15/01/2016

Governo dos Estados Unidos anuncia que contribuirá para tornar carros autônomos realidade

País pretende flexibilizar leis e incentivar a pesquisa para que os carros autônomos se popularizem
Desenvolvimento de novas tecnologias de automação significa que os carros parcial ou completamente autônomos estão próximos do ponto em que sua implantação generalizada é viável". A afirmação poderia ter sido feita durante a apresentação de um carro autônomo da Tesla ou da Volvo, ou então por um executivo do Google ou da Ford, que recentemente anunciaram testes de carros que dispensam os comandos do motorista. Mas, a frase ganha ainda mais peso por fazer parte de um documento divulgado pelo Departamento de Transportes (DOT) do governo dos Estados Unidos.
O relatório é uma atualização de um documento publicado em 2013, que definia o posicionamento do país quanto ao desenvolvimento de tecnologias de carros autônomos. O novo texto foi divulgado não por acaso durante o Salão de Detroit e alguns dias depois da CES, a maior feira de tecnologia do mundo. No período entre o início da CES e o final do salão, a Ford anunciou um reforço em seus testes de carros autônomos, o Google divulgou um balanço sobre os acidentes em que seus veículos estiveram envolvidos, a Volvo lançou um novo sedã com diversas funções autônomas e a Tesla mostrou uma nova função que permite a seus carros abrirem a porta da garagem para estarem prontos para quando o proprietário quiser se locomover pela cidade.
Tudo isso foi um claro recado da indústria automotiva, que foi acompanhado pelo governo norte-americano: os carros autônomos caminham para se tornar cada vez mais parte do nosso cotidiano. A não ser por um problema: as barreiras tecnológicas têm sido rompidas, enquanto a legislação pouco avança. Hoje em dia, um carro só pode assumir o comando do percurso por pequenos trechos e sempre permitindo ao passageiro assumir o controle para evitar acidentes.
O documento divulgado pelo DOT não muda essa situação instantaneamente, mas mostra que o governo de um dos principais mercados do mundo passou a ver os carros autônomos como inevitáveis. Então, melhor cooperar do que tentar evitá-los. Segundo o texto, os órgãos ligados ao trânsito dos Estados Unidos vão "facilitar e encorajar sempre que possível o desenvolvimento de tecnologias com o potencial de salvar vidas". Assim, durante os próximos seis meses um desses órgãos, o NHTSA, "vai propor um guia com as melhores práticas para a indústria afim de estabelecer princípios para a operação segura de carros completamente autônomos".
Novas regras federais devem padronizar a legislação de trânsito por todo o país. Montadoras também criticam o fato de que atualmente cada estado pode determinar suas regras para carros autônomos, o que impede que esse tipo de tecnologia passe a ser implementada em massa. Um exemplo é a Califórnia, que estabeleceu regras mais rígidas para testes desse tipo de carro.
Para que as leis que liberam os carros autônomos no mercado sejam efetivamente flexibilizadas, as autoridades vão exigir provas de que esses veículos são tão ou mais seguros do que os comandados por motoristas. "É essencial para o desenvolvimento seguro destes veículos um rigoroso regime de testes que ofereça dados suficientes para determinar sua segurança", diz o texto.

US$ 4 bilhões de incentivos
O plano de desenvolver essas novas tecnologias não vai ser feito só de boas intenções. Segundo o jornal The New York Times, Anthony Foxx, secretário de transportes dos Estados Unidos, adiantou que o governo federal vai investir US$ 4 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) durante o próximo ano fiscal. 
O objetivo é financiar "projetos de pesquisa e investimentos em infraestrutura ligados a carros sem motorista". A destinação dessa verba deve ser oficializada pelo presidente Barack Obama em fevereiro. Foxx estimou que as tecnologias de condução autônoma teriam salvado 25 mil mortes nos Estados Unidos durante o último ano, caso já tivessem sido popularizadas.
O novo posicionamento das autoridades norte-americanas também pode ser considerado resposta a uma crítica feita pela Volvo em outubro. Durante um evento que reuniu políticos e representantes da indústria, o CEO da empresa, Håkan Samuelsson, afirmou que "os Estados Unidos colocam em risco sua posição de liderança devido à falta de regras federais para os testes e certificações de carros autônomos". Na mesma ocasião, a Volvo afirmou que "assume toda a responsabilidade pelas ações de seus carros autônomos quando no modo Autopilot", na esperança de pressionar o governo a criar regras nacionais que popularizem essas tecnologias.
Google
E se a principal preocupação do DOT é com a segurança de entregar todo o comando aos carros, o Google vem tentando convencer de que é capaz de tornar o trânsito cada vez mais seguro. Nesta semana, a empresa divulgou um relatório que registra 341 incidentes envolvendo seus carros autônomos em testes entre setembro de 2014 e novembro de 2015. No documento, a empresa garante que seus carros têm se tornado mais inteligentes conforme são testados. Isso porque foi registrado um acidente para cada 1.263 km rodados no final de 2014 e no final do ano passado a empresa contabilizou um acidente a cada 8.558 km.
Por Guilherme Blanco Muniz – Revista Autoesporte
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