e esperamos cerca de duas horas para que ele fosse metabolizado. Em seguida, adicionamos à cultura uma substância geradora de radicais livres e também uma outra substância que reage com esses radicais livre formados e torna-se fluorescente. Quanto maior é a capacidade dos antioxidantes dos alimentos de desativar os radicais livres, menos as células ficam fluorescentes”, contou de Rosso.

Segundo a pesquisadora, de maneira geral, o cozimento a vapor foi o que melhor preservou a atividade antioxidante tanto na couve quanto no repolho roxo, embora as três formas de preparo tenham demonstrado ação antioxidante significativa.

Os experimentos relatados na Food Chemistry contribuem para elucidar alguns pontos que de Rosso e colaboradores já haviam apontado com baixo nível de evidência em duas revisões de literatura sobre o tema – uma já publicada na revista Food Research International e outra recentemente aceita na revista Critical Reviews in Food Science and Nutrition.

“Nas duas revisões avaliamos cerca de mil trabalhos da literatura científica e observamos uma controvérsia enorme nos resultados. O que podemos concluir é que os componentes estão armazenados de maneira diferente em cada matriz alimentícia e isso determina se ele é mais ou menos estável quando submetido ao cozimento. Portanto, usando a mesma técnica de preparo podemos obter respostas diferentes para diferentes vegetais”, afirmou. 

Por Karina Toledo | Agência FAPESP

Usuários temem maconha transgênica e com agrotóxico nos EUA

(Foto: AP Photo/Brennan Linsley, File)

Eleitores americanos que nos últimos anos votaram para legalizar a maconha em seus Estados pensavam em criar novas fontes de receita para o governo, enfraquecer o tráfico de drogas e combater o estigma enfrentado por consumidores. Mas muitos usuários não contavam com um efeito colateral da medida: a absorção da erva pelo capitalismo.

Conforme a legalização da planta avança pelos Estados Unidos e investidores despertam para seu potencial econômico, usuários e pesquisadores tentam agora impedir que a maconha se transforme numa espécie de commodity agrícola, com variedades transgênicas, uso intensivo de agrotóxicos e poderoso lobby entre os políticos.

"Depois de tudo o que fizemos pela legalização, é frustrante ver o rumo que as coisas têm tomado", diz à BBC Brasil Larisa Bolivar, diretora executiva da Cannabis Consumers Coalition, uma organização de usuários da erva sediada no Colorado.

No fim de 2012, Colorado e Washington se tornaram os primeiros Estados americanos a legalizar o uso recreativo da maconha. Desde então, foram seguidos por Oregon, Alaska e pelo Distrito de Columbia (sede da capital Washington). O uso medicinal da erva já foi legalizado em 23 dos 50 Estados americanos.

Bolivar diz que, ao elaborar as regras que regem a produção e o comércio de maconha, políticos têm deixado os consumidores de lado e levado em conta apenas os interesses de empresas farmacêuticas e produtores da erva.

A indústria da maconha, como tem sido chamada, já conta até com representantes em Washington. Em 2014, a National Cannabis Industry Association, organização que representa o setor, contratou um lobista para atuar junto a congressistas, prática comum a grandes segmentos empresariais.
Agrotóxicos no pulmão

"A maconha já está se transformando numa commodity", diz à BBC Brasil o biólogo Mowgly Holmes, cientista chefe do laboratório Phylos Bioscence, em Oregon.

Ele diz que, assim como a maioria dos fazendeiros que plantam milho ou soja em larga escala, vários produtores de maconha estão recorrendo a práticas do agronegócio, como o uso de pesticidas para aumentar a produtividade.

Holmes publicou em junho um estudo sobre a presença de agrotóxicos na maconha vendida legalmente em Oregon. A pesquisa detectou as substâncias em quase a metade dos produtos testados, inclusive em alguns cujos rótulos diziam ser orgânicos. Em alguns casos, o nível de agrotóxicos excedia o limite permitido para outros produtos agrícolas.

Holmes afirma que fumar produtos com agrotóxicos é ainda mais arriscado do que ingeri-los, já que as substâncias entram na corrente sanguínea sem que antes sejam metabolizadas pelo sistema digestivo.

No ano passado, a cidade de Denver (Colorado) interditou seis estufas de maconha ao flagrar o uso de pesticidas impróprios para uso em produtos voltados ao consumo humano.

Cabe à agência ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) definir as regras para o uso de agrotóxicos em alimentos nos Estados Unidos. Porém, como a legalização da maconha tem sido promovida por Estados, à margem da legislação federal, a agência não elaborou diretrizes para o uso de agrotóxicos na produção da erva.

Segundo Holmes, a ausência de regras faz com que muitos produtores de maconha estejam aplicando pesticidas sem saber dos riscos. Ele defende que os Estados restrinjam o uso de agrotóxicos em pés de maconha a produtos com toxicidade mínima, aceitos até no cultivo de orgânicos.

Maconha transgênica?
Em outra frente, o laboratório de Holmes se uniu ao filogeneticista Rob Desalle, do Museu Americano de História Natural, para fazer o sequenciamento do genoma de milhares de tipos de maconha. O pesquisador diz que a planta, domesticada por humanos há cerca de 10 mil anos, possui variedades "incrivelmente diversas e complexas".

Segundo Holmes, o estudo busca criar um banco de dados e impedir que empresas tentem patentear variedades em circulação. Outra preocupação, diz o pesquisador, é evitar que gigantes do agronegócio passem a dominar o setor, produzindo maconha transgênica e reduzindo a variedade atual.

"Estamos muito preocupados em proteger a diversidade e os pequenos produtores", ele afirma.
Por enquanto, não há informações sobre o desenvolvimento de variedades transgênicas de maconha. Segundo Holmes, grandes empresas do setor, como a Monsanto, só esperam um afrouxamento da legislação federal para atuar na área, o que para ele deverá ocorrer dentro de dois ou três anos.

A Monsanto afirma em seu site que não "trabalhou e não está trabalhando com maconha transgênica".
A farmacêutica alemã Bayer, que também desenvolve sementes transgênicas, já produz medicamentos à base de maconha. Consultada pela BBC Brasil, a empresa disse não ter planos de desenvolver produtos agrícolas relacionados à erva.

Nova indústria do tabaco
Cada Estado americano a legalizar a maconha adotou um modelo diferente. Enquanto as leis em Colorado e Oregon, por exemplo, permitem que lojas vendam a erva e encorajem agricultores a cultivá-la, na capital Washington o consumo deve se restringir à produção em pequena escala dos próprios usuários.

Estados que pretendem legalizar a substância têm considerado as diferentes experiências em seu planejamento.

Uma comissão que elaborou uma proposta para a legalização do uso recreativo da maconha na Califórnia aconselhou os legisladores a criar um modelo que "previna o surgimento de uma indústria da maconha grande e corporativa dominada por um grupo pequeno de participantes", como ocorreu com o setor tabagista.

Grupos que se opõem à regulamentação da erva passaram a ecoar os argumentos. Para a organização Grass is not Greener, ao se fortalecer, o a indústria da maconha poderá querer propagandear seus produtos para crianças.

A National Cannabis Industry Association não respondeu um pedido de entrevista da BBC Brasil sobre as preocupações de pesquisadores e consumidores com os rumos do setor.
Analistas dizem considerar improvável, no entanto, que a indústria siga os mesmos passos das empresas de cigarro.

Especialista em políticas sobre drogas, o articulista Christopher Ingraham comparou no "The Washington Post" dados sobre a venda de maconha em Colorado e o consumo de tabaco.

Ele diz que, enquanto um grupo proporcionalmente pequeno e cativo de usuários responde pela maioria das vendas de maconha, os lucros das empresas de cigarro dependem de um público menos concentrado, o que requer estratégias comerciais e publicitárias mais abrangentes.

Para Larisa Bolivar, diretora executiva da Cannabis Consumers Coalition, o mais provável é que o setor se desenvolva como a indústria cervejeira, com grandes empresas convivendo com produtores artesanais.

"Acho que daqui a alguns anos teremos grandes marcas de maconha, como a Budweiser no caso das cervejas, competindo com variedades orgânicas vendidas por microprodutores em lojas 'boutique'", ela diz.

25/01/2016

Cães reconhecem o significado de expressões emocionais


Quem tem cachorro sabe que, muitas vezes, o melhor amigo do homem parece entender o que dizemos e como nos sentimos. Estudo da bióloga Natalia de Souza Albuquerque, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, comprovou o que antes era desconfiança: esses animais conseguem, além de diferenciar, reconhecer expressões emocionais de raiva e alegria tanto em seres humanos como em outros cães. “Obtivemos, com este estudo, a primeira evidência científica de que essa habilidade está presente também em animais não primatas”, destaca a pesquisadora.

Natalia explica que os primatas, como chimpanzés e macacos Rhesus, são capazes de reconhecer emoções, mas apenas entre si. O estudo mostrou que os cães também fazem isso. Entretanto, até então, apenas seres humanos eram considerados capazes de reconhecer emoções, tanto de outros humanos como de outros animais.

Mas a pesquisa de Natalia mudou tudo. “Um dos resultados mais interessantes deste trabalho é mostrar que os cães são os únicos animais, fora os seres humanos, que conseguem reconhecer as emoções entre si e em outras espécies”, comemora.

Um artigo sobre o tema, Dogs recognize dog and human emotions, foi publicado nesta quarta-feira, dia 13 de janeiro, na revista científica Biology Letters, e tem obtido uma grande repercussão na mídia e no meio científico internacional. Uma nota chegou a ser divulgada no site de notícias da Revista Science.

De acordo com a pesquisadora, os resultados dos experimentos mostram que os cães reconheceram muito bem as expressões humanas de raiva e alegria. No entanto, eles foram ainda melhores em reconhecer as expressões de outros cães. “Por isso, acreditamos que esta é uma habilidade intrínseca deles, que são animais naturalmente sociais e já interagiam em seu passado evolutivo com coespecíficos [animais da mesma espécie]“, destaca.

Mas, segundo a bióloga, trata-se também de uma habilidade que deve ter sido altamente vantajosa para o estabelecimento e manutenção das relações com os seres humanos e identificação de pessoas amigáveis ou não.

Os dados foram obtidos durante o mestrado da pesquisadora, apresentado ao Instituto de Psicologia (IP) da USP e realizado parcialmente na Universidade de Lincoln, no Reino Unido, onde Natalia é atualmente pesquisadora visitante. A bióloga trabalhou com o grupo do pesquisador Daniel Mills, coorientador do mestrado, um dos maiores especialistas mundiais em comportamento animal. No IP, a orientação foi da professora Emma Otta.

Estudo mostrou que os cães reconhecem emoções de outros cães e também de seres humanos


No entanto, os animais foram ainda melhores em reconhecer as expressões de outros cães

Associando o som à imagem
A metodologia utilizada foi desenvolvida em 1964 pelo psicólogo Robert Lowell Fantz para ser aplicada em crianças na fase não verbal, mas já foi usada em primatas. Natalia analisou o comportamento de 17 cães, que não passaram por nenhum tipo de treinamento ou tiveram qualquer contato com os estímulos utilizados. Eles foram colocados, individualmente, em uma sala, a cerca de dois metros de distância de um painel contendo duas grandes telas. Uma segunda experimentadora segurava o animal, mas sem interagir com ele. O cão ficava sentado, de frente para o painel.

Natalia permaneceu atrás do painel, sem estar visível, observando duas câmeras: uma focava o animal e a outra mostrava a imagem das telas. Um jogo de luzes, no meio do painel, chamava a atenção do animal no início de cada teste. Quando ele olhava para a região central, Natalia exibia nos telões duas imagens: de um lado, a face de uma pessoa com expressão de raiva e, no outro, a imagem da mesma pessoa com expressão de alegria. Esses estímulos eram de cães e humanos (femininos e masculinos). As imagens eram de pessoas e animais desconhecidos dos participantes e em tamanho real.

Simultaneamente à exibição da imagem, era tocado um som, que poderia ser uma vocalização (voz para humanos e latidos para cachorros) que poderia ser positiva, negativa ou um som neutro. “Para os seres humanos, utilizamos a expressão ‘venha cá’, em português, pois todos os cães eram ingleses e queríamos utilizar uma língua totalmente desconhecida para eles”.

O som era tocado e repetido durante 5 segundos, mesmo tempo de duração de apresentação dos estímulos visuais. A pesquisadora analisou o comportamento dos cães, observando os movimentos dos olhos e da cabeça. Ela percebeu que eles associavam os sons às imagens. Diante de um som positivo, eles passavam mais tempo olhando para a imagem correspondente a essa emoção positiva. “Se o animal consegue reconhecer aquele estímulo sonoro, ele passa mais tempo observando a imagem correspondente. Ele reconhece o conteúdo emocional do estímulo”, destaca.

Segundo ela, nesse caso, a única correspondência entre voz / latido e uma expressão facial é o conteúdo emocional. “São estímulos de modalidades sensoriais diferentes, um é auditivo, o outro é visual, e não há correspondência direta. Se os cães respondem apropriadamente ao experimento, é porque ao escutar o som eles ativam uma representação cognitiva daquela emoção que vai ser utilizada no momento de discriminar entre as duas telas. Isto quer dizer que eles conseguem categorizar e reconhecer as emoções”, finaliza.

Agora, em seu doutorado, a pesquisadora continua trabalhando numa parceria entre a USP e a Universidade de Lincoln sobre o tema. O foco desta vez é entender quais são os mecanismos que os animais utilizam para reconhecer essas emoções.

Imagens cedidas pela pesquisadora
Por Valéria Dias
Publicado em Agência USP
Imagem: Freepik

Mais informações: e-mail natalia.ethology@gmail.com, com a pesquisadora Natalia de Souza Albuquerque

23/01/2016

Brics cria fundo de R$ 24 milhões para financiar projetos conjuntos de pesquisa



Brasil vai contribuir com R$ 1,2 milhão, e primeira chamada multilateral deve ser lançada em abril de 2016. MCTI vai adotar agenda "ousada" na cooperação internacional, diz Celso Pansera.

Os países que compõem o grupo Brics deram um importante passo na cooperação em ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Reunidos em Pequim, nesta quarta-feira (20), representantes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul fecharam um acordo para criar um fundo de R$ 24 milhões para financiar projetos conjuntos de pesquisa científica. O Brasil vai contribuir com R$ 1,2 milhão. A primeira chamada multilateral deve ser lançada em abril de 2016 e terá a participação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, a decisão está alinhada com a agenda "ousada" que deve ser adotada neste ano para os acordos de cooperação internacional em CT&I. "Nós queremos imprimir uma agenda muito ousada e bastante pretensiosa, uma agenda externa vigorosa do ministério ao longo de 2016, buscando recursos no exterior, com diversos parceiros", disse o ministro.

"Os países do Brics são parceiros privilegiados nossos, caminham em linha com a estratégia do governo brasileiro, do ponto de vista da geopolítica do País. E tivemos sorte, pois a nossa delegação está na China, reunida com representantes do Brics na área de ciência e tecnologia, e já temos uma proposta concreta de criação de um fundo de R$ 24 milhões para ser usado imediatamente em desenvolvimento de ações conjuntas em CT&I entre os países do bloco. Da nossa parte, estamos entrando com R$ 1,2 milhão", acrescentou.

Em Pequim, a II Reunião de Agências de Fomento à CT&I e a I Reunião do Grupo de Trabalho sobre Financiamento à CT&I do Brics foram marcadas pela expectativa de que os editais conjuntos aprofundem a colaboração entre os países em pesquisas de excelência para o conhecimento global e para a criação de produtos e processos inovadores.

"A criação de um mecanismo dos países do Brics para o financiamento de pesquisa e inovação é um marco histórico extremamente auspicioso. A reunião na China foi um grande sucesso. A partir de agora, a ciência, a tecnologia e a inovação são elementos centrais da parceria estratégica entre nossas nações", disse o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do MCTI, Danilo Zimbres.

De acordo com o assessor especial do ministro, Daniel Alvão, o acordo de Pequim reafirma o compromisso do governo brasileiro com a CT&I para superação dos desafios. "A estruturação do mecanismo de financiamento do setor de ciência, tecnologia e inovação do Brics é um acontecimento da maior relevância, pois reafirma a importância dada por seus países-membros à produção de conhecimentos científicos. Reafirma o compromisso do governo brasileiro e do MCTI com o incentivo à produção de ciência, tecnologia e inovação para a superação dos nossos desafios econômicos e sociais", ressaltou.

Fonte: MCTI

18/01/2016

Finep libera recursos para modernizar a pesquisa científica nas universidades


Ao todo, 31 instituições de ensino e pesquisa vão receber R$ 37,8 milhões do CT-Infra para projetos de implantação e ampliação de infraestrutura. Finep também vai repassar recursos para conclusão de obras selecionadas em editais lançados entre 2004 e 2013.

A Finep aprovou a liberação de recursos do CT-Infra para a execução de projetos de implantação, modernização e ampliação de infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica em universidades. Ao todo, 31 Instituições de Ensino Superior ou de Pesquisa do País serão beneficiadas. Os recursos somam aproximadamente R$ 37,8 milhões.

Segundo a Finep, com a expansão da infraestrutura do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, é importante estabelecer medidas que possam equilibrar as regiões, além de estimular a distribuição territorial mais justa e igualitária da pesquisa brasileira, incluindo a fixação de doutores em campi. Neste sentido, o apoio financeiro é fundamental para a realização da iniciativa.

Das 31 instituições beneficiadas com os recursos do CT-Infra, dez estão localizadas na região Sudeste, incluindo a Universidade de São Paulo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em seguida, a região Nordeste aparece com nove instituições, como as universidades federais do Maranhão, da Paraíba e de Pernambuco e a Fundação Edson Queiroz, em Fortaleza. A região Sul é representada por oito instituições distribuídas entre os três estados. Já as regiões Norte e Centro-Oeste têm, cada uma, duas instituições beneficiadas pelos recursos do CT-Infra.

Recursos para obras
A Finep finalizou também a contratação referente à Carta-Convite MCTI/FINEP 01/2014. O edital é destinado à conclusão de obras aprovadas nas chamadas públicas anteriores do CT-INFRA. Ao todo, 31 instituições foram selecionadas e terão R$ 110 milhões para investir em 91 construções. Desse montante, R$ 99 milhões vêm da Finep e R$ 11 milhões dos ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia), em forma de contrapartida.  

Participaram da seleção 220 construções de 54 ICTs selecionadas nos 13 editais lançados no período de 2004 a 2013. As instituições – entre universidades, institutos tecnológicos e centros de pesquisa – tiveram de apresentar pareceres técnicos para comprovar a viabilidade da execução da obra e justificar a necessidade de novos recursos.

Fonte: Finep

17/01/2016

Seleção de pesquisas espaciais


A FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciam a abertura de uma seleção pública do Programa PIPE/PAPPE Subvenção para apoiar pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias e produtos para aplicações espaciais.

Os recursos alocados para financiamento do edital são da ordem de R$ 25 milhões, sendo 50% com recursos da Finep e 50% com recursos da FAPESP.

Podem participar microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas e médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo, constituídas, no mínimo, 12 meses antes ao lançamento do edital.

As empresas deverão demonstrar contrapartida economicamente mensurável em itens de despesa relacionados com a execução de atividades de pesquisa e desenvolvimento, os quais devem ser descritos no projeto.

As propostas submetidas serão enquadradas e deverão seguir as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Os desafios tecnológicos propostos no edital estão divididos em sete grandes grupos:

Instrumentos embarcados da missão EQUARS;
Eletrônica e óptica espacial;
Propulsão;
Transponder digital e antena;
Suprimento de energia;
Integração de sistemas;
Controle de atitude e órbita.
O prazo de execução do projeto deverá ser de até 24 meses. O prazo para entrega da proposta termina em 4 de abril de 2016.

A seleção pública está disponível em: www.fapesp.br/9961